Leo alcântara



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Encontro29.07.2016
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O Sr. LEO ALCÂNTARA (PR-CE) pronuncia o seguinte discurso: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, a nação é a força vital de um povo que se expressa e se conserva pela cultura.

A cultura, o patrimônio cultural, compreende não só as manifestações materiais de cultura manifestadas pelo homem, mas também os elementos que fundam a identidade de uma coletividade, ou seja, o patrimônio cultural imaterial, a construção social, que é transmitido de geração para geração. Mas para que isso se dê, esse legado depende, e só se mantém vivo, pelo exercício da evocação. É na memória de momentos históricos marcantes que cada sociedade encontra seus laços de identidade.

Hoje, Senhoras e Senhores Parlamentares, retorno a esta tribuna para praticar esse exercício de evocação e de rememoração da história da sociedade brasileira, uma coletividade que tem sido marcada por inúmeras lutas e por heróis que buscaram com destemor a liberdade política, econômica, social e cultural de nosso povo.

Hoje, trago um dos belos exemplos que figuram nas páginas de nossa história. Recordo Bárbara de Alencar, a primeira grande heroína brasileira.

Nascida em Pernambuco, em 11 de fevereiro de 1760, mas cearense por sua história, Bárbara de Alencar ficou conhecida nacionalmente pela luta contra o Império e a favor da República. Mulher de espírito revolucionário, venceu os preconceitos de sua época se levantando contra a Coroa Portuguesa e participando ativamente de duas grandes campanhas pela Independência do Brasil.

Foi, assim, um dos libertários que em 1817 retomaram a luta pela Independência, pela qual já tinha morrido Tiradentes. Conspirou em sua fazenda do Crato, no Ceará, articulada com os padres do seminário de Olinda, verdadeiro celeiro de revolucionários. O Crato projetou-se no cenário político da Colônia com as lutas pró-independência, quando representantes da aristocracia agrária, principalmente a Família Alencar, engajaram-se na Revolução Pernambucana de 1817 e envolveram a Vila Real do Crato e Jardim no projeto revolucionário de 1817, a independência de Portugal e a instituição de um sistema republicano de governo.

Tal engajamento igualmente ocorre em 1824 com essa mesma elite liberal no movimento conhecido como Confederação do Equador, contrário à política absolutista de Dom Pedro I e favorável à idéia de uma República separatista.

Bárbara de Alencar experimentou as piores prisões da época, a fome, a tortura e a humilhação, tornando-se a primeira presa política da História do Brasil. Nas longas lutas que incendiaram os estados nordestinos, ela empenhou a sua vida, perdeu todos os seus bens e viu morrer dois dos seus filhos, Carlos de Alencar e Tristão Gonçalves de Alencar Araripe.

Avó do grande escritor José de Alencar, Bárbara morreu em 28 de agosto de 1832, na fazenda Alecrim, no Piauí, sendo sepultada em Poço Pedras, hoje Tianguá, no município cearense de Campos Sales, sendo imortalizada como uma grande figura do cenário histórico do Cariri e do Ceará.

Assim, fantástica odisséia encerra a vida dessa mulher guerreira, idealista, que foi à luta, por não se deixar intimidar pela força opressora do Império. Fez de seus ideais republicanos o motivo da sua vida. Mulher extraordinária, que sendo mãe, soube ser heroína; e sendo mulher, soube vencer os preconceitos da época.

Sua vida foi marcada pelo exemplo de fé e de patriotismo em todas as gerações. Sua decência deu-lhe grandiosidade. Bárbara de Alencar projetou seu vulto, sua vida e sua obra, para muito além dos estreitos limites do Crato e do Ceará. Foi figura do Nordeste. Mulher de relevância nacional.

Por isso, Senhor Presidente, esta minha homenagem à grande heroína brasileira Bárbara de Alencar. O povo brasileiro e a sua identidade devem muito aos feitos e à coragem de Bárbara de Alencar.

Nesse sentido, gostaria de parabenizar a Família Alencar e os idealizadores do Centro Cultural Bárbara de Alencar, associação civil sem fins lucrativos, de caráter sociocultural, com sede na Capital do Ceará, Fortaleza, pela luta permanente no desenvolvimento de projetos e atividades de pesquisa visando à perpetuação dos ideais, dos feitos e da memória da líder revolucionária Bárbara de Alencar. Tenho a certeza de que esse esforço redundará na difusão dos valores da cultura nordestina e da consolidação da identidade nacional.

Era o que tinha a dizer.

Muito obrigado.






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