Livro: Presente e futuro do trabalho psicopedagógico Autor



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Livro: Presente e futuro do trabalho psicopedagógico

Autor: RINCóN IGEA, Benito Del.

Porto Alegre: Artmed, 2005.


Apresentação.

A intervenção psicopedagógica nasceu ligada ao sistema educacional escolar e nele foi ganhando espaço, de tal maneira que hoje ninguém pode duvidar de seu papel crucial no apoio aos processos educativos que são desenvolvidos nas escola de ensino fundamental e médio” (11). No momento, os teóricos e profissionais do setor acreditam que a psicopedagogia pode contribuir em outros contextos que o escolar, caracterizados pela interação entre pessoas visando objetivos comuns (idem). O psicopedagogo interessa-se por temas como educação familiar, inadaptação e aproveitamento educativo das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) (12), apoio aos docentes, ação social, atuação nos recursos humanos nas organizações, os valores na educação. O trabalho psicopedagógico também se relaciona com áreas como economia, psicologia e direito (12). Atua também na educação superior. Da mesma maneira, dedica atenção precoce a famílias de crianças com risco ou deficiência manifesta, preferencialmente buscando atuação no sentido preventivo (12). O desenvolvimento socioafetivo das pessoas nas organizações (13). Diante de todas as áreas de atuação, faz-se necessário que o psicopedagogo seja um profissional em constante formação, para poder contribuir diante de contextos variados e um mundo instável como o atual (13).



Capítulo 1. O psicopedagogo e os novos desafios educativos. Ferran Ferrer Juliá.

Para alcançar a compreensão do que ocorre na escola é necessário observar as mudanças sociais, políticas e culturais (17). De acordo com o autor, mantém relação com as mudanças educacionais no momento: (18) 1) As sociedades são interdependentes; 2) As sociedades estão se tornando mais velhas (populações mais idosas); 3) As sociedades se caracterizam pela superinformação. (19) 4) As sociedades se caracterizam pela preocupação com o lazer (tempo de trabalho reduzido, espaço de tempo livre e ofertas lúdicas). 5) Sociedade doméstica. Caracterizada Poe ser mais democrática em suas relações. 6) Sociedade urbana. Caracteriza-se por abandono da zona rural e busca de oportunidades nas cidades. Todas essas questões apresentam desafios ao psicopedagogo, como aos demais profissionais da educação. Nesse cenário de mudanças, o papel socializador da escola vem ocupar local de destaque, função que era de responsabilidade da família apenas. Tal ocorre porque a escola constitui um espaço de convivência com normas (20). Dois fatores são apresentados como justificativa para que a escola demonstre essa preocupação: o crescimento da violência nos centros educacionais e as necessidades impostas pela educação intercultural. Pesquisas realizadas na França apontaram que para a população francesa (80% dos entrevistados) o maior desafio da escola está relacionado à violência. A escola deveria dar a sua contribuição para reduzir esse fenômeno, criando condições que leve os alunos à reflexão sobre a questão. Isso seria feito pela abordagem de assuntos como: Direitos humanos e responsabilidades; democracia; proteção das minorias; compromisso com a solução pacífica dos conflitos; equidade inter e entre gerações. A escola, portanto, precisa expressar um compromisso com o pluralismo. Lembra o autor que a desigualdade de gêneros já foi usada como motivo para dificultar o acesso das meninas à educação (21). A superação das questões de gênero já ocorreu. O desafio atual está relacionado está relacionado à garantia de uma educação de qualidade às classes sociais desfavorecidas, às quais o fracasso escolar está ligado. O Institut National de La Recherche Pédagogique apresenta alguns pontos para propor a melhora educacional (22). A) Práticas pedagógicas diversificadas (individuais, coletivas, expositivas, práticas, orais e escritas, etc. B) Adaptação de atividades de acordo com a necessidade observada no grupo/classe, interesses individuais/necessidades, ensino individualizado. C) acompanhamento individualizado de cada um dos alunos. Tais mudanças merecem atenção diante das novas exigências de competências esperadas pelo mundo do trabalho. Nesse sentido, numa perspectiva passado/presente, podemos perceber que as competências tradicionais cederam lugar à exigência de novas competências, pois as organizações eram rígidas, enquanto que no momento presente exige-se adaptabilidade às mudanças de produtos, de tecnologias e de organização; a capacidade de receber e seguir instruções é substituída pela demanda de autonomia e responsabilidade; o trabalho individualizado foi substituído pela capacidade de trabalho em conexão com a equipe e os clientes; o mundo geograficamente limitado foi substituído por um mundo sem limites geográficos. Isso traz para a escola a responsabilidade de proporcionar conhecimentos tais como (23): a) instrumentais: domínio da linguagem, habilidades matemáticas, capacidade para interpretar gráficos e técnicas de resolução de problemas; b) hábitos de trabalho pessoal e de relacionamento grupal: ordem, iniciativa, planejamento, trabalho em equipe e aceitação de regras; c) abertura à mudança. Os desafios da escolar diante da exigências atuais da sociedade são, entre outros: a) o desenvolvimento da capacidade de aprendizado ao longo da vida; b) a promoção de uma educação relacionada às necessidades da sociedade; c) a escola deve se preparar para o fato de que o mundo atual apresenta mobilidade de trabalhadores e estudantes entre os países; d) os investimentos econômicos necessários frente a tais desafios educativos. O Estado deve ofertar o ensino baseado no princípio da igualdade, na oferta de uma educação “em função das capacidades de cada um”, independentemente da condições financeiras e do meio cultural (25). Também o asseguramento da qualidade do ensino, pela oferta dos equipamentos necessários e condições adequadas de trabalho, assim como exercer um controle adequado da qualidade dos professores e dos centros de formação destes (26). As respostas às mudanças educativas por parte do psicopedagogo são, entre outras: a) orientação dos alunos; b) atenção à diversidade, para a devida atenção à integração educacional e socioprofissional, o que torna necessário integrar a educação de valores e compreender os diversos ritmos de aprendizagem dentro de um contexto de educação formal. Para a intervenção pedagógica, o psicopedagogo deve se voltar para a pesquisa e avaliação. Na orientação educacional, são três os níveis de atuação do psicopedagogo: 1) orientação acadêmica; 2) orientação profissional; 3) orientação pessoal (27). Quanto à questão da diversidade (29): são funções do psicopedagogo: a) contribuir para a promoção do desenvolvimento das capacidades dos alunos nas áreas em que se sentem fortes; b) contribuir para que se sintam fortes psicologicamente, para que se sintam devidamente preparados quando, ao final de sua escolarização, forem avaliados nos parâmetros da competitividade e eficácia. Além disso deve contribuir para a sensibilização em relação a esses grupos. Quanto aos temas relacionados aos valores, deverá o psicopedagogo promover o trabalho com base no respeito, na tolerância e solidariedade, entre os alunos, em relação aos alunos e professores e entre os professores e as famílias (30). No trabalho com os professores, o psicopedagogo deve estar atento às possibilidades de contribuir para a revitalização das condições educativas, por meio da orientação para realização de projetos relacionados a necessidades percebidas. Deve identificar e intervir para promover o trabalho pedagógico com um grau de interesse elevado, projeto coletivo e confiança em si mesmo. Na questão de sua própria formação (31) o psicopedagogo deve estar atento ao fato de que a psicopedagogia deve assumir uma postura reflexiva diante das necessidades da prática, que permita a construção de conhecimento próprio, mais do que promover o conhecimento de técnicas para levar sua atividade profissional a bom termo, pois de outro modo deixaria de contribuir para a mudança e a renovação na instituição educacional. Além disso, o psicopedagogo deve estar atento a tendências educativas em contextos internacionais. De acordo com o autor, a psicopedagogia ultrapassa as contribuições das ciências mães, a psicologia e a pedagogia, não sendo o psicopedagogo metade pedagogo e metade psicólogo, mas antes um profissional que articula sua prática a outras ciências.

