Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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CAPÍTULO VII - 1840


310 - 2 de janeiro. Ao Padre Gire, pároco de Saint-Privat D’Allier: pede um prazo de três ou quatro anos; sugere-lhe como solução mais rápida, os Irmãos de Viviers.

311 - 3 de janeiro. Ao Padre Jean-Claude André, pároco de Saint-Julien-de Cray: diz-lhe que não há mais Irmãos disponíveis, e que precisa a aprovação do vice-prefeito departamental.

312 - 4 de janeiro. Ao prefeito departamental do Loire, senhor Hyacinthe Barthélémy: pede que informe em que pé estão as negociações para a autorização dos Irmãos e que apóie o processo, usando seu prestígio.

313 - 10 de janeiro. CIRCULAR aos Irmãos: organiza as conferências (Sessões de estudos) nos diferentes setores do Instituto.

314 - 16 de janeiro. A Dom Louis De Bonald, Arcebispo de Lião: apresenta-lhe suas homenagens, informa sobre o andamento do processo relativo à autorização do Instituto e pede que intervenha.

315 - 21 de janeiro. Ao Padre Gire, pároco de Saint-Privat d’Allier: indica os requisitos da escola que o padre vai construir para os Irmãos.

316 - 29 de janeiro - Ao Padre Claude-Marie Page, pároco de Digoin: de preferência mandar construir casa própria para a escola.

317 - 1º de fevereiro - Ao Irmão Timothée, em Belley: carta de animação aos Irmãos que estão em Belley, a serviço dos Padres Maristas.

318 - 4 de fevereiro. CIRCULAR aos Irmãos: anuncia a morte do Irmão Pascal e a partida de novos missionários para a Oceânia; nova data para a realização das sessões de estudos.

319 - 11 de fevereiro. Ao Cardeal Hughes De La Tour D’Auvergne, bispo de Arras: apresenta parabéns por sua ascensão ao cardinalato; pede que use sua grande influência em favor do processo pendente da autorização legal do Instituto.

320 - 14 de fevereiro. Ao Barão Joseph De Gerando, em Paris: roga que intervenha para conseguir a matrícula de dois Irmãos no Instituto dos surdos-mudos de Paris.

321 - 14 de fevereiro. Ao senhor Conde Bastard D’Estang: pede que solicite a admissão gratuita de dois Irmãos no Instituto dos surdos-mudos de Paris e que intervenha junto às autoridades para conseguir a autorização legal do Instituto Marista.

322 - 14 de fevereiro. Ao Padre Laurent Beurrier, de Vauban: pede o favor de providenciar o recebimento das camas que vão ser remetidas para Vauban e agradece pelos bons serviços já prestados.

323 - 22 de fevereiro. Ao Padre Pradier, em Puy: promete Irmãos para cuidar de surdos-mudos e uma visita no mês de março.

324 - 25 de fevereiro. Ao tabelião de Cabannes, senhor Marius Peres: é impossível por ora fornecer-lhe Irmãos; quanto às condições para a fundação de uma escola, são semelhantes às dos Irmãos das Escolas Cristãs.

325 - 2 de março. Ao pároco de Flavigny-sur-Moselle, Padre Nicolas Vincent: impossível mandar-lhe Irmãos, antes de quatro ou cinco anos.

326 - 2 de março. Ao Padre Pradier, em Puy: dá as condições para a fundação de uma escola de surdos-mudos; quer ter uma conversa pessoal.

327 - 3 de março. Ao pároco de Saint-Marcel d’Ardèche, Padre Xavier Vacher: só poderá contar com os Irmão dentro de quatro ou cinco anos.

328 - 14 de março. CIRCULAR aos Irmãos: anúncio da morte do Irmão Jean-Pierre Deville.

329 - 22 de março. A Dom Philibert Bruillard, bispo de Grenoble: comunica-lhe as condições exigidas para que os Irmãos se encarreguem de um orfanato.

330 - 22 de março. Ao Cardeal Hughes De Latour D’Auvergne, bispo de Arras: em conseqüência da evolução do processo, não adianta mandar-lhe imediatamente o documento que pediu.

331 - 14 de abril. Ao Padre Jean-Baptiste Chaumont, pároco de Tournus: é impossível mandar Irmãos agora; enquanto espera sua vez, procurar uma casa e o auxílio da municipalidade em favor dos Irmãos.

