Lição 2 Lição 2- o significado prático de "ouvir" Pag



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Lição 2 Lição 2— O significado prático de “ouvir” Pag.



Capítulo 47

O dever do homem
para com seus semelhantes

Foram-me mostradas algumas coisas com relação à família do irmão I que me impressionaram tão fortemente desde que vim para este lugar que eu me aventuro a expô-las. Foi-me mostrado, irmão I, que existe em sua família um elemento de egoísmo que se apega a você como a lepra. Este egoísmo deve ser visto e vencido, pois é um pecado grave à vista de Deus. Como família vocês têm há tanto tempo consultado os próprios desejos, prazer e conveniência, que não percebem que outros têm direitos sobre vocês. Seus pensamentos, planos e esforços são para si mesmos. Vivem para si; não cultivam benevolência desinteressada, a qual, se fosse exercida, cresceria e se fortaleceria até ser um deleite viver para o bem de outros. Sentiriam que têm um objectivo na vida, um propósito que lhes traria recompensa de maior valor do que dinheiro. Vocês necessitam ter interesse mais específico pelos seres humanos, e assim fazendo levariam o coração a um relacionamento mais íntimo com Cristo e estariam imbuídos do Seu Espírito e se apegariam a Ele com uma tenacidade tão firme que nada os separaria de Seu amor. {T3 521.2}

Cristo é a Videira viva; e se vocês são ramos dessa Videira, o alimento vital que flui através dela os nutrirá, de modo que não serão estéreis ou infrutíferos. Vocês têm, como família e como indivíduos, se ligado professamente com o serviço de Cristo; e contudo são pesados nas balanças do santuário e achados em falta. Todos vocês precisam passar por uma transformação completa antes de poderem fazer aquilo que cristãos desprendidos e devotos devem fazer. Nada a não ser conversão cabal pode lhes dar uma percepção correcta de seus defeitos de carácter. Todos vocês têm em grande medida o espírito e amor do mundo. Diz o apóstolo João: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” 1 João 2:15. Seu espírito egoísta lhes confina e atrofia a mente para os próprios interesses. Vocês precisam “da religião pura e imaculada”. Tiago 1:27. A simplicidade da verdade os levará a sentir compaixão pelas misérias dos outros. Há pessoas que precisam de sua simpatia e amor. Exercitar estes traços de carácter é uma parte do trabalho que Cristo nos deu a todos para fazer.{T3 522.1}

Deus não os desculpará de não tomar a cruz e praticar abnegação fazendo o bem a outros com motivos desinteressados. Se vocês se derem ao trabalho de exercer a abnegação requerida dos cristãos, podem, pela graça de Deus, ser qualificados a ganhar almas para Cristo. Deus tem reivindicações sobre vocês as quais nunca atenderam. Há muitos ao nosso redor que têm fome de simpatia e amor. Mas, como muitos outros, vocês têm sido quase destituídos daquele amor humilde que naturalmente flui em compaixão e simpatia para com os pobres, os sofredores e os necessitados. O próprio semblante humano é um espelho da mente, lido por outros, e tem influência marcante sobre eles para o bem ou para o mal. Deus não ordena a nenhum de nós vigiar nossos irmãos e nos arrepender de seus pecados. Ele nos deixou um trabalho, e nos ordena fazê-lo resolutamente, no Seu temor, tendo somente Sua glória em vista. {T3 522.2}

Cada um, quer seja fiel ou não, precisará prestar contas a Deus por si mesmo, não pelos outros. Ver faltas em outros crentes e condenar sua conduta não desculpará ou compensará um de nossos erros. Não devíamos fazer de outros nosso critério nem desculpar algo em nossa conduta porque outros cometeram erro. Deus nos deu consciência para nós mesmos. Grandes princípios são prescritos em Sua Palavra, que são suficientes para nos conduzir em nossa caminhada cristã e comportamento geral. Vocês, meus queridos amigos, como uma família não têm mantido os princípios da lei de Deus. Nunca sentiram a responsabilidade do dever que recai sobre o ser humano para com seus semelhantes.{T3 523.1}

“E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-O e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E Ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faz isso e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E, respondendo Jesus, disse:{T3 523.2}

“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele; e, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e faz da mesma maneira.” Lucas 10:25-37. {T3 523.3}

As condições de herança da vida eterna são claramente afirmadas por nosso Salvador da maneira mais simples. O homem que fora ferido e roubado representa aqueles que dependem de nosso interesse, simpatia e caridade. Se negligenciarmos a causa dos necessitados e desafortunados que nos vem ao conhecimento, não importa quem sejam eles, não temos a garantia de vida eterna, pois não estaremos correspondendo aos deveres que Deus sobre nós impõe. Não nos compadecemos ou nos apiedamos da humanidade porque podem não ser de nossa parentela. Vocês têm sido achados transgressores do segundo grande mandamento, do qual dependem os últimos seis. Qualquer que transgredir “em um só ponto, se torna culpado de todos”. Tiago 2:10. Aqueles que não abrem o coração às necessidades e sofrimentos da humanidade também não abrirão o coração às reivindicações de Deus declaradas nos primeiros quatro preceitos do decálogo. Os ídolos pedem o coração e as afeições, e Deus não é honrado e não reina supremo.{T3 524.1}

Vocês, como família, têm fracassado lamentavelmente. Não são, no mais estrito sentido, guardadores dos mandamentos. Podem ser bem exactos em algumas coisas, e contudo negligenciar as coisas de mais peso — juízo, misericórdia e o amor a Deus. Embora os costumes do mundo não sejam um critério para nós, contudo me tem sido mostrado que a simpatia compassiva e a benevolência do mundo pelos desafortunados em muitos casos envergonham os professos seguidores de Cristo. Muitos manifestam indiferença para com aqueles que Deus colocou entre eles com o fim de testá-los e prová-los e de revelar o que está em seu coração. Deus lê. Ele nota cada acto de egoísmo, todo acto de indiferença para com os aflitos, as viúvas e os órfãos; e Ele escreve ao lado de seus nomes: “Culpados, faltosos, transgressores da lei.” Seremos galardoados segundo nossas obras. Toda negligência do dever para com os necessitados e para com os aflitos é uma negligência do dever para com Cristo na pessoa de seus santos. {T3 524.2}

