Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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177 - Ao Irmão FRANÇOIS, Em L'Hermitage.


13 de março de 1838.

O Padre Champagnat começa dizendo que dispõe ainda de alguns minutos, antes do embarque do Padre Chanut. Será ele o portador destas linhas, bem como da carta escrita na véspera. É o que adverte o Irmão Avit, em Abrégé des Annales, p. 238.

Paris, 13 de março de 1838, Missões Estrangeiras.

Meu caríssimo Irmão,

Disponho ainda de alguns minutos. Vou aproveitá-los enquanto o Padre Chanut preparar a mala.

Parece que o senhor Ardaillon vai passar alguns dias na terra natal. Não deixe de lhe fazer uma visita, agradecer-lhe pelo muito que tem feito e, ao mesmo tempo, fazer-lhe ver quanto esta autorização nos é necessária, sem o que a convocação para o serviço militar nos vai tirar muitos Irmãos.

Diga-lhe quanto nossa Sociedade lhe ficará devendo. Vamos conservar para sempre a memória desse homem. Diga-lhe que você está ansioso por minha volta. Ele lhe dirá que não adianta eu ficar (em Paris) e que os trâmites seguirão tão depressa como se eu estivesse ausente. Não responda nada a não ser o seguinte: se houver necessidade de introduzir alguma alteração num dos artigos, eu me apresentaria imediatamente.

Afinal, meu caro Irmão, você dirá a ele o que Deus lhe inspirar.

Vão ter com ele dois de vocês, ou mesmo três, o Irmão Stanislas, o Irmão Jean Baptiste ou o Irmão Jean Marie e você.

Adeus, nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.

Champagnat

Nada de positivo chegou ao meu conhecimento no tocante aos compromissos. Eu os entreguei ao senhor Baude. Não sei o que vai acontecer.

O Irmão Marie Jubin vai aprender a lidar com surdos-mudos e continua aprendendo litografia.

Estou esquecendo muitas coisas

178 – Ao Padre ANDRÉ MILLERAND, Pároco de Semur-en-Brionnais, Saône-et-Loire.


14 de março de 1838.

A fundação da escola de Semur foi feita em condições precárias, no tempo do predecessor do Padre André. Era então pároco o Padre Bonnardel que faleceu quatro dias após a chegada dos Irmãos.

O Coadjutor dele, Padre Beraud, foi trocado e quem tomou posse da paróquia foi o destinatário desta carta de Champagnat. O Padre André se dirigiu a l'Hermitage para solicitar esclarecimentos sobre as condições em que fora feita a fundação, no tempo do seu predecessor. Quem respondeu foi o Irmão François que deu ciência do caso ao Padre Champagnat, em Paris.

É de lá diretamente que Champagnat responde ao Padre André. Como sempre costuma fazer é em termos realistas e sem concessões mais vantajosas do que as marcadas nos prospectos, a saber: O que os Irmãos pediam para se manterem e funcionarem normalmente. O mínimo, enfim.

Diz mais: "Já tinha prevenido a respeito do falecimento do pároco, a transferência do coadjutor. " com isso, a escola ficaria sem alguém que a apadrinhasse. Conclusão: "Se V. Sª, Padre André, não continuar a melhorar a situação, estarei obrigado a retirar os Irmãos”.

Digníssimo senhor Pároco,

O Irmão Diretor de l'Hermitage, não sabendo que minha estada em Paris seria tão longa, não me havia dado a conhecer que o senhor me tinha dado a honra de me escrever para l’ Hermitage.

Os convênios particulares feitos com o Padre Beraud, tanto quanto me lembro, rezam o seguinte: No decorrer deste ano, o que se devia ter em vista era fornecer uma hospedagem conveniente, ou construindo ou comprando uma casa já construída. (E mais). Não podendo pagar atualmente mais do que quatrocentos francos, o que faltasse seria pago na Páscoa. (Creio que ainda não foram pagos).

