Ligas de combate ao analfabetismo no brasil: a contribuiçÃo do município de barbalha para a educaçÃo brasileira



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LIGAS DE COMBATE AO ANALFABETISMO NO BRASIL: A CONTRIBUIÇÃO DO MUNICÍPIO DE BARBALHA PARA A EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Zuleide Fernandes de Queiroz

Universidade Regional do Cariri - URCA

zfqueiroz@yahoo.com.br


Educação, História da educação, Liga contra analfabetismo



Importância da temática

No momento em que a cidade de Barbalha localizada ao sul do estado do Ceará, comemorou em 2008, 92 anos da Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo, fomos instigados a falar e pesquisar, para uma palestra à comunidade, sobre a temática. Foi então, que buscamos referências e estudos, pesquisas realizadas por outras Instituições de Ensino Superior, informações contidas nas pesquisas realizadas por intelectuais da região, bem como em documentos da época. O artigo que apresentamos buscou reconstituir a história da Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo, apresentando para o leitor e ouvinte a relação da Liga naquela localidade com as Ligas Brasileiras que no mesmo período vinham acontecendo no Brasil.



Objetivo do Estudo

O estudo teve como objetivo maior apresentar a história da Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo e sua importância para a história da educação no Ceará e no Cariri Cearense. Buscou reconhecer, enquanto Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Regional do Cariri - URCA a importância desta frente para a educação e o desenvolvimento regional.



Metodologia

A metodologia utilizada baseou-se na pesquisa documental e bibliográfica. Um estudo desta natureza tem importância fundamental como fonte investigativa em pesquisas de graduação e pós-graduação voltadas para a reconstituição da história da educação em um determinado lugar, onde estes estudos muitas vezes são escassos.

O motivo da escolha justifica-se pela importância que o estudo bibliográfico e documental pode ter para a reconstituição da história da Liga. Conforme Rodrigues (2007, p.43) este tipo de pesquisa limita-se a "busca de informações em livros e outros meios de publicação". Dispensadas as fontes primárias, uma vez que as mesmas já tinham sido estudadas inicialmente pelos pesquisadores aqui citados, queremos salientar que ao registrarmos o estudo como realização de uma fala para educadores e a comunidade em geral da localidade de Barbalha, nos sentimos instigados a fazer um estudo maior que ora realizamos junto ao nosso grupo de pesquisa.1

Dividimos o artigo em pequenas partes nas quais, primeiramente, situamos a cidade de Barbalha, destacando que este lugar logo no início da sua criação já tinha a preocupação com a educação escolar. Em seguida, situamos a Liga de combate ao analfabetismo em seu contexto nacional, no período da primeira república, e por último falamos da história da Liga de Barbalha, que nos leva ao desafio de reconstituir sua história, seus sujeitos, seus espaços, pois, pouco se registrou sobre este grande acontecimento no Ceará, ainda na primeira república.


A importância de Barbalha na Educação do Cariri Cearense

De acordo com Barreto (1976, p.49, in: QUEIROZ, 2008) “a formação política de Barbalha teve início no segundo quartel do século XIX, quando a Lei 374, de 17 de agosto de 1846, criou o município com sede no núcleo deste nome. Posteriormente, a Lei nº 1.740 de 30 de agosto de 1876, elevou a Vila à categoria de cidade".

Inicialmente, como parte integrante do Crato, Barbalha foi fundada com “freguesia de Barbalha”. Sua história esteve ligada à história da Missão do Miranda2, e seu nome teve origem de um Sítio com o nome de uma mulher que tinha morado ali, conforme afirmam Raimundo Girão e Antonio Martins Filho em seu livro intitulado “O Ceará”, de 1939 3, sendo que, em 1842, passou a Distrito policial e, posteriormente, em 1846, tornou-se município.

