Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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43 – Ao Padre JEAN-MARIE FRAIN, Vigário Geral de Nevers, Nièvre.


Verão de 1834.

Ao pedido de abertura de um noviciado em Nevers, o Padre Champagnat responde solicitando um prazo. Não dispunha no momento de pessoal suficiente. Com isso, o projeto ficou na expectativa de melhores dias e não se efetuou. Só em 1853 é que os Irmãos, a pedido de Dom Augustin Dufêtre, que fora condiscípulo do Padre Champagnat no Seminário de Lião, puderam abrir uma escola em Decize, diocese de Nevers.

Senhor Vigário Geral,

O Padre Cholleton me havia falado de seu projeto, faz algum tempo. Estaríamos de acordo em abrir uma sucursal na sua diocese, se tivéssemos pessoal em número suficiente; porém, a falta de Irmãos para atender ao grande número de pedidos que nos chegam de toda parte, nos coloca na impossibilidade de satisfazer de imediato seus desejos.

De muito boa mente estabeleceríamos um noviciado em Nevers, com a condição de que o senhor tivesse um local apropriado para isso. Não nos limitamos à diocese de Lião nem aos limites da França, tanto que já possuímos estabelecimentos nas dioceses de Lião, de Grenoble e de Viviers. Não saberia, por ora, dizer-lhe quais os gastos com que teria que arcar sua diocese.

Ensinamos: 1) o catecismo; 2) a leitura; 3) a escrita; 4) os rudimentos da gramática francesa, o cálculo e o sistema legal de pesos e medidas; elementos de geometria, (subentendido: agrimensura), desenho linear, canto e os elementos de história e de geografia

Na aprendizagem da leitura seguimos a nova pronúncia e o método simultâneo.

Enviamos Irmãos aos municípios que no-los solicitam. Os custos de cada Irmão sobem a 400 francos anuais.

Embora nossos Irmãos só trabalhem no mínimo em dois, poderemos instalá-los numa casa central, de onde sairiam, um a um para os municípios vizinhos.

As escolas serão gratuitas, mas as municipalidades poderão cobrar uma contribuição mensal para cobrir os gastos do estabelecimento. Cada estabelecimento será dirigido por um Irmão Diretor, que ficará em exercício enquanto seu superior houver por bem mantê-lo.

44 – Ao Padre JEAN CHOLLETON, Vigário Geral de Lião, Rhône.


agosto de 1834.

O Padre Champagnat, sempre preocupado com a implantação da Sociedade de Maria na diocese de Lião, oferece a propriedade da Grange Payre, que a benfeitora Marie Fournas, lhe tinha legado, ao falecer em 15 de junho de 1833. (cf. Carta no 27)

Ali os Padres Maristas estariam melhor instalados do que em Valbenoite, como se verá na Carta de no 45 ao mesmo Vigário Geral Cholleton, que era o encarregado da movimentação de religiosos dentro da diocese.

Senhor Vigário Geral,

Seja qual for o desfecho desta carta, só tenho em vista a glória de Deus e adorarei seus desígnios. A situação de meus coirmãos em Valbenoite não é nada favorável. Ser pároco ou coadjutor não convém à Sociedade, sobretudo no momento vivido pelos atuais ocupantes.

A administração da paróquia ocupa a todos e ocuparia a outros mais. Os melhores candidatos ali perdem vocação; os que sentem alguma inclinação para a vida religiosa não ousam apresentar-se, com medo de serem mandados como coadjutores. Os que lá estão desejam sair, dando como razão que não podem cuidar da própria formação nem achar tempo para preparar algum sermão. Em uma palavra, nada encontram que possa servir a um missionário.

Nada acrescento a respeito do recolhimento de espírito; esse se perde com as discussões que têm que travar com este ou aquele, até mesmo com os próprios colaboradores.

Em que embrulhada se metem ao conquistar o direito de ocupar o altar do pároco! Aí está outra fonte de encrencas, quer da parte do Padre Rouchon, quer da parte de seus paroquianos. Ele não pode deixar de censurar a maneira de cobrar os proventos ou aquilo que ele tacha de rigorismo no modo de fazer. Assim, a paróquia logo se lhes afigura um peso incômodo. Quanto se poderia acrescentar com respeito a isso!

O contrato não andou nada, está como no primeiro dia. Alguns até pensam que o Padre Rouchon arquiteta todas as manobras para anulá-lo. Por outro lado, o clero de Saint-Etienne sempre andou de prevenção contra essa obra. Enfim, meus confrades me confidenciaram não terem recebido nenhum agrado desde que se encontram em Valbenoite.

Senhor Vigário Geral, afetado pelo triste estado a que vejo reduzido o caso dos sacerdotes da diocese, venho, com a intenção de contribuir para a maior glória de Deus, oferecer a S. Excia. o senhor Arcebispo o local da Grange Payre, uma situação encantadora, quer pela amplitude das construções, quer pela área imensa do recinto contíguo. Não há sacrifício que eu não esteja disposto a fazer para ver este lugar sob a direção de algum sacerdote santo que V. Excia. aceite colocar à nossa disposição. Com ele eu me entenderei perfeitamente. Enquanto isso, prometo empenhar-me mais, contando sempre com a Providência que nunca nos decepcionou.

Tenho recursos, me atrevo a dizer melhor, é Maria que os possui, e muitos, para os que nela confiam.

