Literatura infantil objetivos da disciplina



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LITERATURA INFANTIL


OBJETIVOS DA DISCIPLINA:
1. Conhecer e estudar os processos de formação da Literatura Infantil desde Charles Perrault aos dias de hoje;

2. Identificar e estudar o histórico dos contos de fadas, bem como, seus atuais revisitamentos e seu valor simbólico no desenvolvimento infantil;

3. Desenvolver e estabelecer critérios para a análise e seleção de obras destinadas à leitura e/ou contação na sala de aula;

4. Possibilitar trocas de idéias e criação de novos agenciamentos para a dinamização dos espaços destinados à leitura;




BANCO DE TEXTOS TEÓRICOS

Texto 1:

VELHA NOVA HISTÓRIA1

Não são mais novidades, nem tão recentes, os estudos e as discussões que garantem a importância da Literatura Infantil e da Contação de Histórias como grandes aliadas na promoção da leitura. Cabe ressaltar, porém, que nem toda ação carregada de boa vontade é suficiente para a concretização de tal tarefa. Já há muito foi constatado o fato de que as crianças apreciam uma boa história e se prestam a ouvi-la e, na maior parte das vezes, o fazem com grande interesse. Se não continuam a querer ouvir histórias, razão outra não é que a forma ingênua e/ou descompromissada de como o contador a conduz ou, de como caminha o processo da seleção e análise dessas narrativas.

Não se pode mais imaginar que o problema da literatura na sala de aula, esteja ainda relacionado à necessidade de afirmação da mesma como processo de aprendizagem indispensável no mundo infantil, muito menos, pode-se acreditar na idéia de que algum educador não se tenha convencido de sua real importância junto aos educandos. Só resta observar que a grande lacuna em relação ao trabalho com a literatura destinada às crianças reside mesmo na falta de uma base sólida na formação de leitor dos educadores, já inserida num processo cultural que, raríssimas vezes, privilegia a pesquisa e a formação continuada do professor.

Um dos aspectos essenciais para iniciar a discussão neste universo da leitura e da contação de histórias, diz respeito à qualidade dos textos selecionados e os critérios que norteiam esta análise e sua posterior proposta de contação. Textos selecionados com uma visão simplista, distorcida, utilitarista, sem aprofundamento do universo infantil ou mesmo o desconhecimento dos mecanismos de aprendizagem, dificultam um efetivo trabalho com a leitura da literatura, cuja implementação, embora pautada em incontáveis esforços, tem seus méritos e já é bastante aceita por uma grande parcela da sociedade que assumiu e acreditou no desafio. Ainda que haja muito para fazer, basta observar as inúmeras prateleiras destinas à literatura infantil nas livrarias e bibliotecas de muitas cidades brasileiras. Falta, efetivamente, muito estudo e leitura (também leitura das teorias) para que se faça um levantamento de critérios para análise e seleção desse farto material. Pena que muitos educadores ainda precisem de manual de instrução!

Se não está aí, o problema pode estar também nas propostas de exploração lúdica do texto lido ou contado, uma vez que, o trabalho posterior à realização da leitura ou contação pode invalidar todo o processo anterior. Novamente a visão utilitarista, pedagogizante e/ou moralizante da literatura, especialmente, a destinada às crianças, nos leva aqueles velhos e conhecidos caminhos: as inesquecíveis provas de interpretação, os questionários de entendimento do texto, “agora é sua vez de contar a história”, o preenchimento de páginas e mais páginas de caderno destacando aspectos óbvios da leitura sem, no entanto, isto nada significar ao aluno. Até mesmo as dramatizações que as crianças tanto gostam acabam sendo chatas e enfadonhas, já que as propostas nada mais são do que a repetição de tudo aquilo que já foi lido ou contado.

Para um trabalho efetivo, alternativo e, ao mesmo tempo dinâmico com a leitura e a contação de histórias, é imprescindível que o próprio educador possa ressignificar sua experiência pessoal com a narrativa. Garimpar boas histórias, não importa se populares ou literárias. Freqüentar assiduamente a biblioteca. Colecionar narrativas ouvidas na região onde mora e/ou trabalha. Enfim, a relação atuante das histórias em sua vida é a chave que pode contribuir para aumentar seu repertório. Também a formação de grupos de pesquisa para leitura e seleção de textos é importantíssima, uma vez que, possibilita a constante atualização e a troca de experiências.

Basta alçar vôo, firmar parcerias, investir em leitura. É necessário abrir urgentemente outra página nessa história, cujos primeiros passos, os que dizem respeito à relevância do trabalho com leitura e contação de histórias já foram dados, agora, é seguir para o procedimento seguinte. Que tal?
Escrito, exclusivamente, para as aulas da disciplina de Literatura Infantil.

Texto 2:

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS




Quando abrimos os olhos, a vida se coloca à nossa frente. Inevitavelmente começamos a formar um repertório de histórias: a nossa história. Somos crianças e queremos o brinquedo, os bichos, outras crianças, o doce, a fantasia. Somos jovens e queremos a aventura, a ação, a prova, o desafio, o ato heróico, o primeiro amor, o riso. Somos adultos e queremos tudo de novo.

Existem muitas maneiras de se chegar ao mundo. Existem algumas maneiras de se conhecer o mundo. Mas não há como escapar: o mundo é uma grande história que se lê diariamente. De olhos abertos podemos perceber que cada um faz parte desse grande livro. Às vezes, nos colocamos na história como personagem principal, às vezes como aquele que se opõe ao herói, ou aquele personagem nem tão principal, mas que está sempre ao lado do “mocinho” e é seu amigo inseparável. Ou, quem sabe, a princesa que na aula de Matemática fica sonhando com o príncipe que vai chegar qualquer dia para salvá-la das garras da rotina? Mas, por outro lado, o melhor mesmo é ser bicho solto com comportamento humano! Ou, quem sabe, apenas alguém que observa e vai dando sentido às coisas.
No exercício de juntar pedaços para construir o conhecimento de mundo, vamos também decifrando o mundo, lendo o mundo. Ler é dialogar? É. Ler é duvidar? É. Ler é entender o significado das coisas, e por isso, entender o outro? É. Ler é se transformar através do sentido que a palavra produz? É. Então ler um bom livro é sempre garantir a mudança: nós nunca seremos os mesmos depois de terminada a leitura. Terminada no papel e continuada na vida!

