Linguagens e códigos e ciências sociais



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LINGUAGENS E CÓDIGOS E CIÊNCIAS SOCIAIS



Texto I – Olga Benário e Anita Leocádia Prestes


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“Na madrugada de 27 de novembro de 1936, um ano após a frustrada revolta do Rio de Janeiro, Olga acordou com o colchão encharcado. Correndo a mão pelo corpo, percebeu que a bolsa amniótica estava arrebentando. Levantou-se correndo, tateou os cantos da cela, localizou a caneca de lata e bateu-a contra a porta de ferro algumas vezes – era o código combinado com as carcereiras, para quando suspeitasse da iminência do parto. O sol começava a romper a camada de neblina gelada que envolvia a prisão quando a criança nasceu. Era uma menina e o nome, como sabiam algumas prisioneiras de Barnimstrasse, estava escolhido há vários meses: Anita Leocádia. Anita em memória da heroína brasileira Anita Garibaldi, mulher de Giuseppe Garibaldi, o revolucionário forjador da unidade da Itália, e Leocádia em homenagem à sogra que nunca vira pessoalmente, mas aprendera a amar e respeitar através de Prestes – e que agora cruzava a Europa mobilizando comitês por sua libertação. A recém-nascida foi envolvida em roupinhas tecidas pelas companheiras de cela, no Brasil, e que tinham sido virtualmente a única bagagem de Olga na viagem até a Alemanha. As peças do enxoval, na verdade, eram tão grandes que acabaram servindo como mantas para Anita Leocádia. Surpreendentemente para uma gestação ocorrida em circunstâncias tão adversas, o bebê nascera gorducho e saudável. A chefe das enfermeiras informou a Olga que com o nascimento da menina ela teria a ração de alimentos alterada: às duas tigelas da rala sopa de ervilhas que recebia, seriam acrescentadas diariamente, durante os primeiros seis meses, uma caneca de leite e uma tigela de mingau de aveia. […]”
MORAIS, Fernando. Olga. 4ª. ed. São Paulo: Alfa-Omega, 1985. p, 227.

Considerando o contexto e os aspectos lingüísticos do texto I, julgue os itens.




  1. Passada a II Guerra Mundial, o nazismo havia sido derrotado na Europa. Assim, Luiz Carlos Prestes foi posto em liberdade. Getúlio Vargas, que agora patrocinava o movimento constituinte, foi apoiado por Prestes.

  2. Ao homenagear Anita Garibaldi, Olga Benário estava cometendo um grande equívoco histórico, visto a participação dessa personagem em movimentos de caráter monarquista no Sul do Brasil na primeira metade do século XIX.

  3. A Coluna Prestes, formada pelas altas patentes, principalmente os coronéis, colaborou para o enfraquecimento da República Velha.

  4. A Coluna Prestes passou por diversas regiões brasileiras, mas não só exclusivamente no Brasil, tendo atingindo a cidade de San Martin na Bolívia.

  5. Foi para mostrar as mazelas do lado oculto do país e chamar a atenção para a necessidade de uma mudança radical no sistema que Luiz Carlos Prestes percorreu muitos estados brasileiros.

  6. A Coluna tinha dois importantes objetivos: enfraquecer política e militarmente Artur Bernardes e denunciar as injustiças do interior brasileiro que vivia à margem do que ocorria nas grandes cidades do país.

  7. Muito comum ao longo do século XX a história dos presos políticos está ligada a práticas repressivas excludentes do estado brasileiro.

  8. A característica democrática do Estado brasileiro no contexto abordado facilitou um melhor tratamento à prisioneira Olga Benário.

  9. Olga Benário foi agente comunista internacional na primeira metade do século XX e sua relação com a vida política do Brasil fazia parte de um projeto socialista dirigido pelo Comissariado Internacional, sediado em Moscou.

  10. Apesar de sua intensa participação nos episódios da Revolução de 30 com o apoio a Vargas, Luiz Carlos Prestes acabou por se tornar oposição ao getulismo.

  11. A Intentona Comunista de 35 contou com efetiva participação de Olga Benário e buscava destituir Vargas estabelecendo um governo revolucionário e popular no Brasil.

  12. A Intentona Comunista de 35 foi facilmente derrotada pelo governo, o que acabou por fortalecer ainda mais o poder de Vargas.

