Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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5 – Ao Padre GILBERT DURAND, Pároco de Neuville -Sur-Saône, Rhône.


maio de 1827.

Finalidade da carta: para que o pároco ponha fim a uma irregularidade havida na casa dos Irmãos.

A escola de Neuville foi fundada em novembro de 1826. Foi seu primeiro Diretor o Irmão Jean-Baptiste. O senhor Tripier, benfeitor do estabelecimento cedeu a própria casa para servir da escola. Ele continuou a ajudar os Irmãos. Apesar de contrariar este grande benfeitor, o Padre Champagnat insiste na necessidade de preservar a privacidade dos Irmãos.

Senhor pároco de Neuville,

Se o senhor não tomar as devidas providências em favor dos seus Irmãos, não os terá mais no ano próximo. A casa onde eles moram não lhes convém, por estar servindo também a outras pessoas.

Parece-me que o senhor Tripier não está decidido a tirar de lá as moças que nela habitam. Não posso aturar por mais tempo que nossos Irmãos sejam perturbados na própria casa. O senhor Tripier não quer cumprir a promessa que me fez de reservar para os Irmãos a parte da casa ocupada por elas. É preciso que ele condene as portas e janelas que se abrem para o quintal de nossos Irmãos. Espero entrevistar-me com o Padre Cattet um dia desses. Quero falar-lhe muito a respeito do caso.


6 - A Dom GASTON DE PINS, Administrador Apostólico de Lião.


maio de 1827.

Foi Dom Gaston De Pins quem chegou em tempo (18 de fevereiro de 1824) na Arquidiocese de Lião para resolver a questão do Fundador com o Padre Bochard. Este pretendia que o Padre Champagnat unisse os seus “Petits Frères de Marie” aos Irmãos da Santa Cruz, de sua criação.

Também nesta carta o Padre Champagnat deixa de fazer o pedido explícito de mais um Padre para auxiliá-lo na direção da casa de l'Hermitage. O Irmão Jean-Baptiste diz que Champagnat foi pessoalmente ter com o Arcebispo para fazer o pedido, o que efetivamente pode muito bem ter acontecido posteriormente.

Excelência Revma.,

O caso dos sacerdotes de l'Hermitage não deu até agora resultado satisfatório. Por isso, já não tenho ânimo de me apresentar a V. Excia. para lhe externar o meu grande pesar, ao mesmo tempo que minha grande confiança. Jesus e Maria, é neles que espero, apesar da maldade deste século. Continuo mantendo a firme convicção de que Deus quer esta obra, apesar dos esforços mais do que diabólicos que satanás desde o princípio fez para derrubá-la.

O proceder infeliz daquele que parecia o chefe é uma espantosa investida do inferno, mas Jesus e Maria serão sempre o amparo seguro de minha confiança.

Deus quer esta obra nestes tempos de perversidade. Sempre tem sido esta minha convicção inabalável. Mas, ai de mim! Talvez Deus queira outros homens para estabelecê-la. Que seu santo nome seja bendito!

O triste incidente acontecido àquele que parecia ser o chefe, mostra claramente os mais terríveis esforços que o inferno todo inventou para destruir uma obra que previa destinada a causar-lhe grande dano. Jesus e Maria sempre serão o apoio sólido de minha confiança.

A bondade extremamente paternal com que V. Excia. se dignou acolher-me, quando de sua chegada a esta diocese, me anima a solicitar de V. Excia., em nome de Jesus e de Maria, que proteja esta obra, que até agora julguei merecer todo o meu empenho e também a atenção da parte de V. Excia.

De padre, estou sozinho. Isto me entristece, porém não me faz desanimar, pois Aquele que me sustenta se chama Deus Forte.

Venho expor a V. Excia. minha posição: somos aproximadamente oitenta e até as próximas férias ultrapassaremos este número, tendo em vista o contingente avultado de postulantes.

Confio em que o Superior do Seminário terá a gentileza de explicar-lhe a situação em que me encontro. Estando assim V. Excia. a par de tudo, eu me remeterei à santa vontade de Deus, que saberei pela vontade de V. Excia.

Receba a certeza da consideração que lhe deve o menor de seus administrados e que sempre se considerará honrado em prestar a V. Excia. total lealdade e perfeita submissão.

Champagnat.


7 - A JEAN JOSEPH BAROU, Vigário Geral de Lião.


maio de 1827.

Esta carta é para pedir mais um padre para l'Hermitage, e propõe que seja o Padre Étienne Séon.

De acordo com os pareceres do Arcebispo, era o Padre Barou, um dos Vigários Gerais, o encarregado de distribuir os cargos e funções dos eclesiásticos da Arquidiocese.

Dir-lhe-ei sem rodeios que tenho muito prazer em comunicar-me com o senhor. É com muita confiança que escrevo, para dar-lhe a conhecer meus aborrecimentos e expor com simplicidade minha situação.

Estou sozinho, o senhor bem sabe, e isto traz preocupação às pessoas que têm estima pela obra e a ajudam. Os de fora que geralmente falam sem conhecimento de causa, me acusam como primeiro culpado pelo afastamento do Padre Courveille e do Padre Terraillon. Todos esses contratempos me causam pesar, mas não surpresa. Já esperava e ainda espero por provações mais duras. Seja bendito o Santo Nome de Deus!

Continuo tendo a firme confiança de que Deus quer esta obra, mas, ai de mim! Talvez Ele queira outros homens para estabelecê-la. O triste incidente acontecido àquele que parecia ser o chefe constitui uma tramóia das mais terríveis que o inferno inventou para acabar com uma obra que previa destinada a causar-lhe dano.

Vai aqui em poucas palavras a minha posição. O senhor poderá agir de acordo com o que achar melhor para a maior glória de Deus. Estimo que até o fim de agosto seremos mais de oitenta, tendo em vista o contingente numeroso dos que pedem ingresso e o número elevado que já somos.

pela Festa de Todos os Santos, teremos dezesseis estabelecimentos e eu teria necessidade absoluta de visitá-los, pelo menos cada dois ou três meses, para saber em que pé estão as coisas. Preciso saber também se algum Irmão não anda comprometido em relações perigosas, a fim de remediar desde o princípio; se o regulamento está sendo observado, se os alunos estão progredindo, sobretudo na piedade; também combinar com os párocos e os prefeitos a respeito do que nos deve ser pago. Numa palavra, para me certificar que os Irmãos não estão perdendo o espírito da vocação.

Nem lhe falo da contabilidade a manter, da correspondência a pôr em dia, das compras a fazer, das dívidas a pagar ou cobrar, de tudo aquilo que diz respeito aos interesses espirituais e materiais da casa.

Temos agora cerca de dois mil alunos em nossas escolas. Parece-me que isto merece alguma consideração. Todos estão de acordo que é de suma importância a formação da juventude. Portanto, importa que aqueles que estão trabalhando nesta excelente missão sejam formados e não fiquem relegados à própria sorte, uma vez enviados.

Esperando por um auxiliar apropriado, que tenha amor pela causa, que só exija a roupa e a comida, recomendo-me às suas orações, pois vejo mais do que nunca a verdade do oráculo divino: Nisi Dominus.

O Padre Séon seria muito bom para nós, por diversas razões. Seria alguém que não pediria nada, e até, segundo me disse, entregaria seu patrimônio estimado em vinte mil francos.


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