Limoncic, Flávio unirio



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Limoncic, Flávio - UNIRIO




Herbert Croly e a questão do Estado norte-americano

O início do século XX representou um momento de grandes transformações demográficas na sociedade norte-americana, com a entrada massiva de imigrantes do sul e do leste europeus, em sua maioria católicos e judeus, que dirigiram-se predominantemente para os centros urbano-industriais.1 Colocava-se então um problema premente para os americanos brancos, anglo-saxões e protestantes: o de americanizar tais imigrantes que, destituídos das virtudes puritanas do trabalho árduo e do consumo parcimonioso, abrigavam em seu seio inúmeros defensores das chamadas ideologias estrangeiras, como o comunismo, o socialismo e o anarquismo.2

A percepção do conflito social como algo estrangeiro fundamentava-se na busca pela preservação dos fundamentos sociais de uma América que se via como destituída dos conflitos de classe e problemas urbanos característicos da Europa.3 No entanto, as ideologias estrangeiras encontrariam solo fértil em uma sociedade que, também neste período, via consolidar-se a concentração e centralização do capital nas grandes corporações,4 generalizando as relações de assalariamento e acarretando o fenômeno, novo para os padrões do país, da probreza urbana e branca. As últimas décadas do século XIX presenciaram, portanto, uma crescente insatisfação operária, respondida com violenta repressão patronal e estatal.5 Diante de tal quadro, um grupo de reformadores sociais voltou suas atenções para o Estado, nele percebendo o único agente político capaz de coordenar ações coletivas que visassem a solucionar o quadro de crescente tensão social. Nascia, assim, o Movimento Progressista.

A Era Progressista, compreendida entre princípios do século e o pós-Primeira Guerra, testemunhou a implementação de um conjunto de iniciativas – por vezes aparentemente díspares, como a Lei Seca e a criação de mecanismos de democracia direta, as primeiras legislações de proteção ao trabalho e uma profunda regressão dos direitos políticos e civis dos negros do Sul -, defendidas por diferentes atores sociais com vistas a construir alternativas à sua inserção na nova ordem urbano-industrial. Neste sentido, ela foi o momento em que uma ampla gama de interesses privados adentrou a esfera pública e, em um processo de negociações e conflitos, ampliou-a em algumas de suas dimensões, como no que diz respeito à regulação do conflito distributivo, e privatizou-a em outros, como no que se refere a inúmeras agências regulatórias setoriais.6 A Era Progressista testemunhou, enfim, o nascimento de uma nova burocracia técnica e um novo Estado administrativo, em que o Poder Executivo assumiu centralidade crescente na regulação da economia e passou a exercer funções até então sob domínio dos Poderes Executivo e Legislativo.7

Herbert Croly foi a principal expressão intelectual do Movimento Progressista e The promise of American life, publicado em 1909, a obra central da corrente hamiltoniana do Movimento. Com seu primeiro livro, Croly antecipava a divisão que iria se cristalizar, nas eleições presidenciais de 1912, entre os progressistas jeffersonianos de Woodrow Wilson e os hamitonianos de Theodore Roosevelt.8 Para os wilsonianos, aglutinados em torno ao slogan Nova Liberdade, o Estado progressista deveria desarticular o poder das grandes corporações, restituindo a América ao mundo dos pequenos negócios, ao passo que o Novo Nacionalismo, de Roosevelt, termo cunhado pelo próprio Croly, percebia as grandes corporações como um dado irreversível, e mesmo desejável, da economia moderna, cabendo ao Estado o papel de regulá-las.9

A questão central de The promise of American life é, justamente, a construção de um Estado progressista que, simultaneamente, extraísse as potencialidades positivas do crescimento urbano-industrial e restituísse a perdida harmonia social à América. Com este objetivo, Croly faz uma crítica ao liberalismo econômico, que teria resultado em uma distribuição da riqueza moral e socialmente indesejável e defende disciplina, auto-renúncia e subordinação individual ao bem comum.10 Como desdobramento, Croly rompe também com as concepções jeffersonianas de governo, propondo uma regulação estatal eficiente da economia:

A atual concentração da riqueza e poder financeiro nas mãos de poucos homens irresponsáveis é o desdobramento inevitável do individualismo caótico de nossa organização política e econômica, ao passo que é inimiga da democracia, porque tende a introduzir abusos políticos e desigualdades sociais no sistema. A conclusão a que se chega pode não ser consensual, mas não deve ser abandonada. Ao tornar-se responsável pela subordinação do indivíduo às demandas de um propósito nacional dominante e construtivo, o estado americano vai, com efeito, fazer de si próprio o responsável por uma distribuição da riqueza moral e socialmente desejável.11
Croly defendia uma ampla reestruturação do Estado e uma redistribuição de poderes e atribuições entre este, as grandes corporações o trabalho organizado. Tendo sido construído à época da fundação da República, em um momento em que o corpo político da nação era essencialmente harmônico, o Estado americano revelava-se estruturalmente incapaz de fazer face a uma situação em que dois atores sociais com interesses particularistas e egoístas, as corporações e o trabalho organizado, colocavam em risco a coesão social.12 Tal reestruturação exigiria ainda uma crítica à idéia liberal da igualdade de direitos. Segundo Croly, tal igualdade esconderia o fato de que a sociedade cria permanentemente desigualdades que só poderiam ser corrigidas através de “discriminações construtivas”, o favorecimento a alguns grupos sociais no interesse do bem de todos, cabendo ao Estado o papel de agente e árbitro de tais discriminações.13

Assim como defendia um grande estado, Croly defendia também a grande corporação e o grande trabalho e, portanto, o primeiro deveria “discriminar construtivamente” o segundo e o terceiro. Para ele, as grandes grandes corporações não só haviam introduzido eficiência e racionalidade na economia americana como também eram instrumentos indispensáveis à construção de um ambiente de cooperação social, dado que haviam surgido justamente para colocar limites à caótica concorrência entre as empresas de um mesmo setor. Por esta razão, defendia o fim da Lei Sherman Antitruste, restringindo o combate às corporações quando estas se transformassem em monopólios.14 Por outro lado, o trabalho organizado deveria contribuir para a maximização da eficiência da economia através da disciplinarização dos trabalhadores. A “discriminação construtiva” ao trabalho organizado deveria atribuir reconhecimento legal aos sindicatos, premiando os “bons”, ou seja, os que agissem de acordo com o interesse nacional, e reprimindo os “maus”, aqueles que insistissem em agir segundo reivindicações classistas.15

Croly possuía ainda um objetivo essencialmente cultural em The promise of Amercan life, a construção de uma sociedade orgânica, dentro da qual cada indivíduo encontrasse sua função, em que o individualismo e o egoísmo fossem suplantados pela idéia de uma comunidade baseada na cooperação e na inclusão a um ideal comum. A democracia americana seria, portanto, a expressão da vontade soberana de um povo em busca de seu projeto nacional.16 Para tal, Croly não hesita em exigir sacrfícios individuais, disciplina e racionalidade, senso de obrigação e dever a uma elite e a uma liderança democrática – o que, não por acaso, muito agradava a Theodore Roosevelt, para quem o livro de Croly constituía “... o mais iluminador estudo de nossas condições nacionais a aparecer em muitos anos”.17

Em 1914, Croly publicaria Progressive Democracy, e fundaria, ao lado de outros intelectuais progressistas, como Walter Lippman, a revista New Republic, que se tornaria uma das principais porta-vozes do movimento progressita.18 Em seu segundo livro, Croly operaria uma transição rumo a uma concepção política menos centrada no Estado, ao perceber maior legitimidade nos grupos de interesses na construção de um todo nacional orgânico. Por outro lado, em que pese o livro não apresentar um programa de reformas distinto, no essencial, do exposto em The promise of American life, ênfase maior era dada à questão democrática, com a defesa de mecanismos de participação direta da sociedade, através de mecanismos como o recall e o referendo, na condução dos negócios públicos.

Tal ênfase iria aprofundar-se nas páginas de New Republic, particularmente em razão da Primeira Guerra Mundial. Inicialmente, a revista defendeu a participação americana no conflito, percebido como uma oportunidade de expandir as reformas progressistas domésticas e a democracia pelo mundo. Mas a condução da guerra pelo governo Wilson iria revelar-se uma decepção para os progressistas: o discurso nacionalista e mesmo belicista e, principalmente a repressão generalizada aos opositores da entrada americana na guerra,19 levaria a New Republic a distanciar-se de Wilson. Por fim, a crueza do conflito e, sobretudo o Tratado de Versalhes, acabariam por jogar por terra a fé progressista na razão, na possibilidade de construção de uma sociedade orgânica e devotada a um contínuo progresso, na capacidade de regeneração do gênero humano e no papel do Estado como seu motor.20 Diante de tal quadro, o reconhecimento da legitimidade dos grupos de interesse ganha maior força, ainda que ao Estado caiba o papel de reconhecê-los e coordená-los.21

