Lampião e maria bonita em busca da química do amor



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Encontro29.07.2016
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LAMPIÃO E MARIA BONITA EM BUSCA DA QUÍMICA DO AMOR

ROTEIRO:

A história se passa em dois ambientes, numa rodoviária e no cenário da Caatinga. Maria Bonita e Lampião estão passando por uma crise amorosa, daí o enredo da peça acaba sendo uma “lavagem de roupa suja” entre o casal mais conhecido da história do nordeste. Eles relembram momentos alegres e situações que já passaram na vida. No decorrer da história eles serão cobaias de um velho cientista, Mago da Ciência, este irá fazer com que o casal experimente substâncias químicas do amor, são elas, norepinefrina, feniletilamina, dopamina entre outras. Mas Lampião perceberá que precisa ir atrás de outras substâncias para que o amor entre ele e sua amada seja eterno. Para isto terá que ir atrás de outro cientista, Mago Ventura, que o dará a ocitocina e vasopressina, responsáveis pelo amor duradouro.



PERSONAGENS:

Lampião → Marido de Maria Bonita e é um cangaceiro, bastante interessado na vida do cangaço, mas esquece de dar atenção à mulher, que pretende o abandonar e sair do cangaço. Ele passará a história tentando reconquistá-la, para isto fará de tudo para achar no meio do sertão a fórmula do amor eterno e assim passar o resto de sua vida ao lado de sua amada.

Maria Bonita → Mulher de Lampião, que está cansada da vida de cangaço e quer sair desta vida e tentar seguir uma profissão na cidade grande, no entanto, ela ainda se sente presa a ele. Está decidida a viajar de volta para sua cidade Paulo Afonso (BA) e deixar o cangaço e Lampião para trás.

Mago da Ciência → É um cientista excêntrico, mora no sertão do nordeste, isolou-se da cidade grande por que todos pensavam que ele estava ficando louco, isto por que dizia ter achado a fórmula do amor. Encontrará o casal Lampião e Maria Bonita e fará deles cobaia para suas fórmulas do amor. Ele irá descrever as causas no ser humano das substâncias químicas do amor.

Mossoró → Personagem que representa a cidade de Mossoró (RN), ele irá escorraçar Lampião, impedindo-o seu plano de invadir sua cidade.

Mago Ventura → É outro cientista excêntrico, este possui as duas substâncias químicas responsáveis pelo amor eterno, são elas a oxitocina e vasopressina. Por isso, será procurado por Lampião, pois com as substâncias o cangaceiro acredita que reconquistará de vez sua amada Maria Bonita.

PEÇA


Antes do início da peça estará tocando a música “Pisada de Lampião (mulher rendeira)” de Luiz Gonzaga.

Surge a personagem Maria Bonita no meio da plateia segurando uma mala como se fosse viajar e resmungando da vida!

Maria Bonita → Que calor e que seca nesse sertão! Parece que São Pedro esqueceu foi de nóis! Vou é sair desse cangaço e desse sertão brabo e voltar pra minha Bahia, onde nunca deveria ter saído!

Neste momento Maria Bonita se encontra numa rodoviária tentando comprar uma passagem de ônibus.

Ô moço me ver uma passagem para Paulo Afonso na Bahia!



Atendente → Senhora só temos passagem para Paulo Afonso para amanhã às 10:00h!

Maria Bonita → Diabeisso?! Vou ter que ficar nesta rodoviária até amanhã é!?

Atendente → Sinto muito senhora! É o que nós temos no momento!

Maria Bonita → Agora deu! Pois me ver esta passagem aí! Que eu tô é avexada!

Neste momento Maria Bonita se dirige a um banco de uma praça onde se senta! Entra em cena o Lampião em cima de seu cavalo!

Lampião → Vixe santinha muié tu vai pra onde?

Maria Bonita → Estou indo me bora, vou voltar pro meu interior na Bahia!

Lampião → Mas por quê? Já sei tu se apaixonou por um cangaceiro foi, me diz quem é o cabra que eu tiro o “coro” do infeliz, foi isso mesmo!?

Maria Bonita → Na verdade...

Lampião → Ou vai dizer que tu se apaixonou por um fazendeiro que me paga propina foi?!

Maria Bonita → É por que ...

Lampião → Num vai dizer que tu pegou alguma doença braba e ...

Maria Bonita → Ai cale-se cale-se ou você me deixa loooooouca!

Lampião → Pois “desembucha” muié!

Maria Bonita → Na verdade eu cansei de viver nesse sertão, nesse calor que não acaba mais, num chove já faz meses por essas terras. E tem mais a gente não para quieto nesse sertão! É todo o tempo andando de um lado por outro, brigando com fazendeiros, prefeito, vivendo o tempo todo fugindo dos volantes. Sem contar nos saques que a gente faz nas cidades por onde a gente anda. E que saber de uma coisa: Cansei!

Neste momento Lampião olha para ela com cara de espanto!

Lampião → Tu endoidou foi muié! Essa vida que nóis leva é o cangaço, tu quando veio se juntar comigo já sabia que ia ser assim! Eu acho que o sol esquentou tanto tua cabeça que derreteu teus miolos! E vem cá quer que tu vai fazer lá no interior da Bahia? Tu num sabe fazer nada!

