Leituras e excertos da teoria histórico-cultural: mediaçÃo nas práticas pedagógicas em ambientes virtuais batista, Erlinda Martins



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LEITURAS E EXCERTOS DA TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL: MEDIAÇÃO NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM AMBIENTES VIRTUAIS
BATISTA, Erlinda Martins - UFMS/CCHS/PPGEdu/Doutoranda em Educação

adnilre@nin.ufms.br

URT, Sônia da Cunha - UFMS/CCHS/DCH/PPGEdu

surt@terra.com.br

Eixo 6 – Práticas pedagógicas - Comunicação Oral

LEITURAS E EXCERTOS DA TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL: MEDIAÇÃO NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM AMBIENTES VIRTUAIS
BATISTA, Erlinda Martins - UFMS/CCHS/PPGEdu/Doutoranda em Educação

URT, Sônia da Cunha - UFMS/CCHS/DCH/PPGEdu
RESUMO
Esse artigo busca fundamentar teórica e metodologicamente o conceito de “mediação” nas práticas pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem, a partir da análise de duas leituras: da visão de Freitas (2003), e das ideias de Pino (2000). Na metodologia qualitativa e abordagem histórico-cultural, realizaram-se interlocuções que dão sentido à pesquisa sobre mediação nas práticas pedagógicas. A orientação se fez sob a teoria da obra: “Psicologia Pedagógica” de Vigotsky (2003). As análises levaram à compreender que o processo educativo deve ser organizado pelo professor no qual o homem vivencie um processo dialético e complexo de luta entre o mundo e ele mesmo, ao desenvolver suas funções superiores na mediação com o outro, considerando o contexto cultural, social e histórico. Conclui-se que o referencial histórico-cultural oferece ao pesquisador e aos professores em suas práticas pedagógicas o papel de transformador da realidade e do meio social em que se insere a partir da práxis dialética, e a mediação como categoria central é fundamental e determinante para que ocorra o processo de interação.

Palavras-chave: mediação, práticas pedagógicas, histórico-cultural.

LEITURAS E EXCERTOS DA TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL: MEDIAÇÃO NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM AMBIENTES VIRTUAIS


Urt, Sônia da Cunha - (UFMS/CCHS/DCH/PPGEdu)

Batista, Erlinda Martins - (UFMS/CCHS/PPGEdu/Doutoranda em Educação)


INTRODUÇÃO
Este trabalho se originou da necessidade de compreensão do termo “mediação”, relacionado ao materialismo e à perspectiva histórico-cultural1, como referencial teórico-metodológico para a investigação da existência dos processos de interação inerentes às práticas pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem. A literatura nesse campo não tem se mostrado vasta, se levar-se em conta que os ambientes virtuais de aprendizagem surgem no Brasil no início da década atual. A presença do referencial teórico nos artigos, periódicos e obras que tratam de diferentes campos e temáticas da Educação, da Psicologia, e em alguns casos das áreas “duras” ou exatas, tem sido mais encontrada nas produções científicas elaboradas após a década de 1980, segundo Freitas (2003).

Neste estudo, delimitou-se o enfoque de análise aos estudos de pesquisadores como; Maria Teresa de Assunção Freitas (2003); “A pesquisa na perspectiva sócio-histórica: um diálogo entre paradigmas”, e Angel Pino (2000); “O social e o cultural na obra de Vigotsky”.

Para organizar o pensamento nas interlocuções que se faz com esses autores, no presente texto, em primeiro lugar são expostas as ideias de Freitas (2003) e sua relação com o objeto de pesquisa dado pelas “mediações” nas práticas pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem - AVA- Moodle.

No segundo momento, o destaque fica para as concepções do social e do cultural na obra de Vigotsky, segundo Angel Pino (2000). Para esse autor, em toda e qualquer obra que se pretenda utilizar os termos: social e cultural faz-se necessário antes defini-los, tendo em vista que seus conceitos são determinados pela contextualização ou a aplicação deles. No fechamento desse item se estabelece uma relação entre os termos: mediação, social e cultural por acreditar-se haver na obra de Pino (2000) os suportes metodológicos para essa ação.


1. Leitura de Freitas (2003); O Pressuposto sócio-histórico os paradigmas e a Mediação

As leituras de Freitas (2003) têm um importante papel na definição do método de trabalho no processo de pesquisa. Compreender a nuance histórico-social e cultural relativa ao objeto e encontrar o método que seja adequado ao estudo que se propõe, nem sempre se constitui em tarefa fácil para o pesquisador. A teoria positivista, que no passado ancorava as pesquisas no país, tem sido amplamente criticada por pesquisadores que procuram realizar uma investigação imbuída das perspectivas de mudança da realidade. A preocupação com o método é, portanto, de fundamental importância quando se objetiva realizar uma pesquisa que contribua para a área educacional e para a sociedade como um todo.

