Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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175 – Ao Irmão FRANÇOIS, em L'Hermitage.


7 de março de 1838.

O Padre Champagnat continua a dar notícias a respeito das providências tomadas para a obtenção da autorização. Interessa-se pelos Irmãos e pelo andamento da casa de l'Hermitage.

O Padre Chanut, depois de ter feito todas as visitas aos políticos, em companhia de Champagnat, está agora de malas prontas para o regresso, deixando a ele a incumbência de continuar o diário, de 19 de março em diante.

O senhor Finaz, juiz de paz de Saint-Chamond, foi o tabelião e conselheiro de Champagnat. Todos os terrenos comprados por este, de parceria com Courveille, bem como todos os contratos de negócios foram assentados no cartório do tabelião Finaz.

V.J.M.J.


Paris, 7 de março de 1838. Missions Etrangères, Rue du Bac, 120.

Meu caríssimo Irmão,

Recebi nestes dias os três exemplares da Règle junto com a carta. Dizer-lhe ainda hoje em que pé estão as tentativas para conseguir a autorização acho muito difícil. Positivamente não há nenhuma razão contra, a não ser uma estagnação acabrunhadora nas gavetas das secretarias. Continuam a nos afirmar que o decreto não terá mais nenhum obstáculo. Acabo de receber da parte do senhor Ardaillon duas palavrinhas; anuncia-me que amanhã o processo será examinado no Conselho. Não adiantou mais nada.

Imagino que seja a resposta de um dos dois bispos, e que o conselho é o Conselho Universitário cujo presidente conhecemos como excelente cristão. Mas, será preciso assim mesmo que passemos pelo Conselho de Estado; conhecemos vários de seus membros.

Quando chegaremos lá?...

Meu Deus, que vagareza, que demora enorme!. Como custa andar correndo de uma repartição para outra. Ainda não é tempo de eu me ocupar com isso.

Só a Deus seja dada toda a glória!

Faz uns dias entreguei os quatro compromissos que estavam em minhas mãos. Ainda não sei o que vai acontecer com eles. Continue e continuemos a rezar juntos. Deus nada recusa a quem persevera pedindo.

Com certeza você não pode trocar o Irmão Alipius, então que o Irmão Gonzague se arme de paciência, caso você não possa mandar-lhe outro, por ora. Não me lembro quem foi que o senhor lhe mandou. Faça como puder, mas sem tirar o Irmão Alípius de Charlieu.

Promessas de novos estabelecimentos? Já fizemos até demais. Primeiro tratemos de conseguir nossa autorização, e depois veremos o que poderemos prometer. Estou com receio de estarmos obrigados - caso consigamos a autorização - a mandar vários membros para a África; é o que nos está pedindo um dos membros do Conselho de Estado. Não preciso nem lhe dizer qual a resposta que dou a ele, cada vez.

Você conhece as regras do código. Eu não entendo muito de leis. Se o caseiro ficar por mais um ano, acabará ficando dois, contra nossa vontade. Se o senhor Finaz não quiser agir, será preciso lembrar-lhe aquilo que me disse quando o consultei a respeito do caso e lhe pedi que desse o aviso (de despejo).

Quando sairei de Paris? Infelizmente, não sei. Será quando Deus quiser. Se for para a glória de Deus que eu morra em Paris, que seja feita sua santa vontade, e não a minha. Continuo firmemente decidido a ver o final. O Padre Chanut está de partida; vou ficar sozinho, como a sonhar; mas, que digo? Não se está sozinho quando se está com Deus!.

Acabei comprando a litografia com a qual o Irmão Jubin trabalha. Custa 400 francos, penso que irá para 500 incluindo todas as despesas. Vamos despachá-la para Saint-Chamond, mas só quando faltarem poucos dias para nossa partida. Fiz também compras de santinhos, de cartões de ponto, etc., etc.,. direi até que comprei um cibório muito bonito.

Você sabe que o senhor Vieno está com esperança que lhe compremos uns cem barris do vinho de sua fabricação. É preciso que o Irmão Stanislas entre em entendimentos com a Estrada de Ferro pela qual vão seguir, da Estação Perrache (de Lião) até Saint-Chamond. Faz-se mister então que o Irmão Estanislau vá a Lião e faça com que o senhor Vieno leve a encomenda até Lião, na Estação Perrache. Como você bem imagina, não podemos perder essa compra. Mais ainda: é preciso que o Irmão Jerônimo providencie o lugar onde armazenar tudo isto, ou na Grange Payre, ou em l'Hermitage. É o momento de você pensar no caso.Tome conselho com o Padre Matricon e etc... etc...

Adeus, meus caríssimos Irmãos, que Jesus e Maria estejam com todos vocês.

Champagnat


176 - AO IRMÃO FRANÇOIS, em L'Hermitage


12 de março de 1838.

Carta mais resumida que marca uma tomada de fôlego do Padre Champagnat, após tantas visitas. Entrevistou todos os personagens que podiam fazer com que o processo andasse. Agora, é só ter paciência e esperar confiante em Deus.

Mesmo nesta estagnação, a preocupação de Champagnat é de não ficar à toa. Interessa-se pelo problema dos surdos-mudos.

Paris, 12 de março de 1838, Missões Estrangeiras, rue du Bac, 120.

Meu caríssimo Irmão,

Nossas questões, sempre na mesma. Não sei que estímulo usar para que andem mais depressa. Deus seja bendito! É logo agora que não vou deixar de repetir: "Super flumina Babilonis."

Por outra, poderia considerar-me feliz nas minhas condições, tendo pouco que fazer e estando de muito boa saúde. Esta Quaresma vai passar sem que me dê conta. O que me incomoda, e é mais que suficiente para estragar tudo, é a estagnação acabrunhadora em que se acham as coisas que acompanho. Mais uma vez: Que Deus seja bendito!

Que faremos com a convocação ao serviço militar? Não tenho a mínima idéia, como você pode bem imaginar.

Da mesma maneira como me mandou os exemplares da Règle, mande-me um breviário pars verna.

Vou mandar o Irmão Marie Jubin para a École Mutuelle dos surdos-mudos. Tenho a intenção de ir lá pessoalmente quando puder. É essencial que não percamos tempo.

Mil recomendações a todos os queridos Irmãos. Você bem que está vendo quanto necessito de orações.

Tenho a honra de ser seu dedicado pai em Jesus e Maria

Champagnat

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