Liderar é uma arte



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Encontro05.08.2016
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Liderar é uma arte
Com sua eloqüência habitual, Stephen Covey demonstrou uma vez mais sua capacidade de cativar a atenção do público e revelar mais um segredo sobre liderança. Isso pôde ser constatado durante sua palestra na ExpoManagement 2000, que teve como tema Como vencer por meio das pessoas na Nova Economia. O evento foi realizado em Buenos Aires, entre os dias 9 e 11 deste mês, e teve o autor do best seller Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes como um dos palestrantes mais concorridos.

O especialista em liderança e desenvolvimento humano recomenda que os profissionais aproveitem o período de trabalho para ensinar o que sabem aos seus companheiros. Covey reforça essa recomendação lembrando que, de acordo com William Glasser, o ser humano aprende 95% do que ensina. Isso ocorre porque as pessoas escutam mais cuidadosamente o que estão falando e ficam mais motivadas a aplicar o que dizem. Saber algo e não fazê-lo significa que, na verdade, não se sabe. A sabedoria é poder aplicar princípios no conhecimento e nas informações. Gradualmente, se desenvolve a sabedoria e o bom senso, isso facilita o processo de mudança.

Covey diz que existem três constantes na vida: mudança, princípios e escolha. A mudança, conta, é constante, cada vez mais veloz e sufocante. Os princípios não mudam, são leis naturais, universais, estão compreendidos nas seis principais religiões, são eternos e evidentes. É importante construir uma cultura com base nos princípios. O terceiro ponto é a escolha. O guru observa que, mesmo que estejamos influenciados pelas circunstâncias, estas não têm porque determinar nossos atos; não somos vítimas do ambiente que nos cerca. Entre o estímulo e a resposta, destaca, está nossa liberdade de escolher a resposta ao estímulo. Você pode se ver intimidado pela mudança ou festejá-la, crescer com ela, porque você tem em seu interior algo que permanece imutável: os princípios. É importante cultivar o respeito à escolha com base nos princípios.
Liderança com base nos princípios
Da opinião que o mundo é de uma obsolescência permanente, o especialista propõe um novo paradigma: a liderança com base nos princípios. Ele diz que, frente às mudanças constantes que ocorrem à nossa volta, é necessária uma resposta que não mude. Ele conta que é importante fazer com que as pessoas se comprometam com os princípios e a visão que já têm dentro de si. Isto gera, no coração de cada um, uma sensação de direção, definiu.

Para ilustrar esse pensamento, Covey costuma perguntar a um grupo, por exemplo, onde fica o Norte. Geralmente, todos dão respostas distintas. O mesmo costuma acontecer quando ele pergunta qual é a finalidade de uma organização. Em seguida, Covey discorre sobre um dos maiores desafios da liderança, que é conseguir que os indivíduos estejam em sintonia com a mesma finalidade e os mesmos princípios.


É levar a cabo um processo de adequação constante com a finalidade da organização e os princípios que regem o comportamento. As pessoas costumam se confundir, perdem o seu centro moral. Porém, elas devem ser capazes de sentir interiormente os princípios, comenta.


Para o especialista, a chave não é trabalhar sobre o comportamento ou a atitude, mas sobre os paradigmas das pessoas. Os paradigmas são como mapas, equivalem à forma como você vê o mundo, a si mesmo e as relações. A chave é a exatidão do mapa. Os mapas da era industrial poderiam ser comparados com uma máquina com partes intercambiáveis. Nesta era do conhecimento, ele ressalta, é necessário um novo paradigma: o corpo.


Essa é a metáfora sugerida por Covey para representar a liderança centrada em princípios. A natureza humana está constituída por mente, coração, corpo e espírito. A partir deste momento, se desenvolvem as quatro inteligências: pensar, fazer, sentir e desejar. O sentir corresponde à inteligência emocional. O êxito executivo é, mais adequadamente, uma função da inteligência emocional que do quociente intelectual, assegura.


