Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



Baixar 1.34 Mb.
Página65/108
Encontro18.07.2016
Tamanho1.34 Mb.
1   ...   61   62   63   64   65   66   67   68   ...   108

184 – Ao senhor ANTOINE NICOLAS DE SALVANDY, Ministro da Instrução Pública, Paris.


11 de abril de 1838.

Alguns lampejos de esperança tinham brilhado aos olhos de Champagnat, segundo o que lemos na carta precedente, dirigida ao Irmão Antoine.

No dia 11, o Padre encaminha ao ministro Salvandy a carta que segue. Curtinha. Caligrafia impecável, certamente de algum amanuense caprichoso que terá contratado ad hoc.

Desta vez, "ESTOU COM A FIRME ESPERANÇA DE SER ATENDIDO!"

Entretanto o Ministro inventa outra escapatória. Logo no dia seguinte, escreve aos prefeitos dos Departamentos do Loire e do Ródano e lhes pergunta, com mal disfarçado zelo: "Será que a aprovação dos Irmãos Maristas não vai causar estorvo à obra benemérita dos Irmãos das Escolas Cristãs? Não irá prejudicar também nossas Escolas Normais?"

Paris, 11 de abril de 1838. Missões Estrangeiras, rue du Bac, 120.

Senhor Ministro,

O Padre Champagnat, fundador da Congregação dos Irmãozinhos de Maria, que teve a honra de ser apresentado a V. Excia. pelo senhor Ardaillon, deputado do Loire, no dia 22 de janeiro, continua hospedado em Paris, aguardando o desfecho dos trâmites a que deu curso, com o objetivo de conseguir o Decreto Real em favor do seu Instituto, cuja utilidade vem sendo demonstrada pelos inúmeros pedidos de fundação que lhe chegam de toda parte.

O Padre Champagnat volta hoje à sua presença a suplicar que se digne tomar em consideração o seu pedido, a fim de que, manifestada a V. Excia. sua gratidão, possa regressar à sua casa, onde sua presença está sendo muito esperada, a fim de continuar a supervisão e o crescimento de sua obra.

Senhor Ministro, não tenha dúvida que seu nome ficará gravado em todos os corações dos filhos de Maria, por todo o tempo que durar esta Ordem.

Na esperança de ser atendido favoravelmente, queira receber os protestos de respeito e consideração com que tenho a honra de ser, Senhor Ministro, seu mui humilde e obediente servo,

Champagnat


185 – Ao Irmão FRANÇOIS, em L'Hermitage.


12 de abril de 1838.

O Padre Champagnat anuncia que voltará em breve para l'Hermitage. Se as viagens, naquela época, não fossem tão dispendiosas e demoradas, a questão de ir e voltar seria resolvida mais depressa.

Mesmo assim, em maio o Padre fará outra viagem a Paris. Deixou bem encaminhada a questão.

Lemos no resumo dos Anais do Irmão Avit, p. 249-251, que o Padre Champagnat chegou em l'Hermitage no dia 28 de abril; terá saído de Paris pelo dia 24 ou 25, pois o percurso demorava três ou quatro dias.

V.J.M.J.


Paris, 12 de abril de 1838. Missões Estrangeiras, rue du Bac, 120.

Meu caríssimo Irmão,

Ontem à tarde recebi sua carta a que me apresso em responder. O senhor Ardaillon acabava de chegar. Penso estar em l'Hermitage no dia 28 próximo futuro, a menos que algum imprevisto venha ainda fazer retardar minha partida. Se tal acontecer, escrever-lhe-ei outra vez.

Por estes dias, vou fazer o que você pediu e terminar o que já estou fazendo. Os trâmites concernentes à autorização prosseguem regularmente, quero dizer: só encontram um obstáculo que é uma vagareza acabrunhadora, apesar de tudo o que se pode fazer. Continuemos nossas orações, é este o único meio que nos resta.

Meu querido Irmão, espero que, chegando eu em casa, você não se contentará de apenas me relatar de memória as diferentes particularidades que podem ter acontecido durante minha ausência. É muito importante que eu seja informado de tudo, a fim de que, auxiliado pelos conselhos seus e dos demais membros da administração, eu possa continuar a governar a casa. É importante que tenha um relato pormenorizado, dia por dia, do que aconteceu desde que eu saí. Entenda-se com o Irmão Stanislas, o Irmão Jean Marie e os demais Irmãos trabalhadores, o Irmão Bonaventure; um relatório para o que diz respeito a cada um. Digo isto, não somente dos Irmãos que habitam l'Hermitage, mas também dos que estão nos Estabelecimentos: os pedidos feitos, em suma, tudo o que interessa ou deve interessar um superior de comunidade.

Continuo tendo boa saúde, quase não tive dor de estômago. Se não soubesse que minha presença está sendo solicitada por causa de vários assuntos, não teria tanta pressa em partir. Espero aliás que nossa questão importante não seja prejudicada, pois está muito bem encaminhada. Espero que o Irmão Jean-Marie me apresente as contas direitinho.

Minha carta só vai ser despachada no dia 13 de abril. Adeus, meu caro Irmão, compartilho de coração o sofrimento que lhe causou a morte de seu mano, (Jean-Marie RIVAT, falecido no dia 27 de fevereiro).

Mil saudações aos Padres Matricon, Besson, a todos os bons Irmãos que emitiram votos perpétuos e aos demais. A todos, meu abraço, nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, esperando abraçá-los corporalmente. Você terá tempo de ainda me escrever para Paris, se for preciso.

Hoje faz frio em Paris.

Seu mui dedicado,

Champagnat

186 – Ao senhor ANTOINE NICOLAS DE SALVANDY, Monistro da Instrução Pública, Paris.


21 de abril de 1838.

Antes do regresso a l'Hermitage, o Padre Champagnat escreve ao Ministro, agradecendo por tudo quanto este fez pela autorização do Instituto. Renova seus sentimentos de profundo respeito e pede, mais uma vez, que continue o processo logo que os prefeitos Departamentais do Loire e do Ródano tiverem mandado seus pareceres.

Dá para entender que Champagnat sabia da consulta que o Ministro estava fazendo aos senhores prefeitos desses Departamentos, em cujos territórios funcionavam umas vinte escolas dirigidas pelos seus discípulos. Possivelmente soubesse também o teor de tão inesperada, para não dizer ardilosa, consulta.

Paris, 21 de abril de 1838. Missões Estrangeiras, rue du Bac, 120.

Senhor Ministro,

Padre Champagnat, fundador dos Irmãozinhos de Maria, não podendo, conforme foi informado, esperar uma audiência por agora, vem, por estas poucas palavras, manifestar-lhe seu profundo respeito e os agradecimentos por tudo o que fez V. Excia. em favor da obra que fundou. Fica constrangido de ter só estéreis agradecimentos a apresentar, mas se alegra com a posição a que V. Excia. foi guindado pela Providência e roga com muita sinceridade que a mesma Providencia o conserve no cargo.

Poderia ainda o Padre Champagnat suplicar a V. Excia. de retomar o processo da autorização, logo que os senhores Prefeitos Departamentais tiverem respondido?

Desejo firmemente dar a esta Instituição uma existência que esteja em perfeita harmonia com o governo. O notável interesse que V. Excia. demonstra pela instrução constitui para mim motivo de esperar que não ficarão frustradas minhas tentativas e os anseios de tantas pessoas notáveis.

Queira aceitar a certeza do profundo respeito com que, Senhor Ministro, tenho a honra de ser, de Vossa Excelência, o servo muito humilde e obediente.

Champagnat


1   ...   61   62   63   64   65   66   67   68   ...   108


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal