Literatura: um meio para alfabetizar e estimular a leitura



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LITERATURA: UM MEIO PARA ALFABETIZAR E ESTIMULAR A LEITURA

Roseni Ronchezelli Mariano - Programa de Pós-Graduação UNIMEP – Universidade Metodista de Piracicaba


Lecionando no ciclo I – 1ª etapa (antiga primeira série) em uma escola da Rede Municipal de Ensino da cidade de Piracicaba – SP, graduada em Letras e apaixonada por poemas, resolvi fazer um trabalho diferenciado voltado à literatura ou mais especificamente à parte de poemas de nossa literatura infantil, pois como professora atuante nesta série percebia que muitos professores ao trabalhar este tipo de texto nas séries inicias não davam muita atenção ao seu conteúdo, sempre se preocupavam com as rimas no sentido de privilegiar determinados sons (fonemas) e não no sentido que elas podiam causar ao poema quando recitadas.

Na maioria das vezes o poema era escolhido pela repetição de determinadas palavras que se queriam enfatizar. Isto me deixava um tanto preocupada e ao mesmo tempo irritada, porque tinha consciência do conteúdo que estava sendo desperdiçado e além do mais, percebia que os alunos apreciavam ouvir-me recitar poemas em sala de aula em determinados momentos por mim estabelecidos.

A partir daí, resolvi trabalhar de forma diferente este tipo de texto, de forma a priorizar o seu conteúdo, sua construção e sua significação. As rimas e as repetições eram enfocadas, mas vinham como conseqüência do trabalho, ou seja, era dado um significado a elas.
COMO INICIOU O TRABALHO E A LEITURA

Antes de perceber o interesse por parte dos alunos em relação aos poemas era lido diariamente, logo no inicio da aula de um a três textos por dia de diferentes tipos como: informativo, literário, comercial e outros, mas sem qualquer tipo de cobrança por minha parte. Este momento era chamado de “Hora da Leitura1”, momento este, em que os alunos somente faziam comentários sobre o texto lido mediante as observações feitas por mim como: Sobre o que o texto fala?; Vocês gostaram ou não do texto? Por quê?; O que mais chamou sua atenção. Se o texto permitia: Você concorda ou não com as idéias dele? Por quê?. Mas isso tudo, era feito oralmente, nada de registro escrito até porque se tratava de crianças do ciclo I - 1ª etapa que estavam ali para iniciar sua alfabetização.

Após cada leitura, os textos eram sempre colocados no “Cantinho do livro2” (primeiramente este cantinho foi organizado pelo professor, para mais tarde serem organizados pelos próprios alunos, pois os mesmos à medida que adquiriram gosto por ele, passaram a quererem ter essa responsabilidade). O “Cantinho do livro” era como se fosse uma biblioteca particular, uma biblioteca própria da classe.

A partir desta leitura diária feita de diferentes tipos de texto, foi que eu percebi o interesse por parte dos alunos em relação aos poemas, pois sempre que lidos, os que trabalhavam a sonoridade como: “Trem de ferro”, “Onda” de Manuel Bandeira, “Bolhas” de Cecília Meireles, “Cantiguinha de verão” de José Paulo Paes e outros, os alunos pediam–me para lê-los novamente e novamente. Poemas como estes eram repetidos por pelo menos de seis a dez vezes na semana.

Vendo então, o interesse por parte das crianças por este tipo de texto e o não comprometimento de alguns professores em trabalhar o seu conteúdo semântico resolvi desenvolver um trabalho voltado somente para os poemas, pois penso que para começar qualquer trabalho era preciso que os alunos aceitassem o texto a ser trabalhado ou que o mesmo fosse capaz de despertar sua curiosidade, para poder, mais a frente ele mesmo ir busca-los por sua vontade e interesse próprio. Os alunos seriam os principais personagens deste trabalho.

Contava com uma classe de trinta alunos, sendo somente dois alfabetizados, onze não conheciam nenhuma letra e o restante já conheciam e usavam as letras correspondentes aos sons de determinadas sílabas para escrever palavras.

Desta forma, passei a ler diariamente não mais textos diferenciados, mas somente poemas de vários temas e formas: poemas concretos, poemas de uma estrofe só, poemas com várias estrofes, poemas longos, poemas curtos, poemas com enfoque na sonoridade, poemas com enfoque no semântico, etc e de vários autores também. Sempre fiz questão de frisar o nome do poeta ou da poetisa porque deste modo, os alunos já podiam começar a selecionar e a tomar conhecimento das pessoas que produziam este tipo de texto e também de despertar o gosto por determinado (a) poeta ou poetisa. E sempre que tidos ou relidos eram colocados ou recolocados no “Cantinho do livro”.