Nesse contexto de preocupação com o método é que se discute os processos de mediação nas práticas de professores que atuam em ambientes virtuais de aprendizagem, e o campo de onde se fala o lugar em que eles se constituem. As mediações ensejam atos em constantes transformações, não apenas devido às condições específicas em que se situam – isto é, em ambientes digitais de aprendizagem coletiva – mas principalmente pelo caráter de mudança que envolve os recursos tecnológicos presentes na práxis pedagógica. Para retratar a realidade e os obstáculos concretos aí vivenciados se faz necessário um olhar histórico-cultural, no sentido não apenas de observar a realidade, mas “conservar a concretude do fenômeno estudado, sem ficar nos limites da mera descrição, isto é, sem perder a riqueza da descrição, avançar para a explicação” (Vigotsky 1991, apud Freitas, 2003, p.06). Segundo essa pesquisadora, a significação é que faz da atividade psíquica uma atividade psíquica. Ela cita a ideia de Bakhtin (1992), ao assumir “que o estudo nas ciências humanas não pode se restringir a explicar os fenômenos pela sua causalidade, mas deve se preocupar também em descrevê-los” (idem). Nesse sentido faz-se necessário contextualizar o desenvolvimento da pesquisa educacional no país com o intuito de compreender como os estudos produzidos têm mudado o fazer pedagógico e inclusive o fazer científico.

Os paradigmas que orientaram as pesquisas educacionais no Brasil, segundo Freitas (2003), abrangem inicialmente 03 linhas de pensamento: 1) o positivismo que predominou até os anos de 1970 e que ainda tem relevância nas áreas duras ou das exatas; 2) o interpretativista que surge entre as décadas de 1960 e 1970, e 3) o crítico que tem se afirmado desde os anos de 1980 com a valorização do pensamento de Marx (1999), na Crítica da Economia Política e de Vigotsky (1991) com a Formação Social da Mente, Pensamento e Linguagem e Obras escolhidas. Para Freitas (2003) tem surgido nas últimas décadas um novo paradigma dado pela abordagem sócio-histórica. É preciso levar em conta que o surgimento e o desenvolvimento da pesquisa educacional são relativamente recentes no Brasil (Gatti 2002, Soares 2003, apud Freitas 2003). A pesquisadora esclarece:


Embora consciente de que os paradigmas fundamentais da pesquisa educacional não evoluíram numa perspectiva de substituição, mas sim de co-existência e de superposição, é possível assinalar que um outro paradigma tornava-se presente nos trabalhos de pesquisa educacional, principalmente entre os anos 50/70. O paradigma interpretativista (..)” (p.3).
A utilização desses paradigmas como instrumentos ou ferramentas de apoio ao pensamento, mostradas por Maria Teresa Assunção Freitas (2003) e Bakhtin (1992), pode equipar o pesquisador com as bases necessárias não apenas para as análises do fenômeno, mas, para ir além dos resultados, dos debates, e realizar uma intervenção mais concreta na realidade investigada. Realidade essa que se constitui na investigação em questão, pelos ambientes virtuais de aprendizagem e nas práticas educacionais que neles se fazem. Freitas (2003) afirma que, na ação de compreensão da realidade concreta investigada, pode-se até fazer um ponto de contato entre as abordagens da teoria crítica e o paradigma interpretativista. Na concepção do paradigma interpretativista, a finalidade da investigação se relaciona à compreensão e à interpretação, tendo a convicção de que o real não é apreensível, mas sim uma construção dos sujeitos que entram em relação com ele. Entretanto, ao se aproximar desse paradigma o pesquisador deve ter clareza e Freitas (2003) ressalta que:
O papel do pesquisador não consiste, pois, em simplesmente descrever e compreender a realidade, como quer o paradigma interpretativista, mas em construir um conhecimento que desvele a realidade a partir dos textos que emergem nas interlocuções da situação de pesquisa. Daí que o encontro dos sujeitos se faz não só no plano individual como acontece no paradigma interpretativista, mas, sobretudo social, um encontro de culturas, de contexto” (p. 10).
O papel do pesquisador nesse pensamento abrange a adoção de uma postura que retrate o real, a realidade em que se insere o objeto de pesquisa e as relações do sujeito com esse objeto.

A autora citada vê nesse novo paradigma, o sócio-histórico, uma mudança conceitual isto é, uma nova visão de mundo. Ela menciona que Vigotsky e Bakhtin proporcionaram essa mudança paradigmática ao fundamentarem suas teorias no materialismo histórico-dialético em razão de suas insatisfações e críticas aos reducionismos dos pensamentos empiristas e idealistas. Nesse parâmetro teórico o fazer pesquisa em ciências humanas se torna mais exigente na medida em que a coerência e a ética são exigidas na utilização dos instrumentos metodológicos de coleta e análise dos dados, assim como na elaboração do texto de discussão dos resultados.

