Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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18 - A UM VIZINHO


Entre maio de 1827 e janeiro de 1832.

O Padre Champagnat mostra, nesta carta, quanto era firme em se tratando de defender seus direitos. Não só os seus, mas os de toda a comunidade.

Achamos naturalmente estranho isso de mandar uma carta ao vizinho. Não seria melhor ir falar-lhe pessoalmente? A menos que esse vizinho tivesse seu domicílio longe da propriedade.

Quanto aos dizeres da carta, há, no original, uma palavra incorreta (pentation). Seria "plantation" ou "prestation"? Parece que a retificação para "prestation" seria mais plausível. E a razão é a seguinte: A partir de uma lei de 1824, se um município não tivesse arrecadação suficiente para manter em uso os caminhos regularmente reconhecidos, ele poderia lançar mão de prestação in natura, com que todo cidadão válido, a partir dos 20 anos, devia contribuir, até o valor equivalente a dois dias de serviço. Qualquer pessoa, mediante pagamento efetuado pelo devedor impedido, podia prestar dois dias de serviço à prefeitura. Os Irmãos de l’Hermitage devem ter prestado dias de serviço a alguns vizinhos que eram industriais. É o que consta do primeiro livro de contas da casa, onde se lê: “30 de março de 1832, ao senhor Gillet, 3 dias de serviço prestados no dia 27, mais 3 dias prestados no dia 28 e mais 2 no dia 29. Total a receber do Sr. Gillet: 8 dias de serviço.” (Anais do Ir. Avit).

Já tive a honra de dizer ao senhor Motiron que desejo viver em paz com todos, com maior razão com os vizinhos. Se me atacarem, defender-me-ei. Você não tem razão de me acusar que estou querendo me apoderar de sua propriedade, usando artimanhas. Não me interessa. Também não está a terra depositada na sua propriedade e não lhe pode causar dano.

Estou esperando que você me cite em juízo; se isto acontecer, aproveitarei a ocasião para exigir a indenização dos (dois) dias de serviço. Obrigá-lo-ei a pagar-me também a tira de chão que você me roubou. Mandarei arrancar as árvores que plantou muito em cima dos limites, se é que não estão dentro do que é meu. Finalmente, mandaremos marcar os limites definitivos. Quanto à água que está reclamando, você não tem nenhum direito.

19 – Ao Irmão BARTHÉLEMY, Ampuis, Rhône.


3 de janeiro de 1831.

A carta é resposta aos votos de Feliz Ano Novo que o Irmão deve ter mandado ao Padre Champagnat (cf. Carta no 14). Mais uma vez, ele enaltece a missão de educador marista e faz outras recomendações úteis para que o Irmão cumpra bem a sua missão.

O carinho do bom Padre por seus Irmãos se mostra em cada carta. Dá notícias sobre a família do seu correspondente; por fim, termina com a fórmula que lhe é familiar: “Deixo vocês dois nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria!"

Habitualmente a escola de Ampuis que, de 1827 a 183l, contava uma média de 120 a 140 alunos, tinha três Irmãos.

Viva Jesus, viva Maria e viva São José!


Meu caríssimo Irmão Barthélemy:

Não tenha dúvida que eu considero a todos vocês como meus queridos filhos em Jesus e Maria e vocês me chamam com o carinhoso nome de pai; por isso trago a todos bem no fundo de meu coração.

Fico muito sensibilizado pelos votos de felicidade que você formulou para mim, não me esquecerei deles. Recomendarei a Deus, em minhas orações, aquele que formulou para mim tão belos votos.

Tomo parte deveras em todos os aborrecimentos que lhe podem causar os contratempos sofridos por seus colaboradores. Tome muito cuidado com sua saúde, a fim de que esteja em boas condições para cumprir seus pesados encargos. Todos os Padres e Irmãos vão bem de saúde. Transmitirei a eles seus votos de feliz Ano Novo.

Ânimo, meu caro amigo, veja como seu trabalho é precioso diante de Deus. Grandes santos e homens notáveis se ufanavam por estarem desempenhando uma tarefa tão preciosa aos olhos de Deus e de Maria. "Deixai vir a mim as criancinhas, pois a elas pertence o céu."

