Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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59 - A sua Majestade a Rainha MARIE AMÉLIE.


Começo de maio de 1835.
Nos começos de maio de 1835, tendo já escrito ao Rei Louis-Philippe (Cf. Carta no 34), Champagnat se dirige também à Rainha Marie Amélie. Com os deputados, com o Ministro, com o próprio Rei. Nada! Quem sabe possa a Rainha interceder mais eficazmente junto aos poderes públicos para, finalmente, conseguirmos isentar nossos Irmãos do serviço militar. Na resposta, comunicando a decisão negativa, o ministro Guizot começa dizendo: “O placet (petição) que o senhor dirigiu à Rainha foi-me encaminhado por S. M. como algo da competência do meu ministério: 4/9/1835.

V.J.M.S.J.

Grande Rainha,

Esta carta tem por finalidade rogar a Vossa Majestade se digne sugerir a Sua Majestade Louis Philippe que sancione por um Decreto a autorização que o Conselho houve por bem conceder a Sociedade dos Irmãos Maristas, aprovando seus Estatutos, transcritos no Manual Geral de Instrução Primária, no 6, do mês de abril de 1834.

Quatro dos supraditos Irmãos estarão sendo atingidos pelo sorteio de 1835. Não temos outros meios de eximi-los.

Sua grande devoção a Maria, o real afeto de seus antepassados à Mãe de Deus, o começo deste mês consagrado a honrá-la, tudo isso me dá muita confiança. Todos os nossos Irmãos estarão unidos a mim durante este mês para o feliz desfecho dessa questão e para a prosperidade de sua casa.

Caso Vossa Majestade queira conhecer nossos estatutos, mando-os com uma pequena explicação preliminar sobre as razões principais que me animaram a fundar esta Sociedade de Irmãos para o ensino.

1o) Elevado à dignidade sacerdotal em 1816, fui enviado a um município do cantão de Saint Chamond (Loire). O que constatei com meus próprios olhos nesta nova situação, com relação à educação dos jovens, me lembrou as dificuldades que, por falta de professores, eu mesmo experimentara na idade deles.

Apressei-me então em executar um projeto que havia formado de fundar uma associação de Irmãos professores para os municípios rurais, cuja penúria não lhes permitia ter os Irmãos das Escolas Cristãs. Dei aos membros da nova Sociedade o nome de Maria, persuadido de que bastaria este nome para atrair um bom número de candidatos. Apesar da falta de recursos materiais, tivemos logo um bom resultado, o que justificando minhas conjecturas, superou minhas expectativas.

2o) Em 1824, auxiliado por Dom De Pins e por pessoas de bem da região, construí uma casa para o noviciado. Atualmente a Sociedade conta com cento e quarenta membros, dos quais oitenta trabalham como professores numa porção de municípios. Temos muitos pedidos de novos estabelecimentos, para logo que tenhamos mais candidatos formados. Se o governo nos autorizar, estará contribuindo de maneira especial para o nosso desenvolvimento. Isto será de grande proveito para a religião e a sociedade.

Queira desculpar a confiança que me leva aos pés de Vossa Majestade e aceitar a expressão dos sentimentos do meu profundo respeito, com os quais sempre estarei, grande Rainha, a seu inteiro dispor na qualidade de súdito humilde, obediente e leal.

60 – Ao Padre FRANÇOIS MAZELIER, Superior dos Irmãos da Instrução Cristã e Pároco de Saint-Paul-Trois-Châteaux, Drôme.


Começo de julho de 1835.

Em maio, o Padre Mazelier tinha feito uma visita a l'Hermitage para ter com Champagnat uma primeira conversa, em vista de uma eventual fusão de suas congregações.

Foi por esta ocasião que o Padre Champagnat, preocupado com a situação de quatro Irmãos prestes a serem convocados para o serviço militar, encontrou uma saída para o caso: Bastava que o Padre Mazelier os declarasse membros de sua congregação, para a qual já tinha conseguido a isenção.

O Padre Mazelier consultou seus colaboradores e o bispo de Valence e deu resposta positiva a este expediente que deveria funcionar temporariamente e ser do conhecimento só dos interessados.

Foi a entrevista com Mazelier que motivou a carta de Champagnat transcrita abaixo.

Padre Superior,

Estou mandando os compromissos por dez anos, dos Irmãos que devem ir a Saint- Paul; tenha a bondade de completá-los e fazê-los chegar ao Senhor Reitor. Razões imperiosas obrigam três Irmãos, que assinaram os compromissos, a se atrasarem por alguns dias. Estou planejando apresentá-los pessoalmente ao Senhor, no decorrer deste mês. Estou ansioso por ver chegar a ocasião de expressar de viva voz o quanto lhe sou agradecido pelas atenções que o senhor nos dispensa e pelos serviços importantes que nos presta.

Espero que o senhor terá a bondade de me indicar uma data em que eu tenha certeza de encontrá-lo. Era meu intento encontrar-me com o Senhor um dia desses, mas vejo-me obrigado a adiar a viagem por alguns dias. É que, com relação a uma de nossas casas, preciso fazer uns arranjos que necessariamente exigem minha presença.

Pode acreditar senhor Padre, que toda a Sociedade tem pelo senhor o maior carinho e a mais viva gratidão por tudo quanto tem a bondade de fazer em favor da mesma. Pelo que me toca, sinto mais do que ninguém todo o valor e importância de suas benemerências. Por isso, para mim é uma obrigação torná-lo participante de todas as nossas orações, como um dos nossos mais caros benfeitores. Praza aos céus que um dia possamos estar unidos mais de perto para a glória de Deus e a honra da divina Maria.

Queira aceitar os sentimentos de respeito, com os quais tenho a honra de me subscrever, senhor Superior, seu humilde e obediente servidor,

Champagnat

61 – Ao Irmão THÉOPHILE


12 de julho de 1835.

Pode-se imaginar as dificuldades que o Irmão Théophile terá exposto ao Padre Champagnat. O nível de estudos dele era muito baixo. Passar de alfaiate a professor aos 24 anos não devia ser fácil. A saúde também não era lá das melhores.

O Padre Champagnat procura animá-lo, esperando que possa superar as dificuldades encontradas nas novas condições de vida e de trabalho.

Escrevendo ao Irmão Théophile, o Padre Champagnat se refere ao jovem Perret. Poderia ser Jacques Perret, natural de Marlhes, que depois recebeu a batina com o nome de Irmão Cyr, em 9 de maio de 1839. Ficou poucos anos no Instituto.

Caríssimo Irmão Théophile,

Coragem, meu querido amigo, tudo virá com o tempo, e mais ainda, o próprio Deus será nossa recompensa. Para que nos inquietar? Façamos de conta que estamos seguros de conseguir um bom resultado, e atribuamos toda a honra a Jesus e Maria. Você tem suas dificuldades, ou melhor: você não tem dificuldade alguma e, assim mesmo, se inquieta? Ninguém fala com você? Bendito seja Deus!

Gosto do Perret. Ah!... se pudéssemos recebê-lo! Digo-lhe que eu o receberia de boa mente; esperemos.

Diga ao Irmão Silvestre, diga-lhe, meu caro amigo, que gosto muito dele. Mil obrigados por tudo quanto ele realiza em Marlhes, pelo amor de Deus. Reze por mim.

Adeus,


Champagnat

P.S. Diga à mãe dos meninos Vialeton que me mande a Valbenoite quatro carradas de tábuas de Givors, de 7 a 8 pés e de uma polegada de espessura.


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