Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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148 – Aos Padres PIERRE ANTOINE DUMAS e BARTHÉLEMY ARTRU, Párocos de Boulieu e Peagres, respectivamente.


30 de outubro de 1837.

Para atender ao desejo que lhe estava sendo manifestado pela autoridade diocesana, o Padre Champagnat dá imediatamente ordem aos Irmãos de Boulieu e de Peaugres de aprontarem as malas. Pede que dêem ciência da partida aos respectivos prefeitos.

Na verdade os Irmãos não tiveram que sair nem de uma nem de outra destas localidades. A ordem deve ter sido revogada após a intervenção do próprio bispo de Viviers.

A questão de Viviers.

As três cartas que seguem tratam do mesmo assunto: a questão de Viviers. O Padre Vernet, superior dos Irmãos da Instrução Cristã, em 20 de novembro de 1837, mandou uma carta ao Padre Cattet, Vigário Geral de Lião, pedindo-lhe que desse ordem aos Irmãos de l'Hermitage de não mais porem o pé na diocese de Viviers.

Não temos esta carta, explica o Irmão Paul Sester. Assim, pois, nem o Padre Champagnat ficou sabendo que razões imperiosas teriam movido o Padre Vernet a fazer tão estranho pedido. Só por alusões feitas aos textos que seguem é que se poderia suspeitar de alguma acusação contra nossos Irmãos: "Nossos Irmãos estariam causando na diocese de Viviers um impacto desagradável, até mesmo vergonhoso à religião..."

De que escândalo estariam sendo acusados?!.

O que se sabe é que desde vários anos, antes portanto do fatídico 1837, o Padre Vernet vinha lutando com dificuldade para manter sua obra. Afastou da diocese o Padre Rivière, que tinha colocado à frente dos Irmãos da Instrução Cristã e determinou que nenhum eclesiástico se metesse mais na irmandade, como superior nem mesmo como membro. Ela devia ficar inteiramente leiga. O Superior Geral seria um dos Irmãos.

De repente, caiu como uma bomba nas mãos do Padre Champagnat o estranho pedido de retirar os Irmãos da diocese de Viviers. Que raro exemplo de humildade e de submissão à autoridade diocesana demonstrou o Padre Champagnat nesta tempestade!

Notre Dame de l'Hermitage, 30 de outubro de 1837.

Senhor Pároco,

De acordo com os dizeres de uma carta do Padre Vernet, superior dos Irmãos de Viviers, escrita ao Arcebispo de Lião da parte do bispo de Viviers, nossos Irmãos seriam causa, nessa diocese, de um desentendimento desagradável e vergonhoso para a religião. Em vista do que, o Padre Vernet manda pelo Padre Cattet dizer ao senhor Arcebispo que nos interdite o Vivarais.

Temos na diocese de Lião várias localidades que estão aguardando Irmãos, com impaciência. Os senhores Vigários Maiores (Grands Vicaires), segundo esta carta, já prometeram Irmãos de sua paróquia a um prefeito dos arredores de Lião que os solicita, faz tempo.

Além da diocese de Lião, as de Belley, de Grenoble, do Puy, de Clermont, - em uma palavra, de todos os recantos da França - estão pedindo Irmãos.

Nosso grande princípio é ficarmos firmemente unidos ao episcopado. Por isso, temos pressa em satisfazer o pedido de seu digno Bispo, que sem nenhuma dúvida, tem excelentes razões para proceder deste modo. Queira, pois, senhor Pároco, avisar o senhor Prefeito. O senhor precisa arrumar um professor para a sua escola. Bem que eu gostaria de agir diferente. Estou avisando meus Irmãos de não começarem as aulas e de não fazerem provisão de nada, a menos que seu bispo dê uma autorização por escrito, a fim de que seja apresentada ao nosso Arcebispo.

Tenho a honra...

Champagnat

149 – Ao Padre JEAN FRANÇOIS BERNARDIN FUSTIER, Pároco de Saint-Felicien, Ardèche.


30 de outubro de 1837.

Com muita simplicidade, o Padre Champagnat dá a conhecer ao Padre Fustier, com quem se relaciona cordialmente, o impasse surgido entre o Padre Vernet e os Irmãos Maristas da diocese de Viviers.

"Tous nos rapports avec vous sont interrompus,” diz ele ao amigo. (“Estamos de relações cortadas!") Parece que podemos ler, por entre as linhas, uma censura de Champagnat ao Padre Fustier, mais ligado a ele do que ao bispo. De fato, a carta que o Padre Fustier escreveu ao Padre Champagnat, em 15 de junho de 1840, sem saber que já tinha falecido, parece confirmar essa interpretação.

As razões reais ou forjadas do mal-entendido não são conhecidas. Não importa. Importa, sim, é acatar as decisões das autoridades eclesiásticas.

