Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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191 – Ao senhor ALEXANDRE DELON, vice-prefeito do Departamento do Loire, em Saint-Étienne.


Os Irmãos se instalaram em Saint-Martin-la-Plaine, em 1836. Em condições precárias: abrigo insalubre, tão ruim que dois Irmãos perderam a saúde, um deles morreu.

O Padre Champagnat se dirige nesta carta ao vice-prefeito que, segundo o Art. 17 da Lei de 28 de junho de 1833, era o encarregado de fiscalizar e animar a instrução primária do distrito.

Diz-lhe sem rodeios: "Vemo-nos obrigados a largar esta escola."

Perante o ultimato, a questão da moradia foi solucionada, mas dos gastos da construção não sobrou verba para a manutenção dos Irmãos.

Senhor vice-prefeito,

Quando nos pediram Irmãos para Saint-Martin-la-Plaine, fizemos notar que o local não se prestava muito.

Disseram-nos que os Irmãos ocupariam este local somente durante um ano e que depois iriam morar em outra casa construída ad hoc.

Nós nos ativemos às ponderações que nos foram feitas a esse respeito. Mas, nossa condescendência nos custou caro; foi aí que um de nossos Irmãos perdeu a vida e outro, a saúde.

Por isso, vemo-nos obrigados a interromper nossa permanência nessa escola, até que termine a nova construção. Mas, não quisemos chegar a este extremo, sem antes prevenir V. Excia.

Com a satisfação de poder apresentar-lhe de novo a homenagem de respeitosa atenção com a qual serei sempre seu humilde e obediente servidor.

Champagnat


192 - A Dom LOUIS JACQUES MAURICE DE BONALD, bispo de Puy, Haute-Loire.


maio de 1838.

Os Irmãos do Sagrado Coração fundaram uma escola em Craponne, na diocese de Dom De Bonald. Largaram-na três ou quatro anos depois, não sabemos por que razões. Então o pároco, Padre Sallanon foi a l'Hermitage pedir que os Maristas continuassem a ministrar a instrução e educação religiosa em Craponne. O Bispo apoiou o pedido. Não seria neste ano de 1838, só no seguinte, explica Champagnat. E não seria em Craponne, mas em Tence, que entrou com o pedido antes de Craponne.

Como Pastor que melhor conhece seu rebanho, o Bispo intervém: "O pároco de Tence não tem autorização minha de passar na frente de Craponne que é um centro mais importante. Acresce também que já está tudo pronto em Craponne para receber os Irmãos. Se o Padre Peala (cf. Carta no 136) insistir, continua o Bispo, notifique a ele que o Bispo se opõe formalmente a que os Irmãos se instalem em Tence antes de Craponne."

De fato, os Irmãos foram dirigir a escola de Craponne em 1839. Tence teve um século de espera. Só viu os Irmãos em 1938! (cf. Carta no 338).

Excia. Revma.,

Sua estimada missiva chegou à nossa casa durante a minha ausência. Por isto, a resposta vai com certo atraso. Há tempo que alimentamos o desejo de possuir um estabelecimento em sua diocese. Estamos convencidos de que poderia ser muito útil à nossa Congregação, sobretudo em vista do autêntico testemunho de benevolência que V. Excia. nos vem dando.Achamos que é lastimável não estarmos em condições, neste ano, de atender ao primeiro pedido que V. Excia. se digna fazer-nos. Seria ocasião de lhe demonstrarmos nossa prontidão em favorecer o zelo verdadeiramente apostólico de V. Excia. para com esta diocese que oferece tão rica messe.

A escassez de Irmãos e o número de estabelecimentos já prometidos nos desaconselham, por ora, erigir outras casas. Antes que o senhor pároco de Craponne tivesse chegado à nossa casa para solicitar o envio de Irmãos, o pároco de Tence já nos tinha formulado igual pedido, várias vezes, para a própria paróquia. Achamos muito conveniente que seja a vez dele de ser servido. Não esqueceremos a cidade de Craponne, assim que pudermos implantar nela um estabelecimento. Temos esperança de realizar este projeto sem muita detença, como já demos a entender ao senhor pároco.

Considero-me feliz em ter a oportunidade de apresentar a V. Excia. Revma. minha respeitosa homenagem e de lhe protestar total devotamento com que, serei para sempre, Senhor Bispo, seu servo muito humilde e obediente,

Champagnat


193 – Ao Irmão FRANÇOIS, em L'Hermitage


20 de maio de 1838.

No dia 14 de maio, o Padre Champagnat embarcou novamente, rumo à capital francesa. Fez uma parada em Lião para falar com o amigo, Padre Jean Louis Duplay, ecônomo do Seminário e fazer algumas compras que acabou deixando de fazer.

Todo esperançoso, enfrentou o cansaço e prosseguiu na busca daquilo que julgava do seu dever conseguir para os Irmãos.