332 - 15 de abril. Ao Padre Jean-Baptiste Sallanon, pároco de Craponne: especifica certos pontos que devem ser regularizados na escola dos Irmãos.

333 - 25 de abril. Ao prefeito de Vauban, senhor Jean Tachon: promete mandar-lhe um Irmão para a escola de Vauban; aconselha que não o obrigue a começar as aulas durante o mês dos trabalhos no campo.

334 - 25 de abril. Ao senhor Ambroise Rendu, em Paris: agradece por ter admitido os dois Irmãos na Instituição dos surdos-mudos; garante que eles vão seguir rigorosamente as exigências da Instituição.

335 - abril. Ao Padre Jean-François Peala, pároco de Tence: faz-lhe entrever as dificuldades de implantar uma escola de Irmãos em sua paróquia.

336 - 2 de maio. Ao pároco de Nantua, Padre Jean-Marie Mathias Debelay: promete mandar Irmãos na próxima Festa de Todos os Santos, contanto que tudo esteja pronto para instalá-los.

337 - 3 de maio. Ao arcipreste de Morestel, Padre Abel Mège: pede que especifique os recursos que dispõe em favor da escola que pretende criar.

338 - 3 de maio. Ao Padre Jean-François Peala, pároco de Tence: solicita que explicite melhor as vantagens e recursos que expôs anteriormente. (Cf. Carta nº 335)

339 - 3 de maio. Ao pároco de Prés-Saint-Gervais, em Paris, Padre Pierre Bernard Hugony: não pode mandar-lhe Irmãos, pois não tem gente; observa que se trata de distância muito grande da casa mãe; quem vai pagar os gastos dessa viagem?

INTRODUÇÃO À TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS


"As cartas de um homem sendo o produto quente e vibrante de sua vida, contêm mais ensino que sua filosofia", escreveu Eça de Queirós em A correspondência de Fradique Mendes.

Cada leitor vai verificar por si mesmo a veracidade da afirmação. Quanto a nós, nosso papel é apresentar as cartas do Padre Marcelino Champagnat em sua edição brasileira.

Inicialmente oferecemos alguns dados a respeito delas: datas, destinatários, conteúdo. Para facilitar a compreensão dos conteúdos forneceremos umas poucas indicações para situá-las no tempo. Por fim, explicitaremos algumas opções da edição brasileira.

1) As cartas, graças às pesquisas de alguns Irmãos, citadamente Irmão Paul Sester e Irmão Aureliano Brambila, estão hoje à nossa disposição 339 cartas ou bilhetes escritos pelo Padre Champagnat. Desse total, só 109 são do próprio punho do Fundador; as outras 230 são cópias de textos atribuídos a ele ou porque são por ele assinados ou porque o conteúdo nos dá a certeza de serem dele. Foram publicados todos pelo Ir. Paul Sester no original francês - Lettres de Marcellin J. B. Champagnat. Rome, Casa Generalizia dei Fratelli Maristi, 1985.

Cobrem o período de 1823 a 1840, 17 anos da vida do Fundador. Muitas devem ter sido perdidas, pois foi apenas em 1829 que começou a ser organizada a Secretaria da sede do Instituto em Notre Dame de l'Hermitage, ao lado da cidade de Saint-Chamond.

Cinco anos depois, em 1834 começaram a ser guardadas cópias das cartas expedidas. Para se ter uma idéia da quantidade de cartas perdidas, basta pensarmos que dispomos apenas de uma carta de Champagnat a seu Superior, o Pe. Jean-Claude Colin, ao passo que as cartas conservadas de Colin ao Pe. Champagnat elevam-se a 44. É sabido que os dois mantiveram intenso intercâmbio epistolar. Muitas cartas de Champagnat devem ter sido queimadas por Colin em 1841, 1860 e 1869. Cf. Origines Maristes, tomo I, p. 27.

A maioria absoluta das cartas foram escritas em l'Hermitage. Várias, em Paris, quando o Padre Champagnat lá esteve por um período de uns três meses, trabalhando para a aprovação legal do Instituto. Em La Valla, unicamente uma, a mais antiga em data, primeiro de dezembro de 1823, enviada ao primeiro Irmão Marista, Jean-Marie Granjon. O Instituto fora fundado havia quase sete anos.