Mas ler é também ir além da capa e do título. É ler as imagens, dentro e fora dos livros. Descobrir outra dimensão da palavra. Ler jornal, porque informa; ler quadrinhos, porque diverte; ler poesia, porque aponta sentido do belo; ler placas, sinais, bulas de remédios, porque nos orientam; ler o filme, porque é bom mesmo e tem movimento, e tem cor e tem humor e romantismo e lugares desconhecidos e gente tão diferente!; ler o livro porque além de tudo se pode voltar quando se quer, e ler de novo, e sublinhar aquela frase marcante, e discutir com os amigos, e carregar para todo lugar, e ficar pensando, aumentando, transferindo, criando junto.

E é exatamente do fascínio de ler que nasce o fascínio de contar. E contar histórias hoje significa salvar o mundo imaginário. Vivemos, em nosso tempo, o império das imagens, quase sempre gerais, reprodutoras e sem individualidade. Essa reprodução desenfreada, operada por uma série de meios de comunicação, em muitos casos, impede o livre exercício da imaginação criadora. O espaço que sobra para o destinatário influir no produto é quase nenhum.

Quando se conta uma história começa-se a abrir espaço para o pensamento mágico. A palavra, com seu poder de evocar imagens, vai instaurando uma ordem mágico-poética, que resulta do gesto sonoro e do gesto corporal, embalados por uma emissão emocional, capaz de levar o ouvinte a uma suspensão temporal. Não é mais o tempo cronológico que interessa e, sim, o tempo afetivo. É ele o elo da comunicação.

Contar histórias é um meio de comunicação ancestral. Isso nos obriga a pensar em Platão, que na República já se referia à importância de contar contos – primeiro os contos, depois a ginástica – para a educação ética das crianças gregas, sem contudo negar a função de entretenimento que esses mesmos contos podiam proporcionar. E isso nos obriga ainda a pensar em Aristóteles: ouvir uma boa história é também experimentar o efeito catártico. E podemos ainda pensar nos jograis, trovadores, saltimbancos, menestréis, bufões que, de diversas formas contavam histórias e difundiam obras. E o que dizer de um dos livros mais antigos: a Bíblia – que também fala através de histórias? E como esquecer os contadores de histórias das sociedades tribais primitivas, em seus papéis de transmissores da história e do conhecimento acumulado por gerações, em crenças, mitos, costumes e valores preserváveis pela comunidade?

A prática de contar histórias se desenvolveu muito do fim do século passado aos nossos dias. Hoje, como atividade artística, se beneficia de normas e técnicas. E, para não ficar reduzida à “hora do conto” em escolas e bibliotecas, exige do contador um aperfeiçoamento técnico, uma prática de leitor e um apuro crítico. E, para não haver confusão de linguagens, é preciso perceber que um contador de histórias contemporâneo difere de um contador popular, de um declamador, de um ator, ainda que a prática se beneficie de elementos também utilizados por esses artistas. É necessário sublinhar as diferenças de naturezas do texto escrito e da narração oral: a do primeiro aponta para o consumo solitário, a do segundo para o consumo solidário. A transposição de um meio para outro vai determinar outras exigências; não mais a descrição, mas a síntese: não só a palavra, mas o gesto, as pausas, os silêncios, os movimentos corporais e as expressões faciais.

Mas o que contar? Um conto, uma fábula, um romance, uma lenda, um mito, uma saga, um apólogo, uma parábola, uma alegoria? Escolher nem sempre é tarefa fácil! São muitas as variantes que precisam ser controladas quando se escolhe uma história: o gosto pessoal, o público, o espaço da apresentação, o evento, etc... É um trabalho de pesquisa: ler muitas histórias, procurar, procurar, até que apareçam aquelas que nos digam coisas de uma forma toda especial!

O trabalho do contador de histórias obedece a um certo ritual. O ritual do auto-conhecimento, o ritual da observação do outro, o ritual de abrir o imaginário com a chave que cada um escolher, pelo exercício de contar uma história como se conta um fato da vida pessoal, com envolvimento, emoção, naturalidade, credibilidade.

Como um colecionador que conhece a fundo cada peça de sua coleção, o contador de histórias há de reconhecer cada parte da estrutura de uma história que ele conta. Pelo estudo com as partes do conto vai permitir trabalhar uma história com coloridos diferentes para cada movimento. Uma história não é só uma introdução, desenvolvimento e conclusão. Uma história é forma e conteúdo. Mas é pelo reconhecimento da forma que se pode valorizar um conteúdo na hora de contar.

Perceber uma história como se percebe a batida de um coração e os estímulos nervosos do cérebro, não é apenas decodificá-la, é recheá-la de vida e de humanidade. E a arte tenta, a todo momento, reencontrar essa fonte original!Aprender uma história para contar é como construir um filme. Temos que visualizar mentalmente cada coisa que vai sendo contada. Ser capaz de recontá-la de memória sem precisar decorá-la. Selecionarmos os gestos e as vozes que serão utilizadas como continuadores da palavra, não como recursos estanques, enxertados na história para garantir o brilho. A palavra, por sua própria força, demanda gestos e expressões que surgem de forma orgânica, como continuidade, nunca como ruptura. Essa preparação é prévia e solitária. É a nossa edição do filme!

Um contador de histórias é também um agente de sua língua. Por isso, a correção, a clareza, a eliminação de vícios de linguagem e a preservação da literariedade do texto, mesmo numa fala cotidiana, devem fazer parte de suas preocupações.

É pensando na troca que se prepara uma sessão de contadores de histórias. É pensando na duração do evento, nos tipos de contos, no local, que se percebe toda a dimensão do trabalho. Uma história tem que durar o tempo da liberdade do ouvinte de ser co-autor da história narrada, recebendo a experiência viva e criando na imaginação o que foi apenas sugerido pelo narrador. Pode-se usar outras linguagens para enriquecimento como a música, a mímica, a dança, o canto, as artes plásticas.Tudo é bem-vindo quando desperta o sabor de um passeio com o qual se sonhou há muito, com o qual se restitui o tempo do jogo, do faz-de-conta!

Uma história, para o ouvinte, começa a nascer no impulso do olho. A força do olhar de quem conta vai saber logo logo se encontra eco na imaginação de quem ouve. Mas quem conta é também quem aconchega, quem traz pra perto, quem respira junto e quem dialoga.

Antes da história há o contador, sua imagem, sua empatia com o público, seu interesse em conhecer as experiências de leituras desse público a quem se dirige. Durante a história há só a história, falando por si mesma. Nesse momento espera-se que o público visado queira apenas o desfrute da fantasia.