Maria Bonita → Vou estudar, quem sabe até fazer o ENEM!

Neste momento Lampião olha para Maria Bonita e começa a achar muita graça.

Lampião → Tu vai fazer o quê? Muié tu enem sabe de Português enem sabe de Matemática e vai passar no ENEM é?

Maria Bonita → Mas tou estudando! Por exemplo, Biologia, você sabia que para a reprodução humana acontecer, é necessária que o espermatozoide, normalmente do homem, se encontre com o óvulo da mulher sabia. Isso por que o homem tem mais espermatozoide que a mulher!

Lampião → Agora eu entendi o que é ENEM- Eu Não Estudo Mais! E vem cá tu vai fazer que curso se passar no ENEM?

Maria Bonita → Isso eu não sei, mas quando era pequena ajudava muito meu pai a preparar cimento, fazer reboco!

Lampião → Vai ser engenheira!

Maria Bonita → Macho vei vamos deixar de prosa, você pode agora cuidar da tua vida que eu vou cuidar da minha!

Lampião → Mas e aí como fica a gente, a nossa história?

Maria Bonita → Já ficou meu bem, no passado, foi bom enquanto durou, agora cada um no seu canto!

Lampião → Mas aí tu num vai sentir saudade não? Pois eu lembro como se fosse hoje quando a gente se encontrou em 1930 na cidade de Paulo Afonso.

Neste momento acontece um túnel do tempo. E Maria Bonita se encontra no meio do palco sentada numa cadeira bordando um lenço. Surge Lampião e lhe pedi um pouco de água. Ela gentilmente concede água para ele.

Lampião → A senhora é bordadeira?

Maria Bonita → Sou sim senhor!

Lampião → Pois eu vou voltar para estas terras em poucos dias, a senhora poderia preparar um lenço bordado pra mim?!

Maria Bonita → Claro! Será uma honra bordar um lenço que será usado pelo senhor Lampião!

Lampião → Pois fica o pedido e obrigado pela água! Agora deixa eu ir que sinto cheiro de volante por perto! Ah! Quase esqueci, como é seu nome mesmo moça?

Maria Bonita → É Maria Déia capittão!

Lampião → Até Maria!

Após Lampião sair de cena Maria Bonita fica suspirando pelo cangaceiro e fica pensativa o que ela pode fazer para conquistar o coração do rei do cangaço.

Maria Bonita → E agora meu “Padim Ciço” o que eu uma simples bordadeira posso fazer para ficar com um homem como Lampião?

Neste momento surge o Mago da Ciência.



Mago da ciência → Olá Dona Maria, não sou o Padim Ciço, mas acho que posso lhe ajudar!

Maria olha com cara de medo e espanto para o mago.

Maria Bonita → Que Que Quem é você?

Mago da ciência → Eu sou um cientista, um cara que entende de ciências sabe! Vivo inventando fórmulas e compostos químicos no meu laboratório. O problema das minhas descobertas é achar alguém para ser cobaia das minhas fórmulas. Mas acho que já achei uma! E é você!

Maria Bonita → Peraí! Você falou que pode me ajudar a conquistar Lampião! Mas como?

Mago da ciência → Veja bem Dona Maria! Estive pesquisando durante muitos anos da minha vida o que faz com que as pessoas fiquem apaixonadas uma pela outra, ou seja, o que causa nas pessoas aquele frio no estômago, aquelas mãos suando quando uma pessoa ver o amado, o porquê do coração acelerado e o que causa aquela sensação de arrepio no nosso corpo quando estamos apaixonados. Depois de tanto pesquisar alguns casais com esses sintomas descobri que existem alguns compostos químicos, os neurotransmissores, que atuam sobre o nosso corpo, sobre o nosso cérebro, em particular e nos transmitem todas as sensações e comportamentos que associamos ao amor. São eles: Norepinefrina, Dopamina e Serotonina. E ainda tem a oxitocina e a vasopressina.
Neste momento à medida que o Mago for falando o nome das substâncias surgem figurantes no palco com o nome do composto na camisa e segurando uma placa com a fórmula do composto químico.
Maria Bonita → Sim! E daí?! E ocê deixa de falar esses nomes esquisitos para o meu lado cabra! Está me esculachando é?
Mago da ciência → Não Dona Maria! O que estou querendo dizer é que tenho aqui comigo todas as substâncias que pode fazer com que o Lampião se apaixone pela senhora, entendeu?
Maria Bonita → Tô começando a entender! Tu quer dizer que existe umas substâncias ai contigo que vai fazer com que Lampião se apaixone por mim, né! Mas desde já vou logo informando que sou uma simples bordadeira e não tenho dinheiro para comprar essas substâncias!

Mago da ciência → Vamos fazer o seguinte! Como estou buscando alguém para testar essa minha fórmula do amor, vou lhe dar uma amostra grátis! Tome aqui elas!

Maria Bonita → E como eu faço para dar a ele?

Mago da ciência → É fácil, prepare uma bebida para ele e coloque essas substâncias dentro da bebida!

Maria Bonita → E só uma última pergunta! Esta fórmula do amor não tem nenhum efeito colateral não tem?

Mago da ciência → Isso eu não vou saber lhe responder! Pois vocês vão testar elas e também não sei dizer quanto ela vai fazer efeito. Agora vou indo dona Maria!

