Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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108 – Ao Padre GEORGES BLANC, Coadjutor de Saint-Galmier, Loire.


13 de maio de 1837.

O mano deste Padre tinha estado no seminário. Saiu e veio pedir para ser Irmão Marista. Tomou o hábito, aos 3 de janeiro de 1837 e foi mandado fazer o noviciado em La Côte, pois o moço já tinha 24 anos e possuía bons conhecimentos que o habilitavam a apresentar-se aos exames para a obtenção do Diploma (brevet) de professor primário.

Infelizmente não permaneceu por muito tempo na Congregação. Chamava-se ele Annet Blanc e tomou o nome de Irmão Andéol, quando vestiu o hábito marista. O irmão dele, Padre Georges, escreveu ao Padre Champagnat pedindo um abatimento da quantia que o mano devia pagar ao entrar no noviciado. É o que deduzimos da resposta do Padre Champagnat em que diz que não é possível reduzir a dívida, pois a contribuição que os estatutos pedem é o mínimo indispensável.

Senhor Padre,

Enviamos-lhe em anexo as condições de admissão de postulantes em nossa Sociedade. A contribuição módica que exigimos não permite que façamos abatimento, entretanto confiamos em sua lealdade.

Sabemos reconhecer o mérito daqueles que se congregam em nossa casa, após terem concluído seus estudos, mas a verdade é que na maioria são bastante bisonhos nos conhecimentos científicos que ministramos aqui, por isso estão obrigados a recapitular as noções elementares, principalmente da ortografia.

Se o seu irmão foi mandado a La Côte-Saint-André foi porque ele mesmo pedia, receoso como estava de que as relações que se via obrigado a manter aqui com os jovens que não pensavam como ele, pudessem pôr sua vocação em risco. Quanto ao mais, achava-se perfeitamente contente e demonstrava muito ardor em adquirir as virtudes e conhecimentos que são necessários para desempenhar dignamente as funções de um religioso educador.

Aguardando o prazer de revê-lo, senhor Padre, peço-lhe que aceite os afetuosos sentimentos com que tenho a honra de ser, Senhor Padre, seu dedicado...

Notre Dame de l'Hermitage, 13 de maio de 1837.

109 – Ao Padre JACQUES FONTBONNE, missionário em Saint-Louis, Estados Unidos da América.


16 de maio de 1837.

O Padre Champagnat dá muitas notícias da Sociedade de Maria e transcreve outra vez a carta do Irmão Nizier, de 01/01/1837, quando estava para zarpar rumo às Missões da Oceânia. (cf. Carta no 79)

O Padre Fontbonne era simpatizante dos Maristas e o Padre Champagnat, ardoroso propagador da Sociedade de Maria, tenta ligá-lo definitivamente a ela, agora já reconhecida canonicamente pelo Papa Gregório XVI.

J.M.J.


Mui estimado Padre Fontbonne,

Recebi, muito sensibilizado, a carta que teve a gentileza de me escrever. Desde que você saiu, sempre fiquei com muito desejo de receber notícias suas e foi com o maior interesse que soube todas as que me chegaram referentes a você.

Nossa Sociedade se amplia sempre mais. Contamos no momento com 176 Irmãos bastantes noviços que nos parecem todos muito esforçados. Estamos sempre consertando e construindo, e assim mesmo sempre apertados. Não deixamos em paz nem damos tréguas aos rochedos de l'Hermitage, cultivamos, plantamos vinhas, procuramos fertilizar o terreno todo.

A nossa capela nova foi benta por Dom Pompallier, antes de sua partida para a Polinésia. Conferiu a Crisma àqueles Irmãos nossos que ainda não tinham recebido este sacramento.

Você não pode imaginar que emulação suscitou na turma a missão da Polinésia. A gente invejava a sorte dos que tinham sido escolhidos como primícias da Associação para aquelas ilhas. Nossos Irmãos lhes faziam despedidas na esperança de irem brevemente juntar-se a eles.

Penso que você gostará de tomar conhecimento da carta que um de nossos Irmãos escreveu do Havre, antes de embarcar.

"Como me sinto feliz, querido pai, muito embora me julque indigno, por ter sido escolhido dentre os Irmãos de Maria para ser dos primeiros a partir para levar a luz do Evangelho a povos selvagens. Oh! bendito seja Deus! Foi Ele que me deu a vocação e me ajuda a segui-la. Estou muito contente de viajar e posso afirmar com toda sinceridade que não cederia meu lugar nem a troco de um trono. Não tenho medo, pois Maria, nossa Boa Mãe, será o meu guia em todas as minhas ações e meu refúgio nas dificuldades.

Desejaria, meu querido pai, apresentar-lhe de viva voz meus votos de Feliz Ano Novo, como também a todos os meus caros Irmãos, mas as circunstâncias não me permitem satisfazer meus desejos. Peço-lhe, por favor, aceitar meus votos de felicidade.”

Esta carta nos foi endereçada poucos dias antes do embarque no Havre. Eles foram obrigados a esperar vários meses por um tempo favorável para fazer-se ao largo. No dia em que içaram a vela, escaparam, como por milagre, a uma furiosa tempestade que pôs a pique vários outros navios e de que nem se aperceberam. Soubemos, faz pouco, que tinham aportado às Ilhas Canárias para fazer reparos no navio e que todos estavam de boa saúde.

A obra dos Padres está sempre tomando novos incrementos. Adquirimos uma casa grande para o noviciado em Lião. Numa reunião que fizemos para a eleição de um superior geral da Sociedade de Maria, após um retiro de alguns dias, os 22 Padres que tomaram parte fizeram seus votos perpétuos e o Padre Colin foi confirmado no cargo de Superior Geral da Sociedade de Maria. Eis-nos religiosos no pleno rigor da palavra. Queira Deus que produzamos frutos dignos de nosso estado.

Temos a consolação de ver que nossos estabelecimentos vão melhorando. São atualmente em número de 33. Vários estão para começar no ano que vem, e não podemos fugir às pressões reiteradas que nos chegam de toda parte, pedindo Irmãos. Seria com prazer que mandaríamos alguns à América para auxiliar o trabalho dos Padres Missionários, se isto nos fosse possível. Esperamos que a divina Providências nos aplainará as dificuldades e nos facilitará os meios de chegar até onde você está, quando se completarem os tempos e os momentos que o Pai reservou para exercer seu poder.

Todos os membros de nossa Sociedade que tiveram a sorte de conhecer você lhe apresentam seus respeitos e sua amizade. O Padre Superior e o Pároco de Izieux querem fazer-lhe chegar através desta carta seus sentimentos de amizade, em se lembrando de você. O Padre Rouchon me disse que não recebeu sua primeira carta. Dei-lhe a que você me mandou, da qual ele gostou muito. Fez dela assunto de um sermão no qual recomendou a seus paroquianos que não esqueçam você em suas orações. Sua pessoa está sendo muito lembrada pelos Irmãos mais antigos de l'Hermitage; ao tomarem conhecimento de sua carta, acudiram pressurosos e satisfeitos para saber notícias suas.

Continuamos a considerá-lo Padre Missionário da Sociedade de Maria. Lamentamos não tê-lo contado em nosso meio nas circunstâncias felizes que se seguiram à nossa autorização pela Cúria Romana.

Em união de um mesmo espírito nós nos recomendamos todos às suas orações, desejando ardentemente participar em grande escala dos méritos de seus trabalhos, levados à frente para a glória de Deus e a honra da Mãe de todos nós.

Possa a Sociedade de Maria cumprir perfeitamente os desígnios que Deus tem sobre ela e merecer associar-se aos operários do Evangelho de que fala a Escritura: Euntes ibant et flebant mittentes semina sua; venientes autem venient cum exultatione portantes manipulos suos. (Choravam eles enquanto iam espalhando suas sementes; ao voltarem, porém, regressarão cheios de alegria, carregados de seus fardos).

Receba a certeza de minha sincera amizade e aceite os sentimentos afetuosos com os qiaos tenho a honra de ser, meu querido coirmão, seu dedicado,

Champagnat,

sup. I. M.

Notre Dame de l'Hermitage, 16 de maio de 1837.

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