Mas uma platéia também tem os seus mistérios! Pequena ou grande, conhecendo ou não a essência da narração oral e da relação inter-pessoal que se estabelece num evento desse tipo, um grupo nunca é homogêneo e, por isso mesmo, tem interesses diferentes. Infantil, juvenil ou adulto,os interesses variam também de acordo com critérios que vão além da faixa etária. A familiaridade com a leitura e a maturidade como leitor são critérios essenciais.

Se o público for misturado, a saída é apostar na diversidade do repertório. O mais importante é que todos saiam satisfeitos, com a sensação de que a criação da beleza pode se dar em palavras, com a força de quem refaz o mundo no espírito, no mistério, no humor, na maravilha, e depois abre a porta para o insuspeitado.

Com certeza, quem conta histórias tem clareza do que pretende atingir. Se o objetivo é apenas lúdico, se é discutir determinada idéia ou tema, se é despertar uma série de sentimentos e informações, se é terapêutico, se pretende promover uma integração social e cultural – para cada um há procedimentos e encaminhamentos diferentes. Embora se saiba que quem conta um conto aumenta um ponto, uma vírgula, uma exclamação e uma boca aberta diante da possibilidade de se construir um mundo melhor – povoado de histórias!

Sisto, Celso.Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Chapecó: Argos, 2001.






Texto 3:

CONTOS DE FADAS
O Conto de Fadas, como o conhecemos hoje, surge na Europa na Idade Moderna, tem por fonte a tradição oral e foram transmitidos através dos tempos. Muitos contos revelam afinidade com os ritos iniciáticos dos povos primitivos nos quais o iniciado, para alcançar outra etapa de sua vida, submete-se a inúmeras provas cuja superação comprovam o seu amadurecimento. A origem popular dos contos fica visível pelo fato que os heróis das narrativas estão em condição de inferioridade no meio em que vivem e, apenas com o auxílio de elementos mágicos é que superam essa condição. Sua mensagem básica é que somente através de uma situação fantástica, é possível alcançar outro patamar na escala social.

A passagem da oralidade ao texto escrito para crianças é assinalada pela inclusão da moralidade. A noção de família nuclear, que surge com a ascensão da burguesia no século XVIII, passa a valorizar a infância, enquanto etapa que merece a atenção dos educadores por ser uma fase existencial propícia à aquisição de hábitos e formação de moral do futuro adulto.

Sendo um produto do saber humano, os contos lidam com experiências fundamentais do existir, entre elas a conquista da maturidade. Abordam, simbolicamente, as dificuldades mais sérias que o crescimento pressupõe, mas demonstram também que se enfrentarmos com coragem esses problemas, podemos superá-los. Esse movimento interno, esse brincar interiorizado e imaginativo é essencial para que outras aprendizagens se possam fazer. O passado, o presente e o futuro encontram-se reunidos, sintetizados numa única melodia simbólica e num único espaço afetivo.

Contar e ouvir histórias é uma forma de estar junto em harmonia, recriando a vida no seu significado mais profundo. Nesse sentido, o conto de fadas é absolutamente real, na medida em que fala daquilo que é, especificamente, humano, primitivo – os amores, as raivas, as invejas, as ambições – e aponta para um mundo melhor, onde o mais importante não são os bens materiais, concretos, mas as riquezas abstratas da beleza, da bondade, da justiça, do perdão e do amor. O conto de fadas, atua na mente infantil, enriquecendo suas experiências internas. É necessário que o texto não sofra as mutilações da adaptação, pois os símbolos organizam-se na história formando uma composição, cujos elementos não podem ser dissociados, sob pena de prejudicar a sua significação global.


MARAVILHOSO – segundo Tzvetan Todorov é o gênero literário que agrupa obras nos quais a existência do sobrenatural é aceita desde o início sem hesitação, surpresa ou incredulidade pelos personagens e, por extensão, pelo leitor. Por sobrenatural entendem-se aqui seres (fadas, vampiros...) objetos (varinhas, condões...) acontecimentos (transformação em sapo, viagem ao centro da terra...) cuja existência e natureza transgridem as leis naturais e físicas conhecidas pelo leitor. Podem aparecer na forma de contos de fadas, contos de terror ou ainda em obras de ficção científica.
VEILLÉES – eram encontros noturnos, junto à lareira, para troca de notícias e histórias e faziam parte da vida de trabalho do artesão e do agricultor nas cidades e no campo. Tais reuniões ofereciam a homens e mulheres uma oportunidade de falar – de pregar – que lhes era negada no púlpito e no fórum. Ainda não preconizavam as horas de lazer hoje proporcionadas pelo rádio ou pela televisão. Era a continuação do trabalho em forma de fiação ou de outras tarefas domésticas.
Texto 4:



BREVE HISTÓRICO DA LITERATURA INFANTIL



CHARLES PERRAULT – França – 1697

Contos da Mamãe Gansa – Contes de ma Mère l’Oye.


IRMÃOS GRIMM – Alemanha – 1812

Contos para Crianças e para o Lar – Die Kinder und Hausmärchen.



HANS CHRISTIAN ANDERSEN – Dinamarca – 1835


Contos de Natal.
LEWIS CARROLL – Inglaterra – 1865

Alice no País das Maravilhas – Alice’s Adventures in Wonderland.



CARLO COLLODI – Itália – 1883

As Aventuras de Pinóquio – Le avventure di Pinocchio.


JAMES M. BARRIE – Escócia – 1904

Peter Pan – o menino que não queria crescer.


MONTEIRO LOBATO – Brasil

A menina no narizinho arrebitado – 1920

Reinações de Narizinho - 1931





Texto 5:

LITERATURA INFANTIL: VOZ DE CRIANÇA

Desde os primórdios, a literatura infantil surge como uma forma literária menor, atrelada à função utilitário-pedagógica que a faz ser mais pedagogia do que literatura. Contar histórias para crianças sempre expressou um ato de linguagem de representação simbólica do real direcionado para a aquisição de modelos lingüísticos. O trabalho com tais signos remete o texto para alguma coisa fora dele, de modo a resgatar dados de um real verossímil para o leitor infantil. Este, tratado fisionomicamente sob o “modo de ser” do adulto, reflete-se para a produção infantil como um receptor engajado nas propostas da escola e da sociedade de consumo. Deverá, sobretudo, apreender, via texto literário infantil, a verdade social.