Outro estudo de Freitas (2002) conclui que:
a abordagem sócio-histórica ao compreender que o psiquismo é constituído no social num processo interativo possibilitado pela linguagem, pode permitir o desenvolvimento de alternativas metodológicas que superem as dicotomias objetivo/subjetivo, externo/interno, social/individual” (apud Freitas 2003, p. 5).
Na perspectiva citada, Freitas (2002) defende que se faz necessário compreender que o psiquismo se constitui no social, num processo favorecido pela linguagem e que pode levar ao desenvolvimento de outras metodologias que superem a dicotomia objetivo x subjetivo, e ou interno x externo, social x individual.

Outro destaque dado por Freitas (2003) refere-se às ideias de Bakhtin (1992) sobre a diferença existente entre as ciências exatas e as humanas, em particular no modo como elas trabalham com o objeto de estudo. Nas exatas, o observador é o pesquisador que também é o sujeito da pesquisa. Apenas ele tem voz. O objeto, portanto, é mudo e o observado. Não há relação entre o sujeito e objeto apenas a interação. O que ocorre de forma oposta quando se trata da área das ciências humanas. Nessa, o objeto de estudo está no texto em que se origina. Não há objeto se não houver inicialmente um texto. Nele, o homem é o objeto. Um objeto que se relaciona não apenas com o pesquisador, mas, com o seu meio, tem voz, identidade, é um ser social que se expressa. Nesse sentido, o objeto não é uma coisa ou um fenômeno da natureza. Ele é um homem com vida, trabalho, luta. Bakhtin, (1985 p. 305) argumenta que “Estudando o homem em todas as partes buscamos e encontramos signos e tratamos de compreender o seu significado” (apud Freitas, 2003, p. 08). Para Vigotsky o desenvolvimento social, cultural e histórico aliados à evolução natural, do ser humano, dados pelas funções mentais elementares - FME ocorre desde a ontogênese. Isso significa que desde a fecundação até a maturidade, o homem se desenvolve não apenas em suas funções mentais elementares – FME, inerentes à evolução biológica, mas também em suas funções mentais superiores – FMS. Essas são construídas em razão da sua interação com outras pessoas, com o meio, e nas relações sociais que o faz um ser sócio-histórico. Portanto, se o psiquismo do homem é construído no social, por meio da linguagem num processo interativo com outros, numa abordagem sócio-histórica o estudo do homem deve ser realizado no contexto da cultura e do social, em seus signos e significados.

Freitas (2003) entende então a abordagem sócio-histórica como outra forma na área das ciências humanas, de se produzir conhecimento, cujos procedimentos metodológicos envolvem a descrição aliada à explicação, destacando-se “a compreensão dos fenômenos” (p. 06), pelo seu fazer histórico.

“Nas ciências humanas, o pesquisador não pode se limitar ao ato contemplativo, pois, diante de si há um ser que tem voz e precisa falar com ele, estabelecer uma interlocução” (p.08). E citando sua própria obra: Freitas (2002 p. 24/25) salienta:


Inverte-se, desta maneira, toda a situação que passa de uma interação sujeito-objeto para uma relação entre sujeitos. De uma orientação monológica passa-se a uma perspectiva dialógica. Isso muda tudo em relação à pesquisa, uma vez que investigador e investigado são dois sujeitos em interação. O homem não pode ser apenas objeto de uma explicação produto de uma só consciência, de um só sujeito, mas deve ser também compreendido, processo esse que supõe duas consciências, dois sujeitos, portanto dialógico. (apud Freitas 2003, idem)
Em outras palavras, o dialógico significa o diálogo entre o pesquisador e o pesquisado. A compreensão das ações que se realizam no meio educacional – seja ele ambiente virtual de aprendizagem ou não – a captação dessa realidade e do sujeito que nela se insere, define a ação de pesquisa ancorada na perspectiva sócio-histórico e cultural. Bakhtin, (1988, 1992), estabelece que a compreensão é um evento dialógico, porque nela há uma ação responsiva, uma participação ativa entre os interlocutores. “Só minha posição exotópica, que me dá um excedente de visão em relação ao outro pode me levar a compreendê-lo com sua relação a mim no acontecimento singular do ser (Bakhtin, 1999.p.23, apud Freitas, 2003, p. 09).

O pesquisador deve colocar-se no lugar do pesquisado, identificando-se com o outro ao situar-se no lugar dele. Voltando-se depois para o seu lugar, distanciando-se do pesquisado, focaliza-o de seu próprio lugar, não mais em situação de “individualidade apreendida na empatia”, mas objetivando a compreensão do outro de forma exotópica, isto é, do lugar em que pode construir a compreensão mais real e profunda do outro.

