Literatura Brasileira III – Romantismo



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Literatura Brasileira III – Romantismo
Prof. Dr. Vagner Camilo - DLCV/FFLCH/USP - 1º semestre /2.017 – noturno
Ementa: A disciplina é dedicada ao exame de uma parcela da produção mais significativa de nossos românticos, privilegiando a poesia, mas sem excluir a prosa. A abordagem caminha no sentido da análise sócio-histórica, sem desconsiderar as especificidades do literário, mas buscando resgatar as tensões estabelecidas pelas obras e seu contexto histórico, social e político mais imediato. Em tese, o curso está organizado em cinco grandes blocos: uma introdução aos pressupostos estéticos e históricos do movimento; o nacionalismo indianista; o ambiente da boêmia estudantil de São Paulo, o Mito byroniano, a figuração do Adolescente e outros aspectos característicos da segunda geração romântica (pessimismo, melancolia, ironia etc); o negro e a literatura anti-escravista; o universo dos homens livres e o mito da malandragem em Manuel Antonio de Almeida..

Importa salientar que a preocupação maior da disciplina não é tanto o debate teórico aprofundado sobre conceitos e categorias centrais da estética do romantismo (embora isso compareça, em menor grau), mas sim o contato do aluno com uma ampla gama de textos do período, visando à formação de repertório.
1. Introdução ao Romantismo

Exploração dos principais aspectos filosóficos, estético-literários e sócio-históricos do movimento romântico em contexto europeu.

*ABRAMS, M. H. O espelho e a lâmpada. Trad. Alzira L. V. Allegro. Ed. Unesp, 2011.

BENETT, Andrew. “The Romantic culture of posterity”. Romantic Poets & the Culture of Posterity. Cambridge
: Cambridge University Press, 2009 (chapter 2). (disponível online Dedalus)

*CAMILO, V. Vagner. Revisão, atualização e atualidade do Romantismo. http://paje.fe.usp.br/estrutura/pec/mod3/port.swf

CANDIDO, A.“O Romantismo, Nosso Contemporâneo” (Resumo da aula inaugural na PUC-RJ). Supl.Idéias. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 19 mar 1988.

*HOBSBAWM, Eric. “As Artes”. A Era das Revoluções (1789-1848). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977: 275-299.

______. A Invenção das Tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.

*WILLIAMS, Raymond. “O artista romântico”. Cultura e Sociedade: 1780-1950. São Paulo: Ed. Nacional, 1969: 53-70.
1.2. Introdução ao Romantismo no Brasil

Discussão das motivações históricas e sócio-políticas do movimento romântico em contexto local, centrando o foco sobretudo na questão do nacionalismo literário.

CANDIDO, Antonio. O romantismo no Brasil. S. Paulo, Humanitas (FFLCH/USP), 2002.

______. “O Indivíduo e a Pátria”. Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981: v.2 (1836-1880): 7-44 (Capítulo I).

*GUIMARÃES, Manuel L.L.Salgado. “Nação e civilização nos trópicos: o Instituto Histórico e Geográfico e o projeto de uma História Nacional”. Estudos Históricos, n.1.1988: 5-27. http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/1935/0

NAVES, Rodrigo. “Debret, o Neoclassicismo e a escravidão”. In A forma difícil: ensaios sobre arte brasileira. São Paulo: Ática, 1996: 40-129.


2. Gonçalves Dias e o Projeto Nacionalista da Primeira Geração

3.1.A poesia indianista de GD à luz do projeto nacionalista da primeira geração romântica, vinculado ao desejo de afirmação de autonomia e identidade da Nação recém-independente. 3.2. Aspectos da lírica amorosa de GD.

GONÇALVES DIAS, A. Poesias Completas de... (org. Frederico J.S. Ramos). São Paulo: Saraiva, 1957.

ACKERMANN, Fritz. A obra poética de GD. São Paulo: Departamento de Cultura, 1940.

CANDIDO, Antonio. “GD Consolida o Romantismo”. Formação..., op.cit.: v.2.

GARCIA, Othon M. Luz e Fogo no Lirismo de GD. São Paulo: São José, 1956.