Quando, perante Deus, o caso de todos for passado em revista, não será feita a pergunta: Que professavam eles? Mas: Que fizeram? Foram praticantes da Palavra? Viveram para si próprios, ou praticaram obra de beneficência, mediante actos de bondade e amor, preferindo os demais a si próprios, e negando a si mesmos a fim de poderem abençoar outros? Se o relatório mostra haver sido essa a sua vida, e que seu carácter foi assinalado pela ternura, abnegação e beneficência, receberão a bendita certeza, e a bênção de Cristo: “Bem está.” “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Mateus 25:23, 34. Cristo foi maltratado e ferido pelo seu assinalado amor egoísta, e sua indiferença para com os sofrimentos e necessidades dos outros.{T3 525.1}

Muitas vezes nossos esforços por outros podem ser desconsiderados e aparentemente perdidos. Mas isto não deve constituir-se motivo para nos mostrarmos cansados de fazer o bem. Quantas vezes não tem vindo Jesus procurar frutos nas plantas do Seu cuidado, e não tem encontrado senão folhas! Podemos ficar desapontados quanto aos resultados dos nossos melhores esforços, mas isto não nos deve levar ao indiferentismo para com os ais alheios e a nada fazer. “Amaldiçoai a Meroz, diz o Anjo do Senhor; acremente amaldiçoai os seus moradores, porquanto não vieram em socorro do Senhor, em socorro do Senhor, com os valorosos.” Juízes 5:23. Quantas vezes Cristo é desapontado naqueles que professam ser Seus filhos! Ele lhes deu evidências inconfundíveis de Seu amor. Tornou-Se pobre, para que por Sua pobreza nos tornássemos ricos. 2 Coríntios 8:9. Morreu por nós, para que não perecêssemos, mas tivéssemos a vida eterna. João 3:16. Que tal se Cristo tivesse Se recusado a levar nossa iniquidade porque foi rejeitado por muitos e porque tão poucos apreciaram Seu amor e as bênçãos infinitas que Ele veio trazer-lhes? Necessitamos encorajar esforços pacientes e penosos. Precisa-se agora coragem, não desânimo ocioso e mal-humorada murmuração. Estamos neste mundo para trabalhar para nosso Mestre e não para cuidar de nossa inclinação ou prazer, para servir e glorificar a nós mesmos. Por que, então, devíamos estar inactivos e desanimados por não vermos os resultados imediatos que desejamos? {T3 525.2}

Nosso trabalho é labutar na vinha do Senhor, não meramente para nós mesmos, mas para o bem de outros. Nossa influência é uma bênção ou uma maldição para outros. Estamos aqui para formar carácter perfeito para o Céu. Temos algo a fazer além de nos queixar e murmurar das providências de Deus, e de escrever coisas amargas contra nós mesmos. Nosso adversário não nos permitirá descansar. Se somos de facto filhos de Deus seremos atormentados e assediados severamente, e não devemos esperar que Satanás ou aqueles sob sua influência nos tratarão com bondade. Mas há anjos que excedem em poder que estarão connosco em todos os nossos conflitos se tão-somente formos fiéis. Cristo venceu a Satanás por nós no deserto da tentação. Ele é mais poderoso do que Satanás, e Ele em breve o esmagará sob nossos pés.{T3 526.1}

Vocês, como uma família e como indivíduos, têm-se desculpado de serviço sério e activo na causa de seu Mestre. Vocês têm sido indolentes demais e têm deixado que outros levem muitos dos mais pesados fardos que vocês podiam e deviam ter levado. Sua força e bênção espirituais serão proporcionais ao trabalho de amor e às boas obras que vocês efectuam. A instrução do apóstolo Paulo é: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.” Gálatas 6:2. Guardar os mandamentos de Deus requer de nós boas obras, abnegação, sacrifício próprio e dedicação para o bem de outros; não que nossas boas obras por si possam nos salvar, mas porque certamente não podemos ser salvos sem boas obras. Depois de fazermos tudo que somos capazes de fazer, devemos então dizer: Não fizemos mais do que nosso dever, e na melhor das hipóteses somos servos inúteis, indignos do menor favor de Deus. Cristo deve ser nossa justiça e a coroa de nosso regozijo.{T3 526.2}

Justiça própria e segurança carnal os têm cercado como uma muralha. Como família, vocês possuem um espírito de independência e orgulho. Este elemento os separa de Deus. É uma falta, um defeito que precisa ser visto e vencido. É quase impossível para vocês verem seus erros e faltas. Vocês têm uma opinião demasiado boa de si mesmos, e lhes é difícil ver e remover por confissão os erros em sua vida. Inclinam-se a justificar e defender sua conduta em quase tudo, quer seja certa ou errada. Enquanto não for demasiado tarde para corrigir os erros, entreguem o coração a Jesus através de humilhação e súplica, e procurem conhecer a si mesmos. Vão se perder a menos que despertem e trabalhem com Cristo. Vocês se encerram numa armadura fria, sem sentimento e sem compaixão. Há pouca vida e calor em seu relacionamento com outros. Vivem para si e não para Cristo. São descuidados e indiferentes às necessidades e condições de outros menos afortunados do que vocês. A todo seu redor há pessoas desoladas que anelam por amor expresso em palavras e acções. Amigável simpatia e sentimentos verdadeiros de terno interesse pelos outros trariam a seu coração bênçãos que vocês nunca experimentaram e os levariam a um íntimo relacionamento com nosso Redentor, cuja vinda ao mundo foi com o fim de fazer o bem e cuja vida devemos imitar. Que estão vocês fazendo por Cristo? “Porfiai por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.” Lucas 13:24. {T3 526.3}
Amor e simpatia no lar
Existem muitos em nosso mundo que anseiam pelo amor e simpatia que lhes devem ser prodigalizados. Muitos homens amam a sua esposa, mas são egoístas demais para manifestá-lo. Estão possuídos de dignidade e orgulho falsos, e não mostrarão por palavras e actos o amor que têm. Existem muitos homens que nunca sabem como o coração de sua esposa anseia por palavras de terno apreço e afecto. Sepultam os seus queridos, afastando-os de sua vista e queixam-se da providência de Deus que os separou dos seus companheiros, ao passo que, se lhes fosse possível observar a vida íntima desses companheiros, veriam que seu procedimento foi a causa da morte prematura deles. A religião de Cristo nos levará a ser bondosos e corteses, e não tão obstinados em nossas opiniões. Devemos morrer para o eu, e considerar os outros melhores que nós mesmos. {T3 527.1}