Se Croly não abandona em momento algum o papel central por ele atribuído ao Estado desde The promise of American life, ele no entanto vê com profunda desilusão o nacionalismo e a própria classe média, até então percebida como o bastião do progressismo. Esta desilusão levá-lo-ia, assim como a vários de seus companheiros de New Republic, a abandonar a idéia de uma sociedade orgânica e sem classes e a apoiar, já nos anos 1920, a criação de um partido formado agricultores (farmers) e trabalhadores. No entanto, a década de 1920 foi um período de grande fragilidade para a agenda reformista e Croly acompanhando o refluxo do movimento, acabaria não produzindo mais nenhuma reflexão teórica ou política relevante até sua morte, em 1930. Ainda assim, os problemas fundamentais por ele apontados, principalmente em seu primeiro livro, que se tornaria o marco maior do pensamento progressista, continuavam presentes. Mais do que isto, ele seria um dos principais responsáveis reformuladores do liberalismo americano, ao defender em The promise of American life, uma concepção hamiltoniana de Estado nacional centralizado e atuante, colocando em xeque as visões jeffersonianas do individualismo e do laissez-faire econômico. Diante da manifesta incapacidade de ambos em reproduzir uma sociedade liberal, ou seja, quando a livre empresa transformou-se em monopólio e os indivíduos viram sua capacidade de ação transformar-se em farsa diante do poder das grandes corporações, os liberais americanos, na tradição inaugurada pelos progressistas, passaram a ver no Estado o fiador da liberdade e da dignidade dos indivíduos. A partir de então, e pelo menos até a década de 1970, o liberalismo americano seria marcado pela constante defesa da intervenção do Estado na regulação da vida econômica e social dos Estados Unidos.22

A defesa da intervenção estatal encontraria nas “discriminações construtivas” de Croly um conceito operativo importante. Em The promise of American life, Croly havia chamado a atenção para os riscos ocasionados pela concentração do capital pelas grandes corporações em princípios do século XX. Na década de 1920, tal diagnóstico só faria se agravar em razão de um elemento que, em 1909, não poderia ter sido previsto: o advento do fordismo. Mais do que um novo processo de trabalho, com o fordismo surgia uma nova idéia de modernidade e um novo desafio: o de construir um mercado de massa para uma produção em massa.23 Henry Ford buscou solucionar tal desafio instituindo o Dia de Cinco Dólares que, além de permitir um maior controle patronal sobre a vida dos trabalhadores da Ford Motor Company,24 repassava, os trabalhadores, parcelas dos ganhos de produtividade do trabalho permitidos pela introdução da linha de montagem (relação salarial fordista).25 Em outras palavras, Ford buscava transformar seus trabalhadores em consumidores de automóveis. No entanto, o desafio era muito mais complexo: como generalizar a relação salarial fordista para o conjunto da economia em um ambiente de acirrada concorrência entre as empresas.26

A resposta a tal desafio não foi encontrada nos anos 1920. Primeiro como secretário de comércio dos presidentes Warren Harding e Calvin Coolidge, depois como presidente, Herbert Hoover, através de seu Novo Individualismo, buscou contribuir para a construção de mecanismos institucionais que visassem a dar coerência ao ambiente de acirrada competição entre as grandes corporações, retirando assim os salários de suas estratégias competitivas e permitindo a sua elevação. No entanto, tais mecanismos deveriam ser construídos pelas próprias empresas, sem intermediação do Estado. Muito embora várias estratégias associativas empresariais tenham sido então traçadas com este sentido, o Novo Individualismo acabaria por revelar-se inadequado pela incapacidade dos capitais individuais de respeitar uma estratégia coletiva e pela ausência de um mecanismo que os constrangesse a agir de forma concertada. O Estado não estava institucionalmente aparelhado para fazê-lo e os sindicatos, dominados pelas empresas através dos business unions, além de parcelados em ofícios e fracionados por disputas étnicas, tinham visto seus recursos políticos adquiridos ao longo da Grande Guerra praticamente evaporar-se diante da reação republicana da década. Conseqüentemente, ao longo da década de 1920 a relação salarial fordista não se generalizou para o conjunto da economia, ao passo que a produtividade do trabalho o fez. Entre 1923 e 1929, a produtividade do trabalhador americano cresceu 32%, enquanto os salários tiveram ganhos reais de apenas 8%.27

