Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



Baixar 1.34 Mb.
Página6/108
Encontro18.07.2016
Tamanho1.34 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   108

INTRODUÇÃO


Ir. Paul Sester

CAPÍTULO I: 1823-1833


Como se vê é um longo período de dez anos, fase inicial em que as cartas administrativas do Padre Champagnat ficaram sem cópia.

Antes da Lei Guizot, de que falaremos no segundo capítulo, vigorava desde 1816 o Decreto do Rei Luís XVIII que estipulava a criação, em todos os cantões, de um comitê gratuito, encarregado de incentivar a instrução primária e de zelar pela ordem e os bons costumes. Fazia parte dele obrigatoriamente o pároco do lugar, assim como o vice-prefeito departamental, o juiz de paz e um procurador do rei. Além desses membros de direito, quatro ou mais cidadãos eram escolhidos pelo reitor da academia, sujeitos a serem aprovados e nomeados pelo prefeito do Departamento.

Os programas das disciplinas, a carga horária e o método de alfabetização seriam análogos aos dos Irmãos das Escolas Cristãs. Estes podiam apresentar título de professor primário, contanto que tivessem a aprovação do Irmão Superior. Eram eles, os “Grands Frères”, os paradigmas do ensino na França daqueles tempos, muito estimados pelo Padre Champagnat.

Aos 18 de fevereiro de 1824, o bispo de Limoges, Dom Gaston De Pins, é nomeado pela Santa Sé Administrador Apostólico de Lião, mas sem o título de Arcebispo, pois o Cardeal Fesch não resignava o cargo, embora vivesse em Roma.

Aos 16 de setembro do mesmo ano, morre Luís XVIII e Carlos X sobe ao trono da França. Foi destronado pela revolução denominada “Les Trois Glorieuses”, 27, 28 e 29 de julho de 1830, dirigida contra a Igreja, contra os padres e contra tudo o que lembrava “l’Ancien Régime”, isto é, o antigo poder monárquico, nitidamente favorável à religião.

Não tardou que o novo Rei Luís Felipe emitisse em 21 de abril de 1828 um Decreto Real que mandava passar para a esfera civil a incumbência de velar pela instrução primária. Mas, para não indispor completamente os católicos contra esta medida vexatória, permitiu a visita das escolas primárias pelo bispo da diocese. Os anticlericais pareciam triunfar. “Desde a revolução de 89, a religião católica estava doente, sentenciava enfaticamente Jules Janin; e a revolução de julho deu-lhe o tiro de misericórdia”.

Foi em 25 de julho de 1830 que se deu a visita domiciliar de um procurador do Rei a l’Hermitage.

Champagnat, sempre confiando em Deus e na proteção de Maria não perdeu a calma nem suprimiu o uso do hábito religioso ou as práticas regulamentares do culto. Simplesmente continuou o trabalho de formação dos Irmãos e cuidou de manter em funcionamento as escolas. “Deus é que permite todos os acontecimentos, dizia aos Irmãos. É sua Providência divina que faz com que tudo reverta em benefício de seus eleitos. Se confiarmos em Deus, não nos acontecerá mal algum!”

1 – Ao Irmão JEAM-MARIE GRANJON, Saint-Symphorien-le-Château


1º de dezembro de 1823.

O Irmão Jean-Marie Granjon, nomeado pelo Padre Champagnat em 2 de janeiro de 1822 como encarregado de dirigir a Escola de Bourg-Argental, abandonou o posto pouco tempo depois de ser nomeado. “Deixou a escola com 200 alunos nas mãos de um Irmãozinho de 15 anos”. "Enfiou na cabeça que devia entrar na trapa", diz o Irmão Avit (cf. Vida de M. Champagnat, Edição do Bicentenário, p. 140).

Depois de um mês de retiro na trapa, resolveu voltar a l'Hermitage, para ir prostrar-se aos pés do Padre e pedir-lhe perdão. Magnânimo e caridoso, o Padre Champagnat não só perdoou o extravio momentâneo do discípulo, como também demonstrou confiar nos protestos que este lhe fazia de não mais cometer outra. No outono de 1823, o piedoso Fundador confiou-lhe a direção da escola de Saint-Symphorien-le-Château; foi para lá que Champagnat mandou a carta que abaixo vem transcrita.

