LL140 Técnicas de Expressão



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LL140 - Técnicas de Expressão

Docente: Professora Doutora Cláudia Trabuco

Acta da aula subordinada ao tema

Técnicas de Expressão Oral, dada pelo Dr. Paulo de Carvalho (Licenciado em Direito pela Universidade Católica, Mestre em Psicologia Organizacional. Tirou também o Curso de Negociação pela Harvard).

15/10/08 – 2 aulas


Falar em Público -Técnicas de Apresentação

Primeira Parte


Antes de abordar directamente a temática das técnicas de expressão, o Dr. Paulo de Carvalho (doravante, por simplificação, designado por “PC”) explicou que há que abordar assuntos mais transversais.
O ser humano não usa a linguagem, o ser humano vive dentro desta.” Heidegger
O ponto de partida para esta aula foi uma história, a da conhecida Helen Keller, portadora de deficiência em três frentes (cegueira, surdez e mudez), e que, depois de 12 anos de aulas com a sua professora Anne Sullivan, veio a ser uma inspiração porque, entre muitas outras coisas, chegou a tornar-se escritora. Helen viria mais tarde a explicar o momento em que teria tido a percepção, não só das palavras, do conceito de palavra, mas também de que existiam outros seres humanos, pessoas ao seu redor. Foi no momento em que a sua professora lhe mostrou – fez sentir – a água sobre a sua mão. As palavras não são, enfim, as coisas, mas a percepção que temos delas.

Com efeito, a comunicação somos nós, nós para os outros. Implica que exista mais do que um.


Os 3 níveis de comunicação no planeta são os seguintes:

  1. Pensamentos;

  2. Palavras;

  3. Acções.

As palavras são aquilo que está entre os pensamentos e as acções.
PC citou então Lacan, importante vulto da área da psiquiatria, quanto a um dos fundamentos para o ser humano ter adquirido a capacidade da fala, da linguagem falada: “O ser humano é um macaco “retardado”.”. Esse “retardamento”, o facto de ficarmos sob a alçada dos nossos pais muito mais tempo que os macacos - que cedo são lançados para a selva para fazer a sua vida -, permite ao ser humano ter tempo de adquirir capacidades como a linguagem. A fala e a comunicação espelham quem somos.
Delimitados os objectivos da apresentação oral, é importante seguir certas regras

- Transmitir credibilidade e um impacto positivo imediato;

- Começar discurso com calma e confiança;

- Garantir atenção permanente do público;

- Perceber como comunicar com impacto;

- Aprender como começar e fechar discursos e apresentações;


Relativamente aos vários passos da apresentação sobre técnicas de expressão oral, PC enunciou os seguintes:
1- Desestruturar (aquilo que de errado fomos aprendendo ao longo da vida, ideias pré-concebidas), para depois estruturar.

2- Sair da ZC (zona de conforto)

De acordo com PC, a primeira grande regra para falar em público consiste em fazê-lo frequentemente, ou seja, falar muitas vezes em público!

A Curva da Aprendizagem” (cfr. apresentação pwp)

Para melhorar é preciso piorar.”. É muito importante ter coragem para aceitar este facto.

O adiamento da gratificação é a forma de conseguir alguma coisa da vida.
Como se adquire essa coragem?
Através da Auto-Estima. –. Com auto-estima, já temos coragem de arriscar, que é única forma de conseguirmos fazer alguma cosia da vida, isto é, saindo da zona de conforto.

Paralelamente, ao iniciarmos uma aprendizagem, fazemos muito esforço para começar, mas frequentemente desistimos antes de estarmos confortáveis naquele conhecimento recente. É mais provável que nos esqueçamos de tudo porque o cérebro humano está “programado” para suprimir aquilo que nos faz sentir desconfortáveis.

Assim, ao aprender uma nova competência, é importante nunca desistirmos antes do ponto em que dominamos aquele conhecimento e assim garantimos que esse conhecimento ficará sempre connosco.

A coragem não é a ausência do medo, mas a certeza de que existe algo mais importante que o medo.”É o centro límbico que activa sentimentos mais “primários”, controla as emoções e os instintos, o medo. Temos, pois, de enfrentar aquilo que o nosso sistema límbico nos leva a interpretar como medo.


Vantagens de saber falar em público:

  • Poderoso meio de influenciar pessoas;

  • Merecer respeito e credibilidade;

  • Pensar mais rapidamente;

  • Aumentar a auto-confiança;

  • Atingir os nossos objectivos;

  • Criar oportunidades.

Nesta fase da aula, foi pedido aos estudantes que, em grupos de três alunos, respondessem a variadas questões:




  1. Porque é que é difícil falar em público?

Respostas dos Alunos:

Porque temos medo da “censura”; que não gostem de nós; de lidar com pessoas que sejam diferentes; de nós; de ser julgados…


PC: porque temos medo de fazer “figura de urso”!!!
2. E porque é que temos medo de fazer “figura de urso?

