Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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24 - Ao Irmão BARTHÉLEMY, Saint-Symphorien d’Ozon, Isère.


1º de novembro de 1831.

A carta original não traz indicação do endereço para onde se destinava. Para conseguir este dado importante, o Irmão Paul Sester recorre aos cadernos de contas de l'Hermitage. Num deles se lê: "Em 16-09-1832, recebido do Irmão Barthélemy, por conta da escola de Saint-Symphorien: 43,80 francos"

Resolvido o enigma.

O Padre Champagnat escreve ao Irmão Barthélemy, para lhe conceder a autorização que este lhe deve ter pedido anteriormente. Aproveita a ocasião para animá-lo a enfrentar as dificuldades do cargo. Promete ir visitá-lo assim que tiver ocasião de ir a Lião; Saint-Symphorien D'Ozon fica perto, 30km ao sul.

Interessante notar como o Padre Champagnat, sempre voltado para a catequese, com o pensamento como que "enfeitiçado" pelo carinho com que falava perante um auditório infantil, lá pelo fim da carta passa para o estilo direto, como se estivesse se dirigindo aos alunos do Irmão Barthélemy!

A escola dirigida pelos Irmãos passava então por sérias dificuldades. Quem ousaria dizer que um simples operário saído dos teares de seda de Lião, fosse capaz de causar tantas inquietações e contratempos aos Irmãos? Apoiado pelo prefeito, o senhor Farge, atiçou uma concorrência feroz contra os Maristas e as Irmãs Ursulinas.

V.J.M.


Caríssimo Irmão Barthélemy,

Que Jesus e Maria estejam sempre com você!

Permito-lhe, meu caro amigo, comungar aos domingos, na quinta-feira, como está indicado em seu regulamento, e na terça, favor que está solicitando agora; mas, esta última licença só por três meses. Concedo a mesma licença ao Irmão Isidore, mas somente na primeira terça-feira do mês.

Prometo-lhe que, na próxima vez que for a Lião, irei visitá-lo. Coragem, meu caro amigo, basta que você, juntamente com seu colaborador, tenham a vontade de ministrar o ensino a um bom número de meninos. Porém, se os não tiver, sua recompensa será a mesma. Não se perturbe por ter um reduzido número de alunos. Deus tem em sua mão os corações de todos os homens; há de lhe mandar muita gente, quando julgar bom. Basta que você, por infidelidade, não se oponha.

Você se encontra onde Deus queria colocá-lo, pois que está onde o mandaram seus superiores. Não duvido que Deus o recompensará com abundantes graças.

Não se canse de dizer aos meninos que eles são os amigos dos santos que estão no céu, da Santíssima Virgem e particularmente de Jesus Cristo.

Tanto é assim que esses corações juvenis causam inveja a Jesus. Se visse o demônio apoderar-se deles, Jesus estaria disposto, se necessário fosse, a morrer de novo sobre a Cruz, aí mesmo em Saint-Symphorien, para salvar esses pobres meninos!

Acrescente mais este pensamento: Deus ama a vocês todos, e eu também amo a todos, pois que Jesus Cristo, a Santíssima Virgem, os Santos amam tanto a vocês.

Diga-lhes ainda: “Vocês sabem por que Deus os ama tanto? É porque vocês são o preço de seu Sangue e porque vocês podem tornar-se grandes santos, mesmo sem muito sacrifício. Basta querer."

O bom Jesus promete colocar vocês sobre os ombros, para poupar-lhes o esforço de andar a pé. Que infelicidade, meus filhos, não conhecer Jesus como deveríamos!". Isto é sobretudo para aqueles que manifestam pouca vontade de estudar o catecismo. Com o número reduzido de alunos que você tem, faça uma pequena novena em honra da Santíssima Virgem: Cinco Pai-Nossos e... Nós vamos começar hoje uma novena em l'Hermitage, na mesma intenção, isto é, para o bom andamento de todos os estabelecimentos da Sociedade. Escreva nos livros de todos os seus alunos: Maria foi concebida sem pecado!

Abraço-o nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, onde o deixo. Transmita ao senhor pároco e a seu coadjutor meus sentimentos de amizade.