Neste cenário, os desequilíbrios estruturais detectados por Croly em 1909 só fizeram acentuar-se. Em 1929, as 200 maiores corporações americanas controlavam cerca da metade da produção industrial e as 0,1% famílias mais ricas possuíam uma renda agregada equivalente à das 42% mais pobres.28 Os efeitos da crescente concentração da renda começaram a se fazer sentir antes de 1929. Já em 1927, a indústria automotiva americana produziu 700 mil carros a menos do que em 1926.29 Devido à baixa renda do trabalhador americano, o mercado para automóveis encontrava-se então saturado, e a Chrevolet chegou a pagar a seus concessionários para retirar carros usados de circulação.30 A indústria automotiva partiria para outras estratégias de estímulo às vendas, como a concessão de crédito próprio e mudanças estilísticas nos modelos.

A crise que se evidenciou em 1929, portanto, acabaria por explicitar a incapacidade do Novo Individualismo de fazer face aos desafios colocados pela nova economia da produção em massa, trazendo de novo ao centro da agenda política a necessidade, apontada por Croly, da reestruturação das relações entre Estado, grande capital e trabalho organizado, com a conseqüente construção de mecanismos de regulação da economia. A partir de 1929, o que estava em jogo, portanto, era a construção de um novo modo de regulação do capitalismo americano, de novas instituições, leis e hábitos que garantissem a generalização da relação salarial fordista.31 Neste sentido, o empresariado americano, embora tendo sido capaz de generalizar seu projeto de classe nos anos 1920 (sem dispensar, contudo, altas doses de coerção sobre o trabalho organizado),32 foi incapaz de criar as bases materiais do consentimento,33 tendo cabido ao New Deal de Franklin D. Roosevelt, através de uma série de “discriminações construtivas”, o estabelecimento das condições institucionais para as mesmas.

A primeira fase do New Deal, entre 1933 e 1935, elaborou uma “discriminação construtiva” claramente em favor das grandes corporações. A National Industrial Recovery Act (NIRA) buscou dar uma moldura institucional aos esforços associativos empresariais hooverianos através da elaboração de códigos industriais de competição elaborados pelos próprios empresários, mas sob supervisão estatal. Buscava-se, assim, tal como havia sugerido Croly, cartelizar a economia e retirar os salários das estratégias competitivas das empresas. Mais uma vez, contudo, o empresariado norte-americano mostrou-se incapaz de implementar uma ação coletiva concertada, ainda que sob supervisão estatal.34 A partir de então, o New Deal passou a implementar uma política de “discriminação construtiva” a favor dos sindicatos, através da Lei Wagner, de 1935, que criava a National Labor Relations Board (NLRB) e estabelecia um arcabouço jurídico para defender a livre organização sindical e a negociação coletiva.

Com a “discriminação construtiva” a favor dos sindicatos, o New Deal iria, de certa forma, cumprir o projeto de Croy de criar as condições de um novo equilíbrio de poder entre grande trabalho, grande Estado, fruto da construção institucional do próprio New Deal, e as grandes corporações, corrigindo assim os desequilíbrios da sociedade e do Estado jeffersonianos.35 Tal “discriminação construtiva” permitiu uma ampla organização dos trabalhadores americanos e, ao final da Segunda Guerra Mundial, o número de sindicalizados chegava à casa dos 14 milhões, ou 30% da força de trabalho.36 A partir de tal acúmulo de recursos, e em que pese os reveses políticos expressos na Lei Taft-Hartley de 1947 e na maré conservadora do pós-Guerra e da Guerra Fria, o trabalho organizado foi capaz, já nos anos 1950, de estabelecer um macro-acordo social que assegurava a relação salarial fordista no coração sindicalizado da economia americana.37

Tal macro-acordo consubstanciou-se no que pode ser caracterizado como regulação fordista-keynesiana do capitalismo, base do longo período de prosperidade americana que se estenderia até fins dos anos 1960. Tal regulação baseava-se em um acordo segundo o qual o Estado assumiria papéis keynesianos de forma a regular o ritmo e as tendências do processo de acumulação; o capital aceitava desacelerar o ritmo da acumulação através da relação salarial fordista e de benefícios indiretos e, por fim, os sindicatos abandonavam projetos de reforma social em troca de sua incorporação ao mundo do consumo.38