  13. Apesar das inúmeras tentativas de desarticulação, o movimento comunista não sofreu grandes reveses na década de 1930, o que fica claro na tentativa de tomar o poder efetivada com o “Plano Cohen”.

  14. A extradição da judia e comunista Olga Benário para a Alemanha é uma evidência de que havia semelhanças entre o governo Vargas e o regime nazista.

  15. Após os acontecimentos tratados no texto, Prestes abandonou a vida pública tendo dedicado-se à vida intelectual.

  16. A participação brasileira na II Guerra ao lado dos “Aliados” representou uma contradição insustentável para Vargas e foi decisiva para sua saída do poder em 1945.

  17. O texto é um relato em que predomina o nexo temporal.

  18. Apesar da mensagem sugerida no título, o texto destaca circunstâncias que envolvem Olga Benário.

  19. Conforme o segundo período, depois de passar a mão pelo corpo, Olga notou que o bebê nascia.

  20. O tempo verbal empregado no trecho “Leocádia em homenagem à sogra que nunca vira pessoalmente, mas aprendera a amar…” (l. 15/17) refere-se a ações anteriores às outras informações do texto.

  21. No momento em que Leocádia nascia, Prestes cruzava a Europa na tentativa de libertar Olga.

  22. Em “…informou a Olga…” (l. 26/27), o uso do acento indicativo da crase é facultativo.

  23. O vocábulo com, na passagem “…com o nascimento da menina…”, (l. 27) introduz uma idéia de causa.

  24. Sem violar a norma-padrão, a construção “seriam acrescentadas” (l. 29) poderia ser substituída por seria acrescentada.



Texto II – Uma troca de prisioneiros


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“Passeávamos [eu e minha mãe] […] pois eu queria mostrar-lhe algo na vitrina da livraria […]. Então veio ao nosso encontro um grupo de oficiais franceses em seus uniformes vistosos. Alguns deles tinham dificuldade para caminhar, os outros se adaptavam aos passos daqueles; paramos para deixá-los passar vagarosamente. ‘Foram gravemente feridos’, disse minha mãe, ‘estão na Suíça para se restabelecerem. Foram trocados por alemães.’ E já vinha do outro lado um grupo de alemães, também entre eles alguns usando muletas, e os outros retardando o passo por causa deles. Lembro-me, ainda, como o medo me paralisou. O que acontecerá agora? Eles se lançarão uns contra os outros? Em nossa perplexidade não nos desviamos a tempo, e de repente estávamos envolvidos pelos dois grupos que queriam passar. Estávamos sob as arcadas e havia espaço suficiente, mas vimos seus rostos bem de perto, ao darem passagem uns aos outros. Nenhum rosto estava desfigurado pelo ódio ou pela raiva, como eu temia. Eles se olharam calma e amistosamente, como se nada estivesse acontecendo. Alguns se saudaram. Eles andavam muito mais devagar do que as outras pessoas, o que me pareceu uma eternidade. Um dos franceses ainda se virou, agitou sua muleta no ar e gritou para os alemães, que já haviam passado: ‘Salut!’. Um dos alemães, que o havia ouvido, imitou-o, também ele abanando uma muleta, e retribuiu a saudação em francês: ‘Salut!’. Alguém poderá pensar, ao ouvir este relato, que as muletas foram sacudidas ameaçadoramen-te, mas de forma alguma foi este o caso; eles, como saudação, mostraram um ao outro o que lhes sobrara em comum: muletas. Minha mãe havia subido na calçada e, parada diante da vitrina, me dava as costas. Vi que ela tremia; aproximando-me dela, olhei-a de esguelha; ela estava chorando. Fingimos que olhávamos a vitrina; eu não disse uma palavra. Quando ela se controlou, voltamos para casa, em silêncio. Nunca falamos daquele encontro.”
CANETTI, Elias. A Língua Absolvida; História de uma Juventude. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. pp. 191-192.

A partir da mensagem do texto, julgue os itens considerando as circunstâncias que envolvem a I Guerra Mundial.




  1. Apesar das maciças e insistentes reivindicações dos movimentos pacifistas por toda a Europa, a Grande Guerra acabou eclodindo devido aos interesses nacionalistas e imperialistas.

  2. Nos momentos que antecederam a I Guerra formaram-se duas alianças principais: Tríplice Aliança, da qual fazia parte a Alemanha, e Entente, da qual fazia parte a França.

  3. Antes da primeira guerra, foi estabelecida a Entente Franco-Britânica e no extremo oriente eclodiu a guerra russo-japonesa. As pretensões dos dois países eram a conquista da Manchúria e Coréia. Os russos vencem os japoneses e com isso assumem o controle também das ilhas Kurilas.

  4. Diferentemente de outros momentos históricos, a Suíça não se manteve neutra na I Guerra aderindo à Entente.

  5. Verificamos que a guerra ocorreu fundamentalmente por questões econômicas o que não gerou um acirramento nacionalista o que fica claro no texto quando afirma que “nenhum rosto estava desfigurado pelo ódio”.

  6. Os EUA foram extremamente prejudicados com o conflito armado, pois sua indústria de bens de consumo permaneceu praticamente paralisada durante esse período.

  7. A chamada “guerra de trincheiras” foi profundamente desgastante, pois alongou o conflito e causou um grande número de mortos e mutilados de guerra.

  8. A permanência da Rússia na I Guerra agravou as contradições internas o que contribuiu para a catalisação das ações políticas em torno dos Bolcheviques.

  9. A saída da Rússia do conflito em 1917 alterou o quadro político favoravelmente à Inglaterra e seus aliados.

  10. O Tratado de Brest-Litovsky que retirou a Rússia da I Guerra acarretou significativas perdas territoriais para os russos.

  11. Os comunistas e socialistas europeus colocavam-se contra o conflito e apelavam aos trabalhadores para dela não participarem já que aquela era uma guerra capitalista.

  12. O texto evidencia a forte rivalidade entre a Alemanha e a França, porém, ao final da I Guerra, o Tratado de Versalhes em muito contribuiu para reduzir as rivalidades existentes entre franceses e alemães.

  13. Diferentemente do texto I, “Uma troca de prisioneiros” apresenta marcas explícitas da subjetividade do discurso.

  14. O vocábulo “troca” (título), quando relacionado ao texto, é ambivalente do ponto de vista semântico.

  15. Então veio de encontro a nós um grupo francês de oficiais em seus vistosos uniformes. reproduz fielmente o sentido do segundo período.

  16. “daqueles” (l. 5) e “los” (l. 6) têm o mesmo referente.

  17. Surpreendentemente, as supostas divergências entre os oficiais franceses e os oficiais alemães foram suplantadas por algumas atitudes comuns aos dois grupos.

  18. Há impropriedade no emprego do pronome “este” na linha 27.

  19. Infere-se que a mãe do narrador chorou por nervosismo.

  20. No final do século XIX, mesmo a Alemanha não estando unificada, vivia sob vários governos. Nesse contexto, o geógrafo Friedrich Ratzel traria grande contribuição para a formulação do conceito de Espaço Vital, que mais tarde serviria ao propósito alemão expansionista.

  21. O princípio de que a raça superior tinha o direito a conquistar o seu "espaço vital", dominando os países, vizinhos ou não, habitados por seres inferiores e de que nos trópicos não havia condições para a formação e para o surgimento de civilizações, justificaria o imperialismo e o colonialismo que foi utilizado pelo estado alemão.

  22. No final do século XIX, a Grã-Bretanha começa a perder sua hegemonia industrial para os Estados Unidos e a Alemanha inicia uma política expansionista.



Texto III – O socialismo para Hitler


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“Por que’, perguntei a Hitler, ‘o senhor se diz um nacional-socialista, já que o programa do seu partido é a própria antítese do que geralmente se acredita ser o socialismo?’

‘O socialismo’, replicou ele agressivo, deixando de lado a xícara de chá, ‘é a ciência de lidar com o bem-estar geral. O comunismo não é o socialismo. O marxismo não é o socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. Vou tirar o socialismo dos socialistas. O socialismo é uma antiga instituição ariana e alemã. Nossos ancestrais alemães tinham algumas terras em comum. Cultivavam a idéia do bem-estar geral. O marxismo não tem direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, diferentemente do marxismo, não repudia a propriedade privada. Diferentemente do marxismo, ele não envolve a negação da personalidade e é patriótico. […] Não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o atendimento das justas reivindicações das classes produtivas pelo Estado com base na solidariedade racial. Para nós, o Estado e a raça são um só.’”


Entrevista concedida a George Sylvester Viereck, em julho de 1932. In: ALTMAN, Fábio (org.). A Arte da Entrevista; uma Antologia de 1823 aos Nossos Dias. São Paulo: Scritta, 1995, p. 114-115.)

Sobre o contexto do nazi-fascismo e a leitura compreensiva do texto, julgue os itens.




  1. O anticomunismo era uma das marcas fundamentais do nazi-fascismo e via nos comunistas uma escória da sociedade.

  2. O nazi-fascismo defendiam princípios capitalistas fundamentais entre eles o liberalismo.

  3. Encontramos em Esparta na Grécia antiga práticas que indicam a ocorrência social de atitudes como: xenofobia, eugenia e belicismo, daí podemos dizer que os fascismos não são necessariamente originais.

  4. Assim como Mussolini, Hitler levou atitudes e técnicas militares para a política. Uniformes, saudações, bandeiras e outros símbolos facilitavam a leitura do nazismo e davam uma sensação de solidariedade.

  5. O discurso nazi-fascista era exaltado e valorizava o pensamento racional em detrimento da emoção, daí a busca incansável dos cientistas sociais em buscar bases científicas da “superioridade ariana”.

  6. Hitler inaugurou no cenário social europeu a prática do anti-semitismo ao perseguir a comunidade judaica alemã.

  7. A forte discriminação racial e as perseguições às minorias tinha uma função de catarse social, ou seja, buscava-se um inimigo comum capaz de unir os alemães e os italianos.

  8. O centro da ideologia nacional-socialista é o termo raça. A teoria nazista diz que a raça ariana é uma "raça-mestra", superior a todas as outras, e justificaria a política de superioridade frente às outras raças.

  9. De acordo com o Nazismo, nações incapazes de defender as suas fronteiras, evidenciariam a existência de raças fracas ou escravas. Pensava-se que as raças escravas eram menos dignas de existir do que as raças superiores, como a raça ariana.

  10. O militarismo fascista servia tanto aos interesses de conquista como ao controle da sociedade.

  11. É possível notar o caráter vital dos aspectos físico-geográficos para a geopolítica do século XIX quando se analisa o aumento da demanda por matérias-primas pela Segunda Revolução Industrial acarretando uma expansão para a África.

  12. O imperialismo alemão tinha como uma de suas prioridades a expansão para o leste da Europa e para o Oriente Médio, onde se encontravam os recursos naturais necessários para seu crescimento industrial.

  13. Assim como na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini, a URSS de Stálin também utilizou-se de uma ditadura que cultuava a figura do líder.

  14. No trecho “não somos internacionalistas”, verificamos uma exaltação ao nacionalismo e uma forte crítica à visão da união dos trabalhadores do mundo contida no “Manifesto Comunista” e defendida por vários comunistas.

  15. O nazismo na Alemanha apresentou-se como uma alternativa à crise de 29 que se abatia sobre o capitalismo e à “ameaça comunista” que se espalhava pela Europa.

  16. Infere-se que o interlocutor de Hitler também havia confundido o significado de socialismo.

  17. Se, no lugar de “antítese” (l. 3), tivesse sido utilizado paradoxo, a reação de Hitler à pergunta seria mais branda.

  18. Depreende-se que, para Hitler, a diferença fundamental entre o comunismo e o socialismo está no tratamento dispensado à pátria e ao indivíduo.

  19. Entende-se por “internacionalistas” (l. 17) uma crítica pejorativa ao marxismo.

  20. Intercalam-se no texto as funções emotiva, referencial e metalingüística da linguagem.

Texto IV – BBC – Brasil

Babeth Bettencourt


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O Brasil quer aumentar a participação das fontes renováveis na matriz energética nacional, que, graças ao Proalcool, já ultrapassa 10% do total.

O governo já conta com programas de incentivo para o maior uso da energia eólica, por exemplo, e a energia solar é usada em comunidades isoladas, onde a rede energética ainda não chegou.

A biomassa também vem sendo estudada, especialmente após o racionamento de energia em 2001, quando o governo viu a necessidade de diversificar a matriz energética e decidiu apostar nos potenciais ainda pouco explorados.

Mas, segundo especialistas, apesar de o potencial do Brasil ser suficiente para suprir todo o país, as chamadas novas fontes renováveis – eólica, solar, pequenas centrais hidrelétricas e biomassa – são fontes complementares e têm que ser usadas junto a fontes convencionais.


Tomando como referência o texto e os aspectos gerais da Língua Portuguesa, julgue os itens.




  1. “quer aumentar” (l. 1) equivale a visa o aumento.

  2. O termo das fontes renováveis está subentendido logo após o vocábulo “total” (l. 3).

  3. O Proalcool já representa mais de 10% da reserva energética nacional.

  4. Conforme o texto, a biomassa, especialmente, vem sendo estudada a partir do racionamento de energia em 2001.

  5. A substituição do conectivo “Mas”, no início do último parágrafo, por Apesar disso prejudica a intencionalidade discursiva.

  6. A questão do desenvolvimento sustentável leva à associação entre o meio ambiente e o desenvolvimento, onde a produção e o uso de energia renovável têm importância fundamental. A experiência em larga escala da produção e uso do etanol no Brasil é um exemplo que vem sendo seguido e debatido em diversos países e em reuniões internacionais.

  7. A ação local, com impacto global em termos ambientais, faz do álcool um produto de extrema importância para a rápida resposta que o mundo deve dar às reduções de emissões dos gases do efeito estufa.

  8. Em uma época de variações bruscas do preço de petróleo e de valorização das “commodities” no mercado internacional, foi muito oportuna a realização do projeto proálcool.

  9. O mundo viveu, nos últimos trinta anos do século passado, dois choques no preço do petróleo: o primeiro em 1973, desencadeado pela Guerra do Yom Kippur quando os produtores árabes resolveram suspender as exportações aos EUA, como punição pelo apoio do Ocidente à causa Palestina naquela guerra.

  10. O segundo choque no preço do petróleo foi resultado de uma ação, liderada pela Arábia Saudita, visando elevar o “preço alvo” do petróleo que se somou ao agravamento da conjuntura internacional pela ocorrência concomitante da revolução fundamentalista no Iran naquele ano.

  11. Além do foco ambiental, o etanol provoca em países como o Brasil, entre outros, impactos econômico-sociais relevantes, como a melhoria da renda rural, a reconhecida capacidade de distribuição desses efeitos na cadeia produtiva sucroalcooleira; geração de empregos; redução de dependência externa de petróleo e melhoria da balança comercial.

  12. A sustentação dinâmica da oferta e o consumo brasileiro do álcool carburante viram-se sempre pressionados pela competição oscilante dos preços internacionais do petróleo e tendências de atratividade da “commodity” açúcar, o que exigia um complexo sistema de regulamentação para a garantia de sua estocagem e oferta.

  13. A utilização das águas correntes para a produção de energia elétrica tem atualmente grande importância econômica além de se constituir numa energia limpa (não poluidora) e que não depende de resíduos fósseis. E a instalação de hidrelétricas requer baixos investimentos de capital.



Texto V – Aqüífero Guarani
O Aqüífero Guarani constitui-se em uma importante reserva estratégica para o abastecimento da população, e para o desenvolvimento das atividades econômicas e do lazer. Sua recarga natural anual (principalmente pelas chuvas) é de 160 Km³/ano, sendo que desta, 40 Km³/ano constitui o potencial explotável sem riscos para o sistema aqüífero. As águas em geral são de boa qualidade para o abastecimento público e outros usos, sendo que em sua porção confinada, os poços têm cerca de 1.500 m de profundidade e podem produzir vazões superiores a 700 m³/h.

No Estado de São Paulo, o Guarani é explorado por mais de 1.000 poços e ocorre numa faixa no sentido sudoeste-nordeste. Sua área de recarga ocupa cerca de 17.000 Km² onde se encontram a maior parte dos poços. Esta área é a mais vulnerável e deve ser objeto de programas de planejamento e gestão ambiental permanentes para se evitar a contaminação da água subterrânea e sobrexplotação do aqüífero com o conseqüente rebaixamento do lençol freático e o impacto nos corpos d'água superficiais.




Figura Extraída da Revista Super Interessante nº 07 ano 13
De acordo com as informações do texto, julgue os itens a seguir.


  1. Somente na virada do século XX para o século XXI a humanidade percebeu ser a água um bem estratégico.

  2. Esse reservatório de proporções gigantescas de água subterrânea é formado por derrames de basalto, o mesmo que dá característica de fertilidade a terras roxas do Paraná e São Paulo.

  3. As águas do Aqüífero, em geral, não são de boa qualidade para o abastecimento público mas são apropriadas para a irrigação.

  4. O Aquífero Guarani constitui-se em uma importante reserva estratégica para o uso agrícola, desenvolvimento das atividades econômicas e do lazer.

  5. A espessura total do aqüífero varia de valores superiores a 50.000 metros até a ausência completa de espessura em áreas internas da bacia.

  6. As águas do Aqüífero Guarani podem ser importantes para regiões como as das pradarias no sul do país que passam por um processo de arenização de suas terras.

  7. O Aqüífero Guarani pode representar um verdadeiro agente integrador dos países do Mercosul, pois, acima das questões políticas, econômicas e diplomáticas, este manancial une fisicamente Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

  8. Água subterrânea é toda a água que ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo os poros ou vazios intergranulares das rochas sedimentares ou as fraturas, falhas e fissuras das rochas compactas e cumprem uma fase do ciclo hidrológico, uma vez que constituem uma parcela da água precipitada.

  9. A água subterrânea apresenta algumas propriedades que tornam o seu uso mais vantajoso em relação às águas dos rios: são filtradas e purificadas naturalmente através da percolação, determinando excelente qualidade; não ocupa espaço em superfície e sofre menor influência das variações climáticas.



Texto VI


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A Praça da Alegria apresentava um ar fúnebre. De um casebre miserável, de porta e janela, ouviam-se gemer os armadores enferrujados de uma rede e uma voz tísica e aflautada de mulher, cantar em falsete a “gentil Carolina era bela”; doutro lado da praça, uma preta velha, vergada por imenso tabuleiro de madeira, sujo e seboso, cheio de sangue e coberto por uma nuvem de moscas, apregoava em tom muito arrastado e melancólico: “Fígado, rins, coração”. Era uma vendeira de fatos de boi. As crianças nuas, com as perninhas tortas pelo costume de cavalgar as ilhargas maternas, as cabeças avermelhadas pelo sol, a pele crestada, os ventrezinhos amarelentos e crescidos, corriam e guinchavam, empinando papagaios de papel. (...) Os cães, estendidos pelas calçadas, tinham uivos que pareciam gemidos humanos, movimentos irascíveis, mordiam o ar querendo morder os mosquitos.
(Aluísio Azevedo. O Mulato)

Considerando o texto acima e a periodização da literatura brasileira, julgue os itens.




  1. O texto caracteriza-se por um intenso descritivismo e por uma linguagem sensorial.

  2. Verifica-se no texto a patologia social, objeto do interesse dos escritores naturalistas, que se opõe aos tipos sociais que figuram nos romances realistas e românticos.

  3. As circunstâncias que envolvem a “preta velha” e as “crianças nuas” colocam em destaque a influência do determinismo na ficção brasileira do final do século XIX.

  4. A degradação humana é sugerida pelo emprego simultâneo do zoomorfismo e da antropoformização.

  5. Aluisio de Azevedo também é o autor de “O Cortiço” obra na qual descreve as condições precárias de segmentos pobres da sociedade. No início do século XX, o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sociais, decorrentes, em larga medida, de seu crescimento rápido e desordenado. Com o declínio do trabalho escravo, a cidade passara a receber grandes contingentes de imigrantes europeus e de ex-escravos, atraídos pelas oportunidades que ali se abriam ao trabalho assalariado.

  6. Na mesma época em que se passa a história de “O Cortiço”, o incremento populacional e, particularmente, o aumento da pobreza agravaram a crise habitacional, traço constante da vida urbana no Rio desde meados do século XIX. O epicentro dessa crise era, ainda, e, cada vez mais, o miolo do Rio, onde se multiplicavam as habitações coletivas e onde eclodiam as violentas epidemias de febre amarela, varíola e cólera.

  7. A reforma da capital constituiu uma ruptura no processo de urbanização do Rio de Janeiro, um ponto de inflexão no qual a "cidade colonial" cedeu lugar, de forma definitiva, à "cidade burguesa", moderna do século XX, que tinha como parâmetros as metrópoles européias da mesma época.

  8. "O Mulato" explora a questão racial e se passa em um estado rico quanto à sua diversidade ambiental, localizado no domínio morfoclimático amazônico.

  9. A cena descrita coloca em evidência o interesse regionalista da obra, dando continuidade à pesquisa do Brasil interiorano iniciada pelos autores românticos.

  10. A ação das crianças representa o elemento lúdico que atenua, de certo modo, o tom agressivo do trecho.

  11. “O Mulato” inaugura o Naturalismo no Brasil ao trazer à tona questões como o aborto, o racismo, a opressão do mais fraco e a corrupção da Igreja.

  12. A opção pelo foco narrativo em terceira pessoa possibilita ao narrador analisar, observar e distanciar-se do objeto em estudo e revelar os fatos o mais próximo possível da realidade.

  13. Como se observa no trecho, os escritores naturalistas pretendem valorizar os indivíduos em suas particularidades, com marcas próprias.

  14. Apesar da crueza, a linguagem do texto é predominantemente poética devido ao seu teor literário.

  15. Na poesia, o Parnasianismo , assim como o texto lido, valoriza a objetividade, a impessoalidade e o descritivismo, ainda que o seu objeto de interesse seja outro.

  16. “O Cortiço”, outra importante obra de Aluísio Azevedo, tem como tema central a exploração do homem pelo homem.



Texto VII – Conceição


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A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Menezes, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Menezes trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.

Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa" e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.

(Machado de Assis. A Missa do Galo)

Tendo o texto acima como referência, julgue os itens a seguir.




  1. O adultério, tema em destaque no texto, também se faz presente em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba” e “Dom Casmurro”, romances machadianos da fase realista psicológica.

  2. No texto, o amor, o casamento e a mulher estão dessacralizados em face dos padrões românticos.

  3. A substituição de “eufemismo” (l. 17) por pretexto ou desculpa preserva a intenção do narrador.

  4. A expressão “Boa Conceição!” (l. 22) é uma marca da ironia típica do estilo do autor.

  5. A hipocrisia humana e a conveniência das relações são representadas na forma como Conceição lida com o comportamento do marido.

  6. Os traços físicos de Conceição contrapõem-se ao seu perfil psicológico, o que se justifica pelo estilo paradoxal do autor na análise da alma humana.

  7. Do ponto de vista estritamente lingüístico, Aluísio Azevedo e Machado de Assis adotam procedimentos similares.



Texto VIII – Ismália


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Quando Ismália enlouqueceu,

Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,

Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,

Banhou-se toda em luar...

Queria subir ao céu,

Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,

Na torre pôs-se a cantar...

Estava perto do céu,

Estava longe do mar...

E como um anjo perdeu

As asas para voar...

Queria a lua do céu,

Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...

Sua alma subiu ao céu,

Seu corpo desceu ao mar...


(Alphonsus de Guimaraens)

Baseado nas informações do texto acima e no estilo do seu autor, julgue os itens.




  1. Puramente ficcional, a mitologia grega antiga também alenta a irrefreável vontade alada no mito de Ícaro.

  2. Como sabemos, a Terra realiza uma volta em torno de si mesma a cada 24 horas. Mas a Lua também se move e isso faz com que o ciclo de marés se complete em acerca de 24 horas. Como são duas marés, a água sobe e desce a cada 12 horas, em média.

  3. As ondas do mar possuem energia cinética devido ao movimento da água e energia potencial devido à sua altura. Quanto à energia elétrica, ela poderá ser obtida utilizando o movimento oscilatório das ondas. Então, é possível obter energia elétrica gerada por marés.

  4. Assim como no texto de Aluísio Azevedo e no de Machado de Assis, a presença da figura feminina está associada à relação de desajuste com o seu meio.

  5. Em consonância com os parâmetros vigentes na época, o poema sugere a loucura como agente de sublimação.

  6. O poeta lança mão da antítese para construir, simultaneamente, imagens relativas ao plano físico e ao plano metafísico.

  7. Infere-se do poema o interesse do autor pela concepção psicológica da existência.

  8. O poema é composto por redondilhas maiores e apresenta, em todas as estrofes, rimas entrelaçadas ou alternadas.

  9. Apesar de simbolista, o texto não exemplifica a atitude anticientificista dos artistas poetas desse movimento literário.



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