Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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39 – Ao Padre JEAN-PIERRE CUSSIER, Pároco de Viriville, Isère.


março de 1834.

Constatamos mais uma vez nesta carta a firmeza do Fundador em defender o direito de seus Irmãozinhos.

Os Irmãos estavam em Viriville desde novembro de 1832.

Senhor Pároco de Viriville,

As muitas promessas que nos foram feitas em Viriville nos permitiam esperar que não teríamos que nos arrepender de ter mandado nossos Irmãos, contra o nosso costume e a nossa regra, mesmo antes que o local e a mobília estivessem em condições de uso.

A experiência nos ensina mais uma vez que cometemos um erro palmar. Na última visita que fiz, constatei surpreso que o estabelecimento está com falta das coisas mais necessárias, seja no tocante ao espaço ocupado pelos alunos, seja na parte reservada aos Irmãos; seja quanto ao mobiliário, seja quanto ao pagamento, que não está em dia: embora mínimo, não foi pago integralmente no primeiro ano.

Previno o senhor de que, em consonância com o parecer unânime dos prezados Irmãos que compõem o meu conselho, na primeira visita que fizermos, pela festa de São João, nossos Irmãos vão receber a ordem de sair de mudança, caso o local e a mobília não estejam em boas condições.

Para três Irmãos, a mobília custa 1500 francos e o pagamento anual é de 1200 francos.

Tenho a honra de ser seu dedicado servidor.

Champagnat


40 – Ao senhor JACQUES ARDAILLON, prefeito de Saint-Chamond, Loire.


14 de abril de 1834.

Em janeiro e março de 1834, o senhor Ardaillon teve que se apresentar em Paris, para tomar posse do cargo de deputado na Assembléia.

Champagnat se dirige a ele para informá-lo que a documentação referente à autorização legal deve estar no Ministério da Instrução Pública. Sugere ao amigo que use seu prestígio de deputado para recomendar ao Ministro que se interesse pela questão em favor dos Irmãos Maristas.

Aproveita a ocasião para agradecer o empenho que o senhor Ardaillon vinha demonstrando pela causa e dá notícias sobre a cidade de Sain-Chamond que se manteve calma, ao passo que muitos operários de Lião se tinham amotinado e reclamavam a emancipação da classe operária, através de distribuição mais eqüitativa do trabalho.

Petição ao Senhor Prefeito departamental, a ser feita pelo senhor Ardaillon:

1o) Rogo ao senhor Ardaillon que se digne pedir, de minha parte ao senhor prefeito departamental que se interesse por nossa autorização.

2o) Rogo ao senhor Ardaillon somar esforços com o senhor Prefeito, para achar um meio de nos proporcionar existência legal. Pediria ainda ao senhor Ardaillon, de acordo com o que julgue necessário, que procure fazer com que o senhor Prefeito do Loire se empenhe a favor de nossa autorização. O que sinceramente desejamos é trabalhar para o bem de nossos concidadãos, sob os auspícios do rei dos franceses.

Senhor deputado Ardaillon, as peças do processo foram despachadas para o Ministério da Instrução Pública, no dia 8 de fevereiro. Já tive a honra de lhe informar que vi em Montbrison o relatório do senhor Prefeito departamental e a data da expedição.

Senhor Ardaillon, quanta gratidão lhe ficaremos devendo por tantos serviços seus em favor de nossa causa!. Agora me convenço de que é verdade o que o povo diz aqui na região: o senhor está sempre disposto a ajudar as boas iniciativas em qualquer lugar que apareçam e sempre que seus bons serviços sejam solicitados.

Já me sinto feliz de ter recorrido ao senhor. Que Deus e a Santíssima Virgem Maria estejam a seu favor!. Saint-Chamond goza da maior tranqüilidade e todo o Cantão de Saint- Etienne, penso eu, não terá maiores danos. Penso que, dentro de pouco tempo, tudo estará terminado e que os operários de Lião retornarão ao trabalho. Seriam certamente mais felizes se nunca se tivessem apartado de seu dever. Como são culpados aqueles que os incitaram a esta sublevação! Não vão conseguir ressarcir o dano que causaram à sociedade.

Disseram-me que o comandante de Saint-Chamond esteve em Saint Etienne. Teria muito prazer em dar-lhe notícias sobre nossa região, mas acho que o senhor está mais a par dos acontecimentos do que eu.

Queira aceitar...

