Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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210 – Circular aos Irmãos


21 de agosto de 1838.

Como fazia todos os anos, ao se aproximar a época das férias e do retiro, o Padre Champagnat manda uma Circular aos Irmãos, dando com bastante antecedência as indicações úteis para que toda a movimentação do fim de ano letivo aconteça sem maiores atropelos.

É a primeira vez que o Fundador solicita aos Irmãos que tragam o histórico de cada escola. Esta Circular foi litografada pelo Irmão Marie Jubin. Das três cópias que existem, esta era para os Irmãos de Semur em Brionnais. O P.S. foi acrescentado por algum secretário.

Meus caríssimos Irmãos,

Como nos anos anteriores, nossas férias começam no dia 28 de setembro. Queiram dirigir-se à Casa Mãe logo que puderem, a fim de que todos estejam presentes para o retiro anual que começa nos primeiros dias de outubro, como vocês já sabem. Gosto muito de lhes anunciar um final, digo melhor, uma folguinha em suas cansativas lides escolares.

Venham todos se reunir e reaquecer no santuário que presenciou vocês se tornarem os filhos da mais carinhosa das Mães. Com a mais gratificante alegria iremos ver vocês renovarem num só espírito e atestarem solenemente a Maria que querem todos viver e morrer amparados por Ela, depois de terem fielmente cumprido a palavra que lhe deram publicamente. Meus caríssimos Irmãos, é na união de Jesus e Maria que meu coração, deliciosamente reclinado, vem dizer-lhes quanto lhes quero bem.

Ordenamos que os Irmãos Diretores:

1o) não dêem férias antes do dia 26 de setembro;

2o) não deixem conta nenhuma a pagar;

3o) leiam o capítulo X da Regra, a fim de cumprirem os artigos que ali constam;

4o) redijam o histórico do estabelecimento, relatando os acontecimentos mais importantes do ano: número de alunos que freqüentaram a escola no inverno e no verão; as visitas dos inspetores ou de outras autoridades etc.

Todo seu, nos Sagrados Corações,

Champagnat, Sup.

Esquecemos de colocar na mala o relógio de Thissyer, de Digoin. Quando vierem reclamar, digam-lhes que os Irmãos o levarão de volta quando retornarem a Semur, depois das férias. Quanto à mala, digam a eles que não a encontramos. Deve ter ido parar em Roanne.


211 – Ao senhor CLAUDE MENU, prefeito de Sury-le-Comtal, Loire.


25 de agosto de 1838.

Nos “Annales” do Irmão Avit, quando fala de Sury, escreve o que segue: O Padre Champagnat foi fazer uma inspeção na escola; as salas não satisfaziam aos requisitos anteriormente combinados. Não tendo podido conferenciar sobre o assunto com o prefeito do lugar, por estar este ausente nos dias da visita, o Padre escreveu-lhe no dia 25. Voltará a insistir, na Carta de no 216.

Senhor Prefeito,

Fiquei deveras contrariado por não ter podido apresentar-lhe meus respeitos quando passei por Sury.

Era intenção minha ver com o senhor as melhorias a serem executadas nas salas de aula de nossos irmãos, para que fiquem de acordo com o nosso regulamento e nossos métodos. Como estão agora, torna-se impossível para nossos Irmãos seguirem nosso método de ensinar e de controlar os alunos, como devem.

Tínhamos escrito no ano passado (cf. Carta no 161) para que essas melhorias fossem feitas, mas foram adiadas para o presente ano.

Nós as julgamos indispensáveis. Como procuramos nisso tudo o maior bem dos alunos e os interesses de seu município, esperamos, senhor Prefeito, que o senhor tenha a bondade de fazer com que o que estamos pedindo seja feito antes da Festa de Todos os Santos, de tal modo que o reinício das aulas não fique atrasado, o que infalivelmente acontecerá se, até aquela data, as melhorias não tiverem sido feitas.

Queira aceitar os sentimentos de elevada estima e respeito com que tenho a honra de ser, senhor Prefeito, o servo muito humilde e obediente,

Champagnat


212 – Ao Padre JEAN-FRANÇOIS RÉGIS PEALA, Pároco de Tence, Haute-Loire.


26 de agosto de 1838.

Este mesmo pároco tinha pedido Irmãos para Tence, no ano anterior. Interveio depois o bispo de Puy, pedindo ao Padre Champagnat de fundar uma escola primeiro em Craponne, localidade muito mais importante do que Tence (cf. Carta n.º 192).

Foi muito firme o senhor Bispo, dizendo: "Se o pároco de Tence insistir, diga-lhe que eu me oponho formalmente a que os Irmãos de Maria se estabeleçam primeiro em Tence."

De posse desta decisão, Champagnat procura ganhar tempo. Quer primeiro visitar o local, preparar bem os Irmãos que Dom Maurice De Bonald quer para Craponne, que começou em 1839 (cf. Carta no 190), ao passo que Tence ficou na promessa (cf. Cartas no 283, 335 e 338). Muito tempo depois foram para lá os Irmãos do Sagrado Coração, aos quais sucederam os Maristas em 1938.

Senhor Pároco,

Estou vendo que não nos será possível dar-lhe Irmãos na próxima Festa de Todos os Santos. Além disto, o senhor está sabendo que o senhor bispo de Puy não quer que abramos esta escola antes de estabelecer-nos em Craponne.

É absolutamente necessário que as repartições sejam acondicionadas e distribuídas em uma ordem condizente com o nosso método de ensino. Sendo assim, penso que será bom que o senhor, antes de fazer essas modificações, espere que tenhamos ido aí ver o local.

