Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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314 - A Dom LOUIS JACQUES MAURICE DE BONALD, Arcebispo designado de Lião.


16 de janeiro de 1839.

Logo que soube da nomeação de Dom De Bonald para o Arcebispado de Lião, o Padre Champagnat se apressou em escrever-lhe para lhe apresentar suas humildes homenagens. Carta de profundo respeito e acatamento para com a autoridade máxima de Lião, na esfera religiosa. Dom De Bonald era bispo de Puy e veio a ser o sucessor do Cardeal Fesch, falecido aos 13 de maio de 1839.

Como o novo Arcebispo se encontrava em Paris quando esta carta lhe foi endereçada, a ocasião era muito propícia para pedir-lhe que se interessasse ele também junto às autoridades governamentais para a conclusão do processo de autorização legal do Instituto que se arrastava desde bastante tempo.

Excia. Revma.,

O Superior dos Irmãozinhos de Maria se atreve a antecipar o feliz momento em que V. Excia. virá cumular nossos votos e desejos, para oferecer-lhe a homenagem de seu profundo respeito e de suas muito humildes felicitações. Todos nós experimentamos a mais viva alegria ao saber da feliz escolha pela qual V. Excia. é convocado ao governo da célebre igreja de Lião. Replenos de gratidão, unimo-nos a todos os fiéis da diocese para agradecer a Deus por nos ter dado em sua augusta pessoa um Prelado tão digno e tão santo, um Pontífice tão zeloso e caritativo.

Foi o Senhor, Exmo. senhor Bispo, que nos acolheu e protegeu na diocese de Puy. Pudemos assim, sob vossos auspícios, erigir naquela região nossos primeiros estabelecimentos. O que não deveremos então esperar agora de sua paternal bondade, agora que seremos seus filhos, de uma maneira muito particular!?

Eis porque, Excia. Revma., animados da mais terna confiança, ousamos, desde esse primeiro contato, apresentar-lhe através deste modesto ofício uma vista de conjunto sobre o estado atual de nossa pequena Sociedade e solicitar em favor da mesma o auxílio de sua poderosa proteção.

Já vai para oito anos que estamos pedindo, sem ter podido consegui-lo, o benefício do Decreto Real que regularizando nossa existência, colocaria nossos Irmãos fora do alcance da Lei de convocação para o serviço militar. Quão felizes nos consideraríamos, Excia., se pudéssemos ficar devendo à sua benevolência e a seu potente crédito este favor tão precioso e tão longamente esperado! Quanta gratidão terão para sempre com V. Excia. todos os filhos de Maria, especialmente aquele que Deus chamou para os reunir e dirigir!

Alentados pela esperança de que V. Excia. se dignará acolher meu pedido, e pleiteará nossa causa perante sua Majestade, tenho a honra de ser, com os sentimentos do mais profundo respeito, ...

Champagnat


315 – Ao Padre GIRE, Pároco de Saint-Privat-d'Allier, Haute-Loire.


21 de janeiro de 1840.

Pois que o Padre Gire insiste em conseguir Irmãos, o Padre Champagnat lhe dá as indicações para construir o edifício da escola. O Irmão Francisco mais tarde também entrou em relações com o mesmo padre, mas as esperanças de os Irmãos se estabelecerem naquela paróquia não se concretizaram.

Senhor Pároco,

Pois que o senhor persiste na idéia de fundar um estabelecimento de nossos Irmãos no município de Saint-Privat, a primeira coisa a fazer é construir um edifício suficientemente vasto, que sirva para a habitação dos Irmãos, para as aulas dos alunos e também para acomodações dos internos.

Para tanto, é preciso que haja no rez-do-chão uma cozinha, uma copa, um refeitório e duas grandes salas contíguas separadas por um biombo envidraçado, que pegue toda a largura das salas. Altura: um pé e meio ou dois e a uma altura conveniente, de maneira que os Irmãos possam se ver um ao outro. Ao meio deste biombo deve haver uma porta envidraçada. É preciso que a primeira destas duas salas possa conter 60 alunos, que estão aprendendo a escrever; a segunda, uns 70 a 80, que estão aprendendo a ler.