Capítulo 2. O psicopedagogo nas escolas de ensino médio. Benito Del Rincón Igea.

O autor vê na presença do psicopedagogo nas instituições educacionais uma contribuição para “a implantação de práticas educativas mais de acordo com os princípios reguladores do ensino atual: liderança do professorado no desenvolvimento do currículo, responsabilidade docente na orientação e no acompanhamento do alunado, atenção à diversidade como tarefa comum, etc” (34). Os âmbitos de intervenção do psicopedagogo incluem estimular um conjunto de atividades como apoio para a instituição escolar, num apoio aos professores (35). Tais contribuições podem ser oferecidas quando a instituição busca ajuda pedagógica para a realização de uma proposta pedagógica voltada para um aluno ou grupo de alunos. Para isso, o psicopedagogo deverá considerar as variáveis relacionadas à aprendizagem, o desenvolvimento da personalidade, a questão da diversidade e as possibilidades de resposta em vista dos recursos existentes na instituição escolar (35). Com relação ao ensino médio, as possibilidades de intervenção incluem a orientação acadêmica e vocacional. A intervenção psicopedagógica nas escolas tem um caráter sistêmico. Questão importante, pois: “A desmotivação de um adolescente pelos conteúdos acadêmicos, por exemplo, não costuma obedecer a causas únicas e atomizadas, como seu nível de inteligência, sua capacidade de concentração ou a forma de explicar do professor, etc., mas obedece à relação entre todas eleas e, especialmente, às interações que o sujeito estabelece com esses e outros elementos do sistema: companheiros, atividades, formas de controle, sequências didáticas, resposta familiar, etc” (36). No ensino médio “uma das funções mais próprias do psicopedagogo consiste na avaliação psicopedagógica dos alunos (36). Os instrumentos dessa avaliação seriam a entrevista com o professor, com os pais, com o aluno, além da observação direta em sala e da avaliação de trabalhos realizados pelo aluno em questão (37). O que distingue a avaliação no modelo sistêmico, em relação ao atomista, é o fato de que o primeiro busca no sistema relacional a resposta para as dificuldades, enquanto que o modelo atomista costuma atribuir a dificuldade a uma causa interna do aluno. Assim, considera-se os modelos de aprendizagem, as dificuldades mais frequentes e os contextos em que costumam aparecer, as motivações e interesses do aluno. O objetivo é assessorar a atuação dos professores, provocando a modificação da modalidades de ensino (37-38). Após esse processo diagnóstico, as decisões poderão ser de caráter ordinário e extraordinário. No primeiro caso estão as decisões que incluem mudanças no trabalho pedagógico, organização das aulas e alterações no modo de avaliar. No segundo, ocorrem adaptações significativas no currículo, a adoção de programas de diversificação curricular, a permanência de mais um curso no ciclo, etc. Inclusive observar as necessidades curriculares específicas a determinado aluno, formas de avaliação (39). A partir de sua reflexão, considerando as necessidades da prática, o psicopedagogo poderá elaborar instrumentos adequados para atendimento das demandas da instituição, como planilhas, questionários, pautas, dispondo-os aos professores. O psicopedagogo poderá também atuar de modo transversal ao trabalho educativo, propondo modelos de trabalho, organização da aula, instrumentos de avaliação, a oferta de acompanhamento e mudanças nas relações interpessoais (40). Quanto à questão da diversidade, poderá preparar e sugerir atividades complementares e de reforço, distribuição de tarefas de acordo com a afinidade pessoal, entre outros. Em casos de desvio de conduta, deficiências psíquicas e procedência de contextos socialmente desfavorecidos, estaremos diante de “necessidades educativas especiais graves e permanentes” (43). A proposta a essa dificuldade deve considerar: 1) O que ensinar? 2) Como ensinar? 3) Quando ensinar? (44). O primeiro ponto deve considerar: áreas, conteúdos e objetivos; o segundo deve considerar: metodologias, apoios e material específico. O Terceiro ponto deve considerar: sequência prevista. Além disso deverá planejar a avaliação e o acompanhamento. Algumas diretrizes adotadas nas extratégias de caráter extraordinário são: adotar medidas para compensar déficits existentes; adotar medidas que reforcem a independência; enfatizar aprendizagens em que se preveja um êxito mínimo; enfatizar medidas que se adaptem o máximo possível à idade cronológica (44). O currículo regular deve ser mantido nas áreas em que for possível (44). Dentro da proposta de um Plano de Ação Tutorial (PAT) o papel do psicopedagogo será auxiliar os professores a desenvolvê-lo dentro de metas como: 1) Ensinar a pensar; ensinar estratégias de aprendizagem; 2) Ensinar atitudes para a convivência; 3) Cuidado e desenvolvimento pessoal; 4) Ensinar a tomar decisões (45). A ação tutorial objetiva individualizar a ação educacional, tendo em vistas as necessidades de um aluno ou de um grupo de aluno em particular, envolvendo também a orientação familiar para alcançar os objetivos propostos inicialmente. A ação tutorial deve ser coerente com o trabalho diário do professor. Se este deseja promover a autonomia, deve ter a preocupação de possibilitar a tomada de decisão pelos alunos, não sendo extremamente diretivo, pois nesse caso não estaria colaborando para desenvolver a autonomia dos alunos (46). O psicopedagogo poderá contribuir ainda na criação de projetos de prevenção, em que todos os alunos seriam incluídos na abordagem de alguns temas. Nesse caso, o psicopedagogo irá apresentar um caráter de assessoramento aos professores, intervindo indiretamente (47).