Nesse universo, opera-se por associações mais simples de pensamento, as de contigüidade, feitas com base na proximidade explícita e compulsória entre os elementos da cadeia significativa: texto-contexto. Lógica comandada pelos princípios de sucessividade e de linearidade, o que corresponde ao resgate do tempo real com base na verossimilhança pretendida como uma lei absoluta da linguagem discursiva.

Portanto, se considerarmos o arranjo do discurso literário sob a operação da contigüidade dos signos, em convenção simbólica, mais nos aproximamos do uso social desse discurso, reforçando as estruturas vigente em educação. Isso, sem discutir o tratamento apontado pela escola ao decidir as respostas da criança na leitura do texto literário: passividade e persuasão acompanham a recepção dos modelos da verdade verossímil; ainda a voz da lei pedagógica em exercício literário.

Os “bastidores” da produção do livro estão ocultos, e à leitura só resta seguir índices, rastros que desembocam, inevitavelmente, num ponto terminal: o hábito comportamental que se quer ensinar. Esse é o caso de todo um tipo de produção para a infância tida por nova para enfrentar o cotidiano; a chamada literatura “realista” para o público infantil. O que se nomeia por realista, aí, outra coisa não é senão trazer para o texto um conjunto de temáticas – pobreza, menor abandonado, pais separados, sexo, etc. – vinculadas, por contigüidade, ao contexto social no qual se pretende inserir a criança. Construção plana, previsível, sem surpresas, numa linguagem que tem por tarefa, apenas, ser canal expressivo de valores e de conceitos fundados sobre a realidade social.

Linguagem carregada de ideologia que permeia cada fala do narrador, cada diálogo das personagens, e tem um destinatário certo: o leitor infantil, cujo pensamento se pretende capturar. Não há possibilidade de respostas alternativas nesse processo educativo autoritário que só admite à criança a função de aprendiz passivo frente à voz todo-poderosa do narrador e de seu enfoque da realidade social. Seguindo essa trilha, não é preciso dizer, estão os produtos com menor grau de invenção e de liberdade poética criativa, perdem em poeticidade o que ganham em imediatismo e em praticidade.

Temos aqui descrita uma frente literária comum não apenas à grande parte da produção infantil contemporânea, mas também àquela não-infantil. Desnecessário se torna falar dessa qualidade literária à margem de um contexto de produção que se nega a especular sobre a natureza sensível da linguagem infantil; ao contrário, troca o inventar poético pelo modelo consumista do discurso literário.Pound consideraria essa classe da produção literária como sendo a dos diluidores, “homens que trabalham mais ou menos bem, dentro do estilo mais ou menos bom de um período. Desses estão cheias as deleitosas antologias, assim como os livros de canções e a escolha entre eles é uma questão de gosto”.

Tomando-se literário no sentido estrito que lhe dá Jakobson, isto é, enquanto função poética (projeção do eixo da similaridade sobre o da contigüidade), assumir a dominante poética nos textos da literatura infantil é configurar um espaço onde equivalências e paralelismos dominam, regidos por um princípio de organização basicamente analógico, que opera semelhanças entre os elementos. Espaço no qual a linguagem informa, antes de tudo, sobre si mesma. Linguagem-coisa com carnadura concreta, desvencilhando-se dos desígnios utilitários de mero instrumental. Palavra, som e imagem constroem, simultaneamente, uma mensagem icônica que se faz por inclusão e síntese, sugerindo sentidos apenas possíveis. É a informação lançada no horizonte precário da arte feito de “um retalho de impalpável, outro de improvável, cosidos todos com a agulha da imaginação” (Machado de Assis). Cada coisa, cada ser pode ter similaridade com outros, redescobrindo o princípio da correspondência que os integra no todo universal; nesse fugaz instante entre o dito e o não-dito.

O pensamento infantil é aquele que está sintonizado com esse pulsar pelas vias do imaginário. E é justamente nisso que os projetos mais arrojados de literatura infantil investem, não escamoteando o literário, nem o facilitando, mas enfrentando sua qualidade artística e oferecendo os melhores produtos possíveis ao repertório infantil, que tem a competência necessária para traduzi-lo pelo desempenho de uma leitura múltipla e diversificada.Leitura que segue trilhas,lança hipóteses, experimenta, duvida, num exercício de experimentação e descoberta. Como a vida.

Investe-se na inteligência e na sensibilidade da criança, agora sujeito de sua própria aprendizagem e capaz de aprender do e com o texto. Educação simultânea do par texto-leitor, ambos repertoriamente acrescidos e modificados no momento da leitura. É por isso que, ao se falar dos textos de literatura infantil sob a dominante estética, põe-se em risco a própria categorização de infantil e, mais ainda, do possível gênero de literatura infantil, já que não se trata mais de falar a esta ou àquela faixa etária de público, mas assim de operar com determinadas estruturas do pensamento – as associações por semelhança – comuns a todo ser humano.

É por isso, também, que obras não-elaboradas com a intenção de falar ao público infantil acabaram por atingi-lo. É o caso de Lewis Carroll e suas Alices, de Guimarães Rosa em muitos de seus contos, entre tantos outros.

PALO, Maria José. Literatura Infantil: voz de criança. São Paulo: Ática, 1992.

BANCO DE IMAGENS


GUSTAVO DORÈ, 1861.

GUSTAVE DORÈ, 1861.


Texto 6:
OPINIÕES DE ROBINSON

(Carlos Drummond de Andrade)


Robinson aproximou-se cautelosamente. Percebia-se que era um homem disposto a defender sua ilha deserta.

__ Naturalmente o senhor veio aqui para entrevistar-me. Quer conhecer minhas opiniões sobre o mundo do pós-guerra, a maneira de domesticar os alemães, a possibilidade de dar comida a toda a gente e outras utopias. Mas eu sou um homem sem opiniões. Tenho apenas meu machado e minha cabana. Entende?

__ Não, velho Robinson. Não vim perguntar-lhe nenhuma coisa. Apenas, cuidou-se de dedicar à literatura infantil o número de uma revista e eu me lembrei de procurá-lo, a você personagem típico dos livros infantis, para ouvi-lo discorrer sobre matéria tão complexa.

__ Não sou personagem de histórias infantis. Minha história não foi escrita para crianças.

__ Precisamente por isso escolhi você, meu caro amigo. Como se explica o fato de um livro escrito para adultos atingir a zona difícil das crianças e passar a ser considerado um livro feito para elas, e até mais compreendido por elas do que pela gente grande?

Robinson coçou a barba de uma exuberância vegetal. Mostrava-se embaraçado, mas estava antes envaidecido.