MATOS, Cláudia N. Gentis Guerreiros: o Indianismo de GD. São Paulo: Atual, 1988.
Complementar

*PUNTONI, P. “Gonçalves de Magalhães e a Historiografia do Império”. Novos Estudos Cebrap, n.45. São Paulo, 1996. http://novosestudos.uol.com.br/v1/files/uploads/contents/79/20080626_a_confederacao_dos_tamoios.pdf

TREECE, David. Exilados, Aliados, Rebeldes: O Movimento Indianista, a Política Indigenista e o Estado-Nação Imperial. São Paulo: Edusp/Nankin, 2008.
2.1. José de Alencar: O Mito sacrifical em Iracema

2.1.1.O tratamento dado à temática indianista na ficção de JA, partindo da polêmica com G.de Magalhães nas Cartas sobre a Confederação dos Tamoios. 2.1.2.O enfoque alencariano da relação colonizador-colonizado através do “mito sacrificial”(Bosi, Treece, Janine Ribeiro).

2.1.3. Indianistas em confronto: GD, Gonçalves de Magalhães, Alencar etc.

*ALENCAR, José de. Iracema. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1965 (ed. centenário). Ou ediçãoo Ateliê Editorial (pref. Paulo Franchetti).

*BOSI, A. “Um Mito Sacrificial: O Indianismo de [J]A”. In: Dialética da Colonização. S. Paulo: Companhia das Letras,1992.

*CAMILO, V. “Mito e história em Iracema: a recepção crítica mais recente”.



http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-33002007000200014&script=sci_arttext

CAMPOS, Haroldo de. “Iracema: Uma Arqueografia de Vanguarda”. Revista USP, n.5. São Paulo, mar-mai 1990.

CARVALHO, José Murilo de. Pontos e bordados - estudos de história e política.Belo Horizonte: UFMG, 1998.

CAVALCANTI PROENÇA, Antonio. Estudos literários. Rio de Janeiro: José Olympio, s/d.

RIBEIRO, Renato Janine. “Iracema ou a Fundação do Brasil”. In: FREITAS, Marcos Cezar. Historiografia Brasileira em Perspectiva. São Paulo: Contexto: USF, 1998: 405-413/476.

SOMMER, Doris. Ficções de fundação. B. Horizonte, Ed.UFMG, 2004.


Complementar:

CAMPOS, H.de & CAMPOS, A.de. Revisão de Sousândrade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

GONÇALVES DE MAGALHÃES, A. A Confederação dos Tamoios (ed. fac-similar seguida da polêmica sobre o poema). Orgs. Ma. Eunice Moreira e L. Bueno. Curitiba: Ed. UFPAR, 2007 [1856].

DINARTE, Silvio [Visconde de TAUNAY]. “Camirã, a quiniquinau”. (xerox)


3. Álvares de Azevedo e o contexto da Boêmia Estudantil

3.1. A ruptura com o projeto nacionalista da 1ª geração e o refluxo sobre a subjetividade. 3.2. A estrutura da Lira dos Vinte Anos e o conceito de “binomia” à luz de outras poéticas românticas da dissonância e dos contrastes (Hugo, Heine etc). 3.3. O mito romântico do adolescente, a temática do “amor e medo” e a controvérsia sobre os vínculos entre obra e vida do poeta (Mário de Andrade, Antonio Candido etc). 3.4. Relações entre humor, ironia, satanismo, influência byroniana (via Musset) e emulação boêmia no contexto estudantil de São Paulo (Candido, Franchetti). 3.5. O legado alvaresiano e outros nome da segunda geração romântica (Bernardo Guimarães, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire, Fagundes Varela etc).

A. DE AZEVEDO, Manuel A. Poesias Completas de... (ed. crítica Péricles E.S. Ramos; org. Iumna Simon). Campinas :Ed.UNICAMP/Imprensa Oficial, 2002. (edição recomendada)

ALVES, Cilaine. O Belo e o Disforme. São Paulo: Edusp: Fapesp, 1998.

ANDRADE, M de.“Amor e Medo”.Aspectos da Literatura Brasileira. São Paulo: Martins, 1974.

BARBOZA, Onédia C.C. Byron no Brasil: Traduções. São Paulo: Ática, 1974.

*CAMILO, Vagner. “Devaneios de um estudante solitário”. Risos entre Pares: Poesia e Humor Românticos. São Paulo: Edusp/Fapesp, 1997.

*______. “Álvares de Azevedo, o Fausto e o mito romântico do adolescente no contexto político-estudantil do Segundo Reinado”. Itinerários, n 33, 2011. (online).

CANDIDO, Antonio. “Álvares de Azevedo ou Ariel e Calibã”. In: Formação...,op.cit.: v. 2.