Capítulo 3. O psicopedagogo nas equipes de apoio. Francesc López Rodriguez.

Embora os cursos de licenciatura em psicopedagogia fossem iniciados apenas em 1992, o uso dos termos psicopedagogo e psicopedagogia são mais antigos, e faziam referência ao profissional, pedagogo ou psicólogo, que desempenhava funções próprias da equipe de apoio. O desempenho dessa prática foi tomando feição própria pela incorporação de conhecimentos que ultrapassavam a área de formação desses profissionais (52-53). A Lei de Ordenamento Geral do Sistema Espanhol (LOGSE), de 1990, apoiou-se sobre concepções psicopedagógicas caracterizadas pelo modelo da pesquisa-ação, do construtivismo e pela perspectiva sistêmica para a reformulação do papel do psicopedagogo numa perspectiva sistêmica (53-54). Sobre as funções do psicopedagogo nas equipes de apoio. “Entender a complexidade da instituição, assim como as inter-relações existentes entre todas as partes, será fundamental para a prática do psicopedagogo” (55). Diante de uma queixa de haver um aluno de 4º ano com dificuldades em ortografia, aspecto que criaria uma resistência por parte do aluno para a realização de textos escritos, aspecto que refletiria sobre sua autoestima, o psicopedagogo tomaria as seguintes decisões. Primeiro, tomaria conhecimento dos objetivos em língua portuguesa para o ano escolar e sobre a programação realizada em torno das metas do mesmo ano. Depois deveria observar aspectos relacionados ao estilo de aprendizagem do aluno, as situações em que ocorre o aprendizado de modo mais satisfatório. Finalmente, iria observar os recursos disponíveis: Há professor de reforço? O material utilizado é o mais adequado em vista das características de seu aprendizado? O material utilizado é o mais adequado para atingir os objetivos do ciclo? A forma como os alunos são dispostos no espaço escolar favorece a interação aluno-aluno? Há atividades que contemplam a promoção da autoestima? A família está a par da situação? Qual a posição desta quanto à colaboração na superação da dificuldade constatada? Outras questões podem ser acrescentadas. O que está em questão é a abordagem sistêmica da dificuldade, em que a instituição pode, involuntariamente, participar das situações que dificultam o processo educacional (55). (Scanear o mapa da p. 56, que ilustra o campo de ação do psicopedagogo na instituição). Esse mapa permite a visualização de todos os aspectos institucionais em que o psicopedagogo deve atuar dentro da perspectiva institucional. No sentido preventivo, o psicopedagogo poderá articular um conjunto de ações a serem executadas, as quais devem ser planejadas cuidadosamente para levar o trabalho até o objetivo proposto inicialmente (57). Tal trabalho poderá ser iniciado pelo levantamento das necessidades de um aluno ou grupo de alunos sobre os quais se deseja realizar a intervenção ou prevenção. A sequência das ações propostas poderá ser planejada após o recebimento da queixa. Para isso, procuraria tomar conhecimento do histórico acadêmico e relacional do grupo em questão. Buscaria a seguir identificar os alunos (que, no caso, representariam os líderes da situação conflituosa existente na sala de aula). Outra medida seriam identificadas as ações mais preocupantes, para depois verificar quais os instrumentos de que a escola dispõe para controlar a disciplina e a convivência escolar (57). O psicopedagogo observaria as intervenções já realizadas, como o trabalho do professor com conteúdos sobre autoconhecimento e valores de convivência. Depois o psicopedagogo realizaria entrevistas individuais com os pais e os alunos. Afirma o autor que: “Atualmente, é inquestionável que o aluno com “problemas” pertence ao local onde está escolarizado e, portanto, é responsabilidade da escola proporcionar uma educação integral” (58). Sobre a avaliação psicopedagógica: “Entendemos a avaliação psicopedagógica como um processo de tomada de decisões que afetam todas as pessoas que, no seu âmbito de saber, intervêm na realidade de um aluno ou aluna” (58). A solicitação inicial pode ser apresentado ao psicopedagogo por qualquer profissional envolvido em sua escolarização, como equipe diretiva, professores, família, o próprio aluno, ou mesmo a