Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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172 - Ao Irmão FRANÇOIS, em L'Hermitage.


4 de fevereiro de 1838.

Das cartas do Irmão Francisco, mandadas ao Fundador em Paris, nenhuma foi conservada; por esta razão, fica difícil entender todas as alusões nelas contidas às quais Champagnat às vezes faz referências. Por exemplo:

- O Irmão Adjuteur foi um jovem que, apenas recebido em 1837, faleceu 14 meses depois, na idade de apenas 18 anos.

- Quanto ao caseiro, Abrégé des Annales fala do "fermier" do sítio de Grange-Payre. (cf. Abrégé des Annales, p. 233)

- O Padre pergunta se Jean Poncet, (é o picareteiro), cortou mesmo o rochedo.

- Outro deputado do Loire de que fala esta carta, é o senhor Antoine Lachaise (ou LACHÈZE, segundo o Irmão Paul Sester) foi muito solicitado pelo Padre Champagnat, como se vê pelas Cartas no 58, 172, 183, 209, 314 e 319. Na última, escrita ao Cardeal De La Tour D'Auvergne, Champagnat nomeia ainda outros: Ardaillon, Durozier, Lanyer, Lachèze, Fulchiron, Girod, Baude e Sauzet, todos interessados em ajudá-lo a conseguir a autorização suspirada. Lachèze chegou até a apostar "dez contra um", a favor da aprovação do projeto.

V.J.M.J.


Paris, 4 de fevereiro de 1838. Missões Estrangeiras, Rue du Bac, 120

Meu caríssimo Irmão,

Recebi sua resposta e os prospectos que nos enviou. Pela sua carta fiquei sabendo que todos estão bem. Quanto ao Irmão Adjuteur, parece que Deus quer recompensar sua virtude e suas boas disposições. Adoremos nisto seus desígnios e nunca discutamos com Ele. Façam tudo quanto puderem para ajudar o Irmão a ter uma boa morte. Diga-lhe que não o esqueço.

Muito me alegro com as boas notícias que me dá sobre a casa mãe e sobre os estabelecimentos. Pois que o Irmão Cassien se saiu bem na viagem que fez a Millery, mande-o passar oito dias em Valbenoite e em Neuville. Manifeste-lhe toda minha satisfação pela boa vontade que teve. Diga a ele que cuide bem da saúde em suas pequenas andanças.

Você não me diz se o Irmão Pie foi trocado, qual o efeito da troca?

Vocês estão tendo muita neve aí? Faz muito frio em L'Hermitage? E o caseiro, está decidido a ir-se embora sem mais reclamações? Poncet conseguiu mesmo cortar o rochedo?

Como vão os Padres Matricon e Besson, os Irmãos J.Marie, Stanislas, J. Baptiste, Pierre, Jerôme, Pierre Joseph etc.

Mande-me o compromisso (engagement décénal) do Irmão Martin e dos demais a respeito dos quais se pode ter algum receio de serem convocados.

Esperamos que depois de conseguir o Decreto, conseguiremos sem dificuldade que os compromissos sejam aceitos.

Estamos sempre visitando ora estes, ora aqueles. Acabamos de chegar da casa do senhor Lachèze. Ao meio dia, voltaremos lá, pois ele ainda não se tinha levantado.

Ainda não estamos certos de conseguir nosso intento, entretanto contamos com as fervorosas orações que estão sendo feitas. Maria, nossa Boa Mãe, nos ajudará; roguemos a Ela por intermédio das santas almas que estão no Purgatório. Todos os dias aqui em Paris, recitamos o terço dos defuntos.

Faz alguns dias, estamos esperando as respostas dos senhores bispos de Belley e de Lião. Parece que o senhor Salvandy escreveu a eles, nós também escrevemos.

Esta manhã o frio está apertando mais do que de costume; quase que nem vimos a neve em Paris, os capotes nos têm sido bastante úteis, úteis nada, necessários.

Há quem nos solicite insistentemente para que fundemos um estabelecimento em Saint Pauol, cidadezinha perto de Arrás. O pagamento está garantido, deram 40.000 francos por conta disso. Estamos quase resolvidos a nos deslocar para lá, para ver o local, sobretudo se for o senhor Delbecque que venha a nos pedir esta visita. Foi o que nos disseram: que vai pedir-nos de ir ver aquilo. Fizeram-lhe a solicitação. Parece que ele é natural daquela região.

Não se preocupe conosco, estamos passando bem, embora hospedados numa frioleira!.

Os bons Padres das Missões Estrangeiras que nos oferecem a hospitalidade, nos impressionam muito por sua vida virtuosa e pelo seu devotamento em favor da expansão da Igreja nos países idólatras.

Na semana passada, visitei os bons Irmãos das Escolas Cristãs e pedi a eles que, por favor, nos vendessem seus livros de aula a um preço igual àquele que cobram dos próprios estabelecimentos. Aqui vai a resposta que me deram, depois de se terem reunido em conselho:

"Prezado senhor Superior, estimo que o senhor achará bem módicos os preços que lhe damos, são quase os mesmos que cobramos de nossos alunos."