Quando o poema declamado era de um livro e lido pela primeira vez para a classe, fazia-se uma cópia do mesmo em uma folha a parte e a cada lida ou relida, sempre mostrava aos alunos de onde ele foi retirado, ou seja, mostrava o livro de onde ele vinha.

Os poemas lidos para a classe quando colocados no “Cantinho da leitura”, tanto a folha quanto o próprio livro, eram disputados pelos alunos e neste dia dificilmente o mesmo podiam ser encontrado neste lugar, pois sempre estavam nas mãos de um ou de outro aluno, mesmo que este não soubesse ainda ler.

Quando os livros disponíveis aos alunos com os poemas já lidos eram pegos pelos estudantes na busca de encontrar determinados poemas já recitados, eles encontravam outros que nunca foram lidos ou recitados, mas que achavam interessante e dessa forma, também queriam expor para classe o que haviam encontrado.

Havia na sala de aula, duas vezes por semana, geralmente na terça-feira e na sexta-feira o “Ciclo da leitura3” momento este, em que cada aluno expunha para todos os outros o que está sendo lido em casa. Para este momento era reservado em torno de uma hora. A cada exposição feita pelos alunos, eles trocavam os livros ou o texto. Podiam ser textos e livros pertencentes ao “Cantinho do livro” ou pertencentes aos próprios alunos, mas estes tinham consciência de que seus livros podiam ser emprestados para outro amigo que se interessasse pela história ou leitura que estava sendo exposta.

Os livros da classe, pertencentes ao “Cantinho do livro” emprestados e levados pelos alunos para suas casas eram controlados por um caderno, um caderno comum contendo o nome dos alunos da classe (cada um em uma folha), o nome do livro a ser emprestado, a data da retirada e da devolutiva do livro, onde os próprios alunos preenchiam esses espaços com o artigo que estava sendo emprestado.

Quando os alunos vinham para o ciclo da leitura eles já vinham com os livros lidos que haviam levado para suas casas. Nos primeiros “Ciclos da leitura” realizados, não houve muitos adeptos, mas com o passar das aulas cada vez mais alunos queriam expor o que haviam lido. Haviam alunos que vinham contar mais de uma história. Até mesmo os alunos que não sabiam ler, muitas vezes seus pais ou irmãos liam em casa e estes começavam a contar história do livro mediante sua gravura.

Esta forma de organização deu oportunidade para os alunos lerem e exporem suas leituras e também foi uma das maneiras de incentivar a mesma nos alunos e até mesmo em seus próprios pais, pois de acordo com alguns relatos feito por eles durante as aulas, notei que os pais também estavam lendo os livros levados por seus filhos porque sempre alguns deles diziam-me Professora, posso ficar mais um pouco com o livro? Porque meu pai quer ler; Professora, minha mãe gosta muito desse autor, ela leu meu livro inteirinho e outras tantas frases.

É importante salientar que neste “Ciclo da Leitura” nenhum aluno era obrigado a levar qualquer leitura para a casa, os alunos levavam porque sentiam-se motivados pelo próprio fato de eles mesmos estarem depois contando sua história ou seu poema para a classe.

Os livros e as histórias que cito aqui são de acordo ou próprios para sua faixa etária, nada de livros ou histórias sem gravuras ou grossos, sempre havia algum desenho ou alguma ilustração, a não ser os poemas, que neste caso, em sua maioria, somente contava com a escrita, mas posso dizer que apesar de os poemas quase não contarem com desenhos os mais procurados ao longo do ano sempre foram eles, sempre foram muitas vezes alvo da disputa para ler.

Além do “Ciclo da leitura” que como já disse acontecia duas vezes por semana, também acontecia um outro momento na sala de aula o “Momento da leitura4” em que dispunha para ler os alunos que haviam terminado toda a tarefa e isto acontecia todos os dias os 30 minutos finais da aula. Essa leitura era feita fora da sala de aula, mais precisamente ao lado de fora da classe, pois neste local havia a possibilidade de eu tomar conta dos dois ambientes: a sala de aula e o lado de fora dela, onde os alunos ficavam sentados envolta dos livros do “Cantinho do livro” que eram levados para lá neste momento.
COMO FOI DESENVOLVIDO O TRABALHO

A cada leitura dos poemas feita no inicio de cada aula explorava-se o seu conteúdo, se fosse um poema de significado sonoro, sempre que lido perguntava: O som provoca o quê? ou Qual o barulho que o poema faz ao ler?. Se o poema possuía significado em seu formato sempre o desenhava-o na lousa e tentava relacionar o desenho com o conteúdo do poema. Sempre quando terminava de ler havia alunos que queriam lê-lo também e eu sempre os deixava, quando havia muito aluno querendo ler o mesmo poema eu dividia um pouco por dia.