Neste momento o Mago da ciência sai correndo do palco e Maria tenta alcança-lo, mas não consegue. Ela senta numa cadeira de balanço e começa a bordar, neste momento começa a tocar a música “Maria bonita”. Logo surge um som: “Alguns dias depois”. Eis que surge Lampião.

Maria Bonita → Capitão o senhor demorou a voltar para estas terras!

Lampião → Olá Dona Maria Déia! Há quanto tempo! Foram os combates que tive com alguns jagunços pelo sertão que me tomou o tempo, mas não esqueci da senhora não viu!

Maria Bonita → Estou vendo, até lembra o meu nome! Ah! Terminei de bordar o seu lenço, tá aqui ele! E tenho outra coisa, preparei um vinho para o senhor, vou buscar, só um minuto!

Maria Bonita sai de cena e volta com uma bandeja, com dois copos e uma garrafa de vinho.

Maria Bonita → Tá aqui capitão! Espere que o senhor goste!

Lampião → Tenho certeza de que vou gostar dona Maria!

Maria Bonita → Seu capitão está tendo uma quermesse na cidade, o senhor não gostaria de ir lá mais eu?

Lampião → Claro será uma honra!

Neste momento os dois saem de cena e ao voltar estarão no meio de uma festa típica de interior.

Maria Bonita → Capitão é verdade que não existe mulher no cangaço?

Lampião → É sim senhora!

Maria Bonita → Mas por quê?

Lampião → Na verdade a vida de cangaço não é para mulher! Lá a gente muitas brigas, correrias, é vida de “cabra macho” mesmo!

Maria Bonita → Eu admiro muito essa vida de cangaceiro, por que o senhor não me leva com o seu bando?

Lampião → Mas muié tu tem certeza do que tu tá me pedindo?

Maria Bonita → Nunca tive tanta certeza na minha vida!

Maria Bonita → Vamos dançar capitão!

Lampião → Eu não sei dançar Maria!

Maria Bonita → Vixe! Como é que um homem que sabe ler e escrever, toca sanfona, faz poesias, usa perfume francês, costura suas próprias roupas e ainda é habilidoso com o couro. E não sabe dançar?

Lampião → E como é que tu sabes tudo isso de mim?

Maria Bonita → Andei pesquisando rá rá rá! Agora vamos deixar de prosa e vamos dançar até amanhecer o dia! Toca o som ô do acordeom.

Neste momento começa tocar uma música de forró (Xote das meninas – Luiz Gonzaga). Lampião logo demonstra que realmente não tem muita habilidade para a dança. Em seguida Lampião oferece chocolate em barra para Maria Bonita.

Maria Bonita → Obrigada!

Neste momento eles ficam se olhando e entra o Mago da ciência em cena.

Mago da ciência → Esqueci de mencionar um químico neurotransmissor que interagi com o cérebro, é a feniletilamina, um nome complexo de efeito simples, tão simples que está presente na composição do chocolate, e que para muitos é um vício. É a feniletilamina que domina a transição da fase do desejo para o da paixão. Os cientistas acreditam que os dependentes da feniletilamina rapidamente saltitam de romance para romance assim que o composto químico perde força. Mas parece que isso não vai acontecer com o nosso casal aí!

Maria Bonita → Você me aceita para ser a rainha do cangaço?
Lampião sorri para Maria Bonita e a beija na testa.

Um túnel do tempo acontece e Lampião e Maria Bonita retornam para onde estava no início da peça (numa rodoviária).

Lampião → Quer dizer muié que na verdade tu foi atrás de um cientista de “arraque” para fazer uma fórmula de amor para eu me encantar por ti é?

Maria Bonita → Na verdade não foi bem assim! O amor não é fórmula é sim sentimento!

Lampião → O quê?

Maria Bonita → Isso mesmo! Amor é um fenômeno neurobiológico complexo, baseado em atividades cerebrais de confiança, crença, prazer e recompensa, atividades essas que envolvem um número elevado de mensageiros químicos.

Lampião → O que tu acabou falar mesmo ein?

Maria Bonita → Ah sei lá! Mas o quero lhe falar é que se existia alguma química entre nós esta se acabou!

Lampião → Mas muié lembre-se da fase que nós iniciamos nosso namoro!

Neste momento acontece um túnel do tempo. No palco estão Lampião e Maria Bonita com uma espingarda, ele irá ensiná-la como atirar.

Lampião → Maria agora eu vou lhe ensinar como é que atira!

Neste momento Lampião entrega uma arma para que Maria acerte um alvo, a princípio ela se mostra toda desengonçada em apontar no alvo, aí Lampião pegará em sua mão e lhe ajudará como ela deve se posicionar para atirar melhor. Ela atira longe do alvo.

Lampião → Você precisa se concentrar mais!

Maria Bonita → É já faz um tempo que eu não consigo me concentrar no que faço!

Lampião → Eu também!

Neste momento eles sorriem e olham um para o outro. Surge o Mago da ciência e o casal fica estático no palco.