Esteja certo, senhor Pároco, que nós não esqueceremos seu estabelecimento. Estamos dispostos a empenhar todos os nossos esforços para que o senhor fique servido no mais breve tempo possível.

Digne-se aceitar os sentimentos de estima e de respeito com que tenho a honra de ser, senhor Pároco, seu servo muito humilde e obediente,

Champagnat

213 - A Dom PHILIBERT DE BRUILLARD, bispo de Grenoble, Isère.


19 de setembro de 1838.

O Padre Champagnat comunica ao Bispo as condições inaceitáveis propostas por Douillet, para o estabelecimento de La Côte-Saint-André. Ele queria que os Irmãos alugassem tudo em condições muito duras. (Vão transcritas na carta ao bispo).

O digno Prelado ficou contrariado, pois já contava com mais escolas dirigidas pelos Irmãos: Saint-Geoire, Crolles, Saint-Jean-de-Lattier e Bougé-Chambalud. Agora chega-lhe ao conhecimento o impasse com o Padre Douillet. "É com muita pena, escreve ele, que assistiria ao rompimento dos Maristas com o Padre Douillet.”

Demos a palavra agora ao Irmão Avit (cf. Abrégé des Annales, p. 264): "O piedoso Fundador fez depois uma viagem para ir encontrar-se com o Padre Ferreol Douillet, mas não conseguiu dele um abrandamento daquelas exigências inaceitáveis. Não só, Douillet continuou a atrapalhar a administração do Irmão Louis Marie, Diretor da escola, metendo-se em tudo e exigindo prestação de contas de tudo.

Concordo, era um Padre zeloso, possuído de ótimas intenções, mas com idéias, diria até egoístas, das quais não abria mão."

A intervenção do bispo e do pároco fizeram com que o Padre Douillet se tornasse mais tratável, mas tentou assim mesmo fazer passar sua propriedade para os Irmãos, em condições que ele louvava como negócio correto. Champagnat respondeu:

"Não almejamos tornar-nos proprietários, porque isto seria estorvar nossa mobilidade e só serviria para suscitar invejas, em torno de nossos haveres."

Finalmente, após várias concessões de parte a parte, foi assinado um contrato de aluguel, válido por 9 anos.

Excia. Revma.,

Creio que seja do agrado de V. Excia. tomar conhecimento das condições que a ótima pessoa do Padre Douillet nos quer impor. Vou transcrevê-las palavra por palavra

“Pode estar certo, senhor Padre Superior, que em minhas propostas não quero deixar-me guiar pelos cálculos que fazem os homens do mundo; quero atribuir às coisas o justo valor que têm. Omnia ad majorem D (ei) G (loriam), amen.

1o) Exceção feita de alguns pequenos artigos, cedo o pleno uso de tudo quanto possuo em La Côte-Saint-André: o terreno, a construção, os móveis pelo pagamento de 600 (seiscentos) francos anuais, pagáveis exatamente e em cada caso nas seguintes datas: em primeiro de dezembro próximo, 150 francos; em primeiro de abril, outros 150 francos; aos 30 de agosto, 300 francos, e assim até o final do contrato de arrendamento, que terá a duração de nove anos.

2o) O tomador assume o encargo de pagar os impostos de qualquer tipo, presentes e futuros.

3o) Todos os consertos e todos os estragos do tempo na casa e nos muros, no pátio e no recinto da propriedade ficarão a cargo do tomador que se compromete a manter com cuidado todas as coisas em bom estado, como encontrou, por ocasião da tomada de posse.

4o) A escola gratuita continuará a ser mantida como antes e dirigida por dois Irmãos, com o pagamento feito pela cidade.

5o) Se os Irmãos vierem a desistir da direção da escola de La Côte, seja qual for o motivo, os móveis cedidos a eles serão avaliados pela soma de 3.000 (três mil) francos, que serão pagos na forma como determinar o arrendador, a menos que este último prefira ficar com eles, in natura, tais como forem encontrados.

6o) O tomador promete implantar uma escola no lugar designado pelo arrendador.

7o) Em todos os casos, até o fim do prazo do arrendamento, Marthe Cuzin continuará a usar a cozinha e o quarto da casa Bon. Além disso, se ela permanecer no serviço da casa, ser-lhe-á concedida, a título de prêmio, a quantia de 100 francos. Se, pelo contrário, se retirar, ser-lhe-á paga anualmente a quantia de 200 francos, distribuídos em partes iguais a cada três meses."

Não podemos, senhor Bispo, continuar neste estabelecimento de la Côte-Saint-André, a não ser nas mesmas condições que foram estipuladas quando foi fundado. Com a permissão de V. Excia. cedemos ao Padre Douillet Irmãos, com a condição de que tivessem moradia e a mobília por nós especificada. Não mantemos nenhum outro estabelecimento em condições diferentes dessas. Seria contrário à nossa praxe assumir compromissos como esses.

Estamos mutíssimo sentidos por não podermos continuar a dirigir a escola de La Côte. Conservaremos sempre para com a pessoa do padre Douillet a estima a que faz jus. Quanto ao que diz respeito a sua pessoa, Excia. queira considerar nossa Sociedade como sendo inteiramente devotada aos interesses de V. Excia. Havemos de considerar-nos honrados de poder trabalhar às suas ordens para a glória de Deus, em sua importante diocese.

Digne-se V. Excia. aceitar os sentimentos da mais sincera veneração, com que temos a honra de ser seus servos muito humildes e respeitosos.


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