__ Então no Brasil também?...

__ Também no Brasil, pois não. A princípio nas velhas e ingênuas séries de quadros coloridos do Tico Tico a sua aventura foi contada às crianças brasileiras.(Chorei minha lágrima na semana em que você deixou a ilha) Depois vieram outras adaptações e resumos, antecipando a técnica moderna da condensação. Por último você foi apresentado aos nossos garotos pelo escritor Monteiro Lobato, um dos homens que mais fizeram pelas crianças brasileiras, contando-lhes histórias entre fantásticas e realistas, em que lhes ensinava de maneira pitoresca a ciência, a história, a geografia, os fenômenos da natureza.

__ Cortaram muito das minhas peripécias?

__ Muito. Mas era preciso, e todo o escritor já está habituado a essa operação. O essencial é que o personagem ficasse. E o personagem está vivo. Fizeram o mesmo com o Quixote.

__ Este cavalheiro é diferente – interrompeu Robinson agastado.__ Nada temos em comum. Trata-se de um sonhador, um lunático, ao passo que eu sempre fui um honrado comerciante (talvez mais comerciante que honrado) e sobretudo um espírito prático. Minha longa permanência na ilha que cultivei e colonizei não é uma aventura romântica. Não perdi o meu tempo construindo uma torre, mas aproveitei-o fazendo uma cabana fortificada; e não escrevi versos à maneira dos jovens poetas puros, em matéria de escrita, limitava-me a dar talhos na madeira, para indicar os dias e controlar a passagem do tempo. Enfim, minha vida pode ser tida como exemplo de força prática, laboriosa e construtiva, nela se fundem capacidade inventiva, força de vontade e poder de adaptação.

__ Já sei prezado Robinson, e desculpe se lembrei à toa o nome de um ser tão diferente como o Quixote. O certo é que os meninos gostam de você, homem de vista curta e segura (isto não é xingamento), como o do fidalgo manchego que era a própria imaginação desenfreada. Meninos gostam de tudo e o apetite infantil em matéria de histórias e caracteres vai ao infinito.

__ Além do meu “caso” que é que eles lêem ultimamente por lá?

__ Tudo. E muitos lêem Robinson sem o saberem. Porque você tem mil nomes, fique ciente disto. Os escritores e desenhistas norte-americanos não pecam pelo excesso de espírito criador, e muitas vezes, com feições e rótulos diversos, fazem de você ou de outros personagens clássicos o objeto de suas histórias aparentemente novas. Essas histórias, como tantas outras mercadorias padronizadas, são despachadas para o mundo inteiro e aparecem simultaneamente nos jornais e revistas de toda a parte. Sua receita de viver numa ilha deserta tem sido muito explorada.

__ Sei disso. Recebo as Seleções e ouço o aviso aos navegantes... Hoje em dia, isso de ilha deserta é conversa fiada.

__É mesmo, velho Robinson e as crianças também o sabem. As crianças envelheceram terrivelmente nos últimos tempos. O cinema lhes trouxe uma soma brutal de conhecimentos. O rádio também. Já não falo das crianças dos países onde se desenvolvem operações militares – essas aprenderam demais. Refiro-me às crianças dos países não invadidos, nem bombardeados, das crianças mais felizes e protegidas. Amadureceram muito. Há mesmo quem receie que os contos maravilhosos já não seduzam os meninos mais tenros, a menos que esses contos também se renovem e, por exemplo, exibam uma moralidade mais direta e cortante. Na opinião dessas pessoas, as fábulas estão desmoralizadas. A figura do lobo não interessa; um fascista impressiona muito mais. E as fadas teriam perdido o prestígio, depois que surgiram os pára-quedistas.

__ Afinal, o senhor está entrevistando ou sendo entrevistado? – estranhou Robinson.

__ Tem razão. Vim aqui para pedir-lhe que me ajude a compreender o mistério da leitura – ou um aspecto dele. As crianças lêem histórias para gente grande. Os homens lêem contos de Andersen e Perrault. Um conto como “O príncipe feliz” de Oscar Wilde, não se sabe se foi composto para homens ou crianças – todos o adoram. Que é, afinal, literatura infantil?

__ Meu filho – respondeu Robinson gravemente, depois de um minuto de reflexão. __ O problema é estranho a minhas cogitações habituais, mas é possível examiná-lo à luz da natureza humana. A literatura infantil é talvez uma invenção dos livreiros. Quem sabe?

__ Mas os especialistas...

__ Deixe em paz os especialistas. Não é fora da história do comércio ou da sociedade que um gosto ou uma tendência sejam impostos pelo produtor. O uso da gravata nos países ocidentais talvez não tenha outra explicação senão a de que foi estabelecido pelos fabricantes de gravatas. Literatura é uma só, e não parece razoável que se divida em seções correspondentes às fases do crescimento físico e mental do homem.

__ Entretanto – arrisquei – certa maneira de contar...

__ Dirige-se de preferência ao público infantil, não é? Mas essa maneira não basta para constituir uma nova forma de literatura, nem mesmo um novo gênero. Dentro da “literatura adulta”, se é que vocês a chamam assim, cabem todas as maneiras, formas e gêneros. E a redução microscópica de um gênero é ainda um gênero. “Infantil”, geralmente é o autor da história em si. O que há de gravidade e consciência das coisas no espírito da criança escapa, geralmente, a esses escritores especializados em livros para crianças. Como se a criança fosse um ser à parte, que se transforme visceralmente ao crescer.

E o homem positivo continuou:

__ Não há escritores para homens e escritores para meninos. Há somente bons e maus escritores. Dentro da categoria dos bons uns são particularmente dotados para a representação de pessoas, coisas e fatos, reais ou imaginários. Esses criarão histórias e personagens que darão a volta ao mundo, fascinarão velhos e moços, mulheres e homens, de todas as profissões, e serão sempre vivos. Não têm a preocupação de uma clientela, de uma classe ou de uma zona de influência. São os escritores propriamente ditos. Os outros são os ruins – não interessam.

E depois:

__ Afinal, e sumariamente, a chamada literatura infantil tem seu principal celeiro no folclore. Mas, não é o folclore universal um fornecedor de motivos para toda a literatura? O folclore, simplesmente, seria insuficiente para individualizar essa pretensa literatura pré-púbere. Outro elemento de caracterização seria o seu duplo objetivo de recreação e educação (não falo de propaganda, que já é um desvio).Ora, aqueles são objetivos que podem coincidir com os da leitura. É preciso divertir as crianças, como também é preciso ensinar-lhes matemática elementar, mas não vejo em que isto envolva preocupação literária, como não há literatura no ato de cantar para que o filho adormeça ou no de substituir-lhe os cueiros molhados...

