Lettres de Marcellin J. B. Champagnat (1789-1840) Fondateur de l’Institut des Frères Maristes



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306 – Ao Padre MATHIEU MENAIDE, Pároco de Saint-Nizier, Lião, Rhône.


3 de dezembro de 1839.

Não é fácil adivinhar de que espécie de instituição se trata aqui. O Irmão Avit fala "Providence Saint-Nizier", como se fosse um orfanato, ou um patronato, fundado em 1837 ou, segundo ulteriores informes, em 1840. Esta segunda data é mais verossímil e corresponde melhor ao que diz a carta que abaixo vem transcrita.

Nela o Padre Champagnat promete ao Padre Mathieu mandar Irmãos no ano seguinte e comunica-lhe a Ata dos convênios feitos com os administradores dos orfanatos.

Senhor Pároco,

Estamos em bastantes apuros para lhe mandar logo os Irmãos que o senhor nos está solicitando. Se o senhor puder adiar para a Páscoa a execução de seu piedoso projeto, sairíamos de um grande aperto. No entanto, não queremos atrapalhar demais as suas boas intenções. Aguardamos sua resposta sobre o caso.

Transcrevemos textualmente o que combinamos com os administradores do orfanato; poderá servir de base para o acordo que nos possibilitará trabalharmos juntos na boa obra que o senhor está projetando.

Tenha a bondade, senhor Pároco, de examinar os diversos artigos deste convênio e dar-nos seu parecer sobre eles. Se lhe puder servir semelhante convênio, nada mais nos restará a combinar do que o artigo de nosso prospecto que estipula o seguinte: Por ocasião da fundação de um estabelecimento, exigimos de uma só vez, para a casa mãe, a quantia de 400 francos para cada Irmão dos que vão ser mandados. Nunca estivemos tão impossibilitados de abrir mão desta dotação. Espero pois que tanto por motivo de caridade como de justiça, o senhor não porá obstáculo nenhum a esta exigência, tendo em vista as grandes despesas que está obrigada a fazer a casa mãe.

Tenho a honra de ser, com o mais profundo respeito...

Champagnat

307 – Ao Padre GEORGES METTON, Pároco de Sury-le-Comtal, Loire.


4 de dezembro de 1839.

Uma vez, o Padre Champagnat foi a Sury. O pároco estava ausente, portanto não recebeu a visita do Padre Champagnat que, sempre que ia visitar a escola dos Irmãos em qualquer localidade que fosse, fazia questão de entrevistar o pároco.

O padre, em carta, queixou-se de não ter sido visitado...

Aqui vai a resposta muito delicada, justificando também outro ponto do qual não abria mão o Padre Champagnat: os Irmãos não assumem funções reservadas aos clérigos.

Penso que não mereci as censuras que o senhor crê dever aplicar-me. Cada vez que estive em Sury, não deixei de ir apresentar-lhe meus respeitos.

Se os Irmãos não se prestam muito ao desempenho de funções eclesiásticas, é que o senhor Bispo me proibiu expressamente de autorizá-los a tanto. Por outra, nós nos demos conta tão bem do perigo e do abuso resultantes para nossos Irmãos, do desempenho de funções tão estranhas à sua vocação, que não mais as permitimos em parte alguma.

Sou com...

Champagnat

308 – Ao Padre GIRE, Pároco de Saint-Privat D'Allier, Haute-Loire.


18 de dezembro de 1839.

O Padre Champagnat ficou animado com a possibilidade de abertura de uma escola em Saint-Privat, pois o pároco teria prometido mandar um jovem para se formar em l'Hermitage. Não se encontrou nada em nossos registros que falasse de algum candidato proveniente de lá. Por isso, na Carta de no 310, o Padre Champagnat já não se mostra tão entusiasmado.

Estamos tomando nota cuidadosamente do pedido que o senhor nos faz para Saint- Privat. O senhor encontrou o meio de conseguir Irmãos: é o de nos mandar vocacionados.

Logo que o jovem que o senhor nos apresenta estiver apto a dirigir um estabelecimento semelhante ao que o senhor pede, procurarei mandar-lhe Irmãos para substituí-lo no seu município. Além disso, parece-me que com o legado que acaba de lhe ser feito, mais o pagamento da municipalidade e as contribuições mensais, o senhor pode implantar seu estabelecimento em bases sólidas e assegurar sua continuidade.