____.Introd. ÁLVARES DE AZEVEDO,M.A.Os Melhores Poemas de... São Paulo: Global, 1985.

*____. “Cavalgada Ambígua”. Na Sala de Aula. São Paulo: Ática, 1986.

____. “A Educação pela Noite”. A Educação pela Noite e Outros Ensaios.São Paulo: Ática, 1987.

LOPES, Hélio. “AA”. Letras de Minas e Outros Ensaios. São Paulo: Edusp, 1997.

No Contexto da Boêmia Estudantil

CANDIDO, A.“A Literatura na Evolução de uma Comunidade”. Literatura e Sociedade. S.Paulo: Nacional, 1985.

_________. “Poesia Pantagruélica”. O Discurso e a Cidade. São Paulo: Duas Cidades, 1993.

FRANCHETTI, Paulo. “O Riso Romântico: Nota sobre o Cômico nas Poesias de Bernardo Guimarães e Seus Contemporâneos”. Remate de Males. Campinas: Unicamp (IEL), n.7, 1987.

PIRES DE ALMEIDA. A Escola Byroniana no Brasil.São Paulo:Conselho Estadual de Cultura,s/d.
4.Castro Alves: Renovação da Lírica Amorosa e contradições da poesia social

4.1.O contexto histórico da segunda maré liberal (1860-70), as contradições e o “arcaísmo de perspectiva” dos grandes poemas abolicionistas de CA, entre a indignação diante do cativeiro negro e sua naturalização mítica (Bosi). 4.2. Termos de comparação: a representação do negro em CA, Luis Gama (“A bodorrada”), Fagundes Varela (“O escravo” e “À Bahia”), Alencar (“O demônio familiar”), Macedo (As Vítimas-Algozes); 4.3. Recepção crítica de CA: a tendência à valorização da lírica amorosa em detrimento da poesia “social”. 4.4. A “novidade” trazida pela lírica amorosa de CA em relação à geração anterior, seu significado histórico e suas possíveis afinidades com a poesia anti-escravista (Roncari).

CASTRO ALVES, A. Espumas Flutuantes/Os Escravos (org.L.Dantas e P.Simpson). São Paulo: Martins Fontes, 2000.

ANDRADE, Mário de. “CA”. Aspectos da Literatura Brasileira..., op.cit.

*BOSI, A.“Sob o Signo de Cam”.Dialética da Colonização.S.Paulo:Companhia das Letras,1992.

CANDIDO, Antonio. “Poesia e Oratória em CA”. Formação..., op.cit.: v.2.

CUNHA, Fausto. O Romantismo no Brasil.Rio de Janeiro: Paz e Terra/INL, 1971.

HEISE, E.“H.Heine e CA: diversidade na convergência”. Pandoemonium Germanicum, v.2. São Paulo, 1998.

RONCARI, Luiz. Literatura Brasileira: Dos Primeiros Cronistas aos Últimos Românticos. São Paulo: Edusp, 1995.

ROSENFELD, A.“CA e Henrich Heine”.Letras e leituras. São Paulo: Perspectiva, Edusp; Campinas: Unicamp, 1994.


Complementar

GAMA, Luiz. Poesias satíricas (org. J. Romão da Silva). Rio de Janeiro: Casa do Estudante no Brasil, 1954.



*MACEDO, J.M. As Vítimas-Algozes: Quadros da Escravidão. São Paulo: Scipione; Rio de Janeiro: Fund.Casa de Rui Barbosa, 1991.
5. Manuel Antônio de Almeida: Figuração da Malandragem

.Discussão centrada na análise do romance de MAA feita por Antonio Candido em “Dialética da Malandragem”, que possibilita o resgate de questões tratadas em outros tópicos do programa, ao reconhecer nas Memórias uma forma original e representativa (o “romance malandro”), plasmada a partir da sociabilidade popular e de certo “clima cômico datado” (que inclui a produção humorística da boêmia estudantil), e fundada numa intuição profunda do movimento da sociedade brasileira. Essa intuição profunda vai além da preocupação com a cor local e os detalhes pitorescos (presentes, de todo modo, no universo dos homens livres e pobres dentro da ordem escravocrata representado pelo romance) de que se ocupava a vertente “oficial” de nosso romantismo, movida pelo esforço patriótico de consolidar uma identidade e uma literatura nacionais..

ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um Sargento de Milícias. Cotia: Ateliê Ed., 2000.

CANDIDO, Antonio. “Dialética da malandragem”. O Discurso e a Cidade, op.cit.

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