Há dois sujeitos, duas consciências, portanto, um diálogo. Para esse pesquisador, deve haver uma preocupação ética e estética na formação humana. A unicidade singular de cada um, não pode ser percebida se não houver a experiência participativa. Nessa visão, sócio-histórico, apesar de singular o sujeito é sempre social. A compreensão se dá na inter-relação entre o pesquisado e o pesquisador.

Para Freitas (2003) a abordagem de pesquisa sócio-histórica se aproxima do paradigma crítico devido à base teórica comum a ambos que se constitui do materialismo dialético. Por outro lado, pode-se afirmar que as três correntes de pensamento são complementares ao se analisar a ideia de Freitas dada pela frase: “Vygotsky e Bakhtin, propõem uma síntese dialética entre o paradigma positivista e interpretativo. Esta síntese dialética pode ser encontrada no interior do paradigma crítico” (p. 10). Essas linhas de pensamento se completam porque cada uma delas enfatiza procedimentos metodológicos que somados acabam por se mostrar complementares. O paradigma positivista propõe a explicação da realidade, enquanto o interpretativista sugere a compreensão e o crítico, a transformação. Na base do materialismo dialético, a pesquisa de abordagem sócio-histórica também evidencia a mudança, a transformação. Freitas (2003) conclui seu artigo propondo questões para a reflexão sobre o papel da pesquisa no país. O pensamento histórico, social, político e técnico representado pela pesquisa só possui sentido se contribuir para mudanças efetivas na educação brasileira.

Diante das asserções de Freitas (2003), pode-se afirmar que o paradigma sócio-histórico associado ao crítico, se mostra adequado para o embasamento teórico das mediações nas práticas pedagógicas dos ambientes virtuais de aprendizagem.

Além da leitura da autora citada, acredita-se que também a leitura de Pino (2000) a respeito do social e cultural nas obras de Vigotsky pode fundamentar conceitualmente a pesquisa das mediações nas práticas pedagógicas que ocorrem em ambientes virtuais de aprendizagem. Os aspectos: social e cultural são inerentes ao cotidiano pedagógico do ambiente digital de aprendizagem, em conseqüência dos sujeitos encontrados nesse contexto educativo.




2. Leitura de Pino (2000); Sobre o Social e o Cultural nas obras de Vigotsky
As ideias de Angel Pino (2000) sobre o social e o cultural nas obras de Vigotsky contêm em sua essência análises sobre o Manuscrito de 1929 e outras obras do pesquisador russo, que propõem os termos, “social” e “cultural” como categorias fundamentais para se compreender a visão Vigotskiniana. Pino (2000) afirma que embora Vigotsky não tenha dado uma significação precisa para esses termos, devido a sua morte prematura, o manuscrito só pode ser compreendido se situado no contexto teórico em que se insere. O autor mencionado conceitua a palavra: “social”, como um termo “que qualifica formas de sociabilidade existentes no mundo natural” e que “não permite por si só explicar formas de organização social que extrapolam o campo dos fenômenos naturais, como é o caso da sociabilidade humana” (p.47).

Na análise do social e do cultural, Vigotsky utiliza a história como uma questão principal inicial. Pino (2000) argumenta que depreende esse fato da nota explicativa presente na introdução do manuscrito de Vigotsky, que pode até passar despercebida por alguns estudiosos. A nota apresenta duas definições de história; a primeira significa “uma abordagem dialética geral das coisas”, isto é, “a história é dialética” e, a outra que, “a história humana”, constitui “o materialismo histórico” (p. 48). Nessas definições e explicações Vigotsky declara de onde fala, ou seja, do materialismo histórico e dialético.

Em poucas palavras Pino (2000) resume que, para Vigotsky, o materialismo histórico é a aplicação do materialismo dialético à história, em particular quando ele se baseia na frase de Marx que diz: “a única ciência é a história”. A partir dessa frase o autor citado conclui que se a história é a única ciência, então toda ciência certamente é histórica. Nesse sentido, “a ciência é produto da atividade humana”. Num meio em que ela se determina pelas condições em que se realiza, isto é, a ciência é determinada pelas condições em que é produzida (p. 49).

Outro destaque de Pino (2000) que não se pode ignorar diz respeito ao fato de o materialismo dialético de Vigotsky não ser apenas um método, mas principalmente se constituir um referencial teórico completo e complexo em seu conceitual, que dá conta do pensar um objeto. Althusser (1969), explica a utilização do materialismo dialético na seguinte forma: o materialismo representa a teoria, e a dialética o método (apud Pino 2000, p. 50).