A Palavra de Deus é nossa norma, mas quão longe Seu povo professo afastou-se da mesma! Nossa fé religiosa deve ser não somente teórica, mas prática. Religião pura e imaculada não nos permitirá espezinhar os direitos da menor das criaturas de Deus, muito menos dos membros de Seu corpo e os membros de nossa própria família. Deus é amor, e quem nEle habita, habita em amor. A influência do egoísmo mundano, que é carregada por muitos como uma nuvem, que esfria a própria atmosfera que outros respiram, causa enfermidade da alma e frequentemente calafrios de morte.{T3 528.1}

Será uma grande cruz para vocês cultivarem amor puro e desprendido e desinteressada benevolência. Ceder suas opiniões e ideias, renunciar ao julgamento próprio e seguir os conselhos de outros será uma grande cruz para vocês. Os vários membros de sua família têm agora as próprias famílias. Mas o mesmo espírito que existia em maior ou menor grau no lar paterno é levado para os próprios lares e é sentido por pessoas fora dos círculos familiares. Têm falta de uma meiga simplicidade, ternura como a de Cristo e amor desinteressado. Eles têm um trabalho a fazer para vencer estes traços egoístas de carácter a fim de serem ramos frutíferos da Vinha Verdadeira. Disse Cristo: “Nisto é glorificado Meu Pai: que deis muito fruto.” João 15:8. Vocês precisam trazer Cristo para perto de vocês e tê-Lo em seu lar e em seu coração. Devem não só ter conhecimento do que é certo, mas devem praticá-lo por motivos correctos, tendo em vista unicamente a glória de Deus. Vocês podem ser de ajuda, se cumprirem as condições dadas na Palavra de Deus.{T3 528.2}

A religião de Cristo é algo mais do que conversa. A justiça de Cristo consiste em acções correctas e boas obras a partir de motivos puros e desinteressados. Justiça exterior, enquanto o adorno interior faltar, não será de nenhum valor. “E esta é a mensagem que dEle ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nEle treva nenhuma. Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.” 1 João 1:5-7. Se não tivermos a luz e o amor de Deus, não somos Seus filhos. Se não ajuntamos com Cristo, espalhamos. Todos temos uma influência, e esta influência pesa sobre o destino de outros para seu bem presente e futuro ou para sua perda eterna. {T3 528.3}

J e K ambos têm falta de simpatia e amor para com os de fora de suas famílias. Eles correm o perigo de espreitar defeitos em outros enquanto males maiores existem despercebidos neles mesmos. Para que estas queridas pessoas entrem no Céu, precisam morrer para o eu e obter experiência em fazer o bem. Elas têm lições a aprender na escola de Cristo a fim de aperfeiçoarem carácter cristão e ter união com Cristo. Disse Cristo a Seus discípulos: “Se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus.” Mateus 18:3. Ele lhes explicou o significado. Ele não desejava que eles se tornassem como crianças no entendimento, mas como crianças no tocante à malícia. Criancinhas não manifestam sentimentos de superioridade e aristocracia. São simples e naturais em sua aparência. Cristo gostaria que Seus seguidores cultivassem maneiras não afectadas, que todo seu porte fosse humilde e cristão. Ele determinou ser nosso dever viver para o bem de outros. Ele veio das cortes reais do Céu a este mundo para mostrar quão grande era Seu interesse pelo homem, e o preço infinito pago para a redenção do ser humano mostra que ele é de tão grande valor que Cristo podia sacrificar Suas riquezas e honra nas cortes reais para erguê-lo da degradação do pecado.{T3 529.1}

Se a Majestade do Céu podia fazer tanto para mostrar Seu amor pelos seres humanos, que não deveriam eles estar dispostos a fazer para ajudar uns aos outros a saírem do abismo de trevas e sofrimento! Disse Cristo: “Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei” (João 13:34); não com um amor maior; pois “ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”. João 15:13. Nosso amor é frequentemente egoísta, porque nós o confinamos a limites prescritos. Quando entrarmos em união e comunhão íntimas com Cristo, nosso amor, simpatia e nossas obras de benevolência se aprofundarão, expandirão e fortalecerão com o exercício. O amor e o interesse dos seguidores de Cristo devem ser tão extensos como o mundo. Aqueles que vivem meramente para “mim e o que é meu” não entrarão no Céu. Deus os convida como família a cultivar amor, a serem menos sensíveis quanto a si mesmos e mais sensíveis às tristezas e provações de outros. Este espírito egoísta que vocês têm cultivado a vida inteira é correctamente representado pelo sacerdote e o levita que passaram de largo pelo desafortunado. Viram que ele necessitava de ajuda, mas o evitaram de propósito. {T3 529.2}

Todos vocês precisam despertar e dar meia-volta para sair da monótona rotina de egoísmo. Aproveitem o breve tempo de graça que lhes é dado, trabalhando com vigor para remir os fracassos de sua vida passada. Deus os colocou em um mundo de sofrimento para prová-los, para ver se serão achados dignos da dádiva da vida eterna.{T3 530.1}

Por toda a parte ao seu redor há os que experimentam aflições, que necessitam palavras de simpatia, amor e bondade, bem como de nossas orações humildes e piedosas. Alguns sofrem sob a férrea mão da pobreza, outros sob enfermidades, mágoas, desalento, perturbações. Como Job, vocês devem ser olhos para os cegos, pés para os coxos, e devem interrogar sobre as causas que desconhecem e analisar com o objectivo em vista de aliviar as necessidades e ajudar exactamente onde o auxílio se fizer mais necessário.{T3 530.2}