constatação da necessidade poderá surgir a partir da atuação do próprio psicopedagogo. As pessoas que houverem feito a intervenção ao longo do processo avaliarão por fim se as ações foram adequadas para atingir os objetivos propostos ou se será necessário estabelecer um novo conjunto de ações (58). O papel da avaliação do conjunto de ações é importante, pois parte da observação da necessidade constatada e não da adoção de modelos padronizados de ação. (Nas páginas 59-60 é apresentao um relatório para a avaliação psicopedagogica dos alunos. Incluir no livro). Reconhecer a importância da diversidade no processo educacional leva à consideração das causas internas e externas ao indivíduo (63). Causas internas: caráter, estilo e ritmo de aprendizagem, capacidades, motivações e interesses. Causas externas: origem geográfica, o meio social em que vive o aluno e o nível socioeconômico familiar. Esses aspectos trazem implicações para a cultura, linguagem, escala de valores e ideologia. Os alunos chegam à escola imbuídos de diversos fatores que demandam a consideração da importância da atenção à diversidade. Um instrumento para intervir diante desse fato é o próprio currículo. Afirma o autor: “A seleção dos conteúdos, a maneira de apresentá-los, a priorização de objetivos, o planejamento das atividades, a distribuição do tempo, a organização do espaço, o agrupamento dos alunos, os critérios de avaliação são aspectos que cada escola pode contextualizar de acordo com as características dos seus alunos. É nesses aspectos que o psicopedagogo das equipes de apoio pode colaborar com os professores e com a própria instituição no tratamento da diversidade. Diante da solicitação de um professor sobre um aluno em particular, ou sobre um grupo em geral, o psicopedagogo deve colaborar na análise das necessidades educativas que apresenta e, partindo da avaliação, sugerir mudanças no dispositivo didático, levantar os recursos de que precisa, propor as adaptações necessárias para facilitar o acesso ao currículo” (63). O assessoramento nas adaptações curriculares deve considerar os seguintes aspectos. Deve-se começar por identificar a necessidade. As adaptações poderão ser pouco significativas ou muito significativas, dependendo da discrepância existente entre as características e competências percebidas no aluno ou grupo de alunos e a proposta curricular da escola e da sala de aula. Alguns alunos poderão necessitar de algum apoio na adaptação das atividades propostas ou nos materiais apresentados. Outros precisarão de uma modificação “nos elementos prescritivos do currículo”. Estes são os alunos que apresentam necessidades educativas especiais (NEE). Inicia-se pela avaliação psicopedagógica, seguida da análise educativa da sala de aula e depois é realizada a intervenção junto à família (63-64). No primeiro instante, em que se realiza a avaliação psicopedagógica, faz-se necessário conhecer o ritmo e o estilo de aprendizagem do aluno; constatar em que atividades encontra as maiores dificuldades, a fim de planejar a apresentação das atividades de forma graduada quanto à complexidade e resgatar os conteúdos nucleares; tomar conhecimento do modo de relacionamento com os colegas para propor agrupamentos cooperativos; observar como as atividades estão sendo propostas e os recursos existentes para apresentá-las de outra forma, analisar os materiais didáticos, quanto ao critério motivacional, se são significativos e envolventes para o aluno; os critérios avaliativos; a proporção de trabalhos oferecidos individualmente, em pequenos grupos ou coletivos. Tudo isso tem por objetivo adequar a proposta às características individuais do aluno. O autor deste capítulo termina pela discussão do papel do psicopedagogo na orientação pessoal, vocacional e profissional do aluno. Para isso, terá a necessidade de elaborar um projeto para a informação das possibilidades formativas disponíveis ao aluno após conclusão do ensino médio, aspectos do mundo do trabalho e suas exigências. Isso inclui orientar as famílias dos alunos com necessidades educativas especiais quanto às possibilidades de formação para o trabalho (65).
Capítulo 4. O psicopedagogo como profissional da ação social. Xavier Úcar Martínez.