O Irmão Jean François (Étienne Roumesy) não gostou de ser tirado de Saint Sauveur, onde lecionava. O Padre Champagnat o encarregava de se ocupar do andamento dos trabalhos da casa de l’Hermitage.

O Padre Colomb, com quem o Irmão Jean François se relacionava freqüentemente, estava empenhado na fundação de uma obra destinada a órfãos e abandonados. Convidou o Irmão Jean François a se associar a ele. Contrariando os conselhos do Padre Champagnat, Roumesy abandonou a casa sem aviso prévio. O Padre Colomb o acolheu de braços abertos, mas em questão de dois anos se desentenderam e a obra foi água abaixo.

Caros filhos em Jesus e Maria!

Demorei até hoje para escrever a vocês, a fim de poder dar-lhes notícias dos outros estabelecimentos que visitei na semana passada. Todos vão bem de saúde e ficaram muito satisfeitos em saber notícias suas.

Em Bourg-Argental, o Irmão Michel se desincumbe a contento de suas funções; a escola dos Irmãos até que não vai mal, entretanto, só conta com 90 alunos por enquanto, mas todos os dias estão chegando outros. Continuam porém muito mal instalados; pior ainda, proibiram-lhes o acesso ao quintal, que lhes seria muito útil! Não estou zangado com isso. Falei com o senhor Deplainé e com o senhor Sablon; fiz ver a eles que a construção não estava adaptada à escola e se não se podia esperar qualquer coisa melhor para o futuro. Prometeram; mas, sei lá eu o que irão fazer. Não têm pressa de efetuar os pagamentos.

Em Boulieu, as coisas vão de vento em popa. Já são mais de cem alunos. Estão pedindo com insistência um terceiro Irmão. Ainda não sei quem vou mandar para lá. O pároco se diz muito satisfeito. Disse-me que sonhava conosco toda noite, tal o desejo que nutria de nos atrair para o seu departamento e sua diocese, fazendo-nos entrever grandes vantagens, através da benevolência do senhor Duque de Vogué, do qual se diz apenas o intérprete.

Peçamos a Deus que nos faça conhecer sua santa vontade e declaremo-nos sempre servos inúteis.

O Irmão Lourenço parece estar contente em Vanosc, mas os meios que os Irmãos têm à disposição continuam módicos.

A escola de Saint Sauveur continua a crescer, embora o Irmão Jean François não lecione mais lá. Aos poucos, parece que já dá mostras de resignar-se. Não gostei muito que você lhe tenha anunciado qual o novo trabalho para o qual estava sendo designado.

Ao ver chegar três Irmãos no município, o Padre Colomb desconfiou do que se tratava e me escreveu a respeito da mudança. Tenho fé de que, apesar da oposição de parte e de outra, terei ganho de causa, pois quando para lá viajei, apresentei as razões pelas quais agia daquela maneira.

Em casa do Padre Colomb e sem a presença do prefeito, todos me pareceram estar de acordo com isso.

Em Tarentaise, também vai tudo muito bem. Os meninos dizem que o Irmão Lourenço era muito legal, mas que este é mais ainda.

Quanto a Lavalla, acho que teremos muitos alunos e também muitos pobres. Graças a Deus! Faremos o possível para alimentá-los.

Apresentam-se igualmente muitos noviços, mas a maioria deles são pobres e muito crianças. Contudo, há três que têm a idade da razão, pois já passam dos trinta. Um deles é homem de negócios, outro é sapateiro e o terceiro, esse não é nada. Mas, é com nada que Deus realiza grandes coisas.

Se você precisar de um terceiro membro para sua comunidade, eu poderei mandá-lo, bastando para isso que o senhor pároco faça o pedido.

Como tenho intenção de lhe escrever em outra ocasião, termino aqui. Asseguro-lhe que sempre serei com muita satisfação seu atencioso pai em Jesus e Maria.

Lavalla, 1º dezembro de 1823.

Minha respeitosa homenagem ao Senhor Pároco ao qual tenciono escrever.

1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   108


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal