Linguagens observações gerais sobre o documento



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Encontro20.07.2016
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LINGUAGENS
Observações gerais sobre o documento
Apesar de enfatizar o respeito à diversidade (linguística, cultural etc), o documento aborda de forma homogênea questões que não podem – ou não devem – ser tratadas da mesma maneira. Isso porque a lógica sob a qual o documento se constrói se fundamenta em pontos de partida comum. O exemplo mais evidente fica a cargo das práticas estabelecidas, as quais transparecem um aprendizado linear em outras palavras, as práticas firmadas no documento pressupõem que os/as educandos/as cheguem à escola em etapas muito parecidas, isto é, com experiências/vivências muito semelhantes. Assim, as práticas não consideram as diferentes variáveis que perpassam qualquer processo de aprendizagem. Além disso, o documento – também de maneira homogeneizante – também pressupõe que todos os espaços escolares do país dispõem das mesmas condições para que currículo seja aplicado.
No que se refere aos objetivos traçados para o Ensino Fundamental e Ensino Médio, observa-se uma mudança de tratamento bastante significativa: no Ensino Fundamental, espera-se que os/as educando/as ‘conheçam’, ‘reconheçam’, ‘vivam’; já no Ensino Médio, espera-se que os/as educandos/as ‘produzam’, ‘reflitam’, ‘interajam’. Da forma como os objetivos são apresentados, parece que somente no Ensino Médio os/as educandos/as são capazes de refletir sobre o todo o conteúdo escolar. Ademais, não há qualquer possibilidade de uma criança oriunda da classe trabalhadora pensar sobre a condição de sua família no modelo de sociedade vigente.
Não se observam referências bibliográficas para subsidiar vários conceitos que são apresentados nos objetivos gerais da área. Assim, não se sabe com precisão, por exemplo, o que se entende por “letramento” e quais concepções estão por trás deste conceito.
(Literatura não aparece como uma disciplina, mas sim dispersa na disciplina de Língua Portuguesa)
Por fim, o documento não leva em consideração a Educação de Jovens e Adultos (doravante EJA). Todo o documento é construído somente na lógica do ensino (dito) regular: todas as crianças entram na escola com uma determinada idade e seguem o mesmo caminho durante todo o ensino básico. Não há qualquer espécie de menção àqueles que, por diversos motivos, não puderam frequentar a escola no tempo (dito) regular. Consequentemente, as necessidades específicas desses adultos (trabalhadores) não são sequer discutidas em um documento que pretende instituir um currículo único para toda a formação escolar.

Linguagem na EJA
O trabalho da EJA-Manguinhos com a área de Linguagens se dá a partir das seguintes disciplinas: Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Língua Estrangeira (Espanhol), Música, Artes Plásticas e Audiovisuais. Todas estas disciplinas promovem a diversidade cultural, pois abarcam diferentes manifestações culturais, seja por conhecimentos científicos, técnicos ou artísticos.
O ambiente escolar deve ser entendido como espaço que dialoga amplamente com o mundo que nos cerca, com o intuito primeiro de percebê-lo por meio de uma leitura crítica para então questioná-lo e, principalmente, nele interferir. Nestes termos, o trabalho desenvolvido nesta área de conhecimento nos exige atrelar a importância da linguagem à nossa concepção de EJA; vale dizer: se entendemos que estudantes jovens e adultos devem reconhecer suas potencialidades como agentes transformadores da estrutura social, sobretudo a partir de uma mobilização coletiva, a linguagem, em suas diferentes manifestações, é fundamental neste processo de intervenção na sociedade. Isto porque a linguagem é o meio pelo qual significados se constroem e se constituem, isto é, é por meio desta que significados coletivos se articulam, se confrontam e sofrem transformações ao longo do tempo, nas diferentes culturas, na vida em sociedade. Assim, se o conhecimento é construído socialmente, a linguagem, evidentemente, o traduz sem neutralidade.
Por entendermos que a linguagem perpassa não só o conhecimento, mas também as formas de conhecer, o pensamento, as ações e as relações sociais, considera-se essencial a possibilidade de os estudantes de EJA ultrapassarem a perspectiva de se constituírem como sujeitos que tentam captar ideias expressas por outrem, instituindo-se como sujeitos capazes de interagir em diferentes contextos sócio-comunicativos – seja exercitando a pesquisa, a reflexão e o questionamento diante da própria realidade –, seja manifestando ideias que possam intervir nesta realidade.
Mais do que leitura da palavra, a proposta desta área de conhecimento reforça a importância da leitura/percepção do mundo que nos cerca. Nesse sentido, parece clara a importância de estudantes de EJA terem acesso a textos científicos, jornalísticos e literários, assim como às tradições musicais e às demais obras de arte produzidas pela humanidade. Entretanto, a Escola pode favorecer mais do que este acesso: a produção das diferentes linguagens. Jovens e adultos podem, sim, produzir textos técnico-argumentativos, jornalísticos ou literários. Mais do que ler em voz alta, podem também fazer leitura dramatizada e teatro, documentar em vídeo; mais do que cantar, podem fazer música. Eles podem, sobretudo, mostrar à sociedade que as diversas manifestações da linguagem não são fugas de padrões pré-determinados, mas podem representar grandes acréscimos e criações a este modelo atual de sociedade.
Língua Portuguesa
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, a língua deve ser entendida e usada pelas escolas como fonte “geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade”. Decerto que, dentre as modalidades da língua, a escrita é aquela que se apresenta como a mais desafiadora – e importante – contribuição de qualquer escola que pretenda ser efetivamente uma instituição imbuída do espírito transformador da realidade, razão por que se entendem ser o ensino de língua um processo contínuo de ler, interpretar e escrever. Neste sentido, todo o curso estrutura-se por meio da apresentação de diversos tipos e gêneros de textos, bem como a partir de conceitos fundamentais à produção textual.
- Promover uma educação pública de qualidade para a população de jovens, adultos e idosos, assegurando seu ingresso e permanência no processo educativo, garantindo-lhes as oportunidades necessárias à apropriação da leitura e da escrita e criando as condições objetivas para a inclusão social, política, econômica e cultural desses sujeitos;

- Levar o estudante a refletir sobre a função comunicativa da língua, problematizando os papéis assumidos pelos diferentes interlocutores (produtor e receptor) do processo de comunicação, de modo a tomar ciência de como sua identidade é construída no discurso. Pretende-se discutir como o uso da língua reflete as relações de poder construídas na sociedade.

- Propor o reconhecimento da variação linguística, uma vez que se entende a língua – mais do que um dado cultural – como a representação de toda a cultura de um povo. Assim, por meio dos diferentes usos da língua, buscar conhecer e compreender outras realidades, os diferentes contextos históricos, sociais e culturais, para que seja possível compreender melhor nosso próprio contexto social.

- Discutir sobre as marcas ideológicas explícitas e implícitas nos textos, uma vez que se considera a impossibilidade de haver um texto neutro. Assim, busca-se problematizar – especialmente, neste semestre – os discursos da mídia brasileira sobre os movimentos sociais.

- Ampliar o conhecimento linguístico, textual e de mundo do estudante, por meio do trabalho de leitura, produção e análise linguística de diversos gêneros textuais, explorando suas várias possibilidades de uso objetivo e subjetivo da linguagem.
Literatura
A Literatura está em contato permanente com muitas manifestações culturais, participando do conjunto de transformações da sociedade. Para estudá-la, é interessante pensar nos seguintes objetivos:
- Levar o estudante a relacionar tudo o que ler em literatura com o mundo que nos cerca, a fim de fazer paralelos entre traços passados e o presente, seja na música, nas pinturas, no cinema, no teatro, na televisão e na literatura atual.

- Levar o estudante a analisar os diálogos que a literatura brasileira estabeleceu com outras literaturas, bem como o diálogo que as literaturas africanas de língua portuguesa têm estabelecido com a literatura brasileira.



- Propor leituras que deverão ser o ponto de partida para estudar um autor ou um movimento literário.
Música
A disciplina Música na EJA-Manguinhos tem como objetivo geral colocar os estudantes em contato com a música e seus diversos gêneros, entendendo-a como forma de linguagem e expressão de sentimentos e ideias, valorizando-a para além de sua função estética. Ressalta ainda a importância de compreender o contexto histórico e social onde esta forma de arte foi produzida e, de que maneira, ela é produto de uma sociedade, mas também produz e dissemina novos processos e atitudes. Através de músicas de compositores já conhecidos e músicas elaboradas pelos próprios estudantes, improvisação e execução de instrumentos musicais tradicionais e alternativos, as aulas de Música devem garantir espaço para a expressão musical dos estudantes, seja de forma individual ou em construções coletivas.




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