Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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32 - Ao Irmão ANTOINE, Millery, Rhône.


10 de novembro de 1833.

Anuncia-lhe a troca do Irmão Isidore que vai ser substituído pelo Irmão Théophile. Este acabava de tomar o hábito marista, no dia 14 de julho. Não tinha muitos conhecimentos, nem grande preparo profissional, mas era moço de seus 24 anos, com bastante experiência da vida. Deve ter ido na qualidade de auxiliar do diretor.

V.J.M.S.J.

Notre Dame de l’Hermitage, l0 de novembro de 1833.

Caríssimo Irmão Antoine,

Esperando a volta do Irmão Isidore, enviamos-lhe o prezado Irmão Théophile. O senhor Prefeito não pode exigir dele mais documentos do que os que está levando. Segundo o "Moniteur" (diário oficial), disse-me o diretor do Colégio de Saint-Etienne, um professor que tem seu certificado pode ter um auxiliar, pelo qual se responsabiliza. Disseram-me a mesma coisa em Lião mas, informe-se você mesmo. Nenhum dos nossos estabelecimentos foi incomodado, embora tenhamos em cada um deles apenas um Irmão com certificado.

Adeus, meu caro amigo, reze por mim, que tenho muitos aborrecimentos. Apesar de tudo, vamos indo,

Champagnat

CAPÍTULO II: 1834-1835


Aos poucos a efervescência revolucionária de 1830 vai-se acalmando, mas por volta de 1833 houve ainda alguns distúrbios que foram prontamente reprimidos. As aspirações de calma e de paz se fortalecem dia a dia.

Importante mesmo nesta época, no campo de instrução, foi a chamada Lei Guizot, de 28 de junho de 1833, denominada pelo próprio autor de Carta Magna da Instrução Primária.

Principais avanços conquistados por essa Lei:

- a escola precisava ter o parecer dos pais, no tocante à instrução religiosa dos filhos;

- os professores precisavam ter atestado de boa conduta, assinado por três membros do Conselho Municipal e pelo Prefeito;

- era obrigatório haver pelo menos uma escola primária em cada município;

- nos municípios de dez mil habitantes ou mais, deveria haver também uma escola primária superior e nos Departamentos, uma escola normal;

- eram conferidos poderes mais amplos aos comitês encarregados de supervisionar a educação;

- era criado um pecúlio para os professores, constituído pela vigésima parte do salário de cada ano, a ser depositado na Caixa Econômica;

- em cada município, o pároco seria um dos membros do comitê da instrução primária;

- eram criadas bancas examinadoras para conferir diplomas de conclusão do curso primário e primário superior.

Grande alegria para o Padre Champagnat foi o reconhecimento, aos 28 de fevereiro deste ano, dos Estatutos da Congregação Marista, outorgado pelo Real Conselho da Instrução Pública. Que pena que este reconhecimento não tenha sido equiparado à autorização legal, que isentaria os Irmãos do serviço militar! A autorização só viria com uma “Ordonnance” (Decreto) do Rei.

Para conseguir tal “Ordonnance”, o Padre Champagnat começou a valer-se dos bons préstimos do Padre François Mazelier, a partir de maio de 1835. A congregação da Instrução Cristã, fundada por Mazelier já gozava desta prerrogativa. Mediante entendimentos entre Mazelier e Champagnat, os Irmãos que estivessem sujeitos à convocação para o serviço militar passavam a residir em Saint-Paul-Trois-Châteaux, como se pertencessem à congregação do Padre Mazelier. Os dois Fundadores pensavam mesmo em constituir uma única Associação Religiosa. Assim escreveu o Padre Mazelier:

Estou muito satisfeito de poder entrar em entendimentos com V. Rvma., escreveu Mazelier a Champagnat. O senhor dispõe de muitos candidatos e eu tenho o Decreto da aprovação legal. Prestando-nos serviços um ao outro, podemos continuar nosso comum apostolado, enquanto esperamos que Deus manifeste mais claramente sua vontade.”


33 – Ao Irmão ANTOINE, Millery, Rhône.


janeiro de 1834.

O Irmão Antoine tinha escrito ao Padre, por ocasião do Ano Bom. Esta carta é resposta à do Irmão.

A lei de junho de 1833 exigia que o diretor de uma escola particular tivesse “Brevet" (Diploma) de capacitação para exercer o cargo. Este diploma era conquistado pelo candidato ao magistério que fosse aprovado por uma banca examinadora composta de três conselheiros municipais, escolhidos pelo Ministério da Instrução Pública. Os exames seriam de nível mais ou menos elevado, de acordo com o padrão da escola que o diplomando pretendesse dirigir.

Era também exigido um atestado de boa conduta, dado pela Prefeitura.

Meu caríssimo Irmão Antoine,

Nem sequer um instante duvido da sinceridade dos votos que você me apresenta. Creia-me, eu também desejo ardentemente sua felicidade.

Para mim é um prazer que o senhor Prefeito deixe vocês em paz. No momento, todos os demais estabelecimentos também estão em paz. A Deu somente toda a hora e glória por isso.

Estou chegando de Montbrison; é a segunda viagem que faço até lá. Fui muito bem recebido pelo senhor Prefeito Departamental. Prometeu que terei uma autorização pois que o governo não pode deixar de aprovar uma obra de natureza tão relevante. Passei-lhe nossos estatutos e o pedido que estamos encaminhando ao rei.