Senhor Pároco,

Estamos enviando ao senhor a cópia de uma carta do Padre Vernet, Vigário Geral da diocese de Viviers, ao Padre Cattet, Vigário Mor da diocese de Lião que teve a gentileza de no-la comunicar.

Conforme os dizeres da carta, parece que nossos estabelecimentos do Vivarais estariam estorvando a administração episcopal, o que seria absolutamente contrário ao fim de nossa Sociedade, que é auxiliar o zelo dos bispos pelo bem de suas respectivas dioceses. Queremos estar em perfeito acordo com os mesmos, só empreendendo e levando a efeito obras com o beneplácito e a aprovação deles, para a maior glória de Deus.

Senhor Pároco, o senhor está vendo que todas as nossas relações com o senhor estão sendo cortadas, a menos que o senhor se acerte nesse ponto, junto a seus superiores.

Mas, sejam quais forem as conseqüências de tal situação, de nossa parte sempre lhe seremos infinitamente gratos pela sua benevolência para com nossa casa, que temos a peito recomendar às suas fervorosas orações, a fim de que a santa e amável vontade de Deus se cumpra em nós plenamente.

Continuamos incessantemente acossados de novos pedidos. Além da diocese de Lião, as de Belley, de Grenoble, de Puy, de Clermont, de Autun, etc., nos oferecem numerosos estabelecimentos cuja fundação estamos obrigados a adiar, na maior parte das vezes por falta de Irmãos.

Queira aceitar os protestos de meu profundo respeito e total devotamento pelos quais tenho a honra de ser, senhor Pároco, seu servo muito humilde e obediente,


150 - A Dom PIERRE FRANÇOIS BONNEL, bispo de Viviers, Ardèche.


1º de novembro de 1837.

No impasse surgido por causa da intervenção do Padre Vernet, o Padre Champagnat demonstra total submissão e informa o bispo a respeito da decisão de retirar os Irmãos de Boulieu e de Peaugres.

"Mesmo considerando apenas o lado humano da questão,- comenta o Irmão Paul Sester,- a fala de Champagnat prima pela diplomacia; fez com que o bispo caísse em sua própria armadilha."

Foi com certeza devido a essa carta ter ficado a interdição sem efeito.

Excia. Revma.,

Considero-me feliz que a Providência me dê a chance de apresentar a V. Excia. minha homenagem de respeito e de poder assegurar-lhe meu total devotamento. Teria sido sem dúvida mais gratificante para mim apresentar-me por um motivo mais agradável, porém como aprouve a Deus ordenar as coisas de outro modo, V. Excia. me permitirá pelo menos expor-lhe a retidão de nossas intenções, ao mesmo tempo que lhe manifestamos nossos sentimentos.

O Padre Cattet, Vigário Geral da diocese de Lião, acaba de nos comunicar uma carta do Padre Vernet, com data de 20 de outubro de 1837. Naquela carta, o Padre Vernet pede ao Padre Cattet que, em nome de V. Excia., interdite aos Irmãos de l'Hermitage criar estabelecimentos no território da diocese de Viviers.

Não duvidamos de que o Padre Vernet se decidiu a tomar tal medida guiado unicamente por razões dignas de louvor. É por isso que estamos dispostos a subscrever prontamente tal decisão, animados da mais respeitosa submissão.

Com tal proceder, julgamo-nos felizes por contribuirmos para a boa ordem em sua diocese. Se a presença dos Irmãos na diocese de Viviers pode causar choque desagradável e vergonhoso para a religião, nós é que nos sentimos profundamente consternados por isso. Seria realmente desolador que, na hora em que o protestantismo sacrifica os pontos de vista a que mais tem apego, para se agrupar de todos os cantos com o fim de apoderar-se a todo custo da educação da juventude, nós pudéssemos entravar a obra de Deus numa diocese cuja sábia condução compartilhamos vantajosamente.

Conformando-nos com a carta do Padre Vernet, na hora em que estamos impossibilitados de satisfazer a tantos pedidos que recebemos de todos os pontos da França, V. Excia. não levará a mal que demos ordem aos nossos Irmãos de Boulieu e de Peaugres para não reabrirem as aulas, sem a autorização formal de V. Excia.

V. Excia. terá ainda paciência para me permitir aproveitar desta ocasião para informá-lo a respeito do espírito de nossa Sociedade: Um dos princípios de nossas Constituições é de jamais nos lançarmos em qualquer projeto, onde quer que seja, senão amparados e paternalmente protegidos pelos senhores bispos. Gloriamo-nos de sempre nos comportarmos como servos muito submissos e devotados. Portanto, desde que V. Excia. houver por bem honrar-nos com sua confiança, nós também nos mostraremos prontos em acudir às suas ordens que prazerosamente nos faremos uma glória executar.

Digne-se aceitar o profundo acatamento de quem se considera feliz em declarar-se inteiramente, Exmo. senhor Bispo, de sua grandeza o seu servo muito humilde e obediente,

Champagnat sup. Irs. M.


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