Diferentemente do Crato, Barbalha teve como fundador um grande latifundiário que consolidou a política dos grandes latifúndios. Nesse sentido era considerada por João Brígido apud Figueiredo Filho (1966, p.45) uma povoação fechada:


Com vinte anos de existência não tem um graveto com que acender o lume, nem uma gota d’água com que molhar a guela. E não está situada nos pampas da Cisplatina. É que o solo tem o seu dono, que reserva as matas para o seu uso, a água corre em delgados fios e tem o seu senhorio. Quem de uma ou outra coisa precisa, a vai mendigar. Foi triste lembrança criar uma vila em terrenos que pertencem a particulares; foi julgar que os homens podem fazer de avestruz, congregá-los em sítios, onde não existe água potável para uso comum. (BRIGIDO apud FIGUEIREDO FILHO, 1966, p.45, in: QUEIROZ, 2008, p. 186)
Padre Antonio Vieira relata que Barbalha sempre tentou impor um domínio político na região e que pela sua estrutura de grandes latifúndios seus donos viviam sob a vigilância de cangaceiros e políticos causando desavenças e desentendimentos com outras vilas do Cariri. Sobre isso ele narra:
Por toda parte, Barbalha tentava impor o seu predomínio e influência política no município, como na Região, com chefes políticos cujas residências eram verdadeiras casamatas de cangaceiros e bandidos, e as decisões de mando do município eram resolvidas no entrechoque de ferrenhas lutas fratricidas. Tais fatos, sem nenhuma dúvida, fizeram com que Barbalha fosse alvo predileto da vingança e saque que os jagunços de Floro Bartolomeu realizaram na cidade, deixando-a quase inteiramente destruída, tal foi o vandalismo e a gana espoliadora dos fanáticos atacantes, marcando com ferro em brasa a sensibilidade e a fidalguia dos seus habitantes. (VIEIRA, 1988, p.122-123, in: QUEIROZ, 2008, p. 187)
Essa cidadela teve como filho Pereira Filgueiras que, em 1817, lutou ao lado da Coroa para dominar os revolucionários do Crato e, em 1822, lutou pela consolidação da Independência do Brasil. Em 1824, lutou pelos ideais republicanos, vindo a falecer nesse período.

Queiroz (2008, p. 155), em seus estudos sobre a história da educação no Cariri Cearense destaca a importância da região ainda no início do século XIX:


Como mostra a historiografia, em 14 de agosto de 1839, o senador José Martiniano de Alencar cria a Província do Cariri Novo, conforme registra José de Figueiredo Filho, em seu livro intitulado 'História do Cariri': A assembléia Geral Legislativa decreta: Art. 1o. - Fica criada uma província que se denominará Província do Cariri Novo, cuja capital será a vila do Crato (...)
Neste contexto surge, posteriormente, a cidade de Barbalha. O município foi criado em 17 de agosto de 1846, através da Lei Municipal No. 374/1846, sendo elevada a categoria de Cidade em 30 de agosto de 1876. A cidade tinha como atividade produtiva a agricultura da cana-de-açúcar e, no início do século XX, viria a se tornar um centro comercial do Cariri, pela sua posição na região.

A educação em Barbalha, em nossos estudos, tem como marco a fundação do Colégio Leão XII, em 1903, pelo Juiz de Comarca Manoel Soriano de Albuquerque. Desde o seu início registra-se que referida escola tinha os padrões iguais aos dos estabelecimentos de ensino de grandes cidades da época, para garantir a formação dos filhos dos grandes latifundiários.

Em 1889, Barbalha cria seu Gabinete de Leitura, nos moldes dos Gabinetes europeus e da elite brasileira da época. Este acontecimento levará Barbalha a ser uma cidade, dentre as outras da Região, a se destacar na área educacional, por possuir, de acordo com registros, o único Gabinete da região.

No ano de 1917, no fervor do movimento de luta pela erradicação do analfabetismo, no período denominado pelos historiadores de “otimismo pedagógico”, Barbalha mais uma vez se destaca quando assume, na sua região, a responsabilidade de propagar um movimento nacional chamado de Liga Brasileira de Combate ao Analfabetismo.

