Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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30 - Ao Padre CHOLLETON, Vigário Geral de Lião.


agosto/setembro de 1833.

O Padre Querbes tinha iniciado a Congregação dos Clérigos de Saint-Viateur, perto de Lião. Devido às críticas movidas contra o Padre Champagnat pelos próprios colaboradores dele, o Arcebispo de Lião deixou-se persuadir pela idéia de fusão da Congregação dos Pequenos Irmãos de Maria com os Clérigos do Padre Querbes. Uma das razões para esta união era de que o Padre Champagnat não conseguia a aprovação legal, mediante a qual os Irmãos seriam isentos do serviço militar.

O Padre Champagnat via claramente que tal união significaria liquidar a obra pela qual vinha batalhando, já fazia quinze anos e contava com o trabalho de mais de 50 Irmãos em 20 escolas. Os Clérigos de Saint-Viateur tinham dois anos de existência, um único religioso e uns poucos simpatizantes.

Depois de uma consulta franca aos seus confrades, o humilde Padre Champagnat se dirige ao Vigário Geral, Padre Cholleton, conselheiro do Arcebispado. Na carta a seguir, modelo de simplicidade e de inteira disponibilidade, Champagnat se coloca às ordens de seus superiores eclesiásticos.

Notar que Champagnat emprega às vezes o indicativo presente como revivendo acontecimentos de oito anos passados.

Senhor Vigário Geral,

Ainda não fiz a viagem a Vourles:

1º) porque estive muito assoberbado de serviço; 2º) porque não estimei que me tivesse sido mandada; 3º) porque não entendi bem de que se tratava; parece-me ter ouvido falar que o Padre Querbes queria fazer-se marista; nesse caso, seria dever do Pároco de Vourles tomar as primeiras providências. 4º) nenhum dos meus confrades com os quais conversei aprova esta viagem; num caso de tanta importância, penso que por iniciativa própria não compete a mim dar o primeiro passo.

Não me atrevo a comentar isso com os Irmãos, tendo em vista o reboliço que se deu com os de Millery quando alguém tocou no assunto. No tempo em que sozinho, após o lamentável desfecho do caso do Padre Courveille e a deserção do Padre Terraillon, o senhor me aconselhou que falasse com o Padre Querbes, para ver se chegaríamos a um acordo. Efetivamente estive com ele, mas não cheguei a nenhum acordo como já tive a honra de dizer-lhe.

Depois de ameaças, as mais terríveis que se possam fazer a um Padre que se desgasta na saúde e em seus haveres, vi renascer a calma com a chegada de Dom De Pins. Dentro de pouco tempo, porém, novos perigos, mais terríveis que os anteriores, se armam contra os Pequenos Irmãs de Maria.

Nefasta foi a medida que, a conselho do Padre Superior, levei a cabo, indo a Epercieux buscar o Padre Courveille! Ó dia realmente nefasto, capaz de deitar abaixo uma instituição, caso não estivesse solidamente amparada pelo braço forte da divina Maria!

Durante uma doença grave e prolongada, estando eu afogado em dívidas, quero constituir o Padre Terraillon meu herdeiro universal. O Padre Terraillon recusa minha herança, dizendo que eu nada tenho, ao mesmo tempo que não para de bisbilhotar com o Padre Courveille, junto aos Irmãos: "Não demora que os credores virão expulsar vocês daqui. Quanto a nós, é só aceitar uma paróquia e largar de vocês”.

Por fim, Deus em sua infinita misericórdia, - ai! que digo? - talvez em sua justiça, me devolve por fim a saúde. Tranqüilizo meus filhos; digo-lhes que nada temam, que eu compartilharei de todos os seus dissabores, partilhando até o último pedaço de pão.

Foi nesta contingência que constatei que nem um nem outro tinham para com os jovens sentimentos de pai.

Não tenho nenhuma queixa contra o Pároco de Notre Dame, cujo proceder em nossa casa foi sempre exemplar.

Com o afastamento do Padre Courveille e a saída do Padre Terraillon, fiquei sozinho; porém, Maria não nos abandona. Aos poucos vamos pagando as dívidas, outros coirmãos vêm tomar o lugar dos primeiros. Estou sozinho para pagar os custas da manutenção deles. Maria nos ajuda e isso nos basta.


3Nota do Padre Coste:


A página 13 do caderno do Padre Champagnat, em que está o rascunho da carta, foi rasgada em diagonal; sobram apenas umas poucas palavras que se lêem, à esquerda. Aparecem aqui sublinhadas. Através delas, pode-se fazer conjecturas sobre os assuntos que estariam subentendendo. Assim:

Estou aumentando a propriedade, mediante novas aquisições.

A revolução de 1830 destronou o rei. Recebemod em l'Hermitage um Comissário do rei que veio vistoriar a casa, na qual os Irmãos estariam escondendo armas e preparando uma contra-revolução. Apesar das convulsões em que ardeu a França, não fomos tão molestados assim; apenas a escola de Feurs foi fechada. Tivemos que retirar os Irmãos porque não podiam mais lecionar, por não gozarem da isenção do serviço militar, como prescreve a lei.

Se perdurar esta exigência, poderíamos pensar em fazer um convênio com os Clérigos de Saint Viateur, fundados pelo Padre Querbes. Eles já conseguiram a isenção. (Cf. OM,)


31- Ao Irmão ALPHONSE, Mornant, Rhône.


3 de novembro de 1833.

Nesta carta, o Padre Champagnat anima o Irmão Alphonse a bem cumprir sua missão de educador cristão. Mornant era o primeiro campo de ação apostólica do Irmão, que acabava de professar no dia 15 de agosto, portanto vê-se que sua formação não era muito profunda.

Mas, como os alunos ainda não tinham entrado em aula, havia mais um tempinho para se preparar. O Padre Champagnat fala apenas do apostolado e da oração em favor dos alunos.

Infelizmente, o Irmão Alphonse (nome de família Verchère) deixou a Congregação três anos mais tarde.

V.J.M.J.


Notre Dame de l’Hermitage, 3 de novembro de 1833.

Caríssimo Irmão,

Para mim foi um prazer receber sua cartinha e saber que você está bem de saúde e se esforça por manter a ordem que encontrou em sua nova escola.

Meu caro amigo, dê tudo de si para fazer com que ela prospere. Procure formar em todas as virtudes cristãs os alunos que lhe forem confiados. Reze por eles, pois com o auxílio de Deus, eles poderão superar todas as dificuldades que podem aparecer na vida. A obediência é a virtude que, de preferência, devem praticar.

Adeus, meu caro Alphonse, adeus, eu sou todo seu,

Champagnat.


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