O autor explica: o materialismo dá à dialética o caráter histórico porque é ele que comunica as “condições concretas da produção do conhecimento”, isto é, os dois princípios dados pela diferença entre o real e o conhecimento do real por um lado, e, por outro, a “primazia do real sobre o conhecimento”. Pino apresenta a diferença entre o materialismo dialético e o materialismo histórico, afirmando que o materialismo dialético se ocupa da história da produção do conhecimento enquanto o materialismo histórico tem por objeto os modos de produção.

Por outro lado, as definições dos termos materialismo e materialismo dialético, podem trazer conotações um pouco diferentes daquelas apresentadas por Pino, conforme se constata nos conceitos dados sobre o termo materialismo numa concepção filosófica dada por Ferreira (1999) que significa:


Tendência, atitude ou doutrina que admite, ou que a matéria, concebida segundo o desenvolvimento paralelo das ciências, ou que as chamadas condições concretas materiais, são suficientes para explicar todos os fenômenos que se apresentam à investigação, inclusive os fenômenos mentais, sociais ou históricos” (p. 1298).
Em outras palavras, essa definição conceitua o materialismo como uma base ou doutrina teórica da ciência que estabelece a suficiência da realidade concreta permeada pelos fatos mentais, sociais e históricos a ser pesquisada. O mesmo autor define o materialismo dialético nos seguintes termos:
Doutrina fundamental do marxismo, cuja ideia central é que o mundo não pode ser considerado como um complexo de coisas acabadas, mas de processos, onde as coisas e os reflexos delas na consciência, isto é, os conceitos, estão em incessante movimento, gerados pelas mudanças qualitativas que decorrem necessariamente do aumento de complicação quantitativa” (idem).
A definição dada situa a metodologia materialista na base do marxismo. Segundo Giannotti (1999), “a expressão ‘marxismo’ designa um amplo movimento de ideias que se estende desde a Filosofia até a Política, sendo invocado tanto pelo filósofo liberal, quanto pelo tirano mais feroz” (p.05). Giannotti (1999) afirma que na base do pensamento de Marx se encontra a filosofia do Hegelianismo, termo esse originado nas ideias de Hegel (1770 -1831), cuja proposta foi: “juntar os dois aspectos: o método e o objeto” (p. 07).

Assim, o materialismo dialético se constitui um conceito de base marxista em que o mundo deve ser visto como um todo complexo em que as coisas e os fatos não se acabam, mas, se constituem processos em contínuo movimento, resultantes de mudanças qualitativas e que geram maior quantidade de complicações. Sendo essas, por sua vez produtoras de outros reflexos e processos responsáveis por novas alterações num eterno devir.

A concepção do materialismo histórico requerida nesse contexto deve auxiliar o trabalho com o objeto de pesquisa dado pelas mediações que se realizam nas praticas pedagógicas inseridas em ambientes virtuais de aprendizagem, por se considerar que os modos de produção do conhecimento em ambientes virtuais perpassam o ato da mediação. Esse objeto traz em seu bojo um histórico que merece atenção e o interesse originado nas experiências “mediativas e midiáticas”. O materialismo histórico e dialético, se constituindo ao mesmo tempo, teoria e método, pode dar o suporte para o estudo e a produção de conhecimentos sobre os processos de mediação nos ambientes virtuais.

Para tratar o assunto das mediações em situações de aprendizagem, ou nas práticas pedagógicas dos ambientes virtuais, convém defini-las em diferentes contextos para uma melhor compreensão de como elas se processam nas ciências e qual o seu papel para a área da educação. Na definição básica de Ferreira (1999), mediação significa; “Ato ou efeito de mediar. Intervenção, intercessão, intermédio; (...) Relação que se estabelece entre duas coisas, ou pessoas ou conceitos, etc., por meio de uma terceira coisa, ou pessoa, ou conceito, etc.” (p. 1305).

As mediações em ambientes virtuais de aprendizagem como o AVA moodle, por exemplo, ocorrem a partir das relações entre professores e alunos que o utilizam durante as práticas pedagógicas de um curso. Distanciar-se desse campo, significa afastar-se dele com o intuito de observá-lo de outra posição, questionando se nesse ambiente há de fato mediação. Por outro olhar, partindo-se do princípio das condições concretas de produção do conhecimento, da distinção entre o real e o conhecimento desse real, pretende-se, distanciando-se do real e do conhecimento desse real compreender por meio do método materialista dialético as relações e, por conseguinte as mediações se é que elas ocorrem entre os sujeitos do contexto educativo citado.

Vigotsky estabelece que o homem constrói-se a si mesmo. Isso acontece quando o homem desenvolve nele mesmo, novas capacidades decorrentes de sua relação com a natureza e com a cultura, resultando em sua evolução e no desenvolvimento de suas funções elementares e superiores que possibilitam a transformação da natureza e de si mesmo por meio do seu trabalho e de suas relações sociais com o meio. Todas essas mudanças se inserem na história do homem e em sua cultura. Tal inserção leva ao desenvolvimento humano cultural e, também histórico por representar a evolução humana ao longo dos processos de transformação de si e da natureza.