Um dos marcos da consolidação da educação de Barbalha, que não podemos deixar de registrar, é a fundação do Centro de Melhoramentos de Barbalha, em 1944, cujo objetivo era reunir os barbalhenses em torno dos interesses ligados diretamente à terra” (CALLOU, 1976, in: QUEIROZ, 2008). Um dos seus empreendimentos foi a criação de “um colégio para a educação da mocidade”.

Sobre a educação nesse período, o autor registra: “Ressente-se a nossa terra da falta de tudo isto, e uma das grandes lacunas é a ausência de um estabelecimento de ensino secundário, onde eficientemente seja ministrado à nossa juventude o curso de humanidades. Dezenas e dezenas de estudantes de ambos os sexos, freqüentam cursos em várias cidades deste e de outros estados, com dispêndio muitas vezes, oneroso a economia dos pais (...)”. (Ibid, p.47–48)

A referida Fundação foi responsável pela criação dos dois principais colégios da cidade – o Colégio Santo Antônio e o Ginásio e Escola Normal Nossa Senhora de Fátima, um dirigido pelos Padres da Sociedade do Divino Salvador e o outro pelas irmãs da Ordem de São Bento (BARRETO, 1976, p.50, in: QUEIROZ, 2008, p. 185).

Vale salientar que nosso estudo se situa exatamente no momento em que, ao registrarmos a história da educação no Cariri Cearense, mais especificamente, a história da educação no município de Barbalha, encontramos registros sobre a Escola da Liga. Assim fomos buscar informações sobre esta escola, e então encontramos que esta após oferecer a educação para os filhos de Barbalha, no início da República, não fechou suas portas, manteve, após o movimento nacional contra o analfabetismo, uma escola para meninas, no turno diurno, e uma escola para meninos, no turno noturno.

Assim, a história da educação de Barbalha vai se inserir na história da educação brasileira como a primeira cidade do Ceará a criar a liga contra o analfabetismo.


No Brasil Republicano a Luta contra o Analfabetismo

De acordo com Vanessa Nofuentes (2009) a fundação da Liga Brasileira Contra o Analfabetismo, compreendendo, através das estratégias de ação de sua primeira diretoria, a Liga Brasileira foi criada em 1915 e tinha como objetivos, de acordo com os intelectuais envolvidos naquele projeto, o combate ao analfabetismo em todo o Brasil. É importante destacar quando a autora diz que “são raras as referências à Liga Brasileira Contra o Analfabetismo. Tal lugar acabou por ser definido pela historiografia através das críticas elaboradas pelos membros da Associação Brasileira de Educação, cujo discurso negaria experiências anteriores”.

A autora destaca que a Liga tinha como preocupações: a freqüência escolar, a falta de prédios adequados, material didático e com os modos civilizados e cívicos em uma escola moderna, que moralizava e civilizava, estavam presentes no movimento analisado. Afirma ainda que
A campanha empreendida pela Liga encontrou apoio nos diversos cantos do Brasil, sobretudo através da atuação de Ligas estaduais e municipais. A análise destas ações evidencia que as Ligas atuavam em uma dupla direção ao coordenar ações de combate ao analfabetismo que incentivavam o engajamento e a mobilização da sociedade em favor da instrução e, ao mesmo tempo, chamar o Estado a atuar, exigindo sua intervenção em questões como a decretação da obrigatoriedade do Ensino Primário. (NOFUENTES, 2009)
No momento em que estuda a Liga Brasileira a autora provoca os pesquisadores da história da educação e os professores a se preocuparem e estudarem a temática, pois percebe “que, entre memórias e esquecimentos, as Ligas fundadas durante a década de 1910 têm muito a nos revelar acerca da mobilização social neste país, demonstrando que a Primeira República representa um momento estratégico na História do Brasil”.