__ Mas há vida, Robinson ilustre, há vida!

__ E a vida não é uma só, sem embargo das diferenças biológicas?

Fugi. Seria Robinson um conferencista recalcado?


Novembro 1944.

BANCO DE TEXTOS FICCIONAIS
Texto 7:
CELEBRAÇÃO DA DESCONFIANÇA
No primeiro dia de aula, o professor trouxe um vidro enorme:

__ Isto está cheio de perfume – disse a Miguel Brun e aos outros alunos.

__ Quero medir a percepção de cada um de vocês. Na medida em que sintam o cheiro, levantem a mão.

E abriu o frasco. Num instante, há havia duas mãos levantadas. E logo cinco, dez, trinta, todas as mãos levantadas.

__ Posso abrir a janela, professor? – suplicou uma aluna enjoada de tanto perfume, e várias vozes fizeram eco. O forte aroma, que pesava no ar, tinha se tornado insuportável para todos.

Então o professor mostrou o frasco aos alunos, um por um. Estava cheio de água.


GALEANO, Eduardo. O Livro dos Abraços. Porto Alegre: L & PM, 1995.



Texto 8:

CAUSOS / 1

Nas fogueiras de Paysandú, Mellado Iturria conta causos. Conta acontecidos. Os acontecidos aconteceram alguma vez, ou quase aconteceram, ou não aconteceram nunca, mas têm uma coisa de bom: acontecem cada vez que são contados. Este é o triste causo do bagrezinho do arroio Negro.

Tinha bigodes de arame farpado, era vesgo e de olhos saltados. Nunca Mellado tinha visto um peixe tão feio. O bagre vinha grudado em seus calcanhares desde a beira do arroio, e Mellado não conseguia espantá-lo. Quando chegou no casario, com o bagre feito sombra, já tinha se resignado.

Com o tempo, foi sentindo carinho pelo peixe. Mellado nunca tinha tido um amigo sem pernas. Desde o amanhecer o bagre o acompanhava para ordenar e percorrer campo. Ao cair da tarde, tomavam chimarrão juntos; e o bagre escutava suas confidências. Os cachorros, enciumados, olhavam o bagre com rancor; a cozinheira, com más intenções. Mellado pensou em dar um nome para o peixe, para ter como chamá-lo e para fazer-se respeitar, mas não conhecia nenhum nome de peixe, e batizá-lo de Sinforoso ou Hermenegildo poderia desagradar a Deus.

Estava sempre de olho nele. O bagre tinha uma notória tendência às diabruras. Aproveitava qualquer descuido e ia espantar as galinhas ou provocar os cachorros: __ Comporte-se – dizia Mellado ao bagre.

Certa manhã de muito calor, quando as lagartixas andavam de sombrinha e o bagrezinho se abanava furiosamente com as barbatanas, Mellado teve a idéia fatal: __ Vamos tomar banho no arroio – propôs.Foram os dois. E o bagre se afogou. GALEANO, Eduardo. O Livro dos Abraços. Porto Alegre: L & PM, 1995.



Texto 9:

A ARTE PARA CRIANÇAS

Ela estava sentada numa cadeira alta, na frente de um prato de sopa que chegava à altura de seus olhos. Tinha o nariz enrugado e os dentes apertados e os braços cruzados. A mãe pediu ajuda: __ Conta uma história para ela, Onélio – pediu. __ Conta você que é escritor... E Onélio Jorge Cardoso, esgrimindo a colher de sopa fez seu conto:

__ Era uma vez um passarinho que não queria comer a sua comidinha. O passarinho tinha o biquinho fechadinho, fechadinho, e a mamãezinha dele dizia: “Você vai ficar anãozinho, passarinho, se não comer a comidinha”. Mas o passarinho não ouviu a mamãezinha e não abria o biquinho...

E então, a menininha interrompeu: __ Que passarinho de merdinha! – opinou.


GALEANO, Eduardo. O Livro dos Abraços. Porto Alegre: L & PM, 1995.


Texto 10:

HISTÓRIA PORTO-ALEGRENSE

Não penses que eu estou reclamando, não. Eu só estou contando a verdade e contar a verdade não pode fazer mal a ninguém. E a verdade é que a porto-alegrense sou eu; o orgulhoso és tu, mas a porto-alegrense sou eu. Eu já morava nesta cidade quando tu apareceste, tu o altivo filho de um fazendeiro da fronteira. Faz tempo isto, não é? Petrópolis nem existia, Três Figueiras era mato. Os bondes eram poucos... Te lembras dos bondes? Bem. Eu era a modesta caixeirinha de um armarinho da Cidade Baixa. Tu, o garboso estudante que varava as madrugadas no Café Central ou no Alto da Bronze, declamando em voz alta os teus poemas. Tu eras o rapaz rico que vinha à loja onde eu trabalhava, trazendo imensos buquês de rosas.

Foi um escândalo, te lembras? O que se cochichava na Rua da Praia! É que desfilavas de braço comigo, desde a Praça da Alfândega até a Igreja da Conceição. Eu nem gostava desses passeios, mas tu ias de cabeça alta, desafiador – enquanto as senhoras e os cavalheiros nos olhavam, escandalizados. Se escandalizavam? Foste mais longe: alugaste para mim uma casa no Menino Deus. E que casa! O antigo palacete de um barão, situado no meio de um verdadeiro parque, com árvores, e estátuas, e um lago com peixinhos vermelhos. Me instalaste ali porque eu era, tu dizias, a tua rainha; e de fato, como rainha eu vivia, com criados à disposição e até um carro – um dos primeiros automóveis de Porto Alegre, te lembras? Um Edsel. Teu pai pagava tudo. Teu pai, o rico fazendeiro, achava que o filho tinha direitos de macho, não importava o que dissessem. Ou o que custasse. Pagava tudo.

