Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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164 – Circular aos Irmãos


12 de dezembro de 1837.

Champagnat se comprazia em dar notícias das Missões. Nesta Circular, ele reproduz a carta que o Padre Servant escreveu de Valparaíso, onde "La Delphine" (navio) ficou vários meses ancorado, sofrendo reparos. Os Missionários, entre os quais Dom Pompallier, tiveram meses intermináveis de espera; durante esse tempo ocuparam-se em escrever cartas aos amigos da França.

Caríssimos Irmãos,

Através de uma carta do Padre Servant, tivemos a alegria de receber notícias de nossos queridos Missionários da Polinésia. Diz ele coisas que muito interessam nossa Sociedade. No momento não podemos dar-lhes senão um apanhado, reservando-nos o momento de dá-la a conhecer a vocês por extenso, assim que tivermos ocasião.

Valparaíso, 14 de junho de 1837.

Querido Pai e Superior: Aproveito da presente circunstância para proporcionar-lhe a dita de bendizer a divina Providência que vela por nós com um carinho todo particular. Já estamos singrando os mares pelo espaço de seis meses, quando apenas três ou quatro são suficientes para efetuar a travessia do Havre até Valparaíso. O senhor ficou sabendo da escala que fizemos em Santa Cruz de Tenerife. Os ventos contrários nos mantiveram parados durante muito tempo no cabo Horn, mas finalmente estamos nos aproximando das Ilhas que demandamos. É este o motivo de nossa alegria. Estamos ansiosos por chegar a essas Ilhas que a vontade de Deus nos manda considerar como nossa verdadeira Pátria.

É certo que de vez em quando encontramos tribulações, alguns de nós contraem doenças, os elementos se opõem à nossa trajetória, as borrascas, os acidentes causam medo, mas esses contratempos vistos sob o prisma da vontade de Deus são benignos e leves. Considerados como ordenados pela Providência, os elementos, por mais contrários que pareçam, são belos.

Dentre as agruras de que falo, há uma que nos custou bastante caro. O Padre Bret que tinha começado a ficar doente quando estávamos por terminar a estadia em Santa Cruz, foi atacado de febre ao nos fazermos ao largo. Então, redobramos de esforços e fizemos de tudo para restabelecê-lo, tanto que o mal pareceu retroceder por alguns dias. De repente, agravou-se e se tornou mais sério do que nunca. Na segunda feira santa, o Padre se levantou de manhã, por momentos, como de costume, e disse ao Padre Chanel: Ah, bem que vejo que estou chegando ao fim!

Não se enganava: na tarde, entrou em agonia, serenamente, e às 7 horas adormeceu na paz do Senhor! Como era admirável sua paciência nos sofrimentos; como sabia calar os incômodos que tinha; como se mostrava agradecido por todos os serviços que lhe eram prestados; com que exatidão tomava os remédios mesmo os mais desagradáveis ao paladar!

Apesar de tudo, quantas graças Deus nos concede em nossas provações; como Ele sabe consolar-nos e compensar nossas tribulações!

De vez enquando temos a felicidade de celebrar os santos mistérios, de receber a santa comunhão, o Pão dos fortes. Oh, como me sinto feliz em minha vocação! Como é consolador dedicar-se à salvação das almas que valem mais do que todos os bens deste mundo! Parece-me, querido Padre Superior, ver os Irmãos de l'Hermitage que, por suas orações e ações praticadas por obediência, exercem como quê uma santa pressão sobre Maria e contribuem por este meio para o benefício das Missões.

Enquanto aguardamos a partida de Valparaíso, que acontecerá quando Deus quiser, estamos ficando na casa da administração pertencente aos Missionários do Coração de Jesus e de Maria. A casa me lembra o lugar de repouso daqueles bons Irmãos que muito amo, a inclusão de meu nome na lista colocada na urna representando o Coração da melhor das mães, aquelas festas em honra da grande protetora da querida Sociedade de Maria.

Fomos os filhos privilegiados da divina Providência durante o percurso todo, do Havre a Valparaíso, e continuamos a ser favorecidos ao entrar nesta cidade.

Dom Maronée precisa ter informações sobre nossas várias Ilhas? Chegou de Otaiti o Vigário Geral do bispo de Nilópolis. Será que precisa de alguém para o ajudar logo nos preparativos da partida? Chega da Califórnia o bom Irmão Colomban, da congregação do Sagrado Coração de Jesus e de Maria que é perito neste emaranhado de negociações. Ele pode ser de grande utilidade.

O que eu deveria dizer de nossa terna Mãe está abaixo de qualquer expressão. Há uma coisa que lhe peço fazer observar: é que sábado era um dia privilegiado, o vento estava quase sempre a nosso favor.

Os Irmãos que vão conosco tiveram, cada qual, suas provaçõezinhas: O Irmão Michel sofreu muito de dor de dentes; o Irmão Nizier teve que agüentar dores de cabeça, mas com referência a doenças, ele foi dos mais beneficiados. Agora, todos eles vão maravilhosamente bem; encarregaram-me de lhe anunciar que estão contentes para além de tudo o que podem manifestar. Apresentam ao senhor os sentimentos do mais humilde respeito e os sentimentos de amizade a cada um dos Irmãos.

O servo dedicado no Cora;áo de Jesus e de Maria.

Servant, Missionário apostólico."
No dia 27 de novembro passado, foi celebrado um Ofício solene na Capela de Notre Dame de l'Hermitage em sufrágio do Padre Bret, falecido no dia 20 de maio de 1837, durante a travessia de Santa Cruz de Tenerife a Valparaíso. Queiram vocês, cada um por si, fazer o que a Regra prescreve para um Irmão professo, e recomendar a Deus a missão e os missionários da Polinésia. Abraço-os na caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe. Com muito afeto,

Champagnat

Notre Dame de l'Hermitage, 12 de dezembro de 1837.

165 – Ao Padre FRANÇOIS MAZELIER, Superior dos Irmãos da Instrução Cristã, Saint-Paul-Trois-Châteaux.


13 de dezembro de 1837.

Uma das últimas tentativas do Padre Champagnat para ver se conseguia a aprovação seria de reunir a congregação marista àquela do Padre Mazelier, constituindo-a como um ramo da congregação da Instrução Cristã, de Saint-Paul-Trois-Châteaux. Ou então, anexá-la àquela de La Mennais da qual se inspirou o Padre Mazelier.

Mas, este projeto não foi à frente. O contrário é que se deu, pouco após a morte do Fundador: Os Irmãos de Mazelier e também os de Viviers se uniram aos Maristas, formando uma só família.

Jesus, Maria, José.

Padre Superior,

É chegado o tempo em que, segundo o parecer do senhor Reitor da Academia, devem ser mandados os compromissos de nossos Irmãos que estão para ser chamados ao serviço militar. Temos realmente necessidade do auxílio de sua caridade neste ano ainda, como nos precedentes.

Acabamos de enviar um pedido ao Ministro da Instrução Pública, a fim de conseguir a sanção de nossos estatutos, através de um Decreto assinado pelo Rei. As autoridades locais nos estimulam a ter muita esperança nesta nova tentativa.

Contudo, estamos apreensivos: As coisas podem arrastar-se indefinidamente, sob o pretexto de que se trata de uma congregação nova. Pensamos em pedir-lhe o favor de nos mandar, quanto mais cedo possível, seus estatutos acompanhados de uma cópia do Decreto pelo qual lhe foi concedida a isenção, a fim de que, se ocorrer o impasse, nós possamos nos fazer autorizar como sendo um ramo do seu Instituto, que de fato não difere em nada do nosso, a bem dizer.

Queira, pois, senhor Padre superior, continuar sua boa vontade para conosco assim como suas orações, e receba os sentimentos respeitosos com que tenho a honra de ser, venerando Superior, seu servidor totalmente dedicado,

Champagnat

P.S. Foi a conselho do senhor bispo de Belley que tomamos a liberdade de lhe fazer este pedido, pois alguém tinha objetado a seu delegado em Paris que, para a autorização de uma nova congregação religiosa, seria preciso conseguir uma lei que passasse pelas duas Câmaras, ao passo que fazendo-nos autorizar como um ramo do Instituto do Padre de La Mennais, para a Academia de Lião, como é a sua para a Academia de Grenoble, esta dificuldade já não existiria.

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