Nosso estudo encontrou o registro sobre a Liga Fluminense Contra o Analfabetismo no período de 1916 a 1919. Esta era compreendida como lugar de sociabilidade e construção de uma identidade de intelectuais fluminenses, ao relacionar-se com questões referentes à construção da nacionalidade brasileira durante a Primeira República.

A referida Liga realizou uma intensa campanha pela difusão do ensino primário, acompanhada pela instalação de Ligas nos municípios e visava à erradicação do analfabetismo no estado do Rio de Janeiro. Era um movimento que relacionava à saúde, ao civismo, à cultura, à educação e à política. (NOFUENTES, 2006)

De acordo com a pesquisa


(...) os anos de 1910 representaram um momento de transformação na História do Brasil. A conjuntura da Primeira Guerra Mundial causou impacto profundo entre os intelectuais, reacendendo-se a necessidade de pensar o Brasil do ponto de vista brasileiro, visando soluções para os grandes problemas da nação. As novas bandeiras nacionalistas propunham um programa de lutas e a necessidade de organizar movimentos que atuariam na salvação do país buscando uma nova identidade nacional. Educação e saúde seriam apontadas como dois elementos que faziam parte da “receita de cura” dos males brasileiros dada pelos intelectuais da época, que se declaravam como únicos capazes de colocar o país nos “trilhos”, em direção ao progresso.
Na realidade os intelectuais da época consideravam que a República não havia cumprido seu papel no que concerne à formação de cidadãos. E assim começaram a realizar um movimento com diversas ações para desenvolver o Brasil, sendo, dentre estes, a Liga de Defesa Nacional, fundada em 1916,
(...) preocupada com a formação de uma consciência nacional que seria obtida através do serviço militar e da educação cívico-patriótica e a fundação em São Paulo da Liga Nacionalista. Dentre os objetivos desta última, destacamos, além da luta pela defesa nacional e da educação cívica, um aspecto peculiar referente à questão do voto e da representação. No que concerne à saúde, o destaque é para a fundação da Liga Pró-Saneamento do Brasil em 1918 visando à estruturação de uma campanha pelo saneamento rural. (NOFUENTES, 2006)

Em artigo publicado no dia 29 de dezembro de 1915, Luiz Palmier destaca que “desde alguns meses vem se reunindo na capital a Liga Brasileira Contra o Analfabetismo” demonstrando o crescimento do movimento e a grande quantidade de adesões”. O autor diz que “em Minas, Bahia e São Paulo, muitas são as povoações que vêm se batendo pelo mesmo ideal [...] não só o interior, mas também a capital precisa dar combate ao grande mal”. Assim, o intelectual fluminense conclui que “nada mais resta do que estabelecer desde já os fundamentos da Liga Niteroiense Contra o Analfabetismo”. (NOFUENTES, 2009)


A LFCA era uma seção da Liga Brasileira fundada na Capital da República em 1915, cujo propósito era a difusão do ensino primário no Brasil. A proposta do movimento então fundado, chamava a atenção para a necessidade de se nomear comissões escolares em cada distrito das municipalidades, tendo em vista, através de cursos noturnos gratuitos, alfabetizar todas as pessoas entre 14 e 50 anos. Uma das primeiras medidas tomadas foi enviar às Câmaras Municipais um questionário que informaria sobre o número de escolas e de matrículas, a freqüência, a localização e os programas adotados; além de buscar identificar quais escolas não possuíam mobiliário e não estavam convenientemente instaladas. Diversas foram as comissões municipais organizadas e, já neste momento inicial, um aspecto importante dizia respeito à criação das chamadas Caixas Escolares que contariam com a doação de livros e dariam amparo aos alunos carentes. Inicia-se, assim, uma intensa campanha pela difusão do ensino primário acompanhada pela instalação de diversas Ligas nos municípios.