Para Vigotsky os conceitos de história estão relacionados aos planos ontogenético (história pessoal) e filogenético (história da espécie humana). A história pessoal (desenvolvimento cultural), ainda singular, é parte da história humana, do universal.

Em outra definição, Gianotti (1999), argumenta que o materialismo histórico também se constitui uma doutrina do marxismo, na qual se afirma que: “o modo de produção da vida material condiciona o conjunto de todos os processos da vida social, política e espiritual” (p. 07). Nessa concepção os fatos sociais, políticos e espirituais são dependentes da produção material.

Para tratar da dimensão social do indivíduo, Pino (1989) explicita o termo “social”. Ele afirma que esse foi um dos termos mais utilizados por Vigotsky. A grande dificuldade que se relaciona a esse termo diz respeito ao que é e o que não é social no comportamento humano. O que pode ser imputado ao indivíduo e o que é proveniente da ação do meio social. Vigotsky se contrapõe a Piaget ao afirmar que a relação do indivíduo com a sociedade se dá no modo inverso, isto é, a sociedade age sobre o indivíduo. Ou em outras palavras, ele discute “como o meio social age sobre a criança para criar nela as funções superiores de origem e naturezas sociais” (p. 61, apud Pino, 2000, p. 52).

O autor cita que há um mecanismo mediador que explica a conversão do social em pessoal sem tirar do indivíduo sua condição singular. Vigotsky indica que esse mecanismo é a mediação semiótica (p. 53). Pino (2000) afirma que Vigotsky não mostra aprofundamento nos estudos do termo social. Entretanto, ele estabelece uma relação entre o social e o cultural, argumentando; tudo que é cultural é social, mas nem tudo que é social é cultural, denotando nessas afirmações que o social se constitui um termo de significado mais abrangente do que o termo cultural. Esse fato é explicado tomando por base a organização das relações sociais humanas que vêm antes do surgimento da cultura. A formação da cultura é resultado da organização das relações sociais humanas e da atividade social do homem. Assim o social e o cultural se complementam na medida em que cultura “é entendida como prática social resultante da dinâmica das relações sociais que caracterizam uma determinada sociedade (...) e está relacionada com o caráter duplamente instrumental, técnico e simbólico da atividade humana” (p. 54).

As atividades pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem podem ser vistas como sociais e culturais num contexto duplamente instrumental e técnico, mas que possibilita a realização ainda que de forma primitiva de algumas mediações. A mediação semiótica nas práticas pedagógicas de ambientes virtuais de aprendizagem deve se estabelecer a partir dos processos de comunicação que se realizam nesses ambientes e que possibilitam, a cada aluno converter em pessoal as contribuições e informações socializadas no ambiente, sem perder sua singularidade. Em outras palavras cada aluno nesse ambiente tem a possibilidade de se transformar e transformar os seus pares ao participar e socializar suas ideias e estudos, havendo uma dupla mediação.

A ideia de dupla mediação segundo Pino (2000), baseia-se na dupla transformação: técnica e semiótica. Conforme Vigotsky para a adaptação humana é fundamental que haja “uma mudança ativa na natureza do homem (...) uma dupla e simultânea transformação”, e como afirma Marx (1972, p. 63); “da natureza e do homem” (apud Pino, 2000, p. 58).

Compreende-se assim que as mediações em ambientes virtuais de aprendizagem podem realizar dupla transformação nos sujeitos. A mediação técnica possibilita ao sujeito, aluno ou professor, que ele transforme ou dê uma nova forma à natureza da qual ele é parte integrante. E a mediação semiótica permite aos alunos e professores que criem uma significação para a nova forma dada às suas próprias naturezas. Diante desse pensamento Pino (2000) salienta que o “evento determinante da história humana (...) é a criação dos mediadores semióticos que operam nas relações dos homens com o mundo físico e social” (p. 59). Esses mediadores se estabelecem nos espaços dos sistemas de sinalização, tornando-os espaços representacionais que se originam no mundo natural desse sujeito, um mundo simbólico ou de significação. Sendo essa significação que atribui ao social a sua natureza humana, transformando da sociabilidade animal à sociabilidade humana, sendo essa a maneira como a espécie humana organiza a sua convivência. E na convivência humana foram produzidas as leis históricas ou a história de suas condições sociais de existência, que se opõe às leis naturais e biológicas.