Se o número habitual de internos for de 20 a 30, é preciso construir uma terceira sala contígua às duas primeiras para dispô-los numa aula separada, porém comunicando com as duas outras, conforme o que está dito acima. Neste caso, seria bom que o Irmão Diretor que comumente rege a primeira classe, pudesse ficar no meio das duas outras.

O refeitório assim como a adega devem ser proporcionais ao maior número de alunos internos. O primeiro andar deve ter dois ou três quartos e um salão-dormitório que comporte umas quarenta camas com um metro de distância entre as fileiras. Convém abrir nos quartos dos Irmãos uma comunicação em forma de janelinha, através da qual poderão observar e vigiar os meninos no dormitório. As instalações sanitárias devem estar dispostas em tal lugar que os Irmãos possam vê-las de lá da aula.

Não marquei todas as dimensões das diversas repartições, deixo isto a seu critério e ao dos benfeitores. Na construção de uma casa de educação é essencial não ater-se ao estrito necessário é bom ir além.

Eu sou ...

Champagnat

316 – Ao Padre CLAUDE-MARIE PAGE, Pároco de Digoin, Saône-et-Loire.


29 de janeiro de 1840.

Se houve um padre que insistiu com o Padre Champagnat para que fundasse uma escola de Irmãos na sua paróquia, foi o Padre Page, de Digoin. Nada menos de oito cartas escreveu, além de ter feito visitas a l'Hermitage, sempre com a mesma intenção. (cf. Cartas no 97 e 264).

Nesta resposta do Padre Champagnat, que provavelmente foi escrita pelo Irmão Francisco ou por outro secretário, vemos com que prudência eram tratados esses assuntos: Só mandar Irmãos quando tudo estiver pronto, tanto do lado material (construção, instalações, dependências, etc.), como do lado social e administrativo (garantia de subsistência dos Irmãos, anuência das autoridades, apoio da população).

Senhor Pároco,

Foi com intenso regozijo que soubemos que seus administradores estavam planejando construir, em breve espaço de tempo, um edifício para as escolas de sua cidade.

Uma condição muito importante para garantir esta iniciativa e fazer que vá adiante é conseguir o concurso da autoridade municipal. De acordo com aquilo que a experiência já nos ensinou, pensamos que o senhor adotará a melhor opção, que é de não alugar uma casa, mas esperar que esteja terminada a que se destina para este fim.

Alugar uma casa implicaria, com toda certeza, empatar dinheiro em remendos. Este gasto seria muito melhor empregado na instalação dos Irmãos. Evitaria assim um bom pretexto para desestimular o ardor de seus administradores, que poderiam retardar ou mesmo abandonar completamente a execução do projeto. Uma vez que tivessem visto as escolas iniciadas, esses administradores não teriam tanta pressa em procurar quem trabalhasse na construção projetada e o senhor Prefeito não teria tanto empenho na execução da mesma.

A mais disto, estamos com receio de não poder fornecer Irmãos na próxima Festa de Todos os Santos, visto que todos os que se encontram em Vauban ainda não estarão habilitados, para que os lancemos no ensino e os de nossa casa de l'Hermitage estarão provavelmente comprometidos todos, pelas promessas anteriormente feitas; passariam à frente daquela que o senhor pensa ter conseguido. Não é que não estejamos desejando ansiosamente a escola de Digoin, mas é que queremos vê-la implantada desde o início em bases firmes.

Sabemos, e nem há por que duvidar, que começar uma obra sem que tudo esteja pronto, é arrumar complicação e as coisas não podem andar direito.

Espero que os excelentes párocos da diocese de Autun se interessem com particular carinho pelo Noviciado de Vauban. Nós vamos nos esforçar para que seja concluída quanto antes a formação dos candidatos que houverem por bem nos enviar, e depois de formados os mandaremos de volta prazerosamente.

Tenho a honra de ser...

Champagnat


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