Os registros mostram que para aqueles intelectuais a falta de educação escolar era uma doença a ser curada. Luiz Palmier, citado por Vanessa Nofuentes enfatizaria que “o que há de mais notável em toda esta peregrinação em torno do combate ao maior cancro que infesta a terra brasileira, é sem dúvida, a rapidez com que vão sendo conseguidas, por toda a parte, adesões dos patriotas de todas as classes sociais e das associações, as mais diversas.” Estas ilustrações sobre a Liga Fluminense servem para mostrar a ação deste movimento que chega a Barbalha, e aqui defende a educação escolar elementar para todos.

Nos estudos de Azevedo (2001, p. 28) encontramos, além de uma citação da Liga do Rio de Janeiro, a autora nos apresenta um pouco da história da Liga Nacionalista em atuação no Estado de São Paulo. No estudo cita que
Em São Paulo, a Liga Nacionalista, origem do futuro Partido Democrático, será outro espaço de tratamento da questão educacional. Seus esforços vão se concentrar na instrução popular, vista como condição para ampliar as bases eleitorais e para a implantação do regime democrático (Paiva, 1973:97). Suas campanhas de alfabetização, além de vincularem-se ao alistamento eleitoral e à defesa do voto secreto, não deixavam de abranger a educação cívica, com a qual se buscava garantir a qualidade do voto e a regeneração do caráter nacional (Carvalho, 1989:42). A presença dos imigrantes, símbolo das lutas do trabalho, é sempre representada como severa ameaça: A alfabetização do povo é, na paz, a questão nacional por excelência. Só pela solução dela, o Brasil poderá assimilar o estrangeiro que aqui se instala em busca de fortuna esquiva. Do contrário, é o nacional que desaparecerá absorvido pela inteligência mais culta dos imigrantes. Não há como fugir ao dilema: ou o Brasil manterá o cetro dos seus destinos, desenvolvendo a cultura dos seus filhos, ou será, dentro de algumas gerações, absorvido pelo estrangeiro que para ele aflui.
Temos outro registro da Liga no estado do Rio Grande do Sul. O estudo de Neusa Batista (s/d) registra que naquele estado no período "da primeira Guerra Mundial (1914-1918), entremeada com o movimento nacionalista (Ligas de alfabetização/Associação Brasileira de Educação) e as transformações que, paulatinamente, vão se operando na sociedade. Necessitava-se de soldados alfabetizados para proteger o país em caso de invasão". Lamentamos que o texto apenas situe este período não destacando a história da Liga.

Neste contexto se insere o estudo da Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo, que assim como muitas outras, em todo o Brasil, não teve ainda seu registro para a história da educação.



Liga Barbalhense de Combate ao Analfabetismo

Quando buscamos informações nos órgãos de circulação nacional e estadual, sobre a Liga Barbalhense de Combate ao Analfabetismo, encontramos somente um registro no INEP/Brasil (SILVA, 2009) que apresenta tão somente os seguintes dados:



Código: 23161990    Nome: LIGA BARBALHENSE CONTRA O ANALFABETISMO, EEF

Endereço: RUA HENRIQUE LOPES

Número: 298




Complemento:

Bairro: ROSARIO

Caixa Postal:







CEP: 63180000

Município: BARBALHA

UF: CE – Ceara







Localização: Urbana

Dep. Administrativa: Municipal




Fax:

Telefone: (855)320504

E-mail:







Níveis/modalidades de ensino que a escola atua:

Classe de Alfabetizacão; Fundamental de 1 a 4 Serie; Educação Jovem e Adulto (Avaliação no Processo).





Assim trazemos como pesquisa inicial sobre o tema, recordada da Tese de Doutorado, do Programa de Pós-Garduação em Educação Brasileira da FACED/UFC, do professor da URCA, Josier Ferreira da Silva.