L precisa cultivar amor à esposa, amor que encontre expressão em palavras e actos. Deve cultivar terna afeição. A esposa tem natureza sensível, insegura e precisa ser tratada com carinho. Cada palavra de ternura, cada expressão de apreço e afectuosa animação serão por ela lembrados e refluirão em bênçãos ao marido. Sua natureza insensível precisa ser levada a íntimo contacto com Cristo, a fim de que essa dureza e fria reserva sejam subjugadas e abrandadas pelo amor divino. Não constitui fraqueza ou renúncia da varonilidade e da dignidade ter para com a esposa expressões de ternura e simpatia, em palavras e actos; e não se restrinja isso ao círculo familiar, mas estenda-se aos de fora da família. L tem uma obra a fazer por si mesmo que nenhum outro pode fazer por ele. Ele pode tornar-se forte no Senhor, assumindo encargos em Sua causa. Sua afeição e amor devem centrar-se em Cristo e nas coisas celestiais, e deve ele formar carácter para a vida eterna. {T3 530.3}

A estimada K tem ideias muito limitadas sobre o que constitui ser uma cristã. Ela se tem libertado de fardos que Cristo carregou por ela. Não está disposta a levar Sua cruz e não tem exercitado da melhor maneira a habilidade, os talentos que Deus lhe deu. Não se tornou forte em força moral e coragem, nem sentiu o peso da responsabilidade individual. Ela não gosta de sofrer repreensão por amor de Cristo, considerando a promessa: “Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus.” 1 Pedro 4:14. “Se sofrermos, também com Ele reinaremos.” 2 Timóteo 2:12. O Mestre tem uma obra para cada um fazer. Ninguém pode ficar ocioso, ninguém pode ser descuidado e egoísta, e ainda aperfeiçoar um carácter cristão. Ele quer que toda sua família abra o coração à influência benigna de Seu amor e graça, para que sua compaixão pelos outros possa transbordar os limites do eu e das paredes do recinto familiar, como o samaritano fez ao pobre estrangeiro sofredor que foi negligenciado pelo sacerdote e pelo levita e deixado a perecer. Foi-me mostrado que há muitos que necessitam de nossa simpatia e conselho; e quando consideramos que podemos passar por este mundo só uma vez, que nunca podemos voltar para reparar os erros e faltas que cometemos, quão importante que passemos por ele como devíamos!{T3 531.1}

Tempos atrás foi-me mostrado o caso de J. Seus erros e faltas foram fielmente retratados diante dela; mas na última oportunidade que me foi dada vi que os erros ainda existiam, que ela é fria e desamorável para com os filhos de seu marido. Correcção e reprovação não são feitas por ela apenas por ofensas graves, mas também por questões triviais que deviam passar despercebidas. Buscar faltas constantemente é um erro, e o Espírito de Cristo não pode habitar em um coração onde isto exista. Ela está disposta a passar por alto o bem em suas crianças sem uma palavra de louvor, mas está sempre pronta a abrir-se em censuras se qualquer erro é visto. Isto sempre desencoraja as crianças e as leva a hábitos de negligência. Anima o mal no coração e o leva a lançar de si lodo e lama. Nas crianças que são habitualmente censuradas nascerá o espírito de “não me importa”, e as más paixões frequentemente se manifestarão, sem se preocupar com as consequências. {T3 531.2}

Sempre que a mãe possa dizer uma palavra de elogio aos filhos por motivo de sua boa conduta, deve ela dizê-la. Deve encorajá-los por palavras de aprovação e olhares expressivos de amor. Essas serão ao coração de uma criança como a luz do Sol, e levarão ao cultivo do respeito próprio e ao brio de carácter. A irmã J deve cultivar amor e simpatia. Deve manifestar terna afeição pelas crianças sem mãe que estão sob seu cuidado. Isto seria para essas crianças uma bênção do amor de Deus e haveria de refluir para ela em afeição e amor.{T3 532.1}

As crianças têm natureza amorável e sensível. Facilmente se sentem contentes e facilmente se sentem infelizes. Mediante disciplina gentil em palavras e actos de amor pode a mãe unir os filhos ao seu coração. É grande erro mostrar severidade e ser muito exigente com as crianças. Firmeza uniforme e controle tranquilo são necessários na disciplina de toda a família. Diga calmamente o que pretende, aja com consideração e sem desvios ponha em prática o que diz.{T3 532.2}

Compensará manifestar afecto no convívio com seus filhos. Não os repulse por falta de simpatia em suas brincadeiras infantis, alegrias e desgostos. Nunca apresente um semblante severo nem deixe que uma palavra áspera lhe escape dos lábios. Deus escreve todas essas palavras em Seu livro de memórias. As palavras ásperas azedam o temperamento e ferem o coração das crianças e, em alguns casos, essas feridas são difíceis de curar. As crianças são sensíveis à mínima injustiça, e algumas ficam desanimadas ao sofrê-la, e nem darão ouvidos à alta e zangada voz de comando, nem se importarão com ameaças de castigo. Muitas vezes se instala nos corações infantis a rebelião, devido a uma errónea disciplina por parte dos pais, quando, houvesse sido seguida a devida orientação, elas teriam formado carácter harmónico e bom. Uma mãe que não tem perfeito domínio de si mesma não é apta para governar os filhos. {T3 532.3}

O irmão M é moldado pelo temperamento positivo de sua mulher. Ele se tornou em certo grau egoísta como a esposa. Sua mente é quase inteiramente ocupada com “mim” e “meu”, com exclusão de outras coisas de importância infinitamente maior. Ele não toma em sua família a posição de pai de seu rebanho; nem, sem preconceito e sem ser influenciado, segue uma conduta uniforme com seus filhos. Sua mulher não é, e sem uma transformação nunca será, uma verdadeira mãe para aqueles filhos sem mãe. O irmão M, como pai, não tem ocupado a posição que Deus gostaria que ocupasse. Essas crianças sem mãe são os pequeninos de Deus, preciosos a Seus olhos. Por natureza o irmão M tem um temperamento terno, refinado, amável, generoso e sensível, enquanto sua mulher é exactamente o oposto. Em vez dele moldar e abrandar o carácter de sua mulher, ela o está transformando.{T3 533.1}