Mago da ciência → Eles estão passando pela fase da atração. É agora que entra em ação a Norepinefrina, que é um estimulante natural do cérebro, que pode estar associada à exaltação, euforia, falta de sono e de apetite. É nessa hora que as mãos suam, a respiração falha, é difícil pensar com clareza, há borboletas no estômago. Ah! E quando o coração bate acelerado é por que a norepinefrina está atuando. Estes aí estão cheios destes compostos químicos, por isso que não conseguem se concentrar direito no que fazem, só querem saber do amor. Como diz o poeta: “O homem é um animal que ama”.

Quando o Mago falar da norepinefrina surge um figurante no palco com o nome do composto na camisa e segurando uma placa com a fórmula do composto químico.
Lampião → Eu acho que estamos apaixonados um pelo outro santinha!

Maria Bonita → E isso é devido ao nosso cupido, o Mago da ciência.

Lampião → E quem é esse Mago da ciência? Preciso conhecê-lo para agradecer pela sua fórmula do amor.

Maria Bonita → Na verdade não sei onde encontra-lo, ele aparece quando a gente menos espera.

Lampião tenho uma coisa para te contar!



Lampião → Desembucha santinha!

Neste momento Maria Bonita se dirige para a ponta do palco e mostra como está crescida sua barriga.

Maria Bonita → É que acho que estou grávida homem!

Lampião → O quê? Então vem um lampiãozinho por aí?

Neste momento surge o Mago da ciência e com uma palma Lampião e Maria Bonita ficam estátuas.

Mago da ciência → Lampiãozinho o quê! Pela história oficial, esses daí tiveram uma filha e não um filho como queria Lampião, ela se chama Expedita e está viva até os dias de hoje, inclusive esses aí nem sabem, mas nos dias de hoje eles já são é avós, a neta de Lampião se chama Vera. Pelo menos é o que consta na história.

O Mago da ciência bate uma palma e tudo volta ao normal.

Lampião → Então será Expedita mesmo!

Neste momento Lampião beija a barrida de Maria Bonita e novamente ocorre um túnel do tempo e eles voltam para o cenário da rodoviária.

Maria Bonita → Expedita minha filha, lembro que não pude ficar muito tempo com ela, nem conseguir dar de mamar.

Lampião → Choro de criança na caatinga é pior que chocalho de bode se ouve a uma légua. Um dia iam denunciar a gente. Os macacos iam ouvir. Iam descobrir onde nós estávamos arranjados.

Maria Bonita → Eu sei que a gente não podia ficar com a menina, mas mesmo assim, ela ainda é o que me faz viver. Sinto saudades dela.

Lampião → Pois desista dessa viagem santinha, que eu prometo lhe levar para ver a menina!

Maria Bonita → Mas tem uma coisa! Quero que a gente se mude para o sul e saia dessa vida de viajante para cima e pra baixo no meio desse sertão brabo.

Lampião → E quem foi que te botou isso na cabeça muié! Tu tá é desmiolada é? Então tu ainda não entendeu que meu caminho já foi traçado! E os homens que me segue e os que acreditam em capitão Virgulino Ferreira da Silva e os inimigos que me combatem? Eu sempre pensei a minha vida como se fosse um caminho, não é pelo o ouro e nem pela vingança que me fez cangaceiro. Eu fui escolhido para marcar esse sertão a fogo. Deixar escrito que a gente existiu.

Maria Bonita → Pois tu pensa homem o que tu quê pra ti, pois eu já escolhi o meu destino, que é voltar para a minha cidade no interior da Bahia!

Lampião → Mas santinha e tudo que a gente viveu muié, as nossas aventuras que vivemos por essa caatinga? Tu lembra aquelas nossas andanças pelo Rio Grande do Norte, mas precisamente em Mossoró?

Maria Bonita → Claro que lembro! Nos expulsaram de lá a bala!

Um túnel do tempo acontece e os personagens aparecem em outro cenário com algum cartão-postal de Mossoró/RN. Neste cenário eles chegam se abraçando.

Lampião → Oí santinha mais uma cidade que nós vamos invadir e saquear os fazendeiros, tem como nome Mossoró!

Maria Bonita → Pois homem vamos ser rápidos, pois os volantes podem estar por perto e esta cidade tá lembrando Sobral, bem friazinha!

Lampião → Veja só santinha se não é uma caixa enorme e misteriosa. O que deve ser? Vou abrir a bala!

Maria Bonita → Espere homem, isto pode ser uma armadilha ou mesmo um sinal que a gente não deve invadir esta cidade!

Lampião → Que história é essa de sinal!

Nesse momento surge o Mago da ciência.

Mago da ciência → Escute sua mulher Lampião! Ela tem razão!

Lampião → Ah! Então é você que é o Mago da ciência! Muito agradecido pelo senhor ter contribuído para que eu e santinha ficássemos juntos viu!

Mago da ciência → Fiz tudo pela ciência!

Lampião → Mas em relação ao que eu faço ou deixo de fazer isso quem decide sou eu cabra! Eu mesmo vou invadir essa cidade e não vai ser um cientista maluco que vai impedir isso não!

Mago da ciência → Eu vim informar uma coisa ao casal! A fórmula do amor que entreguei para você Maria Bonita funcionou muito bem como eu estou vendo, mas ninguém sabe até quando ela vai durar! Por isso venho aqui trazer uma substância que é conhecida como o verdadeiro licor do amor, estou falando da dopamina, que fazem os casais se sentirem felizes!

