LigaçÕES: vida e obra de garcía lorca



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LIGAÇÕES: VIDA E OBRA DE GARCÍA LORCA


Audrey Kelly Alves Martinez

Introdução


Este trabalho tem o objetivo de expor e relacionar a vida e a obra de Federico García Lorca, poeta e dramaturgo espanhol do início do século XX. Ao compará-las, vemos que são o verso e o reverso da mesma moeda.

Poeta de destino trágico, Lorca deixou-nos uma produção vastíssima que transpôs as fronteiras do tempo e de sua tão amada Espanha, mostrando um perfil questionador, sublime e musical.

Por fim, desvendando García Lorca encontraremos um percurso belo, emotivo e crítico ao mesmo tempo, além de descobrirmos o contexto histórico-social do início do século XX em uma Europa abalada por guerras e aspectos culturais vigentes da época.

Biografia do poeta


Federico García Lorca, um dos maiores poetas e dramaturgos da primeira metade do século XX e uma das mais famosas vítimas da Guerra Civil Espanhola nasceu em 05 de junho de 1898 em Fuente Vaqueros, região de Granada, sul da Espanha.

Estudou ao longo de sua curta vida Direito, Filosofia e Letras e, ademais, era autodidata – excelente pintor, compositor e pianista. Porém, destacou-se como poeta e dramaturgo, e sua originalidade e musicalidade, esta última graças ao seu tino musical, renderam-lhe muitos elogios.

Em Madrid, Lorca entra em contato com destacados elementos da chamada “Geração de 27”, época de grande expressão madura da poesia, entre eles Salvador Dalí, Luis Buñuel e Rafael Albertí.

O poeta não pertenceu a nenhum partido político, embora fosse socialista convicto e posicionava-se a favor da República. Perseguido por ser homossexual, devido à sociedade extremamente conservadora daqueles tempos e, principalmente, por ser um intelecutal, foi preso por um deputado católico direitista que justificou sua prisão sob a alegação de que ele era “mais perigoso com a caneta do que outros com revólver”.

Envolvido na Guerra Civil Espanhola iniciada naquele momento, Lorca foi executado pelos nacionalistas com um tiro na nuca no dia 19 de agosto de 1936.

Temas e influências do poeta


Lorca trabalhou diversos temas como a Guerra Civil Espanhola, conflito que se iniciou em 1936, ano de seu falecimento; morte (perseguição a personagens típicos de sua terra – os ciganos); amor à terra natal e à gente andaluza, motivos populares (casamentos, festas em agradecimentos a santos...); infância; expressão de medo diante dos crimes da civilização moderna; amor impossível, e tantos outros que estão arraigados tanto à sua vida e obra.

Escritor mais universal da sua geração, Lorca teve sua poesia e teatro divulgados amplamente em todo o mundo. Ainda pode-se perceber que o poeta não era apenas modernista, estilo literário do qual participou, mas também incorporou outras influências, tais como a barroca, a romântica, a simbolista, a do poeta modernista Juan Ramón Jiménez, a do neopopularismo de fundo erudito, a das vanguardas européias e, em especial, a de sua vida.


A obra do poeta


Como Lorca destacou-se principalmente na poesia e no teatro, dado já citado anteriormente, serão apresentadas a seguir sua obra e características.

Poemas


- Libro de Poemas (1921) e Canciones (1921-1924) – poemas iniciais que revelam influências do Modernismo e de Juan Ramón Jiménez;

- Poema del Cante Jondo (1921) – denota o dramatismo da canção andaluza;

- Primeras Canciones (1922) – expressão de amor à terra e à gente andaluza;

- Romancero Gitano (1924-1927) – indica que a interpretação lírica não se detém no externo, e sim que chega ao fundo misterioso e trágico do mundo andaluz;

- Poeta en Nueva York (1929-1930) – livro turbulento em que o autor adota a forma superrealista para expressar seu desdém pela civilização moderna norte-americana;

- Llanto por Ignácio Sánchez Mejías (1935) – narra a morte de um toureiro de modo intensamente dramático;

- Seis Poemas Gallegos (1935) – também demonstra amor à terra e à gente andaluza;

- Diván del Tamarit (1936) – obra com a presença da poesia oriental;

- Cantares Populares (1936) e Poemas Sueltos (obra póstuma) – obras que veiculam amor à terra e à gente andaluza, como outras obras do poeta.