Não se falou de mandar um terceiro Irmão. As demais condições se acham no prospecto da Sociedade que deve estar em suas mãos. Essas condições são comuns a todas as paróquias que nos pedem Irmãos. O senhor compreende, digníssimo senhor Pastor, que nos seria absolutamente impossível abater a menor quantia, tendo já feito uma redução que nos permite ficar apenas com o estrito necessário.

Não acha o senhor que nossos Irmãos, com a ocupação que têm, merecem ganhar do que se alimentar e vestir? Fizemos o abatimento de um terço daquilo que é concedido aos excelentes Irmãos das Escolas Cristãs, imagino que com isso não fazem grandes economias. Não entra em conta a passagem que os Irmãos têm que pagar, quando vêm a l'Hermitage para o retiro, e que deveria ser reposta.

Se estas condições não lhe servem, tenha a bondade de nos avisar o mais cedo possível.

Eu já havia predito ao Padre Beraud que o Padre Bonnardel morreria em breve; que ele próprio, Padre Beraud, seria transferido, antes que o estabelecimento pudesse prescindir de seu fundador e que nós, então, nos veríamos obrigados a retirar os Irmãos.

Bem, quanto a isto, sabemos muito bem onde colocá-los.

O senhor conta com seus paroquianos. eles não vão fazer é nada! A medida, como o senhor mesmo diz, falhou. Faço votos que o senhor acerte. Vamos ter paciência por alguns dias ainda.

P.S. Um Irmão que fosse preciso mandar a mais, só por causa dos alunos internos, não ficaria a cargo do município.

179 - Ao Irmão FRANÇOIS, em L'Hermitage.


O Padre Champagnat escreve de Paris ao Irmão Francisco, pedindo-lhe que tome as providências necessárias para a autorização do Irmão Cyprien. Trata-se da autorização de lecionar na qualidade de "instituteur" municipal. O Irmão já tem o seu Diploma (brevet) e assim o compromisso decenal, Agora, precisa da autorização do prefeito. Sem esta autorização, outro professor civil poderá assumir o cargo, se tiver os registros em ordem.

A autorização do prefeito é sempre mais difícil de se conseguir nas cidades mais populosas, como Semur (12.000 habitantes naquela época), mais fácil em localidades menores, como Tarentaise (400 habitantes) ou mesmo La Valla (2.000 habitantes)

Na Carta de no 198, vemos que o Irmão Cyprien conseguiu felizmente a pretendida autorização.

V.J.M.J.


Paris, 15 de março de 1838, rue du Bac, 120.

Meu caríssimo Irmão François,

Recebi uma carta do Irmão Cyprien e do senhor Pároco (de Semur). Mando-lhe junto com esta uma cópia da mesma, a fim de que saiba como vão as coisas. Se puder dispensar o Irmão Jean Baptiste por uma semana, seria bom que ele fizesse uma viagem para lá e, de passagem, visitasse os estabelecimentos de Perreux e de Charlieu.

Não podemos deixar o Irmão Cyprien sem fazê-lo autorizar. Acho que é preciso fazê-lo autorizar em Tarentaise e, sem demora, ou então em La Valla, se não for possível em Tarentaise.

Quanto a Semur, desde que estão fazendo dificuldades para cumprir as condições, não podemos comprometer-nos com a permanência do Irmão Cyprien. Veja sem demora que meios é preciso tomar.

Segue a carta de n.º 60 (n.º 178 neste livro)

"Digníssimo senhor Pároco:

O Irmão Diretor de l'Hermitage, não sabendo que minha estada em Paris seria tão longa, não me havia dado a conhecer que o senhor me tinha dado a honra de me escrever para l’ Hermitage.

Os convênios particulares feitos com o Padre Beraud, tanto quanto me lembro rezam o seguinte: No decorrer deste ano, o que se deveria ter em vista era fornecer uma hospedagem conveniente, ou construindo ou comprando uma casa já construída. (E mais:) Não podendo pagar atualmente mais do que quatrocentos francos pela fundação, o que faltasse seria pago na Páscoa. (Creio que ainda não foram pagos).