Pensar no psicopedagogo como profissional da ação social supõe perguntar-se sobre como o educativo se relaciona com o social e, em sentido mais estrito, sobre como se relaciona com o escolar” (68). De acordo com o autor não existe uma educação que não seja social, e a educação formal é também uma forma de ação social (70). Intervir psicopedagogicamente no social, seja através da educação formal ou da informal, passa pelo retorno “ao aprendizado de olhar a realidade” e renunciar o legado positivista, que busca na análise um meio exclusivo para a compreensão (70-71). Considerar a realidade das famílias e do bairro torna-se necessária para realizar o trabalho psicopedagógico. Os processos educativos não podem ser descontextualizados, não se pode desconsiderar que as “condições e situações” externas à escola, na qual vivem os alunos, trarão implicações para seu aprendizado. Assim, a escola e a realidade social devem estar conectados (71). Os diferentes profissionais poderão colaborar nesse sentido. Profissionais da ação social poderão trabalhar em parceria com o psicopedagogo, o que favoreceria a intervenção tanto junto aos alunos quanto junto às suas famílias (72). [observação: já temos em Ourinhos uma parceria com os CRAS nesse sentido]. Isso é importante por apontar casos concretos e suas necessidades reais de intervenção. A demanda da ação é dada pela realidade, não por modelos preestabelecidos. A ação psicopedagógica se apresenta como mediadora entre o ensino-aprendizagem e as dificuldades surgidas desse processo, relacionadas à cultura escolar e social (73). Isso faz necessário que este profissional observe a realidade atentamente e compartilhe as problemáticas identificadas com os demais profissionais envolvidos no processo educativo (73). O âmbito de ação psicopedagógica caracteriza-se por ser técnico, prático e crítico. É técnico por que lança mão dos recursos de planejamento para por em prática técnicas de intervenção para atender necessidades como as dificuldades de aprendizagem, adaptações curriculares ara crianças com necessidades educativas especiais, etc (NEE) (76). É prática porque se produz entre pessoas, considerando-se “marcos contextuais e ideológicos de referência”, a escola, a família e o bairro, fatores que condicionam a aplicação daquelas técnicas. Finalmente, é crítica porque a ação psicopedagógica buscará a promoção da autonomia dos sujeitos, pela capacidade de gerir os próprios processos de aprendizagem (77). A qualidade da assessoria deve ser tal que, interrompida a ajuda assessora, os assessorados possam ter incorporado às suas consciências a possibilidade de agir autonomamente diante das novas demandas futuras.


Capítulo 5. O psicopedagogo na área de recursos humanos das organizações. Francesc Marro Fantova.

A presença do psicopedagogo na área de recursos humanos nas organizações está relacionada às seguintes áreas: planejamento estratégico; estrutura organizativa; seleção do pessoal; plano de acolhimento; projeto de planos de carreira; avaliação do desempenho; comunicação interna; formação; prevenção de acidentes no trabalho; cultura organizativa. Nessa ocupação, interagirá com profissionais de diversas funções dentro da organização, tais como advogados, psicólogos, pedagogos, profissionais de informática, etc. Diante do atual cenário de mudanças rápidas, o psicopedagogo na área de recursos humanos constitui um profissional que pode dar a sua contribuição para alcançar as metas dentro das organizações (85;91). Seu papel será auxiliar a equipe, auxiliando as pessoas a agirem com autonomia diante dos desafios decorrentes das relações humanas, como administrar os conflitos, gerir de forma eficaz os recursos, promover a adoção de uma atitude de flexibilidade e polivalência na organização, regulação das respostas (nem agressivas, nem inibidas) dos integrantes da equipe (92).


Capítulo 4. O psicopedagogo na orientação universitária. Rafael Bisquerra Alzina.

“Entendemos por orientação um processo de ajuda dirigido a todas as pessoas, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento de sua personalidade em todos os aspectos” (95).

A docência estaria relacionada com a formação de profissionais; a pesquisa, com a contribuição para o progresso da ciência”.

Se nos centrarmos na docência, a função da universidade deve ser simplesmente a formação de profissionais e especialistas, ou também implicar o desenvolvimento da personalidade dos alunos?”

A orientação tem como finalidade última o desenvolvimento de todas as potencialidades dos alunos?” [94]

[Observação: Percebe-se claramente o questionamento da formação dos novos educadores e demais profissionais que passam pelas universidades. Como estaria um profissional formado diante da realidade do passado preparado para lidar com as questões próprias de nossa época, a qual exige encarar a educação em sua dimensão mais ampla, envolvendo o conhecer, o pensar criticamente sobre a realidade, a flexibilidade necessária diante de um mundo em constante mudança e em que os valores humanos necessitam ser enfatizados?] Além das sugestões centradas em forma de ajuda profissional (ver aspectos destacados na p. 95), existe a preocupação com temas como o conhecimento de si mesmo, autoestima e o processo de tomada de decisões, estratégias de aprendizagem e atenção à diversidade. Outras habilidades que buscam oferecer na universidade são a criatividade e iniciativa (97).

Na universidade, as propostas de intervenção incluem: counseling, group couseling, dinâmica de grupo, programas etc (98). Tal ocorre a partir da observação das necessidades de intervenção. A título de exemplo com a preocupação para uma formação mais completa, observemos os temas que poderão fazer parte de um programa: Orientação de estudos, habilidades sociais, prevenção do estresse, educação emocional, capacidade assertiva, entre outros (98). Essas mudanças já estão ocorrendo de modo mais abrangente no contexto europeu (99).

Comentário: Entre os objetivos, embora nem todos os universitários que recebem orientação psicopedagógica pertençam ao setor estritamente do magistério, podemos supor que estes últimos profissionais também se incluem nas preocupações diante dessa proposta de inserção da psicopedagogia na universidade, pois uma das metas consiste em justamente auxiliar os estudantes a gerir suas profissões (99). O profissional da educação, assim como qualquer outro profissional, deve adequar a sua formação com a realidade de um mundo em mudança.

Assim, pode o autor afirmar que: “Constata-se que as necessidades dos alunos são de natureza holística, que incluem, portanto, a dimensão acadêmica, profissional e pessoal” (100). E conclui dizendo: “observa-se um tendência nos países da União Européia em considerar que a universidade, além das funções clássicas de docência e pesquisa, deve assumir um compromisso no desenvolvimento da personalidade integral de seus alunos” (101).