Os Irmãos Jean-Marie e Jean-Louis estiveram em Saint-Etienne para se submeterem a exames. Foi no dia 27 próximo passado. Lá encontraram muitos professores, e também três Irmãos das Escolas Cristãs. Cada um deles, inclusive os nossos, receberam certificado. Dos professores leigos, somente um conseguiu certificado. Foi um exame levado bem a sério.

Estou com muita pressa, dispondo apenas de um tempinho para lhe dizer que o deixo nos Sacratíssimos Corações de Jesus e Maria.

Champagnat, sup.

P.S. Estamos recebendo muitos noviços.

34 – Carta a LOUIS-PHILIPPE, Rei dos Franceses.


28 de janeiro de 1834.

Uma primeira cópia muito cuidadosamente escrita, talvez do punho do Irmão François, foi ligeiramente modificada e deu origem à segunda versão. A suposição é de que, antes de assinar a carta a ser mandada, o Padre Champagnat introduziu umas poucas variantes, do que resultou o segundo texto. Fez também alguns acréscimos.

41.ª Versão


Nascido no cantão de Saint Genest Malifaux, Departamento do Loire, só consegui aprender a ler com inúmeras dificuldades, por falta de professores competentes. Senti desde então a urgente necessidade de uma instituição que pudesse, com muito menor custo, realizar na região rural o que os Irmãos das Escolas Cristãs realizam nas cidades.

Elevado à dignidade sacerdotal em 1816, mesmo antes de deixar o Seminário de Lião, pensei seriamente em criar uma Sociedade de professores que julguei dever consagrar à Mãe de Deus, persuadido de que bastaria o nome de Maria para atrair muitos candidatos. O êxito alcançado em poucos anos superou minhas expectativas.

Em 1824, sob a proteção do senhor Bispo, Administrador Apostólico da Diocese de Lião, com os favores recebidos dele e com a ajuda vinda de Saint Chamond, construi, perto daquela cidade, uma casa ampla na qual se acha a escola modelo da Sociedade.

Já somam vinte e três os municípios que estão providos de nosso pessoal; além do que, mais uns quarenta candidatos estão em formação na casa principal. Recebemos numerosos pedidos de fundação de novos estabelecimentos, sobretudo depois da lei de 28 de junho de 1833, referente ao ensino primário.

Animado pelos resultados felizes e pelo zelo que Vossa Majestade e seu Governo votam à causa da instrução, considerando outrossim que uma autorização que legalize esta companhia lhe dará estabilidade, favorecerá seu desenvolvimento e estabelecerá uma perfeita harmonia com as autoridades locais, depositamos nas mãos de Vossa Majestade os nossos estatutos com o requerimento.

52.ª Versão


Majestade,

Nascido no cantão de Saint-Genest-Malifaux, Departamento do Loire, só vim a aprender a ler e escrever com inúmeras dificuldades, por falta de professores competentes. Compreendi desde então a urgente necessidade de uma instituição que pudesse, com menor custo proporcionar aos meninos da região rural o grau satisfatório de ensino que os Irmãos das Escolas Cristãs proporcionam aos meninos carentes das cidades.

Elevado à dignidade sacerdotal em 1816, fui destacado como coadjutor numa paróquia rural. O que vi com meus próprios olhos me fez sentir mais vivamente a importância de pôr em execução, sem mais detença, o projeto que há muito vinha acalentando.

Comecei, pois, a preparar alguns professores. Dei-lhes o nome de Irmãozinhos de Maria, convencidíssimo de que este nome bastaria para atrair muitas pessoas. O êxito rápido em poucos anos justificou minhas conjecturas e superou as expectativas.

Em 1824, sob a proteção do senhor bispo administrador da diocese de Lião, ajudado por aquele Prelado e pelos homens de bem da região, construí, perto da cidade de Saint-Chamond, uma casa ampla para nela estabelecer a escola normal da novel Sociedade. Setenta e dois membros desta casa já estão empregados em um número razoável de municípios sem contar uns quarenta noviços muito esforçados que se preparam para seguir os passos dos primeiros.

Para crescer e prosperar, a recém-nascida instituição, cujos estatutos seguem em anexo, só precisa da autorização legal. O zelo que Vossa Majestade consagra ao ensino, me anima a requerê-la humildemente. Poderei eu desde já, Majestade, antegozar a alegria de consegui-la? Atrevo-me a imaginar que sim.

Os numerosos pedidos que me são feitos de toda parte, por diversos prefeitos (sobretudo após a lei de 28 de junho de 1833), a aprovação das autoridades locais, do prefeito Departamental do Loire e de vários nobres deputados, que tiveram a gentileza de me prometer proteção, constituem provas evidentes de que meu empreendimento se coaduna com o espírito do governo e com as necessidades e recursos dos municípios rurais. Por isso é que nem sequer um instante posso imaginar que minha solicitação não seja atendida.

Alimento, pois, a fagueira esperança de que este empreendimento criado unicamente com o propósito de beneficiar meus concidadãos, seja acolhido por Vossa Majestade, sempre pronto a favorecer o que é útil. Os Irmãos de Maria, uma vez que tiverem recebido existência legal outorgada por vossa real benemerência, ficarão obrigados a dever-lhe, Majestade, eterna gratidão, e se unirão a mim para confessarmo-nos para sempre de Vossa Real Majestade, súditos muito humildes, obedientes e fidelíssimos.

Champagnat.

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