Champagnat, sup.

Notre Dame de l'Hermitage, 1º de novembro de 1831.

25 - A Madre SAINT-JOSEPH, Superiora das Irmãs Maristas


Fins de agosto de 1831.

Não sabemos como o Padre Champagnat chegou a conhecer as três moças que apresenta à Madre, mas é certo que ele se mostrava muito zeloso pelo desenvolvimento de toda a Sociedade de Maria toda. Umas dez moças foram assim encaminhadas para as Irmãs, como essas três.

J.M.J.


Senhora Madre Superiora,

Envio-lhe as três moças de Saint Laurent d'Agny das quais lhe falei. Se não estão levando tudo o que desejariam no tocante às riquezas, pelo menos estão levando a boa vontade de fazer tudo o que a senhora exigir delas. Eu disse a elas que se não lhe levassem uma renúncia total a si mesmas, uma submissão a toda prova, uma grande abertura de coração, uma vocação perseverante e um desejo autêntico de amar a Deus a exemplo de Maria, que nem fossem adiante.

Responderam-me que tais eram os sentimentos que as animavam e as aspirações que tinham. Disse-lhes que a senhora guardaria esta minha carta para lembrar a elas, em tempo e lugar, essas disposições. Disseram que concordavam plenamente e que estavam dispostas a assinar, se necessário fosse, com o próprio sangue, o que tinham afirmado.

Cada uma delas está levando 4 lençóis, 12 toalhas, 6 panos de esfregar o chão, 24 camisas, 18 lenços de bolso e toda a roupa pessoal.

O pai da jovem Chol daria agora 1400 ou 1500 francos, e nada mais; ou então, 400 agora e a herança depois que falecesse. Marie Buis, 500; 200 de entrada e o resto dentro de um ano. Após o falecimento do pai, ela terá 2.000.

A senhorita Pocachart vai com 100 de entrada. O resto da pensão seguirá à medida que precisar; após o falecimento dos pais, receberá 4.000 francos.

Posso garantir-lhe que as três são de pais muito bons, autênticos cristãos.

Receba os protestos de minha dedicação.

Champagnat, P. M. superior dos Irmãos

26 - Ao Padre CLAUDE DUPLAY, pároco de Marlhes, Loire.


1832

Os Irmãos abriram a escola de Marlhes em 1819, atendendo ao pedido do pároco, Padre Jean-Antoine Alirot.

Por causa da insalubridade da casa que foi colocada à disposição dos Irmãos para lhes servir de moradia, o Padre Champagnat retirou os Irmãos, em 1822. O Padre Alirot faleceu aos 12 de maio daquele mesmo ano. Sucedeu-lhe o Padre Claude Duplay, irmão do Padre Jean-Louis, muito amigo do Padre Champagnat.

A pedido do novo pároco, os Irmãos retomam a escola de Marlhes em 1832. É desse ano este pedaço de carta.

Pode-se dizer com toda veracidade que o Padre Jean-Louis Duplay, seu irmão, é causa da existência dos Pequenos Irmãos de Maria. Eu não teria começado e sobretudo não teria continuado se ele não a tivesse formalmente aprovado.

Fez mais: quando se tratou, felizmente, de sua instituição definitiva, fui consultá-lo, como costumava fazer nos assuntos de certa importância. Ao mesmo tempo que se mostrava interessado em aprovar meu projeto, sua primeira idéia era que eu não deveria deixar o cargo de coadjutor de Lavalla para me dedicar inteiramente aos Irmãos.

Tendo ocasião de confabular demoradamente a respeito de minha fundação com o Padre Dervieux, pároco de Saint-Pierre, em Saint-Chamond, modificou seu parecer.

Quando tornei a vê-lo, disse-me que seria uma pena, para ele, se meus projetos fracassassem. Repetiu-me que era necessário prosseguir, que minha obra era obra de Deus, e que por isso eu nada deveria temer.

Fique muito satisfeito e reconfortado por estas palavras e, desde então, eu lutava com mais confiança para superar as contrariedades que se apresentaram.


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