Capítulo 7. Família e intervenção precoce: orientações para a intervenção do psicopedagogo. Climent Giné Giné.

Entre os progressos, ocupam lugar destacado os fatos seguintes: a criação progressiva de ampla rede de serviços; o interesse e o compromisso em relação à formação, por parte de um amplo setor de profissionais, e a melhoria da qualidade da atenção, que incluiu promover melhores condições para o desenvolvimento e o bem-estar das crianças e de suas famílias” (107). A intervenção precoce é uma abordagem que considera que a identificação de crianças em situação de risco ou com “deficiência manifesta” em seu desenvolvimento precisam são situações de responsabilidade social. Os primeiros anos são uma ocasião em que a intervenção promove melhores resultados (107). A ação deve envolver na promoção das condições adequadas de desenvolvimento, através de um olhar atento às famílias. Os processos psicológicos superiores são possibilitados à criança em seu desenvolvimento por meio das oportunidades que o adulto cria para que as crianças relacionem-se com seus iguais, apropriando-se de ações que estão além de suas competências (108). [Observação: a intervenção em casos de crianças vindas de situações caracterizadas por estímulos precários não poderiam ser identificadas ainda antes de sua entrada na vida escolar?]

Menciona Riviere e Coll (1987), autores que confirmam essa posição: ‘A gênese das funções afetivas e cognitivas descansa nas pautas de relação que se estabelecem entre a criança e o adulto desde o nascimento’ (109). Há três padrões de interação familiar que serviriam de modelo para uma intervenção precoce: 1) A qualidade do relacionamento entre pais e filhos; 2) a qualidade das experiências provenientes do meio físico e social que são proporcionadas aos filhos; 3) Hábitos que garantem a saúde e a segurança dos filhos, como as condições relacionadas à saúde (condições sanitárias, nutrição e ausência de violência). O paradigma de atenção centrado exclusivamente no filho deve dar lugar ao paradigma do modo sistêmico, isto é, não apenas na própria criança, mas nas relações familiares, quando identificado um quadro de fatores estressantes. A saída seria intervir nas rotinas diárias das crianças (110-111). Um sistema de atenção precoce, portanto, deve identificar os fatores estressantes e traçar estratégias para alterar as situações geradoras de tais padrões (112).

Em conformidade com a proposta de auxiliar as famílias está a proposta de uma avaliação psicopedagógica que considere a importância de não depositar uma ênfase exclusiva na criança, em seus aspectos cognitivo, motria e emocional, pois as respostas obtidas por meio desses testes seria insuficiente (114-115). A avaliação psicopedagógica deverá considerar, portanto, as interações mantidas pelo filho com família em suas atividades diárias (114). A avaliação deve ser “um processo aberto”, pois as vidas dos filhos e das famílias estão abertas a mudanças. “Avaliação e intervenção são processos que se nutrem de uma realidade cambiante e que se condicionam mutuamente” (114).

A intervenção na família se fará buscando identificar quais são suas crenças, procurando modificá-las, quando se mostrarem desajustadas à promoção do desenvolvimento dos filhos, pela alteração de suas rotinas diárias (115). Assim, conclui: “Os objetivos da atenção precoce deverão contemplar necessariamente o desenvolvimento da família” (118).
Capítulo 8. Dificuldades de adaptação social na adolescência. Jaume Funes Artiaga.

O autor aborda a idéias de inadequação ao tratar a questão da adolescência. Traça uma comparação com o que ocorre com a marginalização de pessoas portadoras de deficiência, quando não estabelecida a adequação entre suas necessidades e as características do ambiente físico. Da mesma maneira, o conceito de marginalização ligado à adolescência está relacionado à “inadequação da sociedade às características culturais e vitais das pessoas que têm determinadas necessidades e dificuldades sociais” (121). A consolidação do modo de agir desses indivíduos está relacionada às respostas que receberem da instituição com relação ás suas condutas (122). A adolescência corresponde à etapa socializadora por excelência no desenvolvimento do ser humano, pois é nesse período que se dá a descoberta da complexidade e das regras de funcionamento da sociedade (122). O conceito de inadaptação só tem sentido se for pensado com relação ao grupo, mas é nele que se torna possível estabelecer acordos (125). “Muitas vezes, o que se define como dificuldade social é uma questão de distância cultural entre o professor, a professora, a escola e o mundo dos alunos. Esse é um problema que se constrói com o parâmetro de pensar que o que acontece fora não é assunto da escola ou que somente temos que nos preocupar com as dificuldades de aprendizagem. Saber sobre o mundo dos alunos, incorporá-lo ao fato educativo, sempre esteve na base da educação. Negá-lo é construir um “problema social” “ (126). Há um fenômeno denominado “delitos de condição juvenil” ou “delinqüência transitória”, que diz respeito ao fato de que, quando superado esse período da vida, caso seja oferecida a atenção durante a adolescência, pode-se chegar a ser um adulto dentro das normas esperadas pela sociedade (131). A escola poderá auxiliar nesse período se tomar algumas medidas, tais como as seguintes. 1) Houver um projeto comunitário de atenção à adolescência em cada bairro, mediante a sua realidade; 2) Dar suporte às famílias do adolescentes; 3) Oferecer acompanhamento do rendimento escolar, com o auxílio de educadores sociais; 4) Traçar ações visando evitar o processo de marginalização que determinados grupos podem sofrer; 5) Promover um trabalho em rede, em que os profissionais da educação e do serviço social possa acompanhar em conjunto as necessidades desses adolescentes; 6) Adotar modos de agir compartilhados entre os diversos profissionais da rede com o objetivo de evitar o absenteísmo e o abandono escolar; 7) Um plano de ação da escola para estabelecer ações para “evitar que a dificuldade social se transforme em fracasso escolar e conflito social” (133). O papel do psicopedagogo, ao atuar com aqueles que desenvolvem suas atividades com adolescentes, buscará estratégias para que os diferentes espaços e instituições promovam um ambiente educativo favorável ao desenvolvimento dos adolescentes, pela ação preventiva, e no auxílio à minimização dos conflitos (133).