O pesquisador resgata a história da Liga Barbalhense afirmando que

A fundação da Liga Cearense Contra o Analfabetismo (LCCA) e a Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo, em 13 de maio de 1917, como as demais espalhadas no Brasil, era ideologicamente orientada pelas das Ligas Nacionalistas. A Liga Barbalhense contra o Analfabetismo, criada pelo advogado rábula, José Bernardino de Carvalho Leite, se constituiu na primeira experiência significativa da república na educação do município, inspirada nos ideais de modernidade. Representa o espírito nacionalista dos seus protagonistas a sua busca de espaços de atuação política no campo educacional na república. (SILVA, 2009, p.189)

O autor relembra que os protagonistas da Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo "descendiam das famílias que partilhavam do poder político e econômico, originário da época do Império e testemunharam a inserção de Barbalha no contexto de resistência e crítica dos movimentos intelectualizados à ineficiência das políticas educacionais dos primeiros governos da republica". Assim é importante considerar a ligação sócio-ideológica dos referidos protagonistas locais da educação com os ideais políticos do império, e que, através deles, se mantiveram na república.

Em seu estudo Silva (2009) encontra registros nos quais "o espírito nacionalista invocava o saudosismo, expresso na crítica ao regime republicano, na tentativa de resgate das experiências educacionais implementadas durante o Império”.

Nesse sentido a Liga de Barbalha era assim um movimento republicano, de caráter nacional, cujos implementadores têm suas origens no ideário do Império. De acordo com os estudos, as atas registram como sócios fundadores da Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo, os senhores:

- Antônio Reynaldo Alves de Sousa,

- Antonio Correia Sampaio Filgueiras,

- José Bernardino de Carvalho Leite (primeiro presidente),

- José de Sá Barreto Sampaio, Dr. Joel Teixeira de Medeiros Bastos,

- José Nogueira Sampaio, Gregório Callou Filho,

- Henrique Fernandes Lopes Sobrinho,

- Manoel Rodrigues Peixoto Alencar,

- Silvino José da Silva e

- Manuel Duarte de Sá Barreto.

Como reconhecimento aos serviços prestados à entidade, seus associados, mantiveram o 1º Tabelião Público, Manoel Rodrigues Peixoto de Alencar, na sua presidência entre os anos de 1918 a 1926. Nessa gestão, os demais cargos foram ocupados pelos senhores Cláudio Couto, Manuel Duarte de Sá Barreto, Antonio Duarte Junior, Joaquim Felipe Santiago, José Duarte de Sá Barreto, João Coelho Garcia e Martiniano de Souza Ferraz.

A Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo, conforme documentos do período, tinha como atividades

(...) além da atividade educacional, a Liga, sintonizada com o espírito cívico-patriótico mantinha uma banda de música, “13 de maio”,4 regida do maestro Emídio Barros e dirigida por José Duarte de Sá Barreto. Nessa época, existiam duas bandas de música, fato que expressa o desenvolvimento cultural da cidade. Das duzentas Ligas fundadas no Brasil sob a recomendação do presidente da República, Dr. Venceslau Braz, a de Barbalha – CE é a única ainda existente. Foi reconhecida como entidade de utilidade pública pelo decreto nº 1895 do Governo do Estado do Ceará e funcionou no prédio construído pelos sócios ex-tiro brasileiro,5 “General Joaquim Inácio”6, e que foi revertido em patrimônio da entidade, reafirmando o espírito nacionalista da época”. (SOBRINHO 1987, p. 40, in: SILVA, 2009)



Considerações Finais

Como podemos observar muito ainda temos que pesquisar acerca da temática, mas, consideramos que se o tempo é agora vamos fazer este trabalho sem esquecer que cidadãos, como Dr. Napoleão têm muito a nos contar. Como ele, acredito que sujeitos podem relembrar destes tempos de Barbalha.

O regate histórico passa pela busca de documentos, livros, periódico e pela memória do lugar, de seus sujeitos. Observamos que poucos registros ainda foram encontrados sobre a história da Liga. No Município existe o prédio da liga, onde encontramos a sua memória. Porém, muitos não conhecem a sua importância e a sua ligação com a história nacional.