Você tem em mãos o sangue precioso de Jesus Cristo. Depois de Deus é a você que seus numerosos alunos ficarão devendo a salvação. Toda a vida deles será o eco daquilo que você lhes tiver ensinado. Esforce-se, não poupe nada para formar à virtude seus corações juvenis. Faça ver a eles que nunca serão felizes sem a prática da virtude, sem a piedade, sem o temor de Deus; que não há paz para o ímpio. Somente Deus pode dar-lhes a felicidade, que é para ele que foram criados. Quanto bem você pode fazer, meu amigo!

Seus pais estão de boa saúde. Seu irmão que servia o exército, faleceu em Paris, de uma terrível dor de cabeça. Reze por ele. Os pêsames não lhe servirão para nada; ele só precisa de suas orações.

Teria ainda muito a lhe dizer, espero que breve lhe poderei contar tudo de viva voz.

Deixo vocês dois nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, que são bons lugares!

Tenho a honra de ser pai afetuoso em Jesus e Maria,

Champagnat

sup. d. I.

Notre Dame de l’Ermitage, 3 janeiro de 1831

20 – Aos Irmãos ANTOINE e GONZAGUE, Millery.


4 de fevereiro de 1831.

"Os livros pertencem à escola, por isso não me compete dar-lhes licença de emprestá-los," respondeu Champagnat ao Irmão.

O Irmão Avit, quando escreve os Anais de Millery, diz o seguinte: "Parece que o Irmão Antoine, diretor da escola em 1830, foi por algum tempo substituído pelo Irmão Jean-Baptiste. Depois, como este foi solicitado para um cargo importante em outra frente, o Irmão Antoine retomou a direção, no começo de 1831.”

Não é de se estranhar tais mudanças freqüentes, por vezes bruscas. Naqueles começos do Instituto, eram outros tempos e outras necessidades. Ao concordar em fornecer Irmãos para determinada escola, o Padre Champagnat tinha o cuidado de prevenir as autoridades a respeito de possíveis alterações nos quadros. Ele se reservava o direito de remover para outro lugar este ou aquele Irmão, segundo lhe parecesse melhor para atender ao andamento do conjunto da obra que dirigia.

Meu caro Irmão Antoine e meu caro Irmão Gonzague:

Não posso permitir-lhes que emprestem livros, isto é contra o espírito de sua Regra; compete ao senhor pároco fazer o empréstimo, se o julgar oportuno.

Estou muito contrariado por ter mandado o Irmão Jean-Baptiste sair, sem avisar o senhor pároco, mas não me foi possível agir de outro modo. Eu tinha motivos muito válidos para proceder daquele jeito. Dei-lhe provas evidentes do interesse que votava à escola, de modo que ele não pode duvidar de minha boa vontade. Os assuntos que nos foram encomendados seguem seu curso normal. Nós lhes daremos notícias tão logo se apresente qualquer coisa nova.

Meus bons amigos, redobrem de esforços para que sua escola ande a contento. Não percam de vista o bem que puderem fazer; vejam com que empenho o Salvador do mundo quer instruir os meninos: ordena a seus discípulos que deixem que as crianças se acheguem a sua divina pessoa. Digam a seus meninos que eles estão de posse de uma felicidade imensa por serem tão caros a Jesus Cristo, como estão sendo. Sim, este Deus de bondade os ama a ponto de fazer consistir suas delícias em estar com eles. Basta que lhe abram o coração que Jesus e Maria o cumularão de graças.

Procurem fazer com que Maria se interesse em seu favor. Digam a Ela que depois que vocês tiverem feito todo o possível, pior para Ela se as coisas não andarem direito. Recomendem a Ela insistentemente seus meninos, façam com eles uma pequena novena em sua honra, servindo-se da breve oração do “Lembai-vos”.

A notícia mais gratificante que você podia ter-me dado, Irmão Antoine, é, sem dúvida alguma, que está contente com o Irmão Gonzague, e que ele está levando uma vida exemplar. Não vejo a hora de poder ir até aí para abraçar vocês dois. Enquanto fico na espera, deixo-os nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Não os esqueço nas minhas orações e me recomendo às suas.

Tenho a honra de ser mui dedicado pai em Jesus e Maria,

Champagnat, sup. d. I. M.

Notre Dame de l'Hermitage, 4 de fevereiro de 183l.


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