E eu? Bem, eu gostava de ti. Gostava mesmo. Por tua causa, saí da casa de meus pais na Cidade Baixa, e fui morar no palacete como uma cortesã. Mas eu gostava de ti, esta era a verdade.Teus parentes – ricos fazendeiros como o teu pai, mas fazendeiros da cidade, dos Moinhos de Vento – deixaram de te convidar para festas. O que te irritou mais ainda. Te vingaste, alugando uma casa nos Moinhos de Vento, no reduto dos inimigos. Nos instalaste lá, eu e todos os empregados (só despesdiste a cozinheira, porque achavas que eu cozinhava melhor do que ela). Vinhas me ver seguido. Não querias morar comigo, porque preferias a tua liberdade, mas vinhas seguido. Moinhos de Vento... Lindo bairro, de casas finas. Teus parentes estavam furiosos; não te cumprimentavam. Se te encontravam na rua, viravam a cara. Menos a tua prima, a Rosa Maria. Ela te olhava de esguelha, piscava o olho, travessa que era... Tu sorrias. Vocês se trocavam bilhetinhos. Pensas que eu não sabia? Eu sabia. Mas gostava de ti, esta é que é a verdade. E gostava da casa nos Moinhos de Vento. Um paraíso.

Um paraíso que durou pouco. .. Decidiste que eu deveria me mudar. Gostavas da casa, e a querias para ti, de modo que tive de sair. Fui para uma casa em Petrópolis. Comigo foram a empregada e o motorista que era também uma espécie de guarda. O jardineiro foi dispensado, porque a casa não tinha jardim; era uma casa relativamente modesta; e depois, para que jardim, era o que perguntavas, e ponderavas: jardim só dá trabalho. Eu gostava de jardim, mas não te respondi nada. Porque gostava de ti.

Casaste com a tua prima Rosa Maria e assumiste um cargo na direção da firma do pai dela. E aí começaste a aparecer cada vez menos; a vida de um homem de negócios é muito atarefada, dizias. Eu concordava, me lembrando da loja de armarinhos. A cidade progredia e a esta altura eu já não tinha mais motorista, porque Petrópolis contava – me disseste entusiasmado – com transporte abundante, digno de uma cidade moderna: bondes, ônibus.

Petrópolis era realmente um bairro bom, mas com o passar dos anos começou a apresentar inconvenientes. Muitos dos teus amigos – médicos, advogados, homens de negócios – moravam ali; além disto, a escola de balê que tuas filhas – duas garotas encantadores – freqüentavam, também era em Petrópolis... – Decidiste que eu deveria me mudar.

Me mandaste para Três Figueiras, um lugar que já não era mato, mas que ainda estava pouco povoado. Me instalaste numa casinha simpática. De madeira, mas muito simpática. Chovia dentro, mas eu não te incomodaria me queixando destes pequenos problemas. Vinhas me ver tão pouco que não era justo. Realmente não era justo. E a casa não era feia. Eu me distraía com as lides domésticas – a esta altura já não tinha mais empregada. (Para que empregada, numa casa pequena? – perguntaste, e estavas com a razão. Realmente, estavas com a razão.)

Uns anos depois – me lembro muito bem, porque já estava costurando para fora – começaram a aparecer as primeiras casas elegantes nas Três Figueiras. Casas bonitas, as fachadas com pedra decorativa... Achaste que eu deveria me mudar para a Vila Jardim. Um pouco mais afastado, disseste, e tinhas razão; disseste, o jardim que te faltava. É verdade que a casa não tinha água nem luz; mas eu não queria te incomodar. Passavas por uma fase de profunda depressão, de angústia existencial. Que é o dinheiro? – me perguntavas. Estávamos os dois com sessenta anos. Qual o sentido da vida? – teus olhos cheios de lágrimas. Eu, quase sem dentes, pensava numa dentadura nova – mas não ousava te pedir nada.

Me disseste para sair da Vila Jardim. O bairro estava ficando muito conhecido, poderiam te ver por lá. Me mandaste morar numa espécie de casa-barco que estava atracada no rio Guaíba, num lugar deserto, perto do Porto das Pombas. Interessante a casa-barco. Mais barco do que casa; esta, na verdade, era uma simples cabina de madeira coberta com uma lona. Sacudida pelos temporais de inverno eu te esperava. Eu um ano vieste só uma vez, no dia do teu aniversário. Estavas muito deprimido: Rosa Maria tinha morrido, tuas filhas não queriam mais saber de ti, só pensavam em viagens para a Europa. Procuravas as respostas para as grandes questões da vida no zen-budismo. Dizias que devíamos mergulhar no nada. Eu olhava para a água que entrava no barco e concordava.

Um dia recebi um bilhete teu – trouxe-o o teu motorista, aliás o nosso antigo motorista... Dizias, numa letra muito trêmula, que a vida não tinha mais sentido para ti; que eu deveria soltar as amarras do barco e deixar que as correntezas do Guaíba me levassem ao sabor do destino.

Pela primeira vez pensei em não te obedecer. É que eu gosto demais desta cidade, desta Porto Alegre que só avisto de longe e que mal reconheço. Me lembro que gritei, não! Não vou abandonar a minha cidade! E aí resolvi te escrever, lembrando toda a nossa história e te pedindo para voltares atrás em tua ordem.

Espero que recebas esta carta. É que estou escrevendo já do meio do rio – e é a primeira vez que mando uma carta numa garrafa jogada as águas. Mas espero que a recebas e que ela te encontre gozando saúde junto aos teus, nessa linda cidade de Porto Alegre.
SCLIAR, Moacyr. Os melhores contos. Rio de Janeiro: Global Editora, 1997.

Texto 11:
FITA VERDE NO CABELO
Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam.

Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.

Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.

Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia: – Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou.

A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.

E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vinha-lhe correndo, em pós.

Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa.

Vinha sobejadamente.

Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:

– Quem é?

– Sou eu… – e Fita-Verde descansou a voz. – Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.

Vai, a avó, difícil, disse: – Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.

Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou. A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: – Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.

Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:

– Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!

– É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta… – a avó murmurou.

– Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!

– É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta… – a avó suspirou.

– Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?

– É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha… – a avó ainda gemeu.

Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: – Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…

Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.


ROSA, João Guimarães. Fita Verde no Cabelo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.


Texto 12:
O PATINHO REALMENTE FEIO
Era uma vez uma mamãe pata e um papai pato que tinham sete bebês patinhos. Seis eram patinhos normais. O sétimo, porém, era um patinho realmente feio. Todo mundo dizia: “Mas que bando de patinhos tão bonitinhos... Todos, menos aquele ali. Puxa, mas como ele é feio!”

O patinho realmente feio ouvia o que as pessoas diziam, mas ele nem ligava. Sabia que um dia iria crescer e provavelmente virar um cisne, muito maior e muito mais bonito do que qualquer ave do lago.