Ele pensa que para ter paz deve deixar passarem as coisas que o preocupam. Ele aprendeu a não esperar submissão e renúncia das opiniões dela. Ela dominará; ela seguirá suas ideias a qualquer custo. A menos que ambos estejam firmes em seus esforços de reformar-se, não obterão a vida eterna. Eles tiveram luz, mas negligenciaram segui-la. O amor egoísta do mundo cegou sua percepção e lhes endureceu o coração. J precisa ver que a menos que abandone seu egoísmo, e vença sua vontade e temperamento, ela não pode ter o Céu. Ela prejudicaria o Céu inteiro com estes traços de carácter. Eu exorto a irmã J a se arrepender. Apelo a ela em nome de meu Mestre para despertar-se depressa de sua excessiva indiferença, a atender o conselho da Testemunha Verdadeira, e a sinceramente arrepender-se; pois ela põe em perigo a própria alma.{T3 533.2}

Deus é misericordioso. Ele aceitará agora a oferta de um coração quebrantado e de um espírito contrito. A irmã J se desculpará como o levita e o sacerdote de não ver e de não sentir as aflições de outros e passar de largo? Deus a considera responsável pela negligência do dever em não exercer simpatia e ternura para com os desafortunados. Ela não guarda os mandamentos de Deus que claramente mostram seu dever para com seu próximo. Disse Cristo ao doutor da lei: “Faz isso e viverás.” Lucas 10:28. Assim, a negligência do dever para com nosso próximo resultará em nossa perda da vida eterna. {T3 533.3}
Exclusivismo de família
K, pobre filha, como muitas outras, tem um trabalho a fazer do qual nunca sonhou. Ela apostatou de Deus. Seus pensamentos se concentram demasiado nela mesma, e procura agradar o mundo, não por amor desinteressado pela salvação de outros nem por procurar conduzi-los a Cristo, mas por sua falta de espiritualidade e por sua conformidade com o mundo em espírito e em obras. Ela deve morrer para o eu e obter experiência na prática do bem. Ela é fria e sem compaixão. Precisa ter esse espírito gélido e inacessível subjugado, derretido pelo brilho do sol do amor de Cristo. Ela se fecha muito em si mesma. Deus viu que ela era uma pobre planta atrofiada, não produzindo fruto algum, nada senão folhas. Seus pensamentos eram ocupados quase exclusivamente com “mim” e “meu”. Em misericórdia, Ele tem estado a podar esta planta que Ele ama, cortando os galhos, para que as raízes se aprofundassem mais. Ele tem procurado atrair esta filha a Si mesmo. Sua vida religiosa tem sido quase inteiramente sem fruto. Ela é responsável pelo talento que Deus lhe deu. Ela pode ser útil; ela pode ser uma colaboradora com Cristo se derrubar a parede de egoísmo que a tem excluído da luz e do amor de Deus.{T3 534.1}

Há muitos que precisam de nossa simpatia e conselho, mas não aquele conselho que implica superioridade no doador e inferioridade no que recebe. K precisa em seu coração do suavizante e enternecedor amor de Deus. A aparência e o tom da voz devem ser modulados por atenciosa consideração e amor terno e respeitoso. Toda aparência e todo tom de voz que sugerem “Eu sou superior” esfriam a atmosfera de sua presença e é mais como um gelo do que um raio de luz que dá calor. Minha irmã, sua influência é positiva. Você molda aqueles com quem se associa, ou do contrário não pode concordar com eles. Não tem a menor ideia de ser moldada pela melhor influência de outros e de lhes submeter seu julgamento e suas opiniões. Você argumentará para justificar seu caminho, suas ideias e sua conduta. Se você convence os outros, volta-se repetidamente ao mesmo ponto. Este traço em seu carácter será valioso se dedicado a Deus e controlado por Seu Santo Espírito; mas, se não, provar-se-á uma maldição para você e outros. Afirmações e conselho que têm o sabor de um espírito ditatorial não são um bom fruto. Você precisa em seu coração do amor suavizante e enternecedor de Cristo, que será reflectido em todos os seus actos para com sua família e para com todos que são influenciados por você. {T3 534.2}

Receio, receio muito, que J não entrará no Céu. Ela ama tanto o mundo e as coisas do mundo que não lhe sobra amor para Jesus. Está tão revestida de egoísmo que a luz do Céu não pode penetrar as paredes escuras e frias do amor próprio e da estima própria que ela tem estado a edificar durante a vida. O amor é a chave que abre os corações, mas a preciosa planta do amor não tem sido cultivada. J cegou seus olhos há tanto tempo ao próprio egoísmo que não pode agora percebê-lo. Tem tão pouca religião prática que de coração ela pertence ao mundo, e receio que este mundo seja todo o Céu que ela jamais verá. Sua influência sobre seu marido não é boa. Ele é influenciado por ela e não vê a necessidade de fortificar-se pela graça de Deus com verdadeira coragem moral para estar firme pelo direito. Não só ela deixa de reconhecer e de fazer a obra que Deus requer dela, mas exerce influência dominante para segurar seu marido e amarrar suas mãos. E ela tem tido bastante êxito. Ele foi cegado.{T3 535.1}

O irmão M deve considerar que Deus tem direitos sobre ele que estão acima de relacionamentos terrestres. Ele precisa do colírio, das vestes brancas e do ouro para ter um carácter simétrico e uma grandiosa entrada no reino de Deus. Nada menos que uma conversão total poderá jamais abrir o coração de sua mulher para ver seus erros e confessar suas faltas. Ela precisa fazer grandes mudanças, que não fez porque não reconheceu sua verdadeira condição e não podia ver a necessidade de reforma. Longe de querer aprender do Mestre celestial, que é manso e humilde de coração, ela considera mansidão servilidade; e modéstia, humildade de espírito para estimar a outros como melhores do que ela, considera degradante e humilhante. {T3 535.2}