Não se falou de mandar um terceiro Irmão. As demais condições se acham no prospecto da Sociedade que deve estar em suas mãos. Essas condições são comuns a todas as paróquias que nos pedem Irmãos. O senhor há de compreender, digníssimo senhor Pastor, que nos seria absolutamente impossível abater a menor quantia, tendo já feito uma redução que permite ficar apenas com o estrito necessário.

Não acha o senhor que nossos Irmãos, com a ocupação que têm, merecem ganhar do que se alimentar e vestir? Fizemos o abatimento de um terço daquilo que é concedido aos excelentes Irmãos das Escolas Cristãs, imagino que com isso não fazem grandes economias. Não entra em conta a passagem que têm que pagar, quando vêm a l'Hermitage para o retiro, e que deveria ser reposta.

Se estas condições não lhe servem, tenha a bondade de nos avisar o mais cedo possível.

Eu havia predito ao Padre Beraud que o Padre Bonnardel morreria dentro em breve, que ele próprio, Padre Beraud, seria transferido, antes que o estabelecimento pudesse prescindir de seu fundador, e que, nós então, nos veríamos obrigados a retirar os Irmãos.

Bem, quanto a isto, sabemos muito bem onde colocá-los.

O senhor conta com seus paroquianos. Eles não vão fazer é nada!.

A medida, como o senhor mesmo diz, falhou. Faço votos que o senhor acerte. Vamos ter paciência por alguns dias.

P.S. Um Irmão que fosse preciso mandar a mais, só por causa dos alunos internos, não ficaria a cargo do município.”

Penso que haverá menos dificuldade em conseguir a autorização do Irmão Cyprien em Tarentaise. Também estaremos mais livres para dispor dele. Não perca tempo, você sabe o que cumpre fazer. Talvez não seja preciso que ele se apresente, contanto que você tenha o diploma (brevet) dele.

Eu estava pensando em Izieux e em Couzon; nestes diferentes lugares, há outras formalidades a cumprir antes.

Ainda não sei em que ponto me acho no que diz respeito às tentativas feitas. Pela tarde, irei fazer algumas visitas, pode ser que colha então alguma notícia.

Acabo de chegar da residência do senhor Pillet, encarregado das Escolas Primárias. Anuncia-me que nosso processo foi analisado terça-feira no Conselho Universitário o qual deu um parecer favorável. Pensa que o Ministro vai decidir-se a solicitar um decreto ao Rei. A coisa está por demais bonita, por demais resolvida, para que não pinte algum empecilho. Embora o tempo me custe a passar aqui em Paris, ficaria contentíssimo se pudesse ir celebrar a Festa da Páscoa em l'Hermitage. Deus nada recusa à oração fervorosa e perseverante.

Por carta, o senhor Ardaillon me notifica que o Conselho Universitário acaba de examinar o nosso pedido o qual, de imediato, deverá passar diante do Comitê do Interior. Nunca até agora me falaram deste Comitê. O que eu estava esperando, isto sim, é que passaria pelo Conselho de Estado. Creio que o senhor Pillet está bem a par, pois é da competência dele. A mais disso, como você sabe, o parecer dele é antes favorável. Digamos mais uma vez: Será como Deus quiser. Que seja feita sua santa vontade!

O que me entristece são os que a convocação atinge neste ano. Dizem-me o seguinte: Não há esperança que possam beneficiar-se do decreto, que é posterior ao sorteio. Informe os pais para que possam tomar suas precauções.

Quinta-feira próxima terei novos informes, logo os transmitirei.

O senhor Ardaillon me está dizendo sempre que eu posso ir embora, mas muitos outros me aconselham a não abrir mão do meu intento, tudo depende muitas vezes de uma simples visita, da presença do solicitante. Concordo com este parecer, embora isto me custe.

Adeus, meus queridos Irmãos, trago-os todos com muito carinho no meu coração. Não peço suas orações, elas me são devidas.

Champagnat, sup.

dos I. de M.


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