De 1824 até o falecimento de Champagnat temos ainda 338 cartas. A maioria absoluta é dos três últimos anos e meio de vida. Desse período são 261 cartas, ou seja, 77% do total, o que daria uma média aproximada de 77 cartas por ano; no período anterior, de 1825 a 1836, quando o centro da administração já era l'Hermitage, a média seria de um pouco mais de 6 cartas por ano.

Eis como se distribuem as cartas por ano:

ANOS

DE CARTAS

ANOS

Nº DE CARTAS

1823

1

1832

2

1824

0

1833

6

1825

0

1834

20

1826

1

1835

10

1827

6

1836

16

1828

3

1837

88

1829

2

1838

69

1830

5

1839

74

1831

6

1840

30

Os destinatários das cartas são muito variados: a maioria absoluta (188 cartas) é gente do clero - quase sempre párocos, mas também vários bispos; destinatários Irmãos são 69 (15 circulares e 54 cartas particulares); os outros destinatários vão desde o vizinho, o comerciante até os prefeitos, governadores (préfets), ministros, a rainha e o rei.

As cartas, com raríssimas exceções, tratam de questões a resolver, muitas atinentes ao funcionamento das escolas. As dirigidas às autoridades maiores se referem quase todas à autorização legal do Instituto para conseguir a isenção do serviço militar para os Irmãos.

Temos certeza de que se Paul Verlaine houvesse tido a ocasião de ler as cartas de Champagnat teria concluído de outro modo o poema sobre o assunto:

Et le temps que l'on perd à lire une missive n'aura jamais valu la peine qu'on l'écrive.

Para os Maristas valeu a pena Champagnat escrever. Em suas cartas sentimos "o produto quente e vibrante de sua vida".

2) O contexto. Para entender-nos melhor o conteúdo das cartas, na maioria centradas na questão escolar, será útil termos uma idéia do contexto da França no período 1815-1840.

Após a derrota de Napoleão Bonaparte, volta ao trono da França a família dos Bourbon, com o rei Luís XVIII, irmão de Luís XVI que a Revolução Francesa havia guilhotinado. Reinou de 1815 a 1824. Pretendeu, ou melhor, viu-se obrigado, a governar à moda dos reis de antes da Revolução. Seu irmão e sucessor, Carlos X, que reinou a partir de 1824, exagerou no mesmo sentido e foi obrigado a renunciar em 1830. As cartas refletem algo da agitação social por volta de 1830-1831. O novo rei, de outra família, Luís Felipe, governou com o apoio dos "burgueses", mais afinados com as idéias da Revolução. Champagnat escreveu-lhe uma carta e outra à sua esposa, a rainha Maria Amélia, da família Bourbon.

Administrativamente toda a França estava dividida em 86 departamentos, sendo cada um governado por um préfet, prefeito departamental, equivalente no Brasil ao governador de estado. O prefeito departamental era nomeado pelo Ministro do Interior. O Pe. Champagnat enviou cartas a alguns desses prefeitos departamentais (19 cartas). O mais próximo de Champagnat era o do Departamento do Loire, sediado em Montbrison.

Cada Departamento era subdividido em 2 a 5 arrondissements ou distritos, cada um administrado por um sous-préfet, vice-prefeito, também nomeado pelo Ministro do Interior, lá de Paris. Saint-Étienne, cidade fabricante de armas, era uma vice-prefeitura do Departamento do Loire.

Cada distrito era dividido em vários cantões, que não tinham governo especial. Cada cantão abrangia várias communes ou municípios. Cada município era governado por um maire, o prefeito municipal. Para ajudá-lo no governo tinha um Conselho Municipal.

A casa de Notre Dame de l'Hermitage ficava no município de Saint Martin-en-Coilleux, que fazia parte do cantão de Saint-Chamond; este dependia do distrito de Saint-Étienne, que dependia do Departamento do Loire, cujo prefeito departamental tinha sede em Montbrison.

Há mais de 20 cartas escritas a prefeitos municipais; só duas ao vice-prefeito de Saint-Étienne e 9 a prefeitos departamentais. Champagnat escreveu também a funcionários públicos, deputados e ministros, que agiam de modo comparável aos políticos de hoje.

Mas a maioria das cartas era dirigida aos padres responsáveis pela paróquia e pela escola. Em geral, quem pedia Irmãos para fundar uma escola era o pároco, mas depois de se acertar com o prefeito municipal que, junto com o Conselho Municipal, providenciava o local e o pagamento dos Irmãos.

Assim as escolas seriam públicas e os Irmãos, professores municipais. O professor primário na França se chama de instituteur porque ele institui a nação.

Havia requisitos para ser professor? Havia, sim. O título de professor primário era conferido pela Academia, que era parte da Universidade da França. Essa havia sido estruturada pelo imperador Napoleão Bonaparte no Decreto de 17 de março de 1808. Declarava seu artigo primeiro: O ensino público, em todo o Império, é exclusivamente confiado à Universidade. De modo que, para ser professor primário o cidadão precisava ter autorização da Universidade, a não ser que fizesse parte de uma Congregação Religiosa autorizada pelo governo.

A Universidade da França estendia-se por todo o território nacional. Dividia-se em 17 Academias regionais, cada uma dirigida por um Reitor de Academia, nomeado pelo Ministro da Instrução Pública, lá de Paris. A maioria dos Irmãos, para obter o título, estavam sob a jurisdição da Academia de Lião.

Além dessa lei havia outra mais recente uma ordonnance, isto é, um decreto-lei, de 29 de fevereiro de 1816. Vamos explicitar algumas de suas exigências em seus artigos 10 e 11.

Qualquer pessoa que quiser trabalhar como professor do ensino primário deverá:

1) apresentar ao Reitor de sua Academia um Atestado de Boa Conduta assinado pelo pároco e pelo prefeito municipal;

2) prestar exame perante um inspetor da Academia ou um delegado do Reitor;

3) receber do Reitor um brevet de capacité (diploma), se for aprovado no exame.

Esse diploma podia ser de três níveis:

a) nível inferior ou 3.º grau, para quem soubesse ler, escrever e contar, até o ponto de saber lecionar essas aptidões;

b) nível médio ou 2.º grau, para quem dominasse a ortografia, a caligrafia e o cálculo (as quatro operações) e fosse capaz de as lecionar usando o "ensino simultâneo", igual ao dos Irmãos das Escolas Cristãs;

c) nível superior ou 1º grau, para quem soubesse a gramática francesa e a aritmética por princípios (isto é, com as regras teóricas) e fosse capaz de lecionar noções de geografia, de agrimensura e outros conhecimentos úteis, a nível primário.

Esses dispositivos não foram modificados substancialmente nas leis seguintes.

Outra lei que trouxe muita preocupação ao Padre Champagnat foi a do alistamento militar. (Lei de 10 de março de 1818). Quem fosse sorteado devia servir o governo durante sete anos. Imagine um Irmão ficar fora da Congregação esse tempo todo! Estavam dispensados os Irmãos professores que pertencessem a uma Congregação que tivesse a aprovação do governo francês. Não era o caso dos Maristas

Havia três modos de os Irmãos Maristas safarem-se do serviço militar. Aos três Champagnat refere-se nas cartas e a eles recorreu em ordem crescente:

1) pagar um substituto para servir o governo no lugar dele;

2) conseguir o diploma de professor, no mínimo de nível médio e depois assinar o compromisso de lecionar durante dez anos (engagement décennal);

3) entrar para uma congregação autorizada pelo governo, durante o período em que estava sujeito ao serviço militar. Isso não estava previsto em lei, mas foi o modo mais utilizado, como se pode verificar nas cartas ao Padre Mazelier.

Após essas grandes questões, digamos ainda algo sobre o ano letivo e as estações do ano. O "ano escolar" francês tinha datas diferentes do ano letivo brasileiro. Começava logo depois da Festa de Todos os Santos (1o de novembro) e terminava no final de agosto ou meados de setembro. Nas férias os Irmãos faziam o retiro espiritual e seguiam cursos de aperfeiçoamento em Notre Dame de l’Hermitage.

As estações do ano influenciavam muito o ritmo de vida, sobretudo na região rural. As aulas começavam em pleno outono, que iniciava a 23 de setembro, e continuava no inverno, que iniciava a 21 de dezembro. Nas outras estações, em vários lugares, os meninos não vinham à aula: ficavam ajudando os pais na lavoura.

Após esse contexto francês, exemplifiquemos algumas opções que precisamos fazer ao traduzir o contexto francês para o ambiente brasileiro.