Quando o Mago falar da dopamina surge um figurante no palco com o nome do composto na camisa e segurando uma placa com a fórmula do composto químico.
Mago da ciência → É um estimulante natural que é enviado a diversas regiões cerebrais. Portanto, quando estamos apaixonados, no estágio inicial, o amor é intenso, nos concentramos numa pessoa e a desejamos. Há um desejo compulsivo, uma obsessão. A pessoa não sai da cabeça. É estarrecedor o que se faz quando se está apaixonado. Isso se deve a dopamina!
Lampião → E o que essa tal de dopamina vai fazer com a gente?

Mago da ciência → A dopamina dá concentração, motivação intensa, decisão para realização de metas, pode causar muita ansiedade, variações de humor conforme aumenta e diminui, pode dar energia. E é uma estimulante sexual. Enfim, ela dá foco, a gente só quer saber de coisas que diz respeito à pessoa amada.

Lampião → Tu pensa que nóis é besta seu cabra! Isso aí pode ser é veneno!

Mago da ciência → Mas o que é isso seu Lampião, desse jeito o senhor me ofende, por que eu faria um negócio deste com o senhor!

Lampião → Pois vamos logo resolver isso! Experimente primeiro!

Mago da ciência → O quê! Mas, mas...

Lampião → Vamo logo cabra!

O Mago da ciência experimenta um pouco do licor do amor. E de repente senti uma pequena atração pelo Lampião, em seguida ele sai de cena, deixando o licor com Lampião. O casal toma o licor do amor.

Lampião → Agora eu vou abrir essa caixa e vai ser na bala mesmo!

Maria Bonita → Espere! Pode ser que não seja necessário gastar munição!

Maria Bonita consegue facilmente abrir a caixa misteriosa com as mãos!

Maria Bonita → Olha Lampião, tem um bilhete aqui! Deixa eu ler: “Queridos avós, venho através desta humilde carta relatar e alertar aos senhores para não entrar na cidade de Mossoró, pois segundo a história oficial os moradores de Mossoró colocaram Lampião mais seu bando para correr de lá, isso é o que consta nos dias de hoje em qualquer livro de História do Brasil.”

Lampião → Muié pra mim, tudo isso é besteira, só pode ser coisa daquele Mago da ciência! Daqui eu não tiro o pé!

Neste momento ouve-se tiros de espingardas e os dois se assustam! Chega no palco o personagem Mossoró!

Mossoró → Arã, não contava com minha astúcia!

Lampião → Quem é você?

Mossoró → Não tá vendo, sou Mossoró! E venho comunicar-lhe que na minha cidade você não entra! É melhor dar meia volta e pega seu rumo!

Maria Bonita → Homem o moço aí tem razão, vamo simbora!

Neste momento Mossoró se dirige rapidamente a Maria Bonita e a beija na mão.

Mossoró → Então a senhorita que é a Maria Bonita! Agora entendi, por que se chama bonita!

Lampião → Oxe seu cabra, é melhor do que ficar bem longe da minha santinha se não quiser que eu te sangre aqui mesmo!

Maria Bonita → Calma homem, não tá vendo que ele só está querendo ser gentil!

Neste momento Lampião mostra sua “peixeira” para Mossoró

Lampião → Pois vamo ver se eu não invado essa cidade!

Mossoró → Seu Lampião, o prefeito aqui já sabia das suas andanças por nossas terras há meses, desde então ele começou a articulação política para conseguir reforços do Estado para a cidade, assim como armamentos e munições.

Neste momento Mossoró mostra todo um armamento para Lampião, que sai correndo desesperado de Mossoró!

Lampião → Chega muié! Vamos sair dessa terra mesmo, por que aqui no Nordeste tá ficando cada vez mais perigoso!

Maria Bonita → Num te falei! Bora pro Rio lá pelo menos tem a favela do Alemão!

Lampião → Se bem que eu nem sei falar alemão, mas bora!

Mossoró → Escorracei Lampião! Só sei o seguinte: A resistência mossoroense ao bando de Virgulino Ferreira aconteceu sem apoio da polícia. Quando soube que o cangaceiro queria invadir a cidade, o prefeito Rodolfo Fernandes comprou armas e munições e as entregou a quem quisesse lutar. E foram muitos os voluntários. No dia 13 de julho de 1927 começou a chuva de balas entre o povo da terra de Santa Luzia e os cabras de Lampião. Eram pouco mais de 80 cangaceiros contra cerca de 200 mossoroenses. Depois de mais de uma hora de balas, atingiu-se dois cangaceiros de Lampião, um deles morreu. Segundo alguns historiadores, a derrota foi pressentida por Virgulino ao avistar as torres das igrejas de São Vicente, Alto da Conceição e Matriz de Santa Luzia. "Cidade de mais de uma torre não é pra ser tomada", teria dito antes da invasão.

Os dois (Lampião e Maria Bonita) saem do palco e voltam para a rodoviária através do túnel do tempo

Lampião → É realmente invadir Mossoró não foi uma boa ideia! Mas quer saber de uma coisa! Virgulino Ferreira não se arrepende nada do que fez, o que fiz até hoje é por que estava escrito que era para ter sido assim!

Maria Bonita → Ah! Quer dizer que o Gianechini do Sertão, o Brad Pitt da Caatinga não se arrependi de nada é?!

Lampião → Isso mesmo!