Depois que fiquei com um acervo de mais ou menos de 50 a 80 poemas (todos em folhas separadas dos livros) em um mês e meio a dois, fiz a seleção junto com os alunos de oito. Os alunos escolhiam segundo seus critérios próprios, ou seja, eles escolheram os que mais gostavam de ouvir.

Até chegar este momento os alunos já apresentavam gosto por determinados autores como: Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, José Paulo Paes, Elias José, Pedro Bandeira, Ricardo Azevedo e outros.

Dentre as escolhas dos oitos poemas estavam: “Trem de ferro”, “Onda” e “Debussy” de Manuel Bandeira, “Bolhas de Cecília Meireles, “Brincando de não me olhe” de Elias José; “Borboletas” de Vinicius de Moraes e “Cantiguinha de verão” de José Paulo Paes. Posso dizer, de acordo com essas escolhas, que a maioria dos poemas escolhidos trabalham com a sonoridade, pois os sons produzidos nos poemas chamam muita atenção das crianças.

Os poemas que foram escolhidos, todos os alunos tinham uma cópia e esta cópia facilitou para os alunos lerem, pois como agora o enfoque de leitura passou a ser estes poemas, ou seja, os poemas escolhidos, muitos alunos que não sabiam ler ainda, obteve estes textos de memória e isso facilitou a construção de sua escrita, pois sempre que solicitado para escrever alguma palavra este sempre se reportava aos poemas, por exemplo, se pedisse para escrever a palavra bater, o aluno referia-se: é b de borboleta com o a e t de trem com o e.

Aqui vou deter-me a explicar o trabalho envolvendo somente três poemas: “Trem de Ferro”, “Bolhas” e “Brincando de não me olhe”, porque as atividades em si que serão expostas foram feitas com todos os poemas escolhidos, somente mudando o foco de alguns.

O poema “Trem de Ferro” depois de explorar sua construção fonética (tudo através da oralidade) como: qual o som reproduzido que faz ao ler? Qual a relação do nome do poema com o poema? O poema traz movimento rápido ou não comparando com “Bolhas”, vocês percebem alteração no movimento dele a medida que vou lendo? Semanticamente o que faz o trem andar mais depressa? Qual a sua relação com o que está escrito? Este trem passa por quais lugares? O que é canaviá? O que é esse barulho “Oô”? Por que não está escrito “oficial” ao em vez de “oficiá”? Qual seria a maneira certa de escrever? Quantos versos possui o poema? E quantas estrofes? Por que há grupos de versos separados? Qual o nome do poeta? E muitas outras perguntas. Em seguida, após eu efetuar a leitura passava a mesma para os alunos, eles liam conforme sua entonação e dramatização percebida do poema. Ainda como atividade de leitura, colocava de três a quatro alunos para ler o mesmo, numa espécie de jogral, mas um ficava encarregado somente de reproduzir o barulho do trem de acordo com os próprios versos do poema (café com pão/ café com pão... muita força/ muita força... pouca gente/ pouca gente...), enquanto que os outros de ler o mesmo, mas alternadamente. O aluno que reproduzia o barulho do trem ia mudando a velocidade os versos conforme os outros dois iam avançando a leitura.

Quando este jogo de leituras ficou bom, escolhia outros três ou quatro alunos para dramatizar o poema, ou seja, eles encenavam o poema. Esta encenação acontecia paralelamente a sua leitura e obedecia ao que estava sendo lido.

Juntamente com essa atividade de leitura também acontecia outras atividades (agora de escrita) como: caça palavras com os substantivos concretos do poema, cruzadinha, ligue de acordo com as iniciais ou a que elas referem-se, pequenos fragmentos da estrofe do poema para completar com certas palavras, desenho livre do poema, história em quadrinho do poema, produção em grupo ou coletiva (quando eu enquanto professora sou escriba) de um poema que falasse sobre determinada temática, reprodução individual de parte do poema por texto de memória, atividade de alternância de letras de uma mesma palavra (geralmente aquela enfocada no poema). Levava também para a classe o mapa do Brasil político para tentar localizar alguma localidade, como uma cidade que eventualmente aparecesse no poema. E uma das últimas atividades consistia em fazer uma retomada de tudo o que foi visto, falado e trabalhado com relação ao poema indicado para em seguida os alunos estarem escrevendo o que realmente tinham entendido.

Depois de ter feito todo esse trabalho explorando o texto semanticamente e foneticamente, de ter feito o jogral de leitura e dramatização, os alunos estavam prontos para apresentar para as outras salas de aulas. Este foi o primeiro passo. Então, conversei com as outras professoras das outras classes iniciais (do ciclo I, primeira e segunda etapa) e apresentei a leitura junto com a dramatização do poema. Os alunos ficaram todos felizes e sentiram-se importantes.