O novo equilíbrio de forças entre Estado, trabalho e capital revelou-se, no entanto, bastante excludente. Se a “discriminação construtiva” do New Deal, ao lado do esforço organizativo dos próprios trabalhadores, foi capaz de tornar os sindicatos americanos atores sociais sem os quais nenhum pacto social seria possível no pós-Segunda Guerra – ao contrário do ocorrido no pós-Primeira Guerra -, não foi, no entanto, capaz de construir as bases de um poder sindical institucionalizado e um efetivo Estado de Bem-Estar, nos moldes social-democratas europeus.39 Conseqüentemente, todos os trabalhadores não-sindicalizados, e principalmente os negros, ficaram em larga medida excluídos dos seus benefícios. Quando, nos anos 1950 e 1960, a luta pelos direitos civis veio exigir a incorporação dos negros e dos brancos pobres ao projeto societário norte-americano e ao mundo do consumo, tal macro-acordo não teve como responder a tal demanda. A Grande Sociedade de Lyndon Johnson chegou a recorrer a várias “discriminações construtivas” no campo da educação e habitação, mas então os movimentos de contestação à Guerra do Vietnam e os conflitos raciais de 1968 acabariam por implodir a coalizão liberal de Johnson e o próprio pensamento liberal americano.40 Nos anos 1980, a busca pela construção de um Estado nacional e uma sociedade mais democráticos e socialmente includentes, construídos através de “discriminações construtivas” ou outros instrumentos quaisquer, acabou por dar lugar à reação conservadora coroada pelo governo Reagan.



1 Cf. ESTADOS UNIDOS. US CENSUS BUREAU. Census. 1995. Para uma descrição da vida dos imigrantes em um grande centro urbano ao fim da década de 1910, cf. COHEN, Lizabeth. Making a New Deal. Industrial workers in Chicago, 1919-1939. Cambridge: Cambridge University Press, 1990, Cap. 1.

2 Cf. HIGHAM, John. Strangers in the land. Patterns of American nativism, 1860-1925. Nova York: Atheneum, 1965.

3 Para uma revisão da tradição do excepcionalismo americano no que se refere ao movimento operário, Cf. KIMELDORF, Howard e STEPAN-NORRIS, Judith. “Historical studies of labor movements in the United States”. In Annual Review of Sociology, Vol. 18 (1992), p. 496-498.

4 Cf. GALAMBOS, Louis e PRATT, Joseph. The rise of the corporate commonwealth. US business and public policy in the twentieth century. Nova York: Basic Books, Inc., 1988.

5 Cf. BRECHER, Jeremy. Stike! Cambridge: South End Press, 1997.

6 Cf. PEGRAM, Thomas. Partisans and progressives: private interest and public policy in Illinois, 1870-1992. Urbana e Chicago: University of Illinois Press, 1992; McCARTIN, Joseph. Labor’s Great War. The struggle for industrial democracy and the origins of modern American labor relations, 1912-1921. The University of North Carolina Press, 1997.

7 Cf. SKOWRONEK, Stephen. Building a new American state. The expansion of national administrative capacities, 1877-1920. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.

8 Cf. CROLY, Herbert. The promise of American life. Boston: Northeaster University Press, 1989.

9 Cf. HAWLEY, Ellis. The Great War and the search for a modern order. Prospect Heights: Waveland Press, 1997, p. 8 e seguintes.

10 CROLY, Herbert. Op. cit., 1989, p. 22.

11 Idem, p. 23.

12 Ibidem, p. 131.

13 As discriminações de Croly, que se fariam política pública no New Deal e na Grande Sociedade, como será visto adiante, revelam a inadequação da visão dicotômica, construída principalmente pela ciência política nort-americana, entre as gramáticas corporativa e pluralista de relação entre Estado e sociedade. Elas demonstram que os princípios do que viria a ser um sistema de representação de interesses corporativo estava presente na teoria política norte-americana de princípios do século, assim como a análise mais detida da dinâmica da relação entre Estado e sociedade no período revela a fragilidade das interpretações pluralistas, dado que o Estado americano sancionava alguns grupos de interesse ao passo que desarticulava os esforços associativos autônomos de outros. O movimento sindical, por exemplo, foi sistematicamente desarticulado pelo Estado, particularmente através do Poder Judiciário; já a Câmara de Comércio do Estados Unidos foi criada, com sanção estatal, para articular os interesses exportadores ao aparelho de estado. Cf. FORBATH, William. Law and the shaping of the American labor movement. Londres e Cambridge: Harvard University Press, 1991.