Terei prazer em ir vê-lo, portanto, na primavera. Não posso fazer-lhe uma promessa com certeza absoluta, devido ao grande número de pedidos que temos que satisfazer, mas tomo nota do seu pedido, colocando-o entre os que temos empenho em despachar o mais cedo possível.

Tenho a honra de ser...

Champagnat


309 – Ao Padre FRANÇOIS CHARLES DORZAT, Pároco de Roches-de-Condrieu, Isère.


27 de dezembro de 1839.

Vimos na Carta no 229 que o Padre Dorzat promete usar sua influência junto aos examinadores para a concessão do "brevet" (Diploma) de professor. Mais uma vantagem: O cura da catedral de Grenoble, Padre Guérin, hospedaria os Irmãos que fossem mandados fazer os exames.

Segundo o Irmão Avit, a escola de Roches-de-Condrieu foi aberta no final de 1838, mas sem a possibilidade de receber internos, por falta de dormitórios apropriados. O Padre Dorzat pensa neste problema; quer conseguir internos para enfrentar a concorrência com duas escolas que têm pensionistas. Para montar as instalações necessárias, ele quereria reservar uma parcela do pagamento dos alunos que viessem dos municípios vizinhos, mas o Padre Champagnat pensa, antes de mais nada, em garantir a subsistência dos Irmãos, através dos recursos minguados que costumam conseguir, além do pagamento feito pela municipalidade.

Senhor Pároco,

Fiquei deveras surpreso com a notícia das pequenas dificuldades de que os Irmãos me falaram, relativas a seu estabelecimento. Parece-me que depois de tanto trabalho para fundá-lo, o senhor tem tanto como nós interesse em sustentá-lo e fazer com que prospere. Mas, o senhor deve dar-se conta que para atingir este objetivo, é necessário que nossos Irmãos possam viver em Roches, prover às suas necessidades, e como quaisquer outros educadores, poupar alguma coisa para os dias da velhice. Longe, porém, de haverem os Irmãos atingido este resultado no ano passado, ficaram pelo contrário devendo 150 francos nas contas daquilo que estritamente deveriam entregar à casa mãe. Não deixei de mandar que os Irmãos verificassem se talvez não tinham feito demasiadas despesas. Responderam-me que se ativeram ao que prescreve a Regra, que a horta não contribuía com nada, sendo eles portanto obrigados a recorrer continuamente às mercearias, onde tudo é muito caro.

Senhor Pároco, o senhor é muito inteligente e generoso demais para, diante de uma situação dessas, estar criando dificuldades a respeito de mensalidades que ninguém nos contesta em lugar nenhum e que são coisinha pouca que não representa mais do que um suplemento ao reduzidíssimo pagamento que exigimos.

Não tenho lembrança alguma, senhor Pároco, de lhe haver dito que os alunos dos municípios vizinhos seriam matriculados nas mesmas condições que os de Roches, e que as contribuições deles ficariam para o senhor. Tanto mais motivo tenho de dizer que não lhe fiz esta concessão que em qualquer outro lugar seguimos o costume contrário. O Irmão Visitador explicou ao senhor a maior parte de nossas razões, porém, a de mais peso, independente de qualquer acerto ou convênio, é que de algum jeito os nosso Irmãos precisam ter do que viver, o que não parece possível com o pagamento rigorosamente fixado em 1.200 francos para três Irmãos.

Portanto, senhor Pároco, espero que aceite nossas justas ponderações e que, para o bem e a prosperidade de sua obra, antes de estar sonegando aos Irmãos a pequena compensação que podem obter das contribuições dos meninos dos municípios vizinhos, o senhor pelo contrário aumente essas entradas favorecendo a matrícula de tais alunos.

Já não falarei do internato para o primário que o senhor poderia criar na casa dos Irmãos. A meu ver, isto seria um meio excelente de garantir o êxito e proporcionar a seu estabelecimento o bem-estar justo e razoável que contribuiria para o bom andamento de uma instituição de educação. A maioria dos municípios conhecem muito bem as vantagens desse sistema e são os primeiros a nos oferecer um local apropriado.

Cumpre também observar que nós temos o costume de lhes conceder uma porcentagem sobre as mensalidades dos alunos do próprio município que se matriculam como internos. Quanto aos demais, os encargos e benefícios são dos Irmãos.

Com sua clarividência, senhor Pároco, o senhor verá o que poderá fazer no caso em questão.

Queira ...

Champagnat

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