41 – Ao Padre JOSEPH GAUCHER, Pároco de Chavanay, Loire.


abril de 1834.

O conteúdo desta carta nos revela que o pároco e o prefeito de Chavanay entraram em choque, por divergirem no ponto de vista político. Para fazer pirraça ao pároco, segundo pensa o Padre Champagnat, o prefeito hostilizava os Irmãos.

Solução proposta: Privatizar a escola; se não, os Irmãos sairiam de Chavanay.

Ao senhor pároco de Chavanay,

Senhor pároco, é impossível deixar que sua escola continue funcionando como está. O prefeito não se contenta de explorar nossos Irmãos, quer fixando a mensalidade dos alunos muito baixa, quer obrigando-os a ter um número exagerado de pobres. Tenta ainda transviar nossos Irmãos, incentivando-os a largaram a batina, que assim serão os homens mais felizes do mundo.

Foi a razão que levou o Irmão Dominique a me pedir sua transferência de Chavanay.

Veja lá, senhor pároco, o que pode fazer. Esta perseguição contra os Irmãos só foi desencadeada contra eles por sua causa, conseqüentemente contra mim também.

Estamos pensando que para livrar-nos da tirania desse homem, precisamos fazer de nossa escola uma escola particular. Foi este o conselho que o Padre Dupuis me deu, pouco depois da visita que fez ao estabelecimento.

Veja, senhor pároco, se pode fazer alguma coisa. Caso contrário, estamos resolvidos a retirar nossos Irmãos. Já consultei o Padre Cholleton a respeito desse assunto...

42 – Ao Irmão CASSIEN, Sorbiers, Loire.


Verão de 1834.

O Irmão Cassien (Louis Chomat) e o Irmão Arsênio (Césaire Fayol), antes mesmo de se fazerem Maristas dirigiam uma escola, em Sorbiers. Ao se fazerem religiosos, a escola continuou sob a direção deles, com mais dois Irmãos que lhes deu Champagnat, como auxiliares.

O Irmão Cassien entrou em crise, vendo que os dois não eram tão fervorosos como ele imaginava, sendo Maristas. Foi o que motivou a carta do Padre Champagnat, tão repassada de equilíbrio e de compreensão pelas fraquezas humanas. (cf. Em Cada Vida uma Mensagem, p. 163)

Ao Irmão Cassien,

Que Jesus e Maria sejam seus guias e mestres em tudo!

Meu caro Irmão Cassien, não consigo esconder a dor que me causa seu modo de ver as coisas e não sei por que você está assim.

Meu caro amigo, tenho consciência de não estar em falta com você, de nenhum modo. Tomei na devida consideração as reclamações que você julgou conveniente fazer. De maneira nenhuma pensei eu fazer pouco caso de você, ao mandar-lhe os dois Irmãos que destinamos para sua comunidade. Você estava contente com a escolha.

Quem se intrometeu para alterar esta paz? Quando o Irmão Denis o molestou com suas importunações, não estive lá de imediato para tratar da transferência dele? E quando você ponderou que preferia deixá-lo ficar, não aceitei seu parecer, embora tivéssemos decidido o contrário?

Então meu caro Irmão, quais são afinal as razões que continuam a indispô-lo? Se os membros da Sociedade de Maria são para você por demais imperfeitos para lhe servirem de modelo, dirija, meu caro Cassien, dirija seus olhares para Aquela que pode servir de modelo para perfeitos e imperfeitos e que a todos tem amor: ama os perfeitos porque reproduzem as virtudes de seu divino Filho e arrastam os demais para o bem, sobretudo numa comunidade. Ama também os imperfeitos, porque foi sobretudo em benefício deles que Ela, Maria, foi elevada à dignidade de Mãe de Deus!

Por que, meu caro Irmão, voltar a buscar conselhos no Egito? Será que Maria não possui tudo para nos pôr a salvo? Para que mais tarde eu não fique com remorso de não falar claro, digo-lhe já, meu caro amigo, e o faço apoiado nas palavras do profeta, que a ajuda do Egito não passará de um caniço frágil, que ao se quebrar irá machucar suas mãos. Não tenho medo de predizer-lhe tal infortúnio, em nome de Jesus e de Maria.

Se você não tiver em muita conta meu parecer, consulte pessoalmente o Superior da Sociedade de Maria, que acaba de chegar de Roma, ou consulte o senhor Arcebispo ou o Padre Cholleton.

Afinal, meu caro Cassien, não faça nada precipitadamente...


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