Capítulo 9. A intervenção psicopedagógica na educação de atitudes e valores. Benito Del Rincón Igea.
“Uma da tarefas mais urgentes que a educação dos próximos dez anos deve abordar é, sem dúvida, a formação moral e ética dos cidadãos” (135). Uma das razões para a preocupação com os valores na educação consiste no fato de que um mundo plural como o atual exige o desenvolvimento integral do ser humano, pois estudos têm demonstrado que muitos problemas atuais pedem uma solução ética, mas do que científica. Dentro dos dias atuais, após a reforma educacional, no contexto referido pelo país do autor, o trabalho com os valores na educação são obrigatórios (135). Tais valores estão dentro das expectativas das ações em um país democrático: participação, não-discriminação, tolerância, solidariedade (135). O saber científico-tecnológico é insuficiente às necessidades do mundo atual, devendo os cidadãos aprender a “saber ser” (136). “No âmbito escolar, quando um indivíduo não possui, por exemplo, os recursos suficientes para se relacionar com os outros, ou é incapaz de aceitar um companheiro ou companheira porque não compartilha com ele certas idéias, interesses ou convicções, , mesmo supondo que seu rendimento nas competências intelectuais seja elevado, dever-se-ia pensar urgentemente a forma de ajudá-lo a superar essas dificuldades de relacionamento. Essas carências são tão reais como as que pertencem ao âmbito intelectual e, seguramente, com mais repercussões no futuro vital do indivíduo” (137). É a Lei de Ordenamento Geral do Sistema Educacional Espanhol (LODGE) que se posiciona enfaticamente a respeito da importância dos valores no trabalho educacional (137). O relatório mundial sobre educação (Delors, 1996, p.15) demonstra essa preocupação (137). O trabalho com os valores devem partir de situações práticas, geradas no contexto da aula, que dê oportunidade para discussão entre os alunos, por meio de assembléias, trabalhos cooperativos, dilemas morais, jogos não-competitivos, etc (139). Essa preocupação com a formação do indivíduo corresponde ao trabalho tutorial, e deve impregnar a prática de todos os professores, na promoção do desenvolvimento pessoal (139). As atitudes e valores individuais evoluem em função da maturação e da intervenção educativa planejada (140). Vários componentes estão presentes nessa mudança: cognitivos, motivacionais e experienciais (crenças, emoções e ações). O psicopedagogo pode contribuir não apenas sugerindo que os professores abordem os valores em suas disciplinas, mas auxiliando na criação de um clima relacionado aos valores que atravesse todas as atividades desenvolvidas na instituição (146). Os valores devem estar presentes, transversalmente, na forma de relacionamento, como as decisões, as relações interpessoais, as dinâmicas lúdicas, nas formas de trabalho e estudo (146). Os valores devem partir da observação de uma necessidade no contexto educacional. No trabalho com os professores, o psicopedagogo deverá investir nessa proposta principalmente com os educadores regulares dos grupos de pessoas em formação, devido às vantagens que isso possibilita ao tratamento regular dos valores em sala, e não esporadicamente como seria com os professores não regulares (adjuntos) (146). “Podemos afirmar, noutras palavras, que o professor ou, em geral, o formador constitui a variável mais importante de todas as que intervêm na ação educativa” (148). O psicopedagogo teria a função de estabelecer relações em uma rede social e “coordenar programas que requeiram contribuições distintas e complementares” (148). Nesse último caso estão casos como violência e drogadição, entre outras. O psicopedagogo poderá contribuir com a instituição ainda na elaboração de documentos e ferramentas para colher informações e acompanhar os programas desenvolvidos (150).

Capítulo 10. As tecnologias de informação e comunicação. Miquel Amador Guillem e Carles Dorado Perea.