Veja, senhor Vigário Geral, o que achei oportuno comunicar-lhe, a fim de não deixar passar nenhuma ocasião de ajudar uma obra na qual me comprometi, já faz tanto tempo. Depois de eu ter posto V. Excia. a par de todas essas ocorrências, adorarei os desígnios de Deus, aconteça o que acontecer, já não tendo nada que censurar a mim mesmo (se me tivesse calado). No caso de ser aceita minha proposta, o Padre Séon poderia ficar em Valbenoite, ocupando-se juntamente com o Padre Rouchon do patronato dos jovens. Com isso, tudo me pareceria solucionado. A obra dos Padres não seria mais sacrificada.

Omnia ad majorem Dei gloriam. Non nobis, Domine, non nobis gloriam.

45 – Ao Vigário Geral, Padre CHOLLETON.


8 de setembro de 1834.

(Duas versões, uma depois da outra)

A data desta carta é relativa à segunda versão da mesma, na qual o Padre Champgnat detalha as vantagens da Grange-Payre e os inconvenientes de Valbenoite, a que se referiu antes.

61.ª versão


Senhor Vigário Geral,

Gostaria muito de me ter encontrado com o senhor por ocasião de sua passagem por Saint-Chamond, para ter uma resposta à minha carta. Reitero todas as ofertas que tive a honra de fazer em favor de meus coirmãos. Se vierem à Grange-Payre, deixar-lhes-ei todos os benefícios da propriedade, que somam 1500 francos, sem contar o usufruto da construção, na qual farei os primeiros consertos.

Vejo claramente que a obra dos sacerdotes vai afundar completamente em Valbenoite. Meu Deus, que quereis de mim? Não há sacrifício que não esteja disposto a fazer para salvar do naufrágio a obra de Maria. Asseguro-lhe que, mais do que nunca, acredito nesta obra, porém em outras condições do que aquelas em que se encontra. A ambição, a ganância de se enriquecer vai deitar tudo água abaixo.

Aqueles a quem Cristo Jesus todos os dias dá seu Corpo e Sangue receiam que não lhes dê aquilo que dá aos mais vis animais. Meu Deus, não permitais nunca que homens dessa natureza entrem na Sociedade de Maria!

Senhor Vigário Geral, não pretendo acusar nenhum de meus coirmãos; todos me edificaram muito quando fui feliz de os ter junto de mim. Quero tão somente censurar aqueles que lhes falam desse modo.

Reuna a nós todos numa casa, sob a dependência exclusiva do nosso digno Arcebispo e de um superior particular. Não nos obrigue a um ministério secular. Não nos separe como ocorreu no passado. Para termos um candidato, devíamos conquistá-lo na ponta da espada e, mesmo assim, não o podíamos manter senão com a condição que um de nós se fizesse coadjutor.

Que fiquem reunidos, sob a mesma Regra, os Padres Pompallier, Séon, Forest e Bourdin ou, no lugar dele, outro Padre de Belley; que não tenham outro ministério, por ora, a não ser pregar retiros ou pregar pequenas missões nos lugares do interior; verá então o senhor como as coisas tomarão outro rumo. Não nos faltará nada, nem pessoas nem coisas materiais. Quam bonum et quam jucundum habitare fratres in unum. Nossos irmãos têm todos a mesma linguagem que eu. Todos estariam dispostos a abandonar l'Hermitage aos Padres, se preciso fosse. Estão dispostos a assinar tudo quanto estou oferecendo para dar melhores condições aos Padres da Sociedade de Maria.

Em tudo isso seja feita a vontade de Deus!


72.ª versão


J.M.J.

Notre Dame de l'Hermitage, 8 de setembro de 1834.

Senhor Vigário Geral,

Gostaria muito de me ter encontrado com o senhor por ocasião de sua passagem por Saint-Chamond, para ter uma resposta à minha carta. Reitero todas as ofertas que tive a honra de fazer em favor de meus coirmãos, se vierem à Grange Payre. Ceder-lhes-ei todos os benefícios da propriedade, que somam mil e quinhentos francos e o usufruto da construção, na qual farei os primeiros consertos.

Vejo, sem sombra de dúvida, que a obra dos Padres em Valbenoite vai afundar completamente porque está começando errada. Não há sacrifícios que eu não esteja disposto a fazer para que meus confrades tenham êxito. A ambição, a ganância de possuir vai deitar tudo água abaixo. Deus me livre de acusar meus irmãos. Seu desapego, seu devotamento me edificaram sobremaneira durante o tempo em que fui honrado de os ter junto de mim. Quero tão somente censurar os que lhes falam desse modo.

Aqueles a quem Jesus Cristo, com tanta generosidade, cada dia, dá seu Corpo e Sangue poderiam temer que lhes negaria aquilo que dá direitinho aos mais vis animais?!

Meu Deus, não permitais nunca que homens dessa natureza entrem na Sociedade de Maria! Não pretendo com isso acusar a nenhum de meus coirmãos; todos me edificaram muito quando fui honrado de os ter junto a mim; quero tão somente censurar os que lhes falam desse modo.

Não peça nada ao Conselho do senhor Bispo (quero dizer, nenhum salário para nós), peço somente que nossos sacerdotes se reunam todos numa casa de retiro independente de qualquer ministério secular. Que fiquem ocupados com os exercícios adequados a seu estado (de religiosos), sob a direção do Padre Colin, o mais velho, se o senhor Bispo houver por bem no-lo conceder.

Em pouco tempo, senhor Vigário Geral, verá crescer o número de nossos Padres; a desunião é que tudo perdeu, a união vai tudo restabelecer. Disto resultará glória a Deus.

Prometo-lhe novamente que não deixarei faltar nada a meus confrades, nem que seja preciso entregar minha roupa do corpo. É com lágrimas nos olhos que o digo!

O senhor bem sabe, melhor do que eu: o peixe não pode viver muito tempo fora da água; só o retiro e a meditação das grandes verdades podem sustentar o espírito religioso.

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