Todo esse processo também ocorreu com o poema “Bolhas”, porém em sua dramatização consistiu em cinco alunos estarem fazendo bolinhas de sabão, enquanto dois alunos liam o poema.

Com o poema “Brincando de não me olhe”, os alunos continuaram-no, isto é, eles inventaram outros versos, mas mantendo sempre a mesma temática: Não me olhe.... alguns versos foram produzidos individualmente outros em grupos Com este poema também foi feito a ilustração de cada verso. Dividi a classe e coloquei grupos para estarem desenhando cada uma das estrofes o melhor desenho de cada estrofe expus como se fosse um painel que ia tendo o verso e sua ilustração.

Neste poema, também retomava sempre fala do que é verso e o que é estrofe e sempre mostrando-as, mas nunca no sentido de cobrar dos alunos o que era. Era feito apenas para identificação e visualização..

Todas as formas de atividades que foram trabalhada com cada poema, sejam elas de desenho ou de escrita, sejam de produção de outros poemas feito coletivamente, em grupo ou individualmente em cima de uma mesma temática; seja somente de registro sobre o que foi aprendido, eram expostos em pedaço de papel pardo e pendurado na classe. Somente expunha as melhores atividades de cada tipo.

Por causa do interesse demonstrado pela classe e pelo empenho dos alunos chegamos a uma apresentação de um sarau com declamações, dramatizações de poemas produzidos pelos alunos durante este período de trabalho e também dos poemas escolhidos e trabalhados em sala de aula.

Antes de fazer realmente este sarau expliquei para os alunos em que consistia o mesmo, para depois passar esta idéia adiante (para a direção da escola e depois para os pais dos alunos).

Este sarau foi um pouco diferente do convencional, pois foi realizado em uma manhã na escola, onde os alunos estudavam, e somente participou deste evento a classe que realizei o trabalho. Os pais destes alunos e os outros estudantes da escola, a direção apenas assistiram as apresentações das declamações associadas com as dramatizações.

Posso dizer que este trabalho realizado com os poemas visou despertar nos alunos o gosto por estes tipos de textos e além de desenvolver a sensibilidade nos mesmos, assim também proporcionou momentos de riquíssimos conhecimentos. Mas o mais importante desenvolveu nos estudantes o hábito da leitura, pois chegou um momento em que todos vinham contar e queriam contar o que tinha lido nos finais de semana ou durante a semana para classe e dos onze alunos que não conheciam nenhuma letra até então, passei a ficar somente com dois e os alunos que estavam iniciando sua escrita, já começavam a escrever frases e palavras com silabas complexas como: pra, pla, bra, clã, na, am, car, tar, tan, etc sem muitos erros.
BIBLIOGRAFIA

BANDEIRA, Manuel. Berimbau e outros poemas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.

BANDEIRA, Pedro. Cavalgando o arco-íres, São Paulo: Moderna, 3ª ed., 2002.

JOSÉ, Elias. Segredinhos de amor, São Paulo: Moderna, 1995.

MASUR, Jandira. O frio pode ser quente?, São Paulo: Ática, 1988

MEIRELES, Cecília. Ou isto ou aquilo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

MORAES, Vinicius de. A arca de Noé. Rio de Janeiro: José Olympo, 1986.

MURALHA, Sinódio. A dança dos pica-paus. Rio de Janeiro: Nórdica, 1985.

PAES, José Paulo. Poemas para brincar, São Paulo: Ática, 1991.

PAES, José Paulo. Um passarinho me contou. São Paulo: Ática, 1996.




1 Momento reservado durante a aula em que eu dispunha ler algum tipo de texto aos alunos e que os mesmos podiam fazer perguntas ou comentário em cima do que foi lido.

2 Nome do lugar estabelecido dentro da sala de aula que encontrava-se os livros, artigos, jornais, ou melhor, os diferentes tipos de textos disponíveis para os alunos lerem em determinados momentos durante a aula. Todos os textos ficavam em cima de várias carteiras como se fossem uma banca de jornal com todos os seus acervos expostos. Desta forma, os alunos podiam ver tudo ou pelo menos parte de todo material que ficava a sua vontade. O “Cantinho do livro” contava com livros trazidos pelos próprios alunos, mas principalmente com livros da própria escola. Este cantinho era montado e desmontado todos os dias, devido ao uso da sala de aula em outros períodos.

3 Momento durante a aula em que todos os alunos sentavam-se em uma única roda para ouvir e falar sobre os textos que haviam lido em suas casas. Este momento era muito rico, pois muitos alunos interessavam-se pelo livro nesta hora.

4 Era um tempo disponível aos alunos para lerem história e tomar conhecimento do acervo que tínhamos em sala de aula. Este tempo era disposto sempre após o termino das atividades do dia. Ele servia também como um incentivo para os alunos que não liam em casa, pois neste momento eles liam.



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