Maria Bonita → Pois vou lhe lembrar de um fato que você vai lembrar muito bem! Durante a década de 20 do século passado existia a Coluna Prestes que era vista pelo Presidente da época, Artur Bernades, como um bando de marginais, desordeiros e saqueadores. O presidente Artur ordenou Floro Bartolomeu à missão de proteger o território cearense da Coluna Prestes. Aí Floro Bartolomeu aproveitou sua passagem por Juazeiro do Norte para lhe convidar a combater os rebeldes e “defender a legalidade”, sendo que o próprio Pe. Cícero, da qual você era devoto, também lhe implorou para que saísse dessa “vida de bandidagem”. Nessa ocasião o famoso Lampião saiu até do Cariri com o título de capitão. E você atendeu o padim? Não! Nem foi combater a Coluna Prestes

Lampião → Eu não me arrependo desse episódio, sabe por que? Eu tenho que admitir que temia a fama aguerrida dos tenentes e fiquei furioso quando descobrir que a “patente” de capitão não valia nada, não possuía nenhum valor legal. Até tentei falar novamente com o padim, mas este se recusou a me atender. Apesar disso, não perdi o respeito e admiração do Pe. Cícero.

Maria Bonita → É Lampião você tem razão! O seu destino já está cruzado! Você realmente não vai desistir dessa vida de bandidagem! Então agora deixa eu ir!

Neste momento Maria Bonita pega sua mala e tenta sair do palco, quando Lampião segura sua mão tentando impedir que ela se vá!

Lampião → Não não vá! O que vai ser de mim sem tu?

Neste momento toca a música “Sou eu assim sem você”

Maria Bonita → Você está tremendo homem?

Lampião → É o frio de Fortaleza!

Maria Bonita → Tchau! Volto amanhã para esta rodoviária e espero não lhe ver mais!

Neste momento Lampião começa a lamentar e chorar pela atitude de Maria Bonita.

Mago da ciência → Agora nosso protagonista aí está cheio de serotonina, uma substância química fabricada pelo corpo que nos faz ficar fixado na pessoa amada. Ué! Cadê a Serotonina? Serotonina! Serotonina (gritando!)

Serotonina → Calma chefe! Tá tão nervosinho! Tome um bombom de maracujá para acalmar!

Mago da ciência → Que bombom o quê? Cadê sua placa?

Neste momento o personagem serotonina passa com a placa da fórmula estrutural da serotonina

Mago da ciência → Agora deixa ajudar esse molenga aí a reconquistar sua amada! Vamos Lampião não fique assim!

Lampião → Como você gostaria que eu ficasse sabendo que a mulher da minha vida não me quer mais! Aposto que algum cangaceiro infeliz andou se engraçando para ela. Ah! Se eu pego o cabra!

Mago da ciência → Que é isso Lampião, não vá fazer besteira de cabeça quente! E tem mais, se ela tiver conhecido não alguém significa que ela se apaixonou outra vez. É possível sentir grande apego por alguém ao mesmo tempo em que ama romanticamente outra pessoa. Vamos para o meu laboratório, lá podemos conversar melhor!

Neste momento os dois saem do palco e ao retornarem estarão em um ambiente de laboratório

Mago da ciência → Estamos dentro de um laboratório, ambiente no qual é proibido beber ou comer. Mas hoje eu vou “ferir” essa regra de segurança e vou lhe servir uma bebida!

Neste momento o Mago da ciência oferece um suco de laranja para o Lampião. Que bebe quase tudo rapidamente, até que pergunta.

Lampião → Mas afinal que bebida é essa mesma?

Mago da ciência → É ácido! Ácido cítrico!

Neste momento Lampião cospe rapidamente!

Lampião → Quer me matar homem, me servindo ácido, endoidou foi?

Mago da ciência → Até tu Brutus! Muita gente associa ácido a coisa ruim, que queima, que é tóxico, venenoso. Mas esquecem que eles estão bem presentes no nosso cotidiano, quando estamos com dores de cabeça, recorremos logo ao ácido acetilsalicílico, também conhecido como Aspirina. E na salada de verduras, não pode faltar o vinagre, que é o ácido acético; sem contar nos sucos de frutas cítricas, como o limão, a acerola e o de laranja, que você está tomando Lampião!

Lampião → OK! Já entendi e terminei de beber o ácido cítrico, agora vamos voltar ao assunto em questão!

Mago da ciência → Lampião, talvez a Maria Bonita não esteja lhe abandonando definitivamente, ela pode estar apenas querendo um tempo!

Lampião → E tempo pra quê? A paixão tem que ter um tempo é?

Mago da ciência → Meu caro Lampião! Este velho cientista aqui dedicou muito tempo de sua vida ao estudo da Química do amor, tive que ler muito para me tornar um especialista no assunto! Um das pesquisas que tive lendo aponta que a paixão dura um tempo sim. Existe um limite de tempo para homens e mulheres se sentirem apaixonados. Seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses. O amor possui um tempo de vida longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança. “Em termos evolucionários, não necessitamos de corações palpitantes e suores frios nas mãos”.

Lampião → Afinal de contas, existe uma fórmula do amor?