3) Edição brasileira. O Ir. Sulpício José, antes de falecer em Campinas, na Semana Santa, a 14 de abril de 1995, tinha terminado uma primeira versão da tradução das cartas. Escrevera até uma breve introdução com a data de 17 de novembro de 1994. Dizia entre outras coisas:

A presente versão em português procura expressar, em linguajar simples, vazado no sentido epistolar de hoje, o que diz o texto bilíngüe francês-espanhol, excelente trabalho realizado pelo Irmão Aureliano Brambila, que teve acesso aos documentos originais do arquivo marista de Roma. São mínimas as alterações de sentido que, na passagem do francês para o espanhol me parecem perder um tanto de sua força de expressão.

Cada carta vem precedida de um breve comentário que ajudará o leitor a situar-se no tempo e nas circunstâncias que deram motivo ao escrito. Nesta bela coleção, encontram-se várias cartas dirigidas ao mesmo correspondente, em épocas diferentes, o mais das vezes dando seqüência ao mesmo assunto anteriormente tratado. Com a numeração, foi fácil indicar as referências de uma para outra, de modo a deixar o leitor prevenido do que se trata

Em setembro de 1995, a Equipe do Patrimônio Espiritual Marista encarregou-nos da revisão de todo o trabalho. Para isso valemo-nos do texto original francês publicado pelo Irmão Paul Sester. Umas poucas vezes tivemos que acrescentar partes omitidas do texto traduzido; outras poucas, retificar um significado. Freqüentemente cortamos expressões inteiras para restituir a simplicidade do original francês.

As cartas estão na ordem cronológica em que foram escritas. Irmão Paul Sester agrupou-as por "capítulos", apenas para dividir os períodos de tempo.

Fazemos notar que as introduções do Irmão Sulpício a cada carta não correspondem exatamente às do Irmão Paul Sester. Procuramos suprimir as informações que já estivessem na carta apresentada. Assim evitamos repetições. Raramente acrescentamos alguma coisa.

As introduções aos "capítulos" ficaram como o Irmão Sulpício as deixou.

Agora, algumas particularidades que observamos na revisão:

1) Nomes próprios. Deixamos os antropônimos com a grafia original, mesmo os nomes de batismo. Isso, por analogia com a norma técnica que manda escrever Jean-Paul Sartre e não João Paulo Sartre; Karl Marx e não Carlos Marx. Os topônimos também foram mantidos no original, exceto quando já consagrados em Português, por exemplo: Lião, Bordéus.

2) Pronomes de tratamento. O pronome pessoal vous foi traduzido conforme o tipo de pessoa a quem se dirigia o locutor: você, quando o Padre Champagnat se dirigia aos Irmãos ou amigos íntimos; o senhor, nos outros casos; V. Excia, quando se dirigia a autoridades maiores; monseigneur era o tratamento dado aos bispos em francês.1

3) Término das cartas. Nele o francês é muito mais formal que o brasileiro. Por exemplo, parece rebuscado despedir-se de um igual com os dizeres: "vosso humílimo e obedientíssimo servo", quando é fórmula natural em francês: votre très humble et très obéissant serviteur. Era como o barão do Rio Branco terminava as cartas que, em Paris, escrevia ao ex-imperador D. Pedro II: "De Vossa Majestade muito humilde, agradecido e obediente súdito".2

A expressão francesa votre tout dévoué père seria bem traduzida por "o pai a seu inteiro dispor", mas várias vezes ficou mesmo "seu devotado pai". Aliás, Machado de Assis recebeu carta em que seu correspondente se declarava: "o amigo e discípulo devotadíssimo, Luiz Mendonça".3 Ou: "creia-me sempre seu muito dedicado, Joaquim Nabuco".4



Serviteur é traduzido por “servidor” mas, às vezes poderia ser por "criado", como usado pelos literatos: "seu amigo e criado, atento, obrigado e admirador", declara Euclides da Cunha a Machado de Assis.5

4) Monsieur e enfant. Monsieur era o título dado aos padres. Por isso, no começo das cartas traduzimo-lo por "senhor padre"; no caso de monsieur le curé, por "senhor pároco".



Enfants era o termo empregado por Champagnat para referir-se aos alunos dos Irmãos; em francês traz a conotação de filhos. Traduzimos o termo por meninos ou por crianças, para manter o espírito original. Élève, aluno, é palavra raríssima nas cartas de Champagnat.

Para terminar, fazemos votos de que as cartas do Fundador em sua versão brasileira se torne uma fonte de consulta para entender e viver, cada vez mais, a paixão dele pela educação integral das crianças e dos jovens.

Curitiba, 25 de janeiro de 1997

Ir. Ireneu Martim


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