Bem, só que no fim ele era apenas um patinho realmente feio. E, quando cresceu, tornou-se apenas um pato grande realmente muito feio. FIM.
SCIESZKA, Jon. O patinho realmente feio e outras histórias malucas. São Paulo: Cia.das Letrinhas, 1997.
Texto 13:




O OUTRO PRÍNCIPE SAPO
Era uma vez um sapo. Certo dia, quando estava sentado na sua vitória-régia, viu uma linda princesa descansando à beira do lago. O sapo pulou dentro da água, foi nadando até ela e mostrou a cabeça por cima das plantas aquáticas. “Perdão, ó linda princesa” – disse ele com sua voz mais triste e patética.“Será que eu poderia contar com a vossa ajuda?”

A princesa estava prestes a dar um salto e sair correndo, mas ficou com pena daquele sapo com sua voz tão triste e patética. Assim, ela perguntou: “O que eu posso fazer para te ajudar, sapinho?” “Bem” – disse o sapo. “Na verdade, eu não sou um sapo, mas um belo príncipe transformado em sapo pelo feitiço de uma bruxa malvada. E esse feitiço só pode ser quebrado pelo beijo de uma linda princesa”.

A princesa pensou um pouco, depois ergueu o sapo nas mãos e lhe deu um beijo. “Foi só uma brincadeira” – disse o sapo. E pulou de volta no lago, e a princesa enxugou a baba de sapo dos seus lindos lábios. FIM.
SCIESZKA, Jon. O patinho realmente feio e outras histórias malucas. São Paulo: Cia das Letrinhas, 1997.
Texto 14:

AGORA NÃO, BERNARDO!
__ Oi, pai – disse o Bernardo. __ Agora não, Bernardo – disse o pai.

__ Oi, mãe – disse o Bernardo.__ Agora não, Bernardo – disse a mãe.

__ Tem um monstro no jardim e ele vai me devorar – disse o Bernardo.

__ Agora não, Bernardo – disse a mãe. Bernardo foi para o jardim. __ Oi, monstro – ele disse para o monstro. O monstro devorou o Bernardo inteirinho, pedacinho por pedacinho. Então o monstro entrou na casa. __ RUAUR – fez o monstro, por trás da mãe do Bernardo.__ Agora não, Bernardo – disse a mãe do Bernardo. O monstro mordeu o pai do Bernardo. __ Agora não, Bernardo – disse o pai do Bernardo. __ Seu jantar está pronto – disse a mãe do Bernardo.

E ela pôs o jantar na frente da televisão. O monstro jantou. Depois ele viu televisão, leu uma revistinha do Bernardo e quebrou um brinquedo dele. O monstro subiu para o quarto.

__ Mas eu sou um monstro – disse o monstro. __ Agora não, Bernardo – disse a mãe do Bernardo.


MCKEE, David. Agora não, Bernardo! São Paulo: Martins Fontes, 1994.

Texto 15:

O LEITOR IDEAL

O leitor ideal para o cronista seria aquele a quem bastasse uma frase.

Uma frase? Que digo! Uma palavra!

O Cronista escolheria a palavra do dia: “Árvore”, por exemplo, ou “Menina”.

Escreveria essa palavra bem no meio da página, com espaço em branco para todos os lados, como um campo aberto aos devaneios do leitor.

Imaginem só uma meninazinha solta no meio da página.

Sem mais nada.

Até sem nome.

Sem cor de vestido nem de olhos.

Sem saber para onde ia...

Que mundo de sugestões e de poesia para o leitor!

E que cúmulo de arte a crônica! Pois bem sabeis que arte é sugestão...

E se o leitor nada conseguisse tirar dessa obra-prima, poderia o autor alegar, cavilosamente, que a culpa não era do cronista.

Mas nem tudo estaria perdido para este hipotético leitor fracassado, porque ele teria sempre à disposição, na página, um considerável espaço em branco para tomar seus apontamentos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha...

Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a palavra “Ventania”.

Serve?
( Mário Quintana )









Dedico estas aulas para minha saudosa Vó Maria, com quem aprendi a amar a vida e as histórias.







TRABALHO DE LITERATURA INFANTIL




Caros Alunos(as)!
Para um melhor desempenho na hora da realização do trabalho, leiam as instruções e os critérios de avaliação. Quaisquer dúvidas, entrem em contato comigo através dos endereços e/ou telefones disponíveis no final dessa folha. Boa pesquisa!

Normas de realização:
1. Só serão aceitos trabalhos individuais;

2. Os trabalhos podem ser digitados ou manuscritos;

3. As questões devem ser respondidas em forma de texto;

4. Como todo texto deve ter um título;

5. Não esquecer de fazer referência, caso haja alguma citação de outros autores;

6. Conteúdo mínimo de duas páginas, máximo de quatro;

7. Não precisa responder às questões na seqüência em que aparecem;

8. Não é necessário capa, resumo, nem introdução e conclusão.

9. Deve conter dados pessoais e institucionais completos;

10. Obrigatoriamente deve constar, no final, todas as referências bibliográficas e/ ou virtuais citadas.



Data de entrega: 10 dias após o último encontro da disciplina.

Critérios de Avaliação:
1. Utilizar a norma culta da Língua Portuguesa;

2. Texto argumentativo, coerente e coeso;

3. Discussão de idéias de forma científica, clara e objetiva;

4. Trabalho entregue fora do prazo determinado não terá o mesmo valor;

5. Cópias de livros e/ou colagens da internet, sem citação autoral, invalidam todo o trabalho.

Questões para Avaliação:
1. Como ocorreram os processos de formação da Literatura Infantil desde os primeiros registros de Charles Perrault aos dias de hoje?

2. Comente sobre a importância do universo da leitura na Educação Infantil e Séries Iniciais, como também, os seus principais elementos constitutivos;

3. Fale sobre os contos de fadas, bem como, seus atuais revisitamentos e seu valor simbólico no desenvolvimento infantil;

4. Quais as alternativas para a dinamização dos espaços destinados à leitura dentro e fora da sala de aula?

Contatos: cleberprofessor@yahoo.com.br (47) 32647139 (47) 91270563

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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FOUCAMBERT, Jean. A criança, o professor e a leitura. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

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1 Cleber Fabiano da Silva. Graduado em Letras pela Universidade de Joinville – Univille; mestrando em Educação pela Univali – Universidade do Vale do Itajaí. Pesquisador do PROLIJ – Programa Institucional de Literatura Infantil e Juvenil da Universidade de Joinville – SC. Professor de Literatura Infantil e Juvenil em cursos de Pós-graduação.
Contatos: cleberprofessor@yahoo.com.br (47) 32647139 (47) 91270563





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