Teatro


Lorca inicia sua produção teatral em 1926, e evoluciona desde o predomínio do lírico até o estritamente dramático. A realidade psicológica da mulher espanhola, e suas características determinantes: o sentimento de honra, a paixão amorosa – fortemente tingida de sexualidade – , o instinto maternal, as convenções sociais – estas sentidas com freqüência como lei inflexível ou rigoroso dever, são os temas trabalhados pelo autor.

- Mariana Pineda (1926) – primeira obra teatral de Lorca;

- La zapatera prodigiosa (1930) – obra que se aproxima do mundo da farsa;

- Amor de don Perlimplín con Belisa en su jardín (1931) – obra de jogo irônico predominado de tecedura dramatúrgica;

- Doña Rosita la soltera o El lenguaje de las flores (1935) – o tema da noiva que aguarda durante anos o amado é tratado com ironia e emoção melancólica.

Outra vertente de seu teatro constitui-se de três poderosos dramas campesinos que trazem repressão ou impulso sexual, provocando fatalmente uma tragédia. São estes:

- Bodas de Sangre (1933) – a peça gira em torno do rapto da noiva por um antigo amante no dia de seu casamento, e logo a morte deste pelo noivo, que também morre na luta. O elemento lírico está presente de modo constante e as influências de Lope, grande dramaturgo espanhol, desempenham um papel decisivo;

- Yerma (1934) – peça centrada no tema da fecundidade frustrada, no qual a protagonista acaba matando seu marido, traz também o elemento lírico;

-La casa de Bernarda Alba (1936) – obra sombria e dramática, cuja figura central – a mãe, zela pela castidade de suas filhas em um sufocante ambiente de aldeia – assegura a tensão dramática até o fim da obra.

Alguns poemas e análise

Obra: Poema del Cante Jondo (1921)

Poema: Malagueña

La muerte

entra y sale

de la taberna.

Pasan caballos negros

y gente siniestra

por los hondos caminos

de la guitarra.

Y hay un olor a sal

y a sangre de hembra,

en los nardos febriles

de la marina.

La muerte

entra y sale

y sale y entra

la muerte

de la taberna.

Os versos acima expressam o valor regional de Lorca, que sempre estimou sua terra natal. Ainda anunciam a morte, a dor e a perseguição através da Guerra Civil Espanhola, conflito liderado por Francisco Franco a frente dos nacionalistas.

Obra: Canciones (1921-1924)

Poema: Cancioncilla Sevillana

Amanecía

en el naranjel.

Abejitas de oro

buscaban la miel.

?Dónde estará

la miel?


Está en la flor azul,

Isabel.


En la flor,

del romero aquel.

(Sillita de oro

para el moro.

Silla de oropel

para su mujer.)

Amanecía

en el naranjel.

O aspecto tradicional de Lorca é tratado de modo simples e genuíno: o folclore espanhol. A utilização de metáforas e o retrato da infância doce revela as influências modernistas e de sua vida.

Obra: Romancero Gitano (1924-1927)

Poema: Romance de la Guardia Civil Española

Los caballos negros son.

Las herraduras son negras.

sobre las capas relucen

manchas de tinta y de cera.

Tienen, por eso no lloran,

de plomo las calaveras.

Con el alma de charol

vienen por la carretera.

...


!Oh ciudad de los gitanos!

La Guardia Civil se aleja

por un túnel de silencio

mientras las llamas te cercan.

!Oh ciudad de los gitanos!

?Quién te vio y no te recuerda?

Que te busquen en mi frente

Juego de luna y arena.

O poema transmite ao leitor a crueldade dos guardas que cometiam atrocidades contra o povo e apresenta a imagem dramática da região natal do poeta, com os ciganos perseguidos pela polícia no período da Guerra Civil Española. A forte presença do colorido e dos personagens típicos de sua terra dá um caráter grandioso e cheio de amor à gente andaluza.

Obra: Poeta en Nueva York (1929-1930)

Poema: VII – Vuelta a la Ciudad – New York

Oficina y Denuncia

Debajo de las multiplicaciones

hay una gota de sangre de pato;

debajo de las divisiones

hay una gota de sangre de marinero;

debajo de las sumas, un río de sangre tierna.