Mago da ciência → Os seres humanos podem se comunicar com sinais bioquímicos inconscientes, através de feromônios, substâncias químicas transportadoras da excitação e que o cérebro descodifica através do olfato sem darmos contas disso. Ela é encontrada em diversas espécies como borboletas, formigas, lobos e elefantes, e que sinaliza interesses sexuais, situações de perigo e outros. Alguns estudiosos acreditam que vem daí a sensação de “amor à primeira vista”. Mas com ou sem feromônios o fato é que a sensação de “amor à primeira vista” relaciona-se significativamente a grandes quantidades de feniletilamina, dopamina e norepinefrina no organismo.

Lampião → Mas todas essas substâncias o senhor já falou nesta peça, o que eu quero saber é se não existe nenhum composto químico que possa fazer eu mais santinha ficarmos juntos pra sempre, forever entendeu!

Mago da ciência → Na verdade nas minhas pesquisas atuais estou pesquisando algum composto químico que pode ser responsável pela duração mais longa do amor!

Lampião → Então homem, o que tá esperando? Passe já para cá este composto químico!

Mago da ciência → É por que na verdade eu não tenho ele aqui comigo! Mas, eu tenho um irmão que também é cientista, ele produziu duas substâncias que podem fazer com que o amor entre duas pessoas seja duradouro!

Lampião → E onde eu posso encontrar esse cabra?

Mago da ciência → Aí que está o problema! Ele mora a 20 léguas de distância daqui!

Lampião → Não tem problema! Pela santinha eu sou capaz de nadar todo o Rio São Francisco, fazer caminhada em Sobral (Mossoró ou Teresina) em pleno meio-dia.

Mago da ciência → Muito bem! Está aqui o endereço, ele se chama Mago Ventura!

Neste momento Lampião atravessa o palco de um lado para o outro dando impressão que ele está caminhando muito para encontrar o Mago Ventura. Durante este momento toca-se a “Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor” - Amelinha. Muito cansado ele desmaia e surge em cena o Mago Ventura.

Mago Ventura: Acorde Lampião! Vamos homem, depois que terminar a peça tu dorme!

Lampião permanece desmaiado no palco, até que o Mago o acorda com um balde de água.

Lampião → Ah! Então é você que é o Mago Ventura! Eu vim aqui por que ...

Mago Ventura → Eu sei o que você quer de mim! A fórmula do amor eterno não é!

Lampião → Isso mesmo, e me ver logo, pois a minha santinha está querendo voltar para a sua terra natal amanhã de manhã e não quero perdê-la!

Mago Ventura → Seu Lampião você quer mesmo essa mulher?

Lampião → Como assim seu cabra, você tá querendo dizer que não amo minha santinha, pois fique sabendo que, ao lado dela passei os melhores anos da minha vida, é a minha companheira e mulher da minha filha Expedita! Ninguém que me conhece duvida disso!

Mago Ventura → Mas seu Lampião, veja bem! Você passou a sua vida toda no cangaço, perdido no meio da caatinga, levando uma vida de bandidagem, vive correndo da polícia, que mais dia ou menos dia a polícia lhe captura, não sei se o senhor já sabe, mas o Governo da Bahia está oferecendo 200.000 reais como prêmio para quem lhe capturar de qualquer modo e entregar a polícia!

Lampião → Eu sei eu li o panfleto lá do lado de fora do teatro, ou tu achas que cangaceiro é analfabeto?!

Mago Ventura → Então homem, o que tu ainda quer nessa vida de cangaço? Não está cansado de levar essa vida? Sua mulher não cansou de você, mas sim desse modo de vida que vocês levam! A história oficial conta que o senhor só entrou na vida de cangaço para vingar a morte do seu pai, e por conta dessa vingança, virou bandido e não quer outra vida, parece que para você o mundo só existe na caatinga.

Lampião → Olhe seu Mago Ventura! O senhor está coberto de razão quando diz que entrei nesta vida por vingança, mas o motivo que me leva a insistir em continuar no cangaço é marcar esse sertão com meu próprio sangue, tentar fugir dessa seca e da fome que mata tantos nordestinos e também escapar dessa vida de injustiça, em que os fazendeiros vivem cheios de dinheiro, comida, água, enquanto a maioria dos meus irmãos nordestinos não tem sequer um café para colocar no fogo de manhã. Por isso, que às vezes saqueio mesmo esses coronéis, fazendeiros e prefeitos e divido com os mais necessitados.

Mago Ventura → É Lampião, já vi que não vale a pena discutir com o senhor, seu destino já está cruzado, mas ...

Lampião → Mas nada seu Mago, vamos para o que interessa! Cadê a fórmula do amor eterno que seu irmão Mago da ciência me contou que o senhor possui?

Mago Ventura → Bom! Meu irmão me contou que foi o cúpido de você e Maria Bonita e que entregou algumas substâncias químicas para vocês ficarem juntos, mas não foi tão eficiente!

Lampião → Ele é um cientista de araque!

Mago Ventura → Isso não é verdade! As substancias do amor funcionam muito bem, ele testou com vocês e deu certo, afinal de contas, vocês sentiram várias sensações que só quem está apaixonado senti. Mas acontece que essas sensações podem não durar muito tempo, neste ponto os casais têm a impressão que o amor esfriou. Com o passar do tempo o organismo vai se acostumando e adquirindo resistência, passa a necessitar de doses cada vez maiores de substâncias químicas para provocar as mesmas sensações do início.