14 Ibidem, p. 369, 115.

15 Ibidem, p. 390.

16 Ibidem, p. 390. Para uma discussão acerca do caráter cultural do projeto de Croly, Cf. PELLS, Richard. Radical visions and American dreams. Culture and social thought in the Depression years. Urbana e Chicago: University of Illinois Press, p. 6 e seguintes.

17 Apud STETTNER, Edward. Shaping modern liberalism. Herbert Croly and progressive thought. Lawrence: University Press of Kansas, 1993, p. 77.

18 Para uma análise de ambas as publicações, Cf. STETTNER, Edward. Op. cit, cap. 5 e 6.

19 Cf. PRESTON JR., William. Aliens and dissenters. Federal supression of radicals, 1903-1933. Nova York: Harper Torchbooks, 1966, capítulos 4-8.

20 Cf. GERSTLE, Gary. “The Protean character of American liberalism”. In The American Historical Review 99, no. 4 (Outubro de 1994), p. 1052 e seguintes.

21 CROLY, Herbert. “The future of the state”. In The New Republic, 15 de setembro de 1917, p. 182.

22 Cf. GERSTLE, Gary. “The Protean character of American liberalims”. In The American Historical Review 99, no. 4 (Outubro de 1994), p. 1046.

23 Para uma discussão a respeito do processo de trabalho fordista, Cf. MEYER, Stephen. “The persistence of fordism: workers and technology in the American automobile industry, 1900-1960”. In MEYER, Stephen e LICHTENSTEIN, Nelson (orgs.). On the line. Essays in the history of auto work. Urbana e Chicago: University of Illinois Press, 1989, p. 73-99. Sobre fordismo e modernidade, Cf. GRAMSCI, Antônio. “Americanismo e fordismo”. In Maquiavel, a política e o Estado Moderno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1988; HARVEY, David. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1993.

24 Cf. MEYER, Stephen. The Five Dollar Day. Labor, management and social control in the Ford Motor Company, 1908-1921. Albany: State University of New York Press, 1981.

25 Cf. BOYER, Robert. A teoria da regulação: uma análise crítica. São Paulo: Nobel, 1990.

26 Cf. GORDON, Colin. New Deals. Business, labor, and politics in America, 1920-1935. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.

27 Cf. McELVAINE, Robert. The Great Depression. America, 1929-1941. Times Books, 1984, p. 39.

28 Idem, p. 37.

29 Cf. GENERAL MOTORS CORPORATION. Twenty-eighth annual report. Year ended Dec. 31, 1936. Detroit: 1936, p. 10.

30 Cf. FINE, Sidney. Op. cit., 1963, p. 2.

31 Cf. BOYER, Robert. Op. cit.

32 Cf. GORDON, Colin. Op. cit.

33 Cf. PREZEWORSKI, Adam. Capitalismo y socialdemocracia. Madrid: Alianza Editorial, 1988.

34 Cf. GORDON, Colin. Op. cit.

35 Cf. GROSS, James. The making of the National Labor Relations Board. Albany: State University of New York Press, 1974.

36 Cf. LICHTENSTEIN, Nelson. Walther Reuther: the most dangerous man in Detroit. Urbana e Chicago: University of Illinois Press, 1995, p. 123.

37 Para uma análise pormenorizada da conjuntura sindical do pós-guerra, cf. LICTHENSTEIN, Nelson. Idem.

38 Cf. HARVEY, David. Op. cit.

39 Cf. LICHTENSTEIN, Nelson. “From corporatism to collective bargaining: organized labor and the eclipse of social democracy in the Postwar Era”. In GERSTLE, Gary e FRASER, Steve (orgs.). The rise and fall of the New Deal order, 1930-1980. Princeton: Princeton University Press, 1989, p.122-152.

40 Cf. KATZNELSON, Ira. “Was the Great Society a lost opportunity?” In GERSTLE, Gary e FRASER, Steve (orgs.). The rise and fall of the New Deal order, 1930-1980. Princeton: Princeton University Press, 1989, p. 185-211.

X Encontro Regional de História – ANPUH-RJ



História e Biografias - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - 2002




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