Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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197 – Ao Irmão FRANÇOIS, em L'Hermitage.


23 de junho de 1838.

No dizer do Irmão Avit (cf. Abrégé des Annales, p. 251), o Irmão François teria pedido ao Padre Champagnat que o livrasse das preocupações da administração. Pode ser verdade, tanto que o primeiro assunto em que entra o Fundador, sem preâmbulos, é uma palavra de estímulo, que certamente foi muito bem correspondida pelo Irmão Francisco.

E logo o Padre Champagnat volta às providências que pensa tomar para conseguir mais uma audiência com o Ministro da Instrução Pública, Monsieur De Salvandy. Este, desta vez, acabou de decepcioná-lo, podemos dizer, de maneira mais sombria do que precedentemente.

Sempre novos entraves, novas artimanhas para cozinhar a questão em banho-maria, Salvandy decididamente não quer conceder a autorização. Assunto encerrado.

Champagnat não se deixa abater. "Continuo tendo muita confiança em Jesus e Maria. Conseguiremos nosso intento, não tenho duvida, só não sei a hora”, escreveu ele.

V.J.M.J.


Paris, 23 de junho de 1838, Missões Estrangeiras, rue du Bac, 120.

Meu caríssimo Irmão,

A posição que você ocupa em l'Hermitage não é invejável, como poderiam pensar alguns. Que é que você estaria fazendo aí? Você não está aí de oferecido. Procure simplesmente cumprir exatamente os deveres e Deus há de fazer o que você não puder.

Amanhã viajo para Saint-Pol, para visitar a casa que destinam aos Irmãos, conforme está pedindo o senhor pároco e o prefeito. Estamos condenados a pegar este estabelecimento. Eu esperava me livrar desta, mas não é possível, na condição em que nos encontramos.

Você está querendo saber, penso eu, em que pé estão nossas gestões. Infelizmente, quase nada sei, ou se prefere, sei de tudo. O que antes desconfiava que fosse se mudou em certeza. Estou muito aborrecido, mas não desanimado, continuo tendo muita confiança em Jesus e Maria. Conseguiremos nosso intento, não tenho duvida, só não sei a hora. O que mais nos importa é fazer de nossa parte somente o que Deus quer que façamos, quero dizer: o que nos for possível. Depois disto, deixar agir a Providência. Deus sabe melhor do que nós o que nos convém, o que é bom para nós. Estou muito consciente de que um pouco de espera não nos será prejudicial.

Estou penalizado pela morte do bom Irmão Fabien e também pelo fato de que o Irmão Justin não se restabelece. Deus seja bendito! Que Jesus e Maria o ajudem sempre mais e mais.

Você está vendo tão bem quanto eu que, em vez de abrirmos novas escolas no ano que vem, estaremos obrigados a suprimir alguma. Não prometa nada a ninguém.

Pode receber os noviços de Marlhes dos quais me falou. Você está vendo como são importantes os que se livraram do serviço militar; temos que acolher o que eles rendem ou o que podem render.

Quanto aos consertos na Grange-Payre, atenho-me ao que Philippe puder fazer, mas gostaria de ver primeiro a parede que quer demolir. O que me dá o que pensar é que ela estará ainda úmida e por isso, não é bom ocupar logo a casa. Se não precisasse demolir, seria bem melhor.

Quanto a Marcellin Lachal, não sei o que dizer, pois não sei bem como foi. Fez ele muito mal de largar o patrão que tinha.

Tenho razões plausíveis para escolher o Irmão François Régis como próximo enviado às Missões. O Irmão Marie Augustin irá a próxima vez. Espere meu retorno a l'Hermitage para a admissão de Jutier e de Blanchon. Quanto ao meu sobrinho, é necessário que venha com toda a vontade de seus pais e com a própria.

Não solte a rédea quanto ao Irmão Marie Théodore, se não fizer o que deve, quero dizer: confessar-se. Que cada oito dias pelo menos entregue um bilhete de confissão.

De saúde, vou antes mal que bem, faz alguns dias. As viagens me cansam. Nos dias de voltar, mandar-lhe-ei uma carta pelo Padre Bati, caso eu não vá com ele. Ele está em Paris faz uns oito dias. Em todo caso penso estar em l’Hermitage dentro de quinze dias.

Não esqueça de dizer a todos os Irmãos quanto eu os amo, quanto sofro por estar separado.

Champagnat.

Aos Padres Matricon, Besson, etc.


198 – Ao Padre FRANÇOIS MAZELIER, Superior dos Irmãos da Instrução Cristã.


16 de julho de 1838.

Luís Fouet, entrou com 33 anos e ficou algum tempo na Congregação Marista e exerceu apostolado em Millery, nos anos de 1834 e 1835.

Pouco afeito à vida comunitária, pediu para se retirar. Foi depois pedir admissão na Congregação dos Irmãos da Instrução Cristã. O Padre Mazelier pediu prudentemente informações sobre o postulante. Champagnat mostra-se compreensivo em sua apreciação. Não se tem mais notícia de Luís Fouet.

Na mesma carta, o Padre Champagnat aproveita o espaço para mais uma vez solicitar os préstimos do amigo Padre Mazelier, para conseguir isentar os Irmãos que estivessem sendo chamados para o serviço militar. Faz notar que este subterfúgio não oferece perigo para as duas Congregações. Disto tivera a prudência de se informar em Paris.

Jesus, Maria, José.

Padre Superior,

Louis Fouet, marceneiro de Sougraigne, município do Departamento de l'Aude, permaneceu dois anos conosco. Tem fé, piedade, zelo, pode dirigir uma escola. Eu o considero gente correta pelo que diz respeito aos costumes e honestidade.

O senhor costuma mandar seus Irmãos de um em um. Com este modo de proceder, pode ser que o homem tenha mais sossego, mas duvido que possa simpatizar com alguém. Creio que o senhor não corre nenhum risco em guardá-lo, nem vai ser obrigado a mandá-lo embora.

Não consegui chegar ao final do meu trabalho em Paris, apesar de ter ficado lá seis meses. Estamos com muita dificuldade em salvaguardar nossos Irmãos que foram atingidos pela Lei de Convocação. Necessitamos de que o senhor venha em nosso auxílio ainda por este ano. Não tardaremos em mandar-lhe alguns deles, se nos mandar uma palavrinha. Acho que o senhor não corre risco de nada; consultei pessoas entendidas em Paris.

O Irmão Apollinaire não está completamente curado, e o Irmão Justin faleceu. O Irmão Joseph Marie continua meio transtornado da cabeça. Quanto ao Irmão Cyprien, ele está definitivamente autorizado e é professor oficialmente em Semur, Departamento de Saône-et-Loire.

Tenho que fazer uma viagem até Grasse, desejaria muito ter a honra de visitá-lo. Na espera deste tempo, se o senhor tiver que vir a Lião, não perca a ocasião de vir passar alguns dias em nossa soledade.

Prezado senhor Superior, queira considerar-me sempre seu servo muito grato, respeitoso e totalmente dedicado,

Champagnat

sup. d. I.

Notre Dame de l'Hermitage, 16 de julho de 1838.


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