Quando adentramos no lugar sentimos falta de toda a história que por ali passou, seus alunos, as reuniões, a divulgação da ação da Liga, seus professores. Depois de tudo a escola se transformou em espaço para escola de meninos e meninas e mesmo assim, pouca coisa ficou.

Reconhecemos que o estudo da história da educação do município de Barbalha não pode deixar de passar pela reconstituição histórica da Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo. Assim consideramos, para os nossos estudos como Grupo de Pesquisa, que Barbalha é rica em Memória e História da Educação.

Referências
AZEVEDO, Janete Maria Lins. O Estado, a política e a regulação do setor educacional no Brasil: uma abordagem histórica In: Gestão da educação: impasses, perspectivas e compromissos/ Naura Syria Carapeto Ferreira, Márcia Angela da S. Aguiar (orgs.). São Paulo: Cortez, 2001. – 2.ed. p.17-42.

BATISTA, Neusa Chaves. A Organização educação básica brasileira em perspectiva histórica. Rio Grande do Sul: UFRGS, s/d.

NOFUENTES, Vanessa Carvalho. Um desafio do tamanho da nação: a campanha da liga brasileira contra o analfabetismo (1915-1922). Rio de Janeiro: PUC, 2009.

NOFUENTES, Vanessa Carvalho. Construindo a Nação: Liga Contra o Analfabetismo no Estado do Rio de Janeiro (1916-1919). XII Encontro Regional de História - ANPUH - Rio de janeiro, 2006.

QUEIROZ, Zuleide Fernandes de. Em cada sala um rosário, em cada quintal uma oficina: o tradicional e o novo na educação tecnológica no cariri cearense. Fortaleza: Edições UFC, 2008.

RODRIGUES, Rui Martinho. Pesquisa acadêmica: como facilitar o processo de preparação de suas etapas. São Paulo: editora Atlas, 2007.



SILVA, Josier Ferreira. O circulo Operário como expressão do catolicismo social na promoção do ensino e da cultura no município de Barbalha (1930-1964). Fortaleza: UFC, 2009. (Tese de Doutorado do Programa de Pós Graduação em Educação da FACED/UFC).

1 O Grupo de Pesquisa sobre História da Educação no Cariri é constituído por professores da Universidade Regional do Cariri e por alunos da graduação e da pós-graduação que realizam estudos de final de Curso. Atualmente o Grupo tem pesquisa com financiamento do CNPq e Fundação Cearense de Pesquisa - FUNCAP.

2 Informações presentes no livro de José de Figueiredo Filho, citado anteriormente. Nessa parte, o autor se reporta aos estudos de Irineu Pinheiro em seu livro “Efemérides do Cariri” publicado pela Imprensa Universitária do Ceará, em 1963.

3 Figueiredo Filho. História do Cariri. Crato : Faculdade de Filosofia do Crato, 1966.

4 Em homenagem à data de sua fundação.


5 Instituição militar do Exército Brasileiro responsável pela formação de reservistas para o exército, conciliando a instrução militar com o trabalho ou estudo do convocado.



6 Nascido em 24 de junho 1860, antes da Guerra do Paraguai, Joaquim Ignácio Baptista Cardoso era General de Brigada na ativa e avô do ex-presidente Henrique Cardoso. Em 15 julho de 1875, aos 15 anos, ingressou no Exército como soldado voluntário no 20º BC de Goiás e cadete de 2ª classe, encerrando a sua carreira militar em 05 maio 1923. Como comandante da 1ª Circunscrição, em Mato Grosso, foi preso por mais de 100 dias, a bordo do Scout Ceará, na Baia da Guanabara, sob acusação de participar da conspiração na Revolução de 1922. Moralmente abatido e sem o reconhecimento dos seus serviços militares, incluindo a sua participação pela proclamação e consolidação da República, faleceu em junho de 1924.


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