Gramáticas .... 68 Soluções..................... 50

Ditados .......... 88 Desenho Linear....... 1,05

Exercícios ..... 68 Deveres do Cristão..... 85

Aritméticas ... 78 História da França...... 98

Geografia ...... 83

Confira lá com os Irmãos se estes preços interessam, e me diga o parecer de vocês, quando me responder. Não sabendo o preço desses livros, eu não pude dizer nada a eles.

Caso o senhor Prefeito de La Valla empreenda uma viagem a Paris, peça-lhe que nos traga um ou dois exemplares da Regra e do Princípio de Leitura. Poderiam ser-nos necessários.

Adeus, meus Irmãos, vocês são objeto de minha solicitude e estão sempre presentes em todas as minhas orações.

Tenho a honra de ser seu mui dedicado e afeiçoado servidor e pai

Champagnat

sup. d. Irs.

P.S. O Irmão Marie Jubin que andava um tanto desorientado, começa a acertar e já parece acostumado.

Mil saudações da parte do Padre Chanut.

173 – Ao senhor ANTOINE NICOLAS DE SALVANDY, Ministro da Intrução Pública, Paris.


14 fevereiro de 1838.

O Padre Champagnat já está vendo que as tentativas para que o processo seja concluído não estão contribuindo em nada para o andamento do mesmo. Apesar das muitas visitas e promessas de políticos e simpatizantes, tudo parece voltar à estaca zero.

Ele então expõe ao Ministro da Instrução Pública as vantagens para a educação primária, os sacrifícios que os Irmãos estão fazendo para acudir às necessidades dos mais humildes, tudo enfim que possa contribuir para decidir o Ministro a agir prontamente.

A máquina administrativa continua, porém, emperrada; nem o louvor às eminentes qualidades do ministro conseguem destravá-la.

Excelentíssimo Senhor Ministro,

Seu apreço tão sabido felizmente, por tudo quanto se refere ao bem público, a proteção com que V. Excia. honra os que desejam contribuir para esse bem, me autorizam a crer que o senhor aceitará de bom grado a liberdade que tomo de novamente trazer à sua lembrança o pedido dos Irmãozinhos de Maria, no qual indicávamos os motivos principais que estão a exigir um despacho sem demora.

Mais de um mês já se passou desde que saí de Saint-Chamond. Por carta estabeleci contatos com a casa principal, mas um tal meio de acompanhamento de pouco me adianta para me certificar das conseqüências de eu estar fora.

Os sacrifícios que houvemos por bem impor-nos para proporcionar de maneira menos dispendiosa o benefício da instrução à classe numerosa e tão prestimosa das populações rurais, nos têm permitido viver, mas com parcimônia.

As despesas ocasionadas pela minha estada em Paris correm às minhas custas, e minhas economias estão para se esgotar dentro em breve. Neste ano, vários dos Irmãozinhos de Maria se acham em idade de serem chamados para o serviço militar. A impossibilidade em que estamos de poder isentá-los do serviço antes de estarmos legalmente autorizados, me faz recear que estes sejam outros tantos membros subtraídos ao trabalho tão importante da instrução pública.

O bispo Dom Pompallier, que a augusta Família Real se dignou favorecer com seus benefícios e honrar com as demonstrações mais lisonjeiras de sua benevolência, partiu há mais de um ano para as Ilhas numerosas da Oceânia Ocidental, para levar àquelas populações a civilização dos Franceses e suas crenças. Acaba de chegar felizmente a seu destino. Apoiado na promessa que lhe fiz, reclama ele com insistência uma leva de Irmãos para que vão, juntamente com ele, partilhar os trabalhos arriscados dos quatro outros que lhe cedi quando de sua partida.

Estou consciente do quanto esta missão, aberta em tão vastas regiões, pode oferecer de esperança à religião e à nossa França, mas como haveremos de auxiliar tão generoso empreendimento, se eu não conseguir sem detença o meio de me fazer chegar outros candidatos e de conservar os que acabam de ser formados?

Eis aí, senhor Ministro, as principais razões que me impelem a solicitar de V. Excia. o favor de apressar o despacho do meu pedido. Ao mesmo tempo que as exponho à sua consideração, estou satisfeito de submetê-las à sabedoria de seu julgamento. Multiplicá-las seria olvidar a importância e multiplicidade de suas ocupações; expô-las mais demoradamente seria desconhecer as eminentes qualidades que tornam V. Excia. digno do lugar que está honrando tanto quanto V. Excia. é honrado pelo lugar.

Digne-se, Senhor Ministro, acolher os sentimentos de profundo respeito com que tenho a honra de ser, de Vossa Excelência, o mais humilde e obediente servidor,

Champagnat,

Sup. d. Irs. M.


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