Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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228 - Ao senhor JEAN-JACQUES BAUDE, deputado, Rue de L’Université, Paris.


24 de novembro de 1838.

De volta de Paris, o senhor Deshayes deve ter transmitido ao Padre Champagnat o que pôde apurar a respeito do processo de autorização. Não foi pouco não: Dizem lá em Paris que os Irmãos se estão opondo à Universidade, portanto ao governo. Champagnat foi acusado de tornar-se de repente milionário, cobrando taxas dos alunos internos (!) - (cf. Carta do Juiz de Paz de Saint-Chamond ao Reitor da Universidade). E mais grave ainda, devido às malévolas insinuações de eclesiásticos que dirigiam o Colégio Estadual de St.-Chamond: Que o amigo de Champagnat, o senhor ARDAILLON, queria transformar o colégio em Seminário Menor, que os Padres Maristas dirigiriam. De Padres para Irmãos a distância é curta. Isto significa, para os delatores, que os Maristas estão farejando a monopolização do ensino pela Igreja....

O Ministro Salvandy não se fez esperar para lançar mais esta pedra de tropeço no caminho do processo da autorização.

Senhor Deputado,

A notícia que me deu o senhor Deshayes e também um Irmão que passou por Paris, me contrista mas não me desanima. Mas, que medida deverei tomar para apagar a má impressão que pode causar a asserção falsa lançada contra meu Instituto? Alguns se apressam em me dar palpites. Dizem-me uns que vá ter com os vários prefeitos dos Departamentos em que estão nossas casas; outros, que me sirva de certas pessoas influentes.

Quanto a mim, senhor Deputado, já me decidi: O crédito enorme de que V. Excia. goza, a grande simpatia com que sempre me acolheu, assim como acolheu o Irmão (Jean Baptiste) que lhe mandei, o interesse que nutre por meu Instituto, tudo isso me assegura suficientemente o êxito da questão, se é que se pode esperar por um final feliz.

Quanto aos relatórios feitos com o intuito de me prejudicar, não podem outra coisa senão cair no vazio, mediante o simples enunciado dos dados estatísticos sobre o meu Instituto. Esses dados, tive eu mesmo a honra de apresentar pessoalmente ao Ministro, por intermédio do senhor Prefeito do Loire, acompanhados com parecer dele.

Eis a seguir o teor dos mesmos:

“Nascido no cantão de Saint-Genest-Malifaux (Loire), etc..” Em nossa Sociedade não há nenhum "Grand Frère". Não temos ao nosso encargo colégios nem pensionatos. Não ensinamos Latim, o que é expressamente proibido por nossa Regra. A obrigação do serviço militar é a única causa que nos faz almejar com intensidade nossa autorização legal. Pois é muito doloroso ver sair, para outro estado de vida, um jovem formado com tanto sacrifício.

Ponho toda a minha confiança nos seus préstimos, senhor Deputado. Não tenciono dirigir-me a ninguém mais.

Queira aceitar a homenagem da mais viva gratidão e sincero devotamento, com que tenho a honra de ser, senhor Deputado...

229 - Ao Padre PIERRE FAURE, Pároco de Villeurbanne, Isère.


4 de dezembro de 1838.

O pároco de Roches-de-Condrieu pediu ao Padre Champagnat que lhe mandasse Irmãos para dirigir uma escola. A resposta foi que não havia Irmãos "brevetés" (diplomados). Ele tornou a insistir e prometeu interferir junto à Banca Examinadora de Grenoble. O cura da Catedral daquela diocese se dispôs a ajudar, hospedando os que se apresentassem para se submeter aos exames, em vista da obtenção do brevet.

Como ficou sabendo da existência dos Irmãos?

Não sabemos. Villeurbanne cresceu tanto com a implantação de indústrias que passou a fazer parte da Grande Lião. Mas, só bem mais tarde, em 1858, é que puderam os Irmãos abrir uma escola naquela cidade.

Senhor Pároco,

É verdade que o senhor pároco de Roches conseguiu uma reunião extraordinária da comissão examinadora, perante a qual dois de nossos Irmãos foram diplomados. Mas, pediu para ficar com um deles; o outro já está lotado em uma escola.

Os pedidos que nos chegam de toda parte nos mostram que o campo é vasto e a messe abundante, mas os operários, muito poucos.

Muito contrariados no momento presente, declaramo-nos na impossibilidade de cooperar com seu zelo e de mostrar assim a seu digno senhor Bispo quão desejosos estamos de trabalhar na sua excelente diocese.

Tenha a bondade, senhor Pároco, de nos julgar totalmente empenhados, desde que isto nos seja possível, em ir ao encontro de suas insistentes solicitações.

Queira aceitar...

230 - Ao senhor ANTOINE BERTHOLEY, prefeito de Mornant.


4 de dezembro de 1838.

Depois de se dirigir ao pároco, o Padre Champagnat escreve também ao prefeito da mesma localidade para renovar a reclamação feita antes ao Padre Venet: pagamento dos salários dos Irmãos.

O prefeito foi investigar as causas do desfalque na folha do pagamento - 300 francos a menos - e prometeu acertar as contas.

Achou a causa. É que havia escolas clandestinas que admitiam alunos com mensalidades menores. Evasão das escolas regularmente autorizadas, donde também resultava sensível diminuição das receitas.

O prefeito tratou de sanar logo as irregularidades.

Senhor Prefeito,

Já faz vários anos que a escola primária de Mornant tem sua direção confiada aos nossos Irmãos. Não ponho em dúvida o interesse que o senhor tem por ela. É o que me induz a vir expor-lhe com toda confiança a situação constrangedora em que se encontram os Irmãos, a saber:a falta de pagamento completo.

No ano passado, a receita total deles foi de apenas 900 francos; faltam portanto cem escudos para inteirar os mil e duzentos francos que estamos exigindo para o pagamento dos três Irmãos. É quantia módica que não basta para cobrir as despesas com alimentação, vestuário, etc., e desta quantia não podemos subtrair absolutamente nada, sem comprometer o equilíbrio entre receita e despesa. Queremos, no entanto, que nossos Irmãos, amparados pelo senhor, continuem a trabalhar na educação cristã dos meninos do município.

Aí está, senhor Prefeito, a razão pela qual vimos rogar-lhe o favor de entrar em acordo com o Conselho Municipal, com o fim de encontrar os meios de garantir o pagamento deles.

Chegam-nos de toda parte pedidos de abertura de escolas gratuitas, com fonte de pagamento garantida, com ordenado fixo para os Irmãos. Querem por força que lhes mandemos Irmãos.

Para tomar uma decisão final sobre o caso senhor Prefeito, vou esperar sua resposta.

Queira aceitar....


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