Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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217 - Ao Padre ANTOINE MOLLIN, Pároco de La-Côte-Saint-André, Isère.


31 de outubro de 1838.

Na divergência entre Douillet e o Padre Champagnat, este parece entrever que nem o pároco nem os Padres do Seminário militam a favor dos Irmãos.

As reticências pelo final da carta denunciam sua emoção.

Apesar de tudo o que está acontecendo, Champagnat não se desvia por nada da linha de conduta que se traçou: "Estaremos sempre dispostos a lhe provar nossa boa vontade", diz ao Padre Mollin. De fato, já fazia mais de um ano que vinha tentando conciliar tudo com paciência e serenidade. (cf. Cartas de no 93 e 94).

Senhor Pároco,

Com pesar, deixamos o estabelecimento que mantínhamos em sua cidade onde teríamos grande desejo de trabalhar, sob seu amparo, para a instrução dos meninos.

Quando de minha passagem por La Côte, devia tê-lo posto a par das dificuldades que tínhamos com o Padre Douillet. O Padre Berthier me havia aconselhado esta medida, mas o Padre Douillet foi contra.

Fizemos enormes sacrifícios para o estabelecimento de La Côte, reduzido a nada como estava quando nos encarregamos dele. Foi através de nossos cuidados e de nossos trabalhos que chegou ao ponto em que está.

O Padre Douillet se fez passar por membro de nossa Sociedade, para intrometer-se nas dependências de nossos Irmãos, reduzi-los ao estrito necessário e apoderar-se do fruto dos trabalhos deles. Não podemos continuar à frente das escolas do senhor, a não ser que se mantenham nas condições em que as fundamos, isto é, nas condições em que fundamos todas.

Foi muita surpresa para mim saber que o senhor ignorava os motivos de nossas desavenças com o Padre Douillet. Faz uns oito dias, ele me disse que o Padre Pion, Superior do Seminário, e o senhor mesmo não tolerariam que estivéssemos em La Côte em condições outras do que aquelas em que estivemos até agora. Eu teria muito mais a dizer mas agora não posso.

Fique certo, digníssimo senhor Pároco, de que sempre andamos dispostos a lhe demonstrar boa vontade. Já faz tempo que teríamos feito o que fazemos neste ano, não fosse o temor de desagradar a seu digníssimo Bispo, a quem queremos e estimamos muito, além do que podemos exprimir com palavras.

Aceite...

Champagnat


218 - Ao Padre JEAN GAGUIN, Pároco de Saint-Gengoux-le-Royal, Saône-et-Loire.


outubro de 1838.

Foi Dom Bénigne D'Héricourt, bispo de Autun, que por primeiro pediu Irmãos para esta paróquia, depois de ter conseguido fundar o estabelecimento de Semur. (Cf. Cartas no 112 e 152).

É por isso que a carta de Champagnat começa: "Dentro de poucos dias devo ter uma entrevista com o senhor bispo”.

Mas, não houve fundação em St-Gengoux-le-Royal.

Senhor Pároco,

Dentro de poucos dias, devo ter uma entrevista com o senhor bispo de Autun. Conversarei com ele a respeito de seu estabelecimento. Por ora, não me é possível dar-lhe certeza absoluta, tendo em vista as doenças e indisposições de vários de nossos Irmãos, e também tendo em conta que a morte nos arrebatou alguns outros no decorrer do ano.

Queira aceitar os protestos de respeitosos sentimentos com que sou ...

Champagnat

Nota: Irmãos falecidos a que se refere a carta:

Ir. Adjuteur, 17 anos; Ir. Thomas,25 anos.

Ir. Fabien, 19 anos; Ir. Justin, 23 anos.

Ir. Agathon, 18 anos; Ir. Félix, 21 anos.

Irmão Louis Gonzague, 24 anos.

Média de idade: 21 anos

219 - Ao senhor BLAISE AURRAN, Cuers, Var.


outubro de 1838.

Blaise Aurran foi grande benfeitor de várias instituições de caridade, entre outras a escola dos PETITS GARÇONS, dirigida pelos Irmãos, em Charlieu.

O Padre Champagnat tinha-lhe fornecido a planta para uma construção que futuramente serviria para abrigar um noviciado, no Sul da França, na cidade de Lorgues (Var).

Nesta carta, o Padre Champagnat informa o seu benfeitor que não poderá fornecer Irmãos tão cedo quanto pensava. Aproveita a ocasião para agradecer a generosa contribuição que o senhor. Blaise dera à escola de Charlieu. Como era cristão fervoroso, Champagnat promete mandar-lhe um livro de Meditações sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, da autoria de Ana Catarina Emmerich.

A fundação do projetado noviciado estava marcada para a Festa de Todos os Santos de 1840, mas as autoridades municipais de Lorgues não concordaram quanto à quantia que destinariam ao pagamento dos Irmãos.

Depois, não sabemos como nem por quê, os Irmãos de São Gabriel abriram lá um internato. Mais tarde, através de negociações com o Irmão François, os Irmãos de São Gabriel passaram para os Irmãos Maristas todo o setor que possuíam na Provence. Foi só então, em 1846, que o Irmão Palémon abriu uma escola primária em Lorgues. (Notícia inserida no Bulletin t. VIII, p. 20)

Prezado Senhor,

Somos-lhe muito gratos pelo empenho que o senhor continua mostrando pela fundação de um noviciado de nossos Irmãos, em Lorgues. Estamos plenamente dispostos a ir ao encontro de seus generosos esforços, no que depender de nós. Assim que nossos Irmãos estiverem colocados em seus diversos estabelecimentos, ocupar-nos-emos do projeto que o senhor nos solicita. Como isto exige muita reflexão e no momento estamos ocupados com a dificuldade das colocações dos Irmãos, estamos obrigados a fazê-lo esperar alguns dias. Não vemos por ora que nos seja possível prometer-lhe com firme e absoluta certeza todos os Irmãos que o senhor está pedindo, mas faremos tudo o que de nós depender para dar prosseguimento à sua piedosa benemerência. Mas, se o seu ardoroso empenho encontrar em outras fontes meios mais rápidos e seguros para realizar o bem que pretende, não seremos nós que lhe poremos obstáculos. Antes de tudo, a glória de Deus e o bem das almas!

Na entrevista que me foi dado manter com o senhor, falei-lhe de um estabelecimento de nossos Irmãos para a instrução dos meninos carentes, na cidadezinha de Charlieu, no Loire. Tomo a liberdade de lhe lembrar o caso, e o faço com a maior confiança porquanto o senhor é duas vezes benemérito daquela instituição, por livre e espontânea vontade.

Quatorze anos já se passaram, durante os quais a juventude do lugar vem recebendo instrução sólida e cristã. Eis que por intriga de gente malévola a casa se acha em tal estado de miséria que não vejo como continuarmos a mantê-la com resultado. Cento e cinqüenta meninos vão ficar sem instrução ou cair nas mãos de mercenários. Coitados dos meninos! Há vários meses que estão pedindo a Deus que os socorra, suscitando em seu favor algum protetor poderoso e cheio de generosidade. Atrevo-me a apresentar ao senhor os anseios e súplicas deles. Com a certeza de que retribuirão com profunda gratidão, por favor queira colocá-los na grande família dos órfãos dos quais o senhor se constitui benfeitor e pai.

P.S. Estou feliz de poder dar-lhe um sinalzinho de meu reconhecimento: Estou mandando-lhe as Meditações sobre a Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, da autoria da Irmã Ana Catarina Emmerich. Vou mandar o livrinho para a residência do Padre Boui, Superior do Seminário Maior de Aix.


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