Lampião → Blá blá blá! Chega dessa aula de ciências, o que acontece, deixa de acontecer, sensações, nomes de substâncias químicas não me interessam! O que eu quero mesmo é dessa fórmula e me mandar! Vem cá, você mais seu irmão quando namoram ficam falando os nomes dessas substâncias para a namorada é? Já estou até vendo a cena: E aí gatinha, você sabia que meu corpo está cheio de serotoninha, norepinefina, dopanina por que estou apaixonado por você! Imagino a cara da menina!

Mago Ventura → Primeiro não é serotoninha, norepinefina e dopamina e sim SEROTONINA, NOREPINEFRINA E DOPAMINA e segundo, para conquistar uma garota não tem que ter só força! Tem que ter beleza e conteúdo (apontando para si!)

Lampião → Mas e aí meu caro, vamos logo deixar e de prosa e passar essa fórmula do amor eterno para cá!

Mago Ventura → Então vejamos, eu tenho aqui comigo duas substâncias, são elas oxitocina e a vasopressina!

Quando o Mago mencionar as substâncias surgem os figurantes no palco com o nome do composto na camisa e segurando uma placa com a fórmula do composto químico.

Mago Ventura → São eles (apontando para os figurantes) os responsáveis pela atração que evolui para uma relação calma, duradoura e segura. Este daqui (apontando para a oxitocina) é o hormônio do carinho, já este outro (apontando para a vasopressina) é o hormônio da felicidade. Agora eles possuem funções adicionais e possivelmente mais importantes, a oxitocina atua na ejeção do leite e contração uterina no parto. Já a vasopressina ou hormônio antidiurético, é um hormônio humano secretado em casos de desidratação e queda da pressão arterial; fazendo com que os rins conservem a água no corpo, concentrando e reduzindo o volume da urina. Agora eles também podem ser chamados de “cimento” da vida a dois. Afinal, o amor é eterno! Mas veja bem, estes compostos que acabei de mencionar são responsáveis por parte do amor duradouro, a outra metade o casal tem que fazer algo para isto também!

Neste momento Lampião pega a fórmula do amor eterno, agradece rapidamente o mago e sai correndo do palco!

Mago Ventura → É! Por isso que eu digo que as pessoas vivem, matam e morrem por amor, cantam sobre o amor, há mitos e lendas sobre o amor e há poções, feitiços e magia de amor. As pessoas amam no mundo inteiro. Inclusive eu! (apontando para alguém da plateia).

Neste momento o Mago Ventura sai de cena e em outro cenário se encontra a casa da Maria Bonita. Ela se encontra adormecida e acorda lentamente com a música “Acorda Maria Bonita”. Surge Lampião no meio do público gritando o nome de Maria Bonita.

Maria Bonita O que esse macho ainda quer! Num te falei que tou indo me bora, procura teu destino!

Lampião Como? Se meu destino é ficar contigo!

Maria Bonita Aff! Essa história não acaba mais não ein? Homem entenda, com a vida que nós levamos no cangaço, a morte nos persegue e...

Lampião Eu também quero que você entenda uma coisa Santinha. Não sei quanto tempo mais tenho de vida, se a morte vai esperar que eu termine o que tenho que fazer, se ela irá me encontrar no meio do sertão ou até mesmo depois de beber algo, sendo envenenado. Mas o que eu sei, é que quero passar os últimos instantes da minha vida sentindo no peito o sentimento mais nobre, puro que possa existir, o amor. E para mim, esta palavra tem nome, é você Santinha, Maria Bonita, bonita como a natureza.

Maria Bonita Falou bonito, mas preciso ir, meu ônibus sai daqui há uma hora e não quero me atrasar.

Lampião Bom Santinha, eu não posso impedir que se vá, mas antes de você fazer isso, quero que experimente essa bebida que preparei especialmente pra você!

Neste momento Lampião abre o frasco de oxitocina e coloca em um copo e o de vasopressina em outro e entrega a Maria Bonita, ambos bebem.

Lampião Santinha, você lembra do lenço que fez pra mim! É por que fiz um pra você também! E antes de você partir quero lhe fazer algumas homenagens que preparei especialmente para a mulher da minha vida, a rainha do cangaço, Maria Bonita.

Neste momento Lampião canta uma paródia da música “Esse cara sou eu”- Roberto Carlos

No final da música, com um bate palmas de Lampião, uma chuva de pétalas de rosas vermelhas cai em cima de Maria Bonita.

Em seguida o próprio Lampião entrega uma carta “quilométrica” para ela, contendo a frase: Eu te amo Santinha!

Enquanto ela abre, ele sai de cena e volta com um bombom gigante de “Sonho de valsa” para ela.

Maria Bonita E aí gente eu fico ou não com esse homem?

Neste momento Maria beija Lampião.

Maria Bonita Eu fico com você meu homem, mas tem uma condição, quero que você dance um forró comigo sem errar pra todo mundo ver. Então, aceita?

Lampião Claro, solta o som ó do acordeon!

Neste momento toca a música “forro de cabo a rabo” de Luiz Gonzaga, eles dançam juntos. O Mago da Ciência surge com uma placa secreta e com ajuda de um borrifador surge um coração com a palavra “FIM”.



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