Na dialética, a significação que se produz nas relações sociais, isto é, a partir da participação do outro, da palavra ou do gesto do outro, se constitui o instrumento sustentador da constituição do sujeito. O indivíduo internaliza a significação que o outro tem para o eu e a partir desse outro é que o indivíduo sabe quem ele é que posição social ocupa e o que se espera dele. Portanto, é por meio do outro que o indivíduo se constitui como um ser social com subjetividade própria. Assim, as mediações têm papel fundamental porque por meio delas os indivíduos se constituem. Se em ambientes virtuais de aprendizagem o outro está distante, não está próximo fisicamente do indivíduo, mas, “presente virtualmente” como pode haver um processo de significação e constituição do sujeito partindo-se do pressuposto de que as mediações nesses contextos podem ficar comprometidas diante da pouca presença do outro? Se o outro está presente em poucos encontros presenciais, há a possibilidade de mediação em menor escala, devido ao menor número de encontros e de relações sociais estabelecidas? Pino (2000) afirma que “a função mediadora da significação possibilita a reversibilidade do processo: o que é social se converte em pessoal e o que é pessoal se converte em social” (p. 68-69), sendo que essa função garante a coerência entre o público e o privado da pessoa.

As práticas pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem ocorrem na modalidade presencial e a distância. Estudos têm mostrado que as interações nos ambientes virtuais de aprendizagem na modalidade a distância se realizam de modo inadequado e que os professores e alunos que utilizam esses meios de aprendizagem usualmente reproduzem no virtual sua formação e prática presencial, não havendo assim uma adaptação e adequação das práticas pedagógicas presenciais para as virtuais (Batista, 2006).

Por outro lado se for levado em conta as ideias de Vigotsky apresentadas por Pino (1999, 2000) no sentido de “o que os seres humanos retêm na sua esfera privada das relações sociais são as funções da socialização ou as funções da interação”, o que o autor diz é que “o que é internalizado das relações sociais são as funções dessas relações, as quais se tornam funções superiores do indivíduo” (p. 71), tem-se a hipótese de que as mediações em ambientes virtuais carregam um significado maior por se tornarem as funções superiores dos sujeitos que atuam em tais meios.

Sobre as funções, Pino (2000) acrescenta ao debate a questão das funções psicológicas. Alicerçado em Vigotsky, o autor esclarece que “as funções psicológicas são a conversão, na esfera privada, da significação que as posições sociais têm na esfera pública” (p. 72). Ele explica que as funções psicológicas são a projeção na esfera pessoal (no plano da subjetividade), da complexidade das relações sociais em que cada um está inserido. Apoiando-se nessa idéia, Pino (1989, 2000) afirma que “o homem é uma pessoa social, ou um agregado de relações sociais incorporadas num indivíduo” (idem). Nessa asserção, se desvia da palavra sujeito, pensando-o como uma pessoa social. Tal termo abrange a multiplicidade que se opõe à unidade quando se trata de sujeito e não de pessoa social. Por outro lado Vigotsky apresenta a “relação entre a pessoa e as funções superiores da pessoa“ (p73), e que se constituem das relações sociais internalizadas. Nesse sentido, o pesquisador russo, pensa a pessoa como sendo ao mesmo tempo sujeito e objeto.

Pino (2000) recorre ao pensamento de Foucault (1992): “A dupla condição do homem, ao mesmo tempo, sujeito e objeto de conhecimento foi, o que permitiu o aparecimento desse novo campo do saber moderno que são “as ciências humanas”” (p. 75). Assim, os indivíduos ou pessoas dos ambientes pedagógicos digitais podem, por meio das relações sociais que se formam entre eles, pessoas, representados por professores e alunos e entre os próprios alunos, internalizar o conhecimento em função da mediação que se dá a partir das relações que ocorrem nas suas práticas pedagógicas nos ambientes mencionados.

As práticas pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem têm sido objeto de algumas pesquisas de autores como Almeida (2003), Batista (2006) Oliveira (2001), Faria (2004) e Bernardes (2006) entre outros. Entre os estudos mencionados, verificou-se que a base filosófica e metodológica, varia entre os autores mencionados. Partindo-se dos pressupostos discutidos sobre paradigmas sócio-histórico, cultural e crítico, e das buscas em fontes como Scielo, ANPED e RBEP, averigua-se que as pesquisas nessas bases epistemológicas têm sido limitadas. Entretanto, os resultados alcançados, mostram que a pesquisa brasileira avança no sentido de apresentar objetos do conhecimento, tratados sob visões contemporâneas como as de Vigotsky, Luria e Leontiev.