Respostas dos Alunos:

Somos aquilo que os outros vêm, temos medo de ser avaliados por uma situação concreta e esporádica, que nada diz sobre quem verdadeiramente somos.
PC:

a) Porque, por variadas razões, de cultura, de religião, somos ensinados a sentir - e educados sob - sentimentos de vergonha (uma forma de garantir auto-controlo), de culpa, de amor condicional (aprendemos que só somos válidos se fizermos tudo bem, “se fizer mal, não valho nada”, que ser importante é porque se é bonito ou rico…). Temos de “reprogramar-nos” neste ponto.


O ser humano é importante
É muito importante que ponhamos de lado a nossa tendência para julgar os outros porque é daí que vem o nosso receio. Receamos ser julgamos porque fazemos o mesmo com os outros. Em suma, há que evitar julgar activa e passivamente.
b) Somos seres frágeis. Precisamos de comer, dormir, atender a necessidades permanentemente. A condição humana é de fragilidade
c) É difícil sermos nós próprios. A contrario, é mais fácil sermos iguais aos outros. Contudo, a felicidade só vem quando somos únicos e fazemos aquilo que faz de nós únicos e diferentes.
Neste ponto, PC citou Jânio Quadros, numa frase proferida a respeito a polémica renúncia à presidência do Brasil por este último: “Fi-lo porque qui-lo!”, concluindo esta ideia com referência à tristeza que sente quando nas sociedades de advogados, onde faz este tipo de formação, quando, ao invés de se fazer aquilo que é justo (e, amiúde, mais difícil), os advogados tendem a agir cegamente em prol dos seus clientes.


  1. Porque é que a rejeição dói tanto?

PC – Porque nós nos rejeitamos a nós próprios e os outros lembram-nos daquilo que nós não aceitamos em nós mesmos. Há que interiorizar o seguinte: “Eu não sou nem menos nem mais do que os outros!”. Não devemos deixar que nos convençam do contrário.

O crescimento traz novos níveis de consciência sobre as coisas. É preciso auto-estima para aceitar e reconhecer as coisas de que não gostamos em nós. É um trabalho diário, de aprender a apreciar aquilo que somos e a vida que temos. De sentir orgulho em nós próprios. “Sou intocável no meu valor enquanto ser humano!”.

Seguiu-se a análise do Texto de M. Williamson (lido por Nelson Mandela no seu discurso inaugural).

Sobre o texto em causa, foi observado que quem assiste a uma injustiça e nada faz, valida essa injustiça. Todos somos modelos uns dos outros; o ser humano, ao revelar-se, ao ser aquilo que efectivamente é, abre caminho para que os outros façam o mesmo. Assim, as nossas atitudes podem mudar muitas vidas.

Einstein deu-nos, entre muitos outros, estes dois preciosos ensinamentos:

O mundo não é mau por causa de quem pratica o mal, mas sim por causa dos milhões e milhões que olham e nada fazem.”;

Perceber e nada fazer implica não perceber.”.


No final da primeira parte da aula, PC propôs alguns exercícios, em que alguns voluntários fizeram “figura de urso”, mexendo com o seu sistema límbico.

Fim da primeira parte

Segunda Parte
Como começar uma apresentação em público?
P úblico

R epetição

E lefante

M ateriais

I magens

O bjectivo
F echo
Público

A comunicação é uma ponte entre dois criadores, e não de um emissor para um mero receptor. Isto quer dizer que quem ouve adequa à sua realidade aquilo que se transmitiu. Às vezes é o contexto que cria as mensagens, o que significa que o público recebe a mensagem em conformidade com a leitura que subjectivamente faz dos conceitos aludidos na mensagem emitida.

Assim, há que considerar e adequar o discurso à idade, nível de conhecimentos técnicos do público, e, sobretudo, evitar usar palavras “caras” só para mostrar erudição.

Repetição

Importante porque as pessoas guardam memória de aproximadamente 30% daquilo que ouvem. Se a ideia fundamental não for repetida as pessoas esquecem-se. Há que ter bem definido qual a ideia principal que se quer transmitir.

Elefante


Algo no início que tem impacto e que garante todos os olhares. Começar, por exemplo, com uma história, uma imagem, uma comparação… o “Elefante” é bom quando chama a atenção das pessoas e nelas inspira emoções fortes.
Imagens

São muito importantes. Nós falamos com imagens. Os olhos são responsáveis por 95% daquilo que captamos durante a vida.


Objectivo

Definir o que se quer atingir, o que se pretende que as pessoas saiam a saber. Começa-se com o fim em mente.


Fechar

Importante, segundo regras que adiante veremos.



Fórmula socrática da persuasão:
Ethos – ser credíveis

Pathos – empatia; sentimento

Logos – lógica, como transmitir a informação

Grande regra da arte de falar em público:
A - conseguir a atenção das pessoas;

I – conseguir que percebam o interesse, que é útil para as suas vidas;

D – fazê-los desejar aquilo, desejar fazê-lo;

A – passar à acção (o momento em que as pessoas têm vontade de agir naquele sentido).