J tem espírito positivo, imperioso, altivo e voluntarioso. Ela não vê nada particularmente desejável num espírito manso e tranquilo para que o ambicionasse. Este ornamento valioso tem tão pouco valor para ela que não consente em usá-lo. Tem, com demasiada frequência, um espírito de ressentimento que é oposto ao Espírito de Deus como o leste em relação ao oeste. Verdadeira gentileza é uma jóia de grande valor à vista de Deus. Um espírito manso e tranquilo não estará sempre à busca de felicidade para si mesmo, mas buscará esquecimento de si mesmo e achará doce contentamento e verdadeira satisfação em fazer outros felizes.{T3 536.1}

Na providência de Deus, a irmã N foi separada da família de seu pai. Embora com outros, ela partilha as características da associação de família, suportando sérias responsabilidades que a têm levado a esquecer de si mesma e lhe têm concedido interesse nas aflições de outros. Ela tem, em certa medida, aberto o coração em simpatia e amor pela família de Deus, mostrando interesse pelos outros. A obra e a causa de Deus têm atraído sua atenção. Ela tem sentido, em certo grau, que pobres caídos mortais formam uma grande confraternidade. Ela precisou educar-se para pensar em outros, servir a outros e esquecer o eu; e não obstante não tem cultivado tão completamente como deve o interesse, a simpatia e a afeição por outros que são necessários aos seguidores de Cristo. Ela precisa ter maior simpatia e menos justiça tensa e rígida. Dando seu interesse e tempo ao grande assunto da reforma de saúde, ela se expandiu além de si mesma. Fazendo isto ela tem sido abençoada. Quanto mais ela faz para o bem de outros, tanto mais vê para fazer e tanto mais se sente inclinada a fazer. {T3 536.2}

Seu trabalho a favor de outros frequentemente a leva onde o exercício de fé é necessário para ajudá-la a atravessar situações difíceis e penosas. Mas respostas a orações sinceras são obtidas, e fé, amor e confiança em Deus são fortalecidos. É obtida experiência através de perplexidades e provações frequentemente repetidas. Deus está moldando seu coração em algo mais parecido com Ele, e não obstante o eu clama constantemente por vitória. A irmã N precisa cultivar mais ternura e atencioso cuidado em seu relacionamento diário com outros. Ela precisa se esforçar para subjugar o eu. Se de facto é uma cristã, sentirá que precisa devotar a melhor parte, e se necessário o todo, de sua vida à labuta desprendida e paciente e assim demonstrar seu amor pelo Mestre. Sem tal experiência, ela deixaria de alcançar a perfeição de um carácter cristão.{T3 537.1}

A irmã N deu alguns passos adiante. Os familiares sentem que ela os deixou, e isto é doloroso para eles. Eles sentem que ela agora não tem o mesmo interesse, afeições e objectivos na vida como eles. Sentem que não mais podem desfrutar, como antes, a companhia da irmã. Pensam que é culpa dela, que ela mudou e não tem mais afinidade com eles. A razão para esta falta de afinidade é que os sentimentos de compaixão da irmã N pelos sofrimentos alheios têm aumentado, ao passo que eles têm sido servos ociosos, não fazendo a obra que Deus lhes deu a fazer na Terra. Consequentemente, eles têm regredido. A família confinou seu interesse e afeição em si mesmos e no amor do mundo.{T3 537.2}

N tem sido obreira em uma boa causa. A reforma de saúde tem sido para ela um assunto de grande importância, pois a própria experiência lhe mostrou a necessidade da reforma. A família de seu pai não viu a necessidade da reforma de saúde. Não viram a parte que ela desempenha na obra final destes últimos dias, porque não estavam inclinados a ver. Caíram na rotina do costume, e se torna difícil o esforço exigido para sair dela. Prefeririam não ser incomodados. É uma coisa terrível enferrujar-se por inactividade. Mas esta família certamente será pesada na balança e achada em falta a menos que comecem a fazer algo. “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle.” Romanos 8:9. Esta é uma linguagem incisiva. Quem pode resistir a prova? A Palavra de Deus é para nós uma fotografia da mente de Deus e de Cristo, também do homem caído, e do homem renovado segundo a imagem de Cristo, possuindo a mente divina. Podemos comparar nossos pensamentos, sentimentos e intenções com a imagem de Cristo. Não temos comunhão com Ele a não ser que estejamos dispostos a fazer as obras de Cristo. {T3 537.3}

Cristo veio para fazer a vontade de Seu Pai. Estamos seguindo em Seus passos? Todos que têm professado o nome de Cristo devem constantemente procurar familiaridade mais íntima com Ele, a fim de andarem como Ele andou, e fazer as obras de Cristo. Devemos nos apropriar das lições de Sua vida para nossa vida. Cristo “Se deu a Si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras”. Tito 2:14. “Conhecemos a caridade nisto: que Ele deu a Sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.” 1 João 3:16. Eis a obra de abnegação na qual devemos ingressar com alegria, imitando o exemplo de nosso Redentor. A vida do cristão precisa ser uma vida de conflito e sacrifício. O caminho do dever deve ser seguido, não o caminho da inclinação e escolha.{T3 538.1}

Quando a família do irmão I vir a obra à sua frente, e fizerem a obra que Deus lhes deixou para fazer, não estarão tão separados do irmão e irmã O e da irmã N, e daqueles que estão trabalhando em união com o Mestre. Pode levar tempo para alcançar perfeita submissão à vontade de Deus, mas nunca podemos parar aquém e sermos aptos para o Céu. A verdadeira religião levará seu possuidor à perfeição. Seus pensamentos, palavras e acções, bem como seus apetites e paixões, precisam ser submetidos à vontade de Deus. Vocês precisam produzir frutos em santidade. Então serão levados a defender os pobres, os órfãos e aflitos. Farão justiça às viúvas e socorrerão os necessitados. Vocês praticarão a justiça, amarão a beneficência e andarão humildemente com Deus. {T3 538.2}