Acredita-se que as mediações em ambientes escolares, se constituem aspectos relevantes nas práticas pedagógicas. Para a internalização de conhecimentos e desenvolvimento das funções superiores do indivíduo há que se garantir ações de mediação no processo educativo. Bernardes (2006), afirma que


(...) as ações presentes na atividade de ensino não podem ser descoladas das condições necessárias para que ocorra a concretização da dimensão ontogenética na constituição dos indivíduos. Se assim ocorrer, fica caracterizado o distanciamento entre a condição necessária para o desenvolvimento humano e a ação mediadora que atua como instrumento que busca garantir por meio da atividade de ensino, a constituição do gênero humano. Assim, a atividade de ensino executada conscientemente e com a finalidade de promover a transformação no processo de humanização dos estudantes, determina os seus meios – as ações e as operações realizadas na prática pedagógica” (p. 100).
Em outras palavras, o ato educativo deve promover a mudança, a humanização dos alunos e professores, participantes do meio educativo.

Vigotsky (2003) destaca que “O comportamento é um processo dialético e complexo de luta entre o mundo e o ser humano no seio do próprio ser humano” (p. 79).

Deduz-se que a dialética que envolve as lutas internas do ser, são complexas e definem o seu comportamento. Nessa batalha, as forças do próprio ser, sua construção herdada, têm um papel igual ao das influências impostas pelo ambiente.

Portanto, o presente estudo se propõe a contribuir, embora não esgote o assunto e se reconheça a necessidade de novos estudos que ampliem os conceitos sobre a organização, a dialética do meio educativo e levem à compreensão a respeito das complexidades desse ambiente.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
As leituras – a mediação e o ambiente virtual de aprendizagem se constituem simultaneamente sujeitos e objetos do conhecimento à serviço das práticas pedagógicas e da produção de pesquisa com a finalidade de trazer contribuições para o meio educacional. Numa sociedade caracterizada pelas transformações sociais, a produção científica visa não apenas satisfazer as metas acadêmicas, reduzindo-se nessa ideia o fazer científico ao mero “academicismo”, mas, principalmente, trazer referenciais ou suportes para um novo fazer pedagógico. A produção científica sobre as mediações nas práticas pedagógicas em ambientes virtuais propiciam o conhecimento necessário para o trabalho nesse contexto de tecnologias educacionais de informação e comunicação.

Além do conhecimento que a produção científica confere aos estudantes e professores, ela possibilita ainda a discussão crítica das práticas pedagógicas que se têm feito até o momento e que sabidamente não têm atingido o objetivo maior da educação. Isto é, práticas pedagógicas que independentemente do ambiente em que ocorrem, seja ele virtual ou não, têm fracassado na meta de preparar cidadãos para viverem num meio social complexo influenciado não apenas pelos aspectos da globalização, mas, sobretudo pelas lutas internas que dificultam a compreensão de seu papel histórico, social e cultural na sociedade em constante transformação.



As práticas pedagógicas em ambientes virtuais ou não, devem propiciar por meio da mediação e internalização do conhecimento, uma nova organização social para os indivíduos que aspiram à educação real, social, histórica e cultural, que se diferencia de uma educação idealizada e utópica. Para que essa educação real se estabeleça, acredita-se, deve haver além da produção científica, políticas públicas que possibilitem o preparo de professores no sentido de que atuem em sua profissão de forma a mediar, a organizar as práticas pedagógicas no meio social educativo. De maneira tal que possibilite ao homem um entendimento que vai além da compreensão do meio social, mas, que compreenda a si mesmo, enquanto ser histórico, singular, e ao mesmo tempo participante universal. Isto é, um homem crítico que compreenda o seu papel no mundo. Tais práticas pedagógicas tanto podem ser realizadas no contexto escolar como em entidades externas ao cotidiano da escola, configuradas em uma nova organização de tempo e de espaço, comprometidas de fato com a educação.


REFERÊNCIAS
BERNARDES, M. E. M. Mediações Simbólicas na Atividade Pedagógica: Contribuições do Enfoque Histórico-Cultural para o Ensino-Aprendizagem. Disponível em:

http://biblioteca.universia.net/autor/Maria%20Eliza%20Mattosinho%20Bernardes.html Acesso em08/09/09.
FERREIRA, A B H. Novo Aurélio Século XXI - Dicionário da Língua Portuguesa. 5ª impressão. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1999.
FREITAS, M T A. A Pesquisa na Perspectiva Sócio-Histórica: Um Diálogo Entre Paradigmas. texto apresentado na 26ª reunião anual da ANPED. ufjf 2003.
MARX, K. Para a crítica da economia política, Do capital, O Rendimento e suas fontes. Coleção Os Pensadores. Tradução de Edgard Malagodi. Editora Nova Cultural. São Paulo, 1999.
VIGOTSKI, L S. Psicologia Pedagógica. Edição comentada. Tradução: Cláudia Shilling. Editora Artmed. São Paulo, 2003.


1 Entende-se e denomina-se neste trabalho a perspectiva histórico-cultural como sinônimo de perspectiva sócio-histórico, com o mesmo significado.




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