Un río que viene cantando

por los dormitorios de los arrabales,

y es de plata, cemento o brisa

en el alba mentida de New York.

...


Yo denundio a toda la gente

que ignora la otra mitad,

la mitad irredimible

que levanta sus montes de cemento...

O poeta inspirou-se no poema acima quando viveu na cidade norte-americana citada. Além de trazer o surrealismo e o estilo diáfano de Walt Whitman, expressa horror aos crimes e absurdos da civilização moderna e opulenta, e também a desumanização de uma sociedade distanciada de valores.

Teatro: Bodas de Sangre (1933)

Novia.

!Vámonos pronto a la iglesia!



Novio.

?Tienes prisa?

Novia.

Sí. Estoy deseando ser tu mujer y quedarme sola contigo, y no oír más voz que la tuya.



Novio.

!Eso quiero yo!

Produção teatral de grande êxito em todo o mundo, “Bodas de Sangre” é um drama campesino onde os elementos líricos e trágicos se fundem, trazendo ainda a linha metafórica de Lorca e o lirismo influenciado por Lope, grande dramaturgo espanhol.

Obra: Seis Poemas Gallegos (1935)

Poema: Madrigal a cibdad de Santiago

Chove em Santiago

meu doce amor.

Camelia branca do ar

brila entebrecida ô sol.

Chove em Santiago

na noite escura.

Herbas de prata e de sono

cobren a valeira lúa.

Olla a choiva pol-a-rúa,

laio de pedra e cristal.

Olla no vento esvaído

soma e cinza do teu mar.

Soma e cinza do teu mar

Santiago, lonxe do sol;

Agora da mañán anterga

trema no meu corazón.

Poema que exalta a cidade de Santiago de Compostela, localizada ao noroeste da Espanha. A presença de metáforas e o entranhado amor à terra são algumas das características mais comuns de Lorca.

Obra: Llanto por Ignácio Sánchez Mejías (1935)

Poema: La cogida y la muerte – Alma Ausente

I - La cogida y la muerte

A las cinco de la tarde.

Eran las cinco en punto de la tarde.

Un niño trajo la blanca sábana

a las cinco de la tarde.

Una espuerta de cal ya prevenida

a las cinco de la tarde.

Lo demás era muerte y solo muerte

a las cinco de la tarde.

...


IV – Alma Ausente

No te conoce nadie. No. Pero yo te canto.

Yo canto para luego tu perfil y tu gracia.

La madurez insigne de tu conocimiento.

Tu apetencia de muerte y el gusto de su boca.

La tristeza que tuvo tu valiente alegría.

Esta produção de Lorca foi dedicada a Ignácio Sánchez Mejías, grande amigo do poeta e toureiro muito famoso que morreu ao ser atacado por um touro na arena. O poeta chora a morte do toureiro, descrevendo o fato de forma realista e aflitiva.

Conclusão

Por meio deste trabalho, conclui-se que Federico García Lorca foi um poeta diferente dos demais, trabalhando suas experiências e vida em sua obra. Poeta precioso, rico em palavras e cheio de sentimentos, Lorca mostrou-se patriota e crítico, jamais sendo esquecido. Salve Lorca!



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HURTADO, Juan, SERNA, J. Palencia de la, GONZÁLES, Ángel. Historia de la Literatura Española. 5a ed. Madrid:Nacional, 1943.

LÓPEZ, José García. Historia de la Literatura Española. 2a ed. Barcelona:Vicens-Vives, 1996.

LORCA, Federico García. Obra Poética Completa. Tradução de William Agel de Mello. 3aed. Brasília:UnB, 1996.

SUASUNA, Alicia, FAISAL, Montes de. Literatura Española. Buenos Aires: Kapelusz, 1994.

TOMÁS, Tomás Navarro. Los poetas en sus versos: desde Jorge Manrique a García Lorca. Barcelona: Ariel, 1973.



Sites relacionados

http://bewoner.dma.be/ericlaer/cultural/fglorca.html

www.nlink.com.br/livrosdossilencios

www.opoema.libnet.com.br/garcialorca/garcialorca.htm

www.releituras.com/fglorca_menu.asp

www.vidaslusofonas.pt/f-garcia_lorca.htm


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