O que é a credibilidade?
Quem nos parece ter uma hidden agenda, objectivos escondidos, não transmite credibilidade.

Neste momento, PC propôs aos estudantes um exercício que passava pela seguinte reflexão: Entre um Político (simbolizando um inevitável estereótipo, que é detentor de um elevado grau de formação, movido pela ambição) e um Pastor (novamente, ideia estereotipada, ingenuidade e pureza), em quem vão as pessoas tendencialmente acreditar?

Para termos credibilidade, temos de ser transparentes, honestos e, sobretudo, sermos nós próprios.

Também importante para sermos credíveis é fazer uma coisa de cada vez. Quando fazemos muitas coisas ao mesmo tempo ao falar com alguém, para além de não concedermos a atenção necessária, o que é determinante para alguém valorizar aquilo que lhes dizemos, não transmitimos que conhecemos e compreendemos o seu mundo. Isso faz-se dando atenção.



Numa apresentação em público, é fundamental não iniciar o discurso enquanto houver ruído inicial. Há que estar com o público. E passar à parte de falar apenas quando terminarmos aquelas pequeninas tarefas que vêm sempre com uma exposição em público (pousar a pasta, o material…). Em segundo lugar, é importante respirar antes de começar. Só quem sabe estar em silêncio com o público, sem palavras a protegê-lo/a, está verdadeiramente à vontade. Se não nos aceitamos, não conseguimos estar em silêncio. Logo, há que interiorizar: “Eu falo porque quero, não porque preciso (para refúgio)”. Erro é não ter coragem de parar quando há gente a falar. Em terceiro lugar, as mãos devem estar à mostra, é sinal de sinceridade.

Finalmente, deve pausar-se e olhar o público. As pessoas que falam em público cometem frequentemente o erro de não falar “nos olhos” de cada um. É também olhando nos olhos das pessoas que sabemos se estão com atenção, se estamos a chegar a elas.

Seguiu-se um exercício demonstrativo com alunos sobre como começar a falar, aplicando estas instruções.

O que é o Medo?
Trata-se da antecipação psicológica da dor. Se não nos agarrarmos aos pensamentos, somos livres. O faquir, por exemplo, controla o medo e a dor.

Aquilo que nós pensamos e acreditamos que é verdade, torna-se verdade. Começamos a visualizar o fracasso, por isso, ele acontece e obtemos a confirmação dos nossos piores receios, sabotamo-nos. O medo altera-nos. Só pode existir quando não estamos, plenamente, aqui e agora. Onde há acção não pode haver medo.


O ciclo vicioso do fracasso:
Tenho Medo  Não Tento  Não Melhoro  Tenho Medo  Não Tento (…)

A propósito, foi analisado o discurso “I Have a Dream” proferido por M. Luther King.

Foi possível observar que o mesmo trata de uma verdadeira aplicação dos princípios “PREMIO F” e socráticos da persuasão, uma vez que os parágrafos, como um refrão de um tema pop, são repletos de repetições de uma ideia central, há frequentes alusões a imagens que são próximas a quem recebe aquelas palavras, mediante metáforas e comparações, figuras oratórias muito poderosas.
Em suma:
O objectivo de falar em publico, não é:

- fazer boa figura;

- (meramente) transmitir uma mensagem;
Antes, devemos perguntar-nos, “Como servir estas pessoas que me dão a coisa mais cara do mundo, a sua atenção, o seu tempo?”
O grande objectivo de alguém que fala em público deve ser criar uma relação com o público, garantindo informação de qualidade.

Para que serve afinal essa boa relação? Se instituímos uma boa relação como público, podemos pedir-lhe o mundo. E assim podemos servir o público com a nossa verdade.


PC fechou a aula com uma história verídica, sobre a Tracy, uma jovem bailarina de Chicago.
Tracy era uma rapariga de boas famílias. Estava determinada em ser bailarina. Os seus pais decidiram, em tenra idade, mandá-la ao melhor do ramo, um professor na Rússia, para que a avaliasse. Prestou a sua prova e este disse-lhe que ela nada tinha de especial enquanto bailarina. Desolada, a rapariga pôs esse sonho de parte e tornou-se uma mulher de negócios. Anos mais tarde,assistiu a um bailado e, ficando extasiada com a prestação da bailarina protagonista, fez questão de encontrá-la nos bastidores para lho dizer. Cedo perceberam que tinham em comum o facto de ambas conhecerem o professor russo, mas a bailarina tinha seguido o seu sonho independentemente da dura crítica que, afinal, era o cartão de visita do professor russo.

Tracy estava revoltada e tinha de abordá-lo com a questão.



Confrontado, o mestre - que nem sequer se lembrava dela - respondeu-lhe que jamais dizia a alguém que era brilhante e acrescentou, em conclusão: “Se acham que serão grandes bailarinas por causa de mim, não valerão nada!”.
Moral da história: a vida diz-nos sempre que não somos capazes e nós é que temos de iluminar o nosso caminho. A vida não nos dá o que queremos, mas aquilo de que precisamos para crescer.


Mónica M. Silva, nº 1163





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