Na longa carta que escreveu de Paris, emendando trechos de um dia para outro, repetindo idéias e descrevendo minuciosamente todas as suas andanças, projetos e peripécias, irá finalmente concluir, em tom melancólico: " Ainda não cheguei ao final das tribulações que terei de curtir!"

Paris, 20 de maio de 1838. Missões Estrangeiras, rue du Bac, 120.

Meu caríssimo Irmão,

Cheguei em Paris quinta-feira, à meia-noite. Quase não parei tempo nenhum em Lião. O Arcebispo não me deu tréguas e logo tive que sair. Não comprei nada, nem pedra para a litografia nem farinha. Apesar do que, conversei com o Padre Duplay, ecônomo do Seminário que fará nossas compras quando quisermos, ao mesmo tempo que fizer as do Seminário. Creio que não há urgência para isto. Para dar serviço ao Irmão Marie Jubin, compre-lhe uma pedra em Saint-Etienne ou em Lião, se tiver ocasião.

Cheguei aqui do mesmo modo como estava ao despedir-me, nem muito bem nem muito mal. O tempo não me custa a passar porque ando ocupado com o nosso grande problema. Já entrevistei algumas pessoas que dão uma mãozinha, que de ordinário continuam prometendo muitas coisas. O senhor Ardaillon me deu rebate falso quando me anunciou que meus documentos estavam no Conselho de Estado. Depois, logo em seguida quis certificar-me e constatei que não estavam.

Ao Superior do Seminário de Montpellier responda que, por ocasião da visita que tiver de fazer a um estabelecimento do Var, no decorrer do verão, aproveitaria para matar dois coelhos com uma só cajadada: nossa intenção é erigir um noviciado no Sul da França.

Por esta vez ainda, encontrei Paris muito tranqüila. Cheguei aqui de batina. Durante a viagem, de carruagem, fiz juntamente com as pessoas que viajavam comigo, o mês de Maria e recitamos o terço, sem dificuldade alguma, digo melhor, para a satisfação de todos. Não ouvi palavra alguma que pudesse ser interpretada como contrária às normas cristãs.

Se dentre os objetos que você recebeu encontrou alguma coisa avariada, queira me avisar logo.

Parece-me que o senhor Prefeito Departamental do Loire ainda não escreveu. Acabo de entrevistar o senhor Delbecque; disse-me que só estava esperando aquele documento. Acabo de mandar escrever ao prefeito. Pode ser que a carta dele esteja parada em alguma gaveta.

Seja feita a santíssima vontade de Deus! Só Ele sabe com que satisfação eu retomaria o caminho de Lião, logo que meus problemas estivessem terminados. Mais uma vez seja feita a santíssima vontade de Deus!

25 de maio

Embora eu me sinta disposto, o tempo está custando a passar. Você deve ter recebido uma carta do senhor Delbecque. Gostaria de saber em que termos foi redigida, para isso mande-me uma cópia, se é que a recebeu mesmo. Não passa um dia sem chover.

Eis-nos chegados ao dia 26. Espero ter bom resultado, é o que todo mundo não cansa de me prometer. Receio estar querendo-o demais. Rogo e roguem por mim para que eu me conforme com a vontade de Deus.

Recebi ontem a carta que você me enviou. Respondi e prometi mandar Irmãos a Saint- Pol, Pas-de-Calais. Não tinha como recusar. Com o socorro de Maria, vamos mover céus e terra, para podermos cumprir esta promessa.

Finalmente chegou o relatório do prefeito do Loire. Perfeitamente favorável em tudo, da mesma maneira que o do prefeito do Rhone.

Hoje vou ao Ministério. Estou pensando que ainda pode surgir outro obstáculo. "Ad Majorem Dei Gloriam!" (Seja tudo para a maior glória de Deus!)

Você está vendo que retomei a carta muitas vezes. Incomodei quase todas essas pessoas, quero dizer os deputados, com minhas visitas sem conta. Dentro de um instante, irei ao Ministério da Instrução Pública para saber se há alguma novidade.

Chego de volta do Ministério. Mandaram voltar amanhã. Acabo de travar conhecimento com um senhor que trabalha no Ministério e que é de Lião. Chama-se Pasqualini. Foi ele que me proporcionou esta ocasião. Mas, acho que também ele não me vai valer mais do que os outros.

Virgem santa, vosso mês está acabando!

Não estou com vontade ainda dessa vez de comprar a capa magna, se isto não aborrecer demais o Irmão Stanislas. Poderei mais tarde, de viva voz, dizer-lhe o porquê.

Ainda não cheguei ao fim de minhas tribulações. Rezem por mim, que estou precisando muito. Bem pode pensar que de minha parte não esqueço nenhum membro de nossa Sociedade. Todos são muito caros ao meu coração. Diga a todos quanto estou contando com as suas preces.

A Deus e a Maria os recomendo, agora e pela eternidade!

Champagnat.

P.S. Meus sentimentos de amizade aos Padres Matricon e Besson. Estou vendo agora que minha presença se faz necessária em Paris. Dentro em breve, saberei se há qualquer providência a tomar.


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