Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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195 - Ao IRMÃO FRANÇOIS, em l'Hermitage


7 de junho de 1838.

Aproveitando a estada em Paris, o Padre Champagnat adquiriu vários objetos religiosos. Despachou-os para l'Hermitage, metidos em caixotes, onde deve ter colocado também esta carta de recomendações e conselhos.

Vê-se pela redação que tudo foi feito às pressas, sem maiores formalidades de estilo epistolar. Não há o vocativo no início e a terminação é brusca. Depois de assinar essas linhas é que se lembrou de mandar saudações aos Padres de l'Hermitage.

Dirige-se principalmente ao Irmão François, como a seu "fac totum" e no final, subitamente exorta a todos a confiarem em Deus.

Paris, 7 de junho de 1838.

Tome todo o cuidado possível com esses objetos que você recebeu, devidamente encaixotados. Eu não gostaria que o Irmão Stanislas instalasse logo o lustre que lhe enviei. Penso que é bonito demais para nós; mas, deixemos este caso para depois, quando decidiremos em conjunto.

Quanto às imagens, custaram uma nota!. Calcule aí uma soma bastante grossa de dinheiro para pagá-las. É importante deixá-las bem guardadas, na espera da decisão que juntos tomaremos sobre o destino delas.

O Ministro está pedindo Irmãos para Saint Pol (Pas-de-Calais). Você bem pode imaginar que não pensei duas vezes para lhe dar uma resposta definitiva, apesar de nossa situação. Não podia proceder de outra maneira, em razão das circunstâncias críticas em que nos encontramos.

Será preciso que liberemos alguns Irmãos a mais, pois Saint-Pol é uma vice-prefeitura de Departamento.

Dentro em breve, acho que vou saber o resultado de todas as nossas gestões. Já chegaram todos os documentos pedidos. O senhor Delbecque me confirmou que dentro de três dias o processo será levado ao conselho de Estado, o que significa um grande passo, mas não é tudo.

O senhor Sauzet segredou-me que no conselho há vários membros sectários de Voltaire que se apavoram com qualquer coisa, enxergam em toda parte padres se infiltrando.

Não há dúvida que temos de acreditar que estamos nas mãos de Jesus e de Maria. Peçam a Eles, queridos Irmãos, que seja feita a santa vontade de Deus e procuremos querer somente aquilo que Deus quiser. Entreguemos em suas mãos o resultado de nosso trabalho, Ele sabe melhor do que nós o que estamos precisando.

Champagnat

A seu inteiro dispor, saudações amigas aos Padres Matricon e Besson.

196 - AO IRMÃO FRANÇOIS, EM L'HERMITAGE


20 de junho de 1838.

Nesta carta, o Padre Champagnat detalha seus planos:

- Mais uma audiência com o Ministro Salvandy;

- Partir em visita de inspeção ao estabelecimento que o próprio Ministro pediu que o Padre fundasse, em Saint-Pol.

- Como de costume, antes de começar uma escola, Champagnat costumava visitar as autoridades locais, inspecionar o local, saber das condições de manutenção dos Irmãos, etc.

- Terminada a visita a Saint- Pol, regressar a l'Hermitage.

Os Padre Bati e Petit são dois Maristas que querem ir para as Missões da Oceânia.

O Padre Champagnat volta novamente seu pensamento para a escola de surdos-mudos e quer mandar dois Irmãos a Paris para se capacitarem a exercer o apostolado junto a esses deficientes.

No ano seguinte, o Instituto de surdos-mudos de Saint-Etienne pediu ao Padre Champagnat que mandasse Irmãos. Como não se tinha ainda acertado a preparação dos mesmos, os responsáveis por aquela obra tão cara ao coração de Champagnat confiaram a direção aos Irmãos das Escolas Cristãs.

V.J.M.J.


Paris, 20 de junho de 1838. Missões Estrangeiras, rue du Bac, 120.

Meus caríssimos Irmãos,

Acabo de pedir uma audiência ao Ministro da Instrução Pública. Logo que a tiver conseguido, partirei para Saint-Pol (Pas-de-Calais), a fim de visitar a casa e entrar em entendimentos com as autoridades locais. O senhor Delbecque faz questão que fundemos este estabelecimento. A escola oferece grandes vantagens e o êxito é certo, pois a manutenção está garantida.

Quando voltar de Saint-Pol, partirei para l'Hermitage, onde pretendo chegar pelo dia dois de julho. Ponhamos sempre nossa firme confiança em Maria. Ela já nos concedeu favores demais, por isso não nos vai recusar agora o que lhe estamos pedindo.

Os Padres Bati e Petit chegaram em Paris sexta-feira de tarde, no dia 15 do corrente. Vi-os enlameados, carregando uma mala e entrando pelo meu quarto a dentro. Imagine a minha surpresa, eu nem podia imaginar. Conduzi-os ao Ministério dos Cultos, do qual esperamos receber uns mil escudos e ao Ministério da Marinha, onde conseguiremos pelo menos alguma recomendação. Os problemas deles não se parecem em nada com o meu. Vão acabar logo.

Recebi do senhor Jean-Marie Ginot mil francos para terminar de pagar os objetos que você recebeu. Queira pagá-los ao mano dele, Michel, se ainda estiver na região.

Assim que tiver recebido esta, mande logo a Lião o Irmão François Régis para aprender a imprimir. Para o senhor Guyot será um prazer mostrar como se faz, creio eu. Não passa um dia sem chover. Hoje vai chover o dia inteiro.

Falei com o Superior dos Irmãos das Escolas Cristãs; eles só fazem um desconto pequeno, e mesmo assim às custas da encadernação, de qualidade inferior.

Acabo de solicitar, à administração da escola dos surdos-mudos, a admissão gratuita de dois Irmãos; se conseguir, terão hospedagem, calefação, comida, roupa lavada, iluminação etc. etc., o tempo que for necessário para se formarem.

O Irmão Stanislas não me escreveu nada a respeito da capa magna. Deve ter esquecido. Vou então comprar outra alfaia, com a qual vai ficar muito satisfeito.

Diga a todos os Irmãos que sempre estou pensando neles, sempre pedindo pela felicidade deles. Que rezem por mim. Na novena que estou fazendo diante da estátua onde também implorou graças São Francisco de Sales,- e com que eficácia! - não esqueço nenhum de vocês. Que sejam bem cuidados, bem alimentados os bons Irmãos doentes, aos quais tenho tamanha afeição! Que freqüentemente voltem o olhar para Aquela que chamamos "Consoladora dos Aflitos"!

Por fim, os Padres Matricon e Besson recebam de minha parte os agradecimentos por todos os serviços que prestam à comunidade. Gostaria de saber o que comprar para agraciá-los.

Abraços a todos Ir. Louis, Ir. Jean-Baptiste, Ir. Jean-Marie, Stanislas, Ir. Hyppolite, Jérôme, Jean Joseph, Theophile, Ir. Pierre, Pierre Joseph, Ir. Étienne, Bonaventure e aos seus noviços. Lembranças afetuosas ao Philippe e à mulher e ao simpático “vovô” Boiron, a todos.

Tenho a honra ser todo para vocês em Jesus e Maria.

Champagnat

P.S. O Padre Bati pede que você não esqueça os recados que deixou.


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