Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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166 – Ao Padre AUGUSTE DREVET, Pároco de Luzinay, Isère.


15 de dezembro de 1837.

Para aceitar mandar Irmãos para Luzinay, atendendo ao pedido do pároco, Champagnat solicita que primeiro seja consultado o bispo de Grenoble. A razão disto é que se estava tratando da retirada dos Irmãos de La Côte-Saint-André, como lemos nas Cartas de números 86, 94 e 95.

A mesma recomendação de falar primeiro ao bispo voltará a ser feita ao Padre Merlin, de Saint Geoire; durante todo esse tempo, o caso de saída dos Irmãos de La Côte estava por resolver.

Senhor Padre e venerável Pastor,

Sou-lhe muito grato pela confiança que teve a bondade de depositar em nós, solicitando Irmãos. A contribuição unânime de seus paroquianos em favor da educação religiosa de seus filhos dá esperanças muito bem fundadas quanto ao resultado feliz de um estabelecimento deste gênero no seu município. De nossa parte, faremos todo o possível para mandar-lhe Irmãos o mais cedo possível.

Talvez S. Excia. o senhor Bispo queira tomar conhecimento de seu projeto e dos trâmites para executá-lo. É com prazer que receberíamos a comunicação do seu consentimento. Esta comunicação ser-nos-á útil num assunto que temos a tratar com S. Excia., cujo êxito poderia nos possibilitar fornecer Irmãos a seu estabelecimento ainda neste ano.

Senhor Padre e venerável Pastor, seu devotado,

Champagnat

Notre Dame de l’ Hermitage

CAPÍTULO V: 1838


O desenvolvimento do Instituto conseguido em 1837 animou o Padre Champagnat a tentar novamente obter a autorização legal dos Irmãozinhos de Maria. Firmado na proteção de Nossa Senhora, acalentou por muito tempo o sonho de que teria êxito em suas tentativas, por isso não poupou esforços para fazer com que pessoas amigas e influentes no cenário político da época se interessassem pelo projeto e o intermediassem junto aos poderes públicos.

Razões políticas e de ordem pessoal do então Ministro da Instrução Pública, senhor Antoine Nicolas de Salvandy, além de outras causas que a história não conseguiu apurar totalmente, fizeram com que todos os seus ingentes esforços ficassem baldados. Tanto mais enigmático se nos afigura o desfecho negativo das negociações quanto mais tranqüilo e progressista parecia o ambiente social da França de então, favorecida por uma grande abundância de recursos financeiros.

Paz religiosa, tranqüilidade política, prestígio do governo monárquico entre as demais nações européias, tudo seria favorável à consecução do suspirado Decreto Real que legitimasse de vez tão benéfica instituição. Não era a educação o ramo mais importante de atividades destinadas a impulsionar a nação para um futuro glorioso?

Hélas!”, repetia Champagnat, “NISI DOMINUS...”



O Ministro Salvandy, sem declarar abertamente sua intenção, simplesmente não quis conceder aquilo que o Padre Champagnat pleiteava com tão boas e justas razões. Tivesse tido, pelo menos a franqueza de seu antecessor Guizot, que já quatro anos antes, declarara sem rodeios:

- “Autorização? É inútil o senhor empreender negociações para consegui-la. Impossível por ora concedê-la”.

Ao contrário desse modo de proceder, como explicar a atitude de Salvandy, pedindo ao Padre Champagnat a abertura de uma escola em St.-Pol-sur-Ternoise (Pas-de-Calais), lá no extremo Norte da França, se não queria prestigiar o trabalho dos educadores maristas? Se foi ele também que, embora não morresse de amores pela Igreja, recomendou aos bispos que visitassem frequentemente as escolas particulares, pois acreditava que tais visitas haveriam de contribuir para o bom andamento do processo educativo!. Ele também, Salvandy, que concedeu aos Irmãos das Escolas Cristãs, e com sobejas razões, múltiplos e variados favores! Não o incriminamos por isso, mas podemos, isto sim, duvidar de sua sinceridade quando objetou que a autorização que concedesse aos Maristas poderia prejudicar a obra dos beneméritos Irmãos de La Salle.

Como veremos pelas cartas que vêm a seguir, - nada menos de 69 - Champagnat empreendeu duas viagens a Paris neste ano, sempre animado de confiança em Deus e na Proteção de Maria. Disto dão prova as tantas mensagens que da Capital dirigiu ao Irmão Francisco e a outros Irmãos, no decorrer das suas viagens. A primeira, de janeiro a abril, em pleno inverno, lhe causou muitos sofrimentos; sentiu muito frio; a segunda, de meados de maio a 2 de julho, quando sua saúde já demonstrava sério cansaço.

167 – Ao senhor BARTHÉLEMY PHILIPPE GOIRAN, prefeito de Couzon-au-Mont D'Or, Rhône.


4 de janeiro de 1838.

Nesta carta, ao contrário de outras, o Padre Champagnat promete mandar Irmãos para o próximo ano letivo, isto é: logo após a Festa de Todos os Santos.