Assim, a inteligência é entendida com faculdade superior do conhecimento, ou com a capacidade que uma pessoa possui para adaptar alguns meios a alguns fins, embora atualmente, além das medidas da capacidade intelectual, se valorize mais a inteligência emocional, que inclui, como expressa Goleman com o relatório conhecido com seu nome, a capacidade de saber o que alguém sente, de entender os outros, e de perceber como as emoções têm um papel destacado na tomada de decisões. Numa sociedade em que predomina a comunicação, na qual a informação aparece seguindo um processo de progressão geométrica, pouco pode fazer a memória, que, afinal, foi substituída pelos progressos da informática aos quais aludimos, resultando mais “benéfica” a capacidade intelectual e emocional de discernir sobre as estratégias de busca, seleção e atualização da informação” (154). “Aprender a selecionar a informação significa, pelo menos, ter adquirido uma capacidade crítica que permita fazê-lo. Por conseguinte, planejar estratégias para essas novas formas de aprendizagem deve transformar-se numa das finalidades primordiais no futuro imediato da educação” (156). O conhecimento envelhece rapidamente na dinâmica da sociedade atual, exigindo do profissionais atitudes e valores que provocam mudanças nos aspectos sociais, econômicos e culturais, fazendo necessário adaptação a essas mudanças (156). O aprender a aprender, o aprender a fazer, a ser e a conviver ganham destaque nesse cenário de mudanças. Tudo isso leva a uma transformação do papel dos docentes e dos discentes e traz “novos canais comunicativos para a aprendizagem e a colaboração” (157). As tecnologias e os usos das redes telemáticas constituem um meio, não uma finalidade educativa (157). Para a educação se colocar a par das exigências atuais, deve adotar objetivos educativos diferentes dos tradicionais: “fortalecer a compreensão, a recuperação seletiva e crítica da informação, a autonomia na aprendizagem, a comunicação pessoal e as estratégias de solução de problemas” (157). “A informação se transforma em conhecimento quando o receptor tem a capacidade de decodificá-la, selecioná-la, organizá-la, relacioná-la, contrastá-la, interpretá-la e representá-la, criticá-la e avaliá-la, dar-lhe significado, incorporá-la, transformá-la, etc., gerando novas informações” (158). Assim, o conhecimento é algo mais complexo do que a informação (158). O aluno deve ocupar o centro do processo de ensino-aprendizagem. Por meio do exercício da tomada de decisões, os processos cognitivos básicos são desenvolvidos: observar, comparar, analisar, ordenar, classificar, representar, memorizar, interpretar, avaliar, etc (159). Os conteúdos devem ser abordados a partir de uma visão centrada no aluno e no ambiente, não tanto na linearidade dos próprios conteúdos (161). O psicopedagogo possui um papel importante no desenvolvimento do trabalho com “produtos e serviços educativos com tecnologias multimídia”, devendo estar atento às oportunidades para auxiliar os tecnólogos e projetistas que possuem, na maior parte, pouca noção do processo de ensino-aprendizagem, os quais “reproduzem esquemas comportamentais ou mecanicistas da aprendizagem” (161).

Capítulo 11. Diversidade cultural e apoio psicopedagógico. José Antonio Jordan Sierra.

Preparar as jovens gerações para a diversidade é importante diante da consideração de que vivemos em um mundo plural e globalizado (166). A função primordial do psicopedagogo nesse aspecto constitui em promover junto aos professores uma “mentalidade positiva, aberta e criativa” diante da diversidade cultural (167). Algumas atitudes devem ser observadas para a realização da intervenção diante de uma postura que dificulte o processo educacional diante da diversidade. É comum os professores acharem que esses alunos comprometem o rendimento da turma, que suas famílias não têm interesse pelo currículo escolar, encaminhar esses alunos para outros profissionais (educador especial, de recuperação), deixando de comprometer-se com o processo educacional do mesmo; ter baixas expectativas quanto ao aprendizado dessas crianças (167). Deve-se ter ainda o cuidado para não excluí-los das atividades realizadas pelos demais (168). Deve-se valorizar seus contos, línguas, religiões, abordando-os naquilo que possuem em comum com o dos demais alunos (168). Deve-se buscar identificar seus estilos de aprendizagem e seus conhecimentos anteriores, dentro do contexto de suas culturas (169). Deve-se flexibilizar as prática educativas, como as formas de avaliação. Deve-se ensinar o alunos a conviver e respeitar as diferentes visões da realidade, aproveitando o que é oferecido na própria turma nesse sentido (170). A escola deve evitar olhar apenas na educação infantil e fundamental para a questão da diversidade, promovendo a questão também nos níveis superiores de formação (170). No próprio projeto curricular da escola deve-se proporcionar um espaço para a valorização da questão da diversidade (171). Programas de acolhimento das minorias e participação de pais minoritários devem ser contemplados na escola (171). O diagnóstico ou avaliação inicial do aluno deveria ser realizado, observando os conhecimentos decorrentes das áreas acadêmicas, competências lingüísticas e instrumentais, necessidades educativas específicas, etc (172). Embora as diferenças possam às vezes gerar conflitos, os professores devem aproveitar as oportunidades para construir uma cultura do diálogo(174).



Capítulo 12 Comunicação grupal e desenvolvimento pessoal: as emoções na mira das inteligências e da aprendizagem organizacional.

A competência social revela sua importância no trabalho. “Os traços e motivos constituem o núcleo da personalidade e, devido a isso, sua formação exige mais tempo e tem maior dificuldade do que o treinamento em habilidades físicas ou mentais e o ensino de conhecimentos” (182). A consciência de si mesmo se mostra um aspecto importante para influir na mudança de atitudes (183). A complexidade cognitiva de um posto de trabalho auxiliar o ator a mudar suas atitudes e adquirir maior flexibilidade no desempenho de tarefas (184). “A constituição, a manutenção e a efetividade dos grupos de trabalhos nas organizações dependem das reuniões” (185). “A inteligência emocional põe em relação os dois componentes fundamentais da personalidade: o sistema cognitivo e o sistema emocional” (187). “Se a conexão entre o indivíduo e a organização se realiza de forma parcial, qualquer tentativa de modificar as atitudes no trabalho e fomentar a produtividade, a responsabilidade pessoal e a iniciativa criativa irá se chocar com as necessidades pessoais excluídas” (189). “Por outro lado, as pessoas precisam compreender com clareza a habilidade que devem desenvolver, os passos que devem dar para chegar a consegui-la e seu papel ativo na concretização do programa: seleção de objetivos e plano de aplicação” (189). “Finalmente, os processos de comunicação informal entre colegas, as reuniões dirigidas por um colega emocionalmente hábil e a formação de grupos de auto-ajuda são outras tantas formas de utilizar a comunicação em grupo para fortalecer a aprendizagem e a inteligência emocional” (190). O trabalho do psicopedagogo é complexo, e os profissionais da área devem se beneficiar da formação na inteligência emocional, que possui aplicação no mundo do trabalho, nas escolas e nas famílias (190).


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