Covey cita uma frase do líder egípcio Anuar Sadat: Não se pode atuar independentemente em um mundo interdependente. Quando você vive de acordo com sua consciência, a inteligência espiritual ecoará na consciência do outro. Os princípios são universais e, ao criar uma cultura em que prevaleçam esses princípios, é desenvolvido um paradigma que não se modifica.


O paradigma tem quatro elementos que coincidem com quatro atributos básicos da liderança...



  • visão: mente;

  • disciplina: corpo;

  • paixão: coração – impulso necessário para conseguir a visão e exercer a disciplina;

  • consciência: espírito.

Covey incentiva aplicar este paradigma nas corporações. Estas dimensões representam os quatro princípios básicos de um líder: exploração de caminhos, adequação, preparação e modelação, diz o especialista em liderança. Se esses princípios forem deixados de lado, surgem quatro problemas crônicos que se desenvolvem nas organizações e esgotam os valores...



  • má adequação: rivalidade interdepartamental, co-dependência, hipocrisia;

  • valores não compartilhados: caos, ambigüidade, temas ocultos;

  • falta de preparo: re-trabalho, apatia, escapismo;

  • baixa confiança: lutas internas, posição defensiva, difamação.


Hábitos para conseguir eficiência

O guru estabelece uma relação interessante para que as pessoas possam se conhecer melhor, que tem como base os hábitos e princípios. Os sete hábitos dizem respeito ao que você é; e os quatro princípios ao que você faz. Se os executivos participam na criação dos sete hábitos e os repassam a outras pessoas, todos conseguirão entender os princípios fundamentais e a organização se contagiará com eles.

Os três primeiros hábitos – ser pró-ativo, iniciar com uma finalidade em mente, dar prioridade ao mais importante – estão dentro do âmbito do que Covey denomina vitória privativa e fortalecem a independência. Dentro da esfera pública, os hábitos são: adquirir compreensão mútua – primeiro compreender, depois ser compreendido – e criar cooperação – sinergia. Eles estão relacionados com a interdependência necessária para atuar em sociedade. O sétimo hábito é o da renovação: manter o corpo forte, saudável, utilizar o coração para relações de respeito e confiança. O exercício constante dos outros hábitos nutre o sétimo hábito.

Ele usa de uma estratégia para melhor exemplificar essa teoria. Quando está realizando uma palestra, como a que fez na ExpoManagement, Covey convida uma pessoa do público a disputar um braço de ferro – queda de braço. Porém, assim que estão posicionados, vai dizendo que é fraco e irá perder. Logo, convence o adversário de que ambos podem ganhar. Isso é feito mudando o enfoque do voluntário: tudo o que se requer é que ao menos uma das pessoas procure ganhar. Para isso, é necessário primeiro saber onde está o interesse da outra parte, o que o outro quer, o que procura, o que necessita, e depois, ser compreendido.


Covey conta que algumas imagens condicionam o pensamento. Se uma pessoa vê a missão ou a estratégia de uma forma diferente, tem de iniciar a comunicação em ambas direções, não precisa se apoiar na posição de poder. É normal não ver o mundo como ele é, mas como nós somos. A sinergia, de acordo com Covey, provém das diferenças de valores, e aí está a fortaleza.


Quem sabe administrar as coisas acredita que está é a chave para administrar as pessoas. Covey diz que esse é um comportamento autoritário. Se você paga bem a uma pessoa porém não a trata bem, essa pessoa perderá o comprometimento. A chave está em reunir as quatro necessidades das pessoas com as quatro necessidades das organizações: viver, amar, deixar um legado, aprender.


Outra dica de Covey é para colocar o materialismo de lado e dar mais atenção às pessoas. A chave reside em trabalhar em ambos os níveis: não se pode trabalhar em sistemas e estruturas se não se trabalha em nível pessoal, e vice-versa. É preciso seguir práticas e regulamentos para se chegar aos princípios e à sabedoria. Começar de dentro para fora. Em vez de se pensar no controle, pensar na liberação. Passar de bom para eficiente, de fazer as coisas bem para fazer as coisas corretas. Em uma palavra: da administração para a liderança, conclui.



Fonte


CAVEY, Stephen. Liderar é uma arte. Disponível em: . Acesso em: 15 mai. 2004.






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