Devemos deixar Cristo entrar em nosso coração e em nosso lar se queremos andar na luz. O lar deve ser tudo quanto está implícito nessa palavra. Deve ser um pequeno Céu na Terra, um lugar onde se cultivem as afeições em vez de serem estudadamente reprimidas. Nossa felicidade depende do cultivo do amor, da simpatia e da verdadeira cortesia de uns para com outros. A razão por que há em nosso mundo tantos homens e mulheres de coração empedernido é que a verdadeira afeição tem sido considerada como fraqueza, sendo consequentemente desencorajada e reprimida. A melhor parte da natureza das pessoas desta classe foi pervertida e amesquinhada na infância; e a menos que os raios da luz divina derretam sua frieza e endurecido egoísmo, sua felicidade estará enterrada para sempre. Se queremos ter coração terno, como o tinha Jesus quando esteve na Terra, e santificada simpatia, como a têm os anjos pelos pecadores mortais, precisamos cultivar as simpatias da infância, que são a simplicidade em si. Então seremos refinados, elevados e dirigidos por princípios celestiais.{T3 539.1}

O intelecto cultivado é grande tesouro; sem, porém, a suavizante influência da compaixão e do amor santificado, não é ele de grande valor. Devemos ter palavras e actos de terna consideração para com os outros. Podemos manifestar mil e uma pequenas atenções em palavras amigas, e olhares aprazíveis, que voltarão de novo para nós. Cristãos irreflectidos, por sua negligência para com outros, manifestam não estar em união com Cristo. É impossível estar unido a Cristo e todavia ser desamorável para com outros, e esquecido de seus direitos. Muitos há que anseiam intensamente por amorosa compaixão. Deus deu a cada um de nós uma identidade particular, nossa própria, que não se pode dissolver na de outro; mas nossas características individuais serão muito menos preeminentes se na verdade pertencemos a Cristo e Sua vontade for a nossa. Nossa vida deve ser consagrada ao bem e à felicidade dos outros, como foi a de nosso Salvador. Devemos esquecer-nos a nós mesmos, sempre à espreita de oportunidades — mesmo em coisas pequeninas — para mostrar gratidão pelos favores recebidos de outros, e estar atentos para observar oportunidades para animar outros, confortando-os em suas tristezas e aliviando-lhes as cargas por mostras de terna bondade e pequenos actos de amor. Essas atenciosas cortesias, que iniciando-se em nossa família estendem-se até fora do círculo familiar, ajudam a tornar a soma da vida feliz; e a negligência desses pequeninos actos perfaz a soma das tristezas e amarguras da vida. {T3 539.2}

É a obra que fazemos ou deixamos de fazer que fala com tremendo poder sobre nossa vida e destino. Deus requer de nós que aproveitemos toda oportunidade que nos é oferecida para sermos úteis. Negligenciar isto é perigoso para nosso crescimento espiritual. Temos uma grande obra a fazer. Não passemos em ociosidade as horas preciosas que Deus nos deu a fim de aperfeiçoarmos o carácter para o Céu. Não precisamos ficar inactivos ou ociosos nesta obra, pois não temos um só momento para gastar sem um propósito ou objectivo. Deus nos ajudará a vencer nossos erros se a Ele orarmos e nEle crermos. Podemos ser mais do que vencedores por Aquele que nos amou. Quando a breve vida neste mundo terminar, e vermos como somos vistos e conhecermos como somos conhecidos, quão breves em duração e quão pequenas as coisas deste mundo vão parecer para nós em comparação com a glória do mundo melhor! Cristo nunca teria deixado as cortes reais e assumido a humanidade, e Se tornado pecado a favor do ser humano, se não tivesse visto que o homem poderia, com Sua ajuda, tornar-se infinitamente feliz e obter riquezas duráveis e uma vida que correria paralela com a vida de Deus. Ele sabia que sem Sua ajuda o homem pecador não poderia obter estas coisas.{T3 540.1}

Devemos ter um espírito de progresso. Precisamos nos acautelar continuamente para não ficarmos fixos em nossas opiniões, sentimentos e acções. A obra de Deus é para frente. Reformas precisam ser executadas, e precisamos considerar e ajudar a mover o carro da reforma. Energia, temperada com paciência e ambição, e equilibrada com sabedoria, é agora necessária para cada cristão. A obra de salvar almas é ainda deixada para nós, os discípulos de Cristo. Nenhum de nós é desculpado. Muitos têm-se tornado anões e atrofiados em sua vida cristã por causa de inactividade. Devemos diligentemente empregar nosso tempo enquanto estamos neste mundo. Quão seriamente devemos aproveitar toda oportunidade de fazer o bem, de trazer outros ao conhecimento da verdade! Nosso lema deve sempre ser: “Para frente e para o alto”, certa e constantemente para frente para o dever e a vitória. {T3 540.2}

Foi-me mostrado em relação aos indivíduos mencionados que Deus os ama e os salvaria se eles quisessem ser salvos do modo que Ele designou. “E assentar-Se-á, afinando e purificando a prata; e purificará os filhos de Levi, e os afinará como ouro e como prata; então ao Senhor trarão ofertas em justiça. E a oferta de Judá e de Jerusalém será suave ao Senhor, como nos dias antigos e como nos primeiros anos.” Malaquias 3:3, 4. Eis o processo, o processo de afinar e purificar, a ser feito pelo Senhor dos exércitos. Esse processo é demasiado difícil para o ser humano, mas é unicamente por meio dele que se podem remover as escórias e contaminadoras impurezas. Nossas provações são todas necessárias para levar-nos mais perto de nosso Pai celeste, em obediência à Sua vontade, de modo a Lhe oferecermos uma oferta em justiça.{T3 541.1}