Escrevendo no começo de janeiro, o desejo de Champagnat seria de mandar Irmãos por ocasião da Páscoa. Mas, a fundação pedida pelo Padre Goiran não se concretizou. Na carta ao Irmão François (cf. Carta de no 179), em 15 de março, o Fundador diz que pensa em Couzon só após resolver certa dificuldade. Qual?

Prezado Senhor,

Segue um pouco atrasada a resposta à sua carta, porque, animados como estamos do desejo muito sincero de corresponder à confiança de que o senhor nos dá provas constantes, quisemos examinar novamente se não haveria meio de lhe mandar Irmãos pelo menos por ocasião da Páscoa, mas de todos os novos arranjos nenhum deu satisfez. Ainda nesses dias fomos obrigados a substituir vários de nossos Irmãos que ficaram doentes, de modo que pelo que vemos, não é possível anuir a seu pedido ainda neste ano (letivo), mas pode contar com os Irmãos para a próxima festa de todos os Santos.

168 - Ao Irmão DENIS, Diretor de Saint-Didier-sur-Rochefort, Loire.


5 de janeiro de 1838.

O Irmão Denis deve ter escrito ao Padre Champagnat, por ocasião do Ano Novo. A resposta vem repassada de sentimentos muito paternais do Padre, aos quais talvez não tenha sabido corresponder, pois saiu da Congregação pouco tempo depois.

Teria sido por doença? Morreu cinco anos depois. Seria por um sentimento de frustração? Diz que sonhava ser mandado para as Missões.

O Padre Champagnat, nesta correspondência, anima o Irmão a alimentar, sim, a esperança de ir às Missões; mas, por outra, já aponta-lhe o Irmão Flavien como sucessor. Recomenda também que trate bem o Irmão Pascal, que falece muito jovem, aos 20 anos, deixando o nome marista ao jovem Gaudin que foi o Irmão Pascal, eleito Assistente no segundo Capítulo Geral, em 1854.

V.J.M.J.


Notre Dame de l'Hermitage, 5 de janeiro de 1838.

Caríssimo Irmão,

Meu bom amigo, se você quiser que eu continue a admoestá-lo de suas faltas, não deve estranhar minhas observações. Nunca poderá manter por demais apertada sua vigilância com relação aos alunos, não se permita nenhum descuido. Estou deveras surpreso de que nada encontre na Regra que proíba de convidar gente estranha a vir comer com a comunidade, pois encontra até mesmo a proibição de admiti-los. Onde está o espírito desta proibição?

Está claramente proibido de tomar refeições fora de casa, sem uma real necessidade, não basta uma necessidade comum.

Também não deve ausentar-se, sem prevenir o Irmão que o substitui e sem indicar o lugar para onde vai. Perguntei em que data lhe dei licença de ir a Lião, e você nada me disse a respeito.

Você me fala do desejo que alimenta de partir para a Missão da Polinésia. Alimente este desejo, meu querido amigo, creio que vem de Deus. Aliás acho que você tem as graças e o jeito para isso. Deus sem dúvida tem projetos a seu respeito; prova fundamentada disto é a cura que lhe concedeu. Não a esqueça. Fique com as contas em dia, para que se for chamado a embarcar, você esteja preparado.

Quanto ao Irmão Flavien, não pense de forma alguma despedi-lo, pois seria impossível encontrarmos por ora quem o substituísse. Trate este Irmão com muitas atenções. Diga-lhe que deve ser ele seu substituto, e que nesta função, deverá entender-se com você para trabalhar pelo bem de todos os meninos que lhes são confiados; diga-lhe ainda que nem preciso desejar-lhes Feliz Ano. Todos vocês sabem que não almejo outra coisa do que o bem de todos. Não existe nenhum bem que eu não lhes deseje, nenhum que eu não esteja firmemente determinado a tudo fazer e a tudo empreender para que dele possam desfrutar.

Fico muito agradecido ao Irmão Jean pelo bom proceder. Quero muito bem a ele, como sobrinho do Padre Courbon, que muito estimava como superior meu. Não perco de vista o bom Irmão Pascal. Queira Deus conservar-lhe a saúde que, em sua infinita misericórdia houve por bem restituir-lhe.

Vocês estão bem convencidos, pelo menos deveriam estar, de que os amo a todos com ternura de pai. Quero, ardentemente desejo, que nos amemos uns aos outros como filhos do mesmo Pai, que é Deus, da mesma Mãe que é a santa Igreja.

Enfim, para tudo dizer em uma só palavra, Maria é a Mãe de todos nós. Poderia Ela ficar indiferente se conservássemos em nosso coração alguma coisa contra um daqueles que Ela tanto ama, talvez mesmo até mais do que a nós?

Adeus, meu caro Irmão Denis, adeus a todos nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.

Tenho a honra de ser o dedicado pai em Jesus e Maria.

Champagna

sup.


P.S. Não se esqueçam de rezar pelo êxito de nossos projetos referentes à Sociedade de Maria. Quando vocês terminarem a novena que estão fazendo, comecem outra, rezando às minhas intenções. Que todos os meninos a façam também.

Mandem para cá tudo: a forja e o torno, já que vocês compraram tudo. Escolham alguém de confiança para fazer esse transporte.


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