A cada uma das pessoas aqui mencionadas, deu o Senhor aptidões, talentos a desenvolver. Cada um de vocês necessita de nova e viva experiência na vida religiosa, a fim de fazer a vontade de Deus. Qualquer que seja a experiência passada, isto não basta para o presente, nem nos fortalece para vencer as dificuldades que encontramos no caminho. Precisamos diariamente nova graça e renovada resistência se queremos ser vitoriosos.{T3 541.2}

Raramente somos, a todos os respeitos, colocados duas vezes nas mesmas circunstâncias. Abraão, Moisés, Elias, Daniel e muitos outros foram todos severamente provados, mas não da mesma maneira. Cada um tem suas provas individuais no drama da vida, mas justamente a mesma provação raramente sobrevém duas vezes. Cada um tem experiência própria e peculiar, no carácter e nas circunstâncias, a fim de realizar determinada obra. Deus tem uma obra, um desígnio na vida de cada um de nós. Todo acto, por pequeno que seja, tem seu lugar na experiência de nossa vida. Cumpre-nos possuir contínua luz e experiência que provêm de Deus. Todos necessitamos delas, e o Senhor está mais que disposto a dar, se as quisermos receber. Não cerrou as janelas do Céu a suas orações, mas vocês têm se contentado com passar sem o auxílio divino de que tanto necessitam. {T3 541.3}

Quão pouco sabem acerca da influência de seus actos diários sobre a vida de outros. Talvez suponham que o que digam ou façam não tem muita influência, quando importantíssimos são os resultados de nossas palavras e acções para o bem ou para o mal. Actos e expressões considerados diminutos e insignificantes são elos na longa cadeia dos acontecimentos humanos. Vocês não têm experimentado a necessidade de Deus manifestar-nos Sua vontade em todos os actos da vida diária. Quanto a nossos primeiros pais, o desejo de uma única satisfação do apetite abriu as comportas da miséria e do pecado sobre o mundo. Prezadas irmãs, oxalá vocês sentissem que todo passo que dão talvez tenha permanente e controladora influência sobre a própria vida e o carácter de outros. Oh, quão necessário é então termos comunhão com Deus! Que necessidade da graça divina para dirigir cada passo e mostrar-nos como aperfeiçoar carácter cristão!{T3 542.1}

Os cristãos terão novas situações e provas a enfrentar, nas quais a experiência passada não pode ser guia suficiente. Agora, mais que em qualquer outro período de nossa vida, precisamos aprender do divino Mestre. E quanto mais experiência alcançarmos, quanto mais nos aproximarmos da pura luz celeste, tanto mais discerniremos em nós a necessidade de reforma. Podemos todos realizar boa obra em benefício dos outros, uma vez que busquemos conselho de Deus, e o sigamos em obediência e fé. O caminho do justo é progressivo, de força em força, de graça em graça, e de glória em glória. A iluminação divina aumenta mais e mais, correspondendo a nosso movimento de avanço, habilitando-nos a fazer face às responsabilidades e emergências que se nos deparam.{T3 542.2}

Quando vocês são pressionados pelas provas, quando os pensamentos são dominados por desânimo e sombria incredulidade, quando o egoísmo lhes molda as acções, vocês não vêem a necessidade que têm do Senhor e de conhecimento profundo e completo de Sua vontade. Não conhecem a vontade de Deus, tampouco a podem conhecer enquanto vivem para o próprio eu. Confiam em suas boas intenções e resoluções, e a maior parte da vida compõe-se de resoluções tomadas e não cumpridas. O que todos necessitam é morrer para o eu, deixar de a ele se apegar, e entregar-se a Deus. {T3 542.3}

De boa vontade os confortaria, caso pudesse. De bom grado lhes louvaria os bons traços, os propósitos bons e as boas acções; mas Deus não quis mostrá-los a mim. Apresentou-me os impedimentos à formação de carácter nobre, elevado, de santidade, que precisam ter a fim de não perder o descanso celeste e a glória imortal que Ele quer que alcancem. Desviem os olhos de si mesmos para Jesus. Ele “é tudo em todos”. Colossences 3:11. Os merecimentos do sangue de um Salvador crucificado e ressurgido serão suficientes para purificar do menor como do maior dos pecados. Com fé confiante, entreguem a guarda de sua alma a Deus como a um fiel Criador. Não estejam em constante temor e apreensão de que Deus os abandone. Jamais o fará, a menos que dEle se apartem. Cristo virá e habitará em vocês, caso Lhe abram a porta do coração. Pode haver perfeita harmonia entre vocês e o Pai e o Filho, uma vez que morram para o próprio eu e vivam para Deus.{T3 543.1}

Quão poucos se apercebem de ter ídolos queridos, de ter pecados acariciados! Deus vê esses pecados a que talvez estejam cegos, e emprega Sua faca de podar, cortando fundo a fim de separar de vocês esses pecados acariciados. Todos vocês devem escolher por si mesmos o processo de purificação. Como lhes é difícil submeter-se à crucifixão do próprio eu! Mas, quando toda a obra é entregue nas mãos de Deus, Ele que conhece nossas fraquezas e nossa pecaminosidade segue o melhor caminho para produzir o desejado fim.{T3 543.2}

Foi por entre constante conflito e com singeleza de fé que Enoque andou com Deus. Todos vocês podem fazer o mesmo. Podem converter-se e transformar-se inteiramente, tornando-se em verdade filhos de Deus, que fruem não somente o conhecimento de Sua vontade, mas que, por seu exemplo, conduzem outros ao mesmo caminho de humilde obediência e consagração. A verdadeira piedade difunde-se e é comunicativa. Diz o salmista: “Não escondi a Tua justiça dentro do meu coração; apregoei a Tua fidelidade e a Tua salvação; não escondi da grande congregação a Tua benignidade e a Tua verdade.” Salmos 40:10. Onde quer que se encontre o amor de Deus, há sempre um desejo de exprimi-lo. {T3 543.3}

Que Deus ajude todos a fazer diligentes esforços para ganhar a vida eterna, e para conduzir outros ao caminho da santidade.{T3 544.1}


Testemunhos para a Igreja, vol. 3, pp. 521–544 O dever do homem... 11, Julho, 2015





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