Língua de Sinais



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HISTÓRIA DO SURDO NO BRASIL E NO MUNDO

O mais antigo registro que menciona a “Língua de Sinais” é de 368 a.C, escrito pelo filósofo Sócrates , quando perguntou ao discípulo: “Suponha que nós , os seres humanos, quando não falávamos e queríamos indicar objetos , uns para os outros , nós o fazíamos , como fazem os surdos mudos , sinais com as mãos , cabeça e demais membros do corpo?”

A comunicação por sinais foi a solução encontrada também pelos monges Beneditino da Itália, cerca de 530 d.C, para manter o voto de silêncio. Além disso, quase nada foi registrado sobre a comunicação com os surdos até a Renascença, mil anos depois.

A primeira referência de exclusão a que os surdos se remetem ocorre pelo pensamento de Aristóteles. E até o final do século XVI, de modo geral os surdos eram tidos como imbecis e desta forma inaptos para o ensino. Na afirmação de que o pensamento não podia se desenvolver sem linguagem e que esta não se desenvolvia sem a fala. Sendo assim, como o surdo não fala conseqüentemente então não pensa. Seguindo este pensamento as pessoas surdas foram excluídas da sociedade, sendo que na antiguidade eram proibidos de casar, possuir ou herdar bens.

O primeiro educador de surdos que se tem notícia foi Pedro Ponce de Leon (1510-1584), um frade Beneditino espanhol que, embora não tenha deixado registro de seus métodos, depoimento escrito por alguns de seus alunos indicava que utilizava a combinação de sinais com a o esforço concentrado na escrita. Inventou o alfabeto manual transformando-o em instrumento de acesso à escrita e à leitura para só então enfatizar a fala. Na Itália Girolano Cardano, utilizava sinais e linguagem escrita para ensinar a língua oral de seu país.

Alguns professores nos séculos seguintes dedicaram–se à educação dos surdos. Entre eles destacaram-se: Ivan Pablo Bonet (Espanha); Abbé Charles Michel de L’Épée (França); Samuel Heinicke e Moritz Hill (Alemanha); Alexandre Graham Bell (Canadá e EUA) e Ovide Decroly (Bélgica). Esses professores divergiam quanto ao método mais indicado para ser adotado no ensino dos surdos. Uns acreditavam que o ensino deveria priorizar a língua falada (método oral puro) e outros utilizavam a língua de sinais – já conhecida pelos alunos – e o ensino da fala (método combinado).

A história nos leva até um marco muito importante: Charles Michel de L´Épée, conhecido como Abbé de L`Épée.Fundador da primeira escola pública para surdos, em Paris. Considerou insuficiente a linguagem natural dos surdos e inventou os signes méthodiques, sinais metódicos que era o resultado da combinação de sinais com o francês escrito para integrar à gramática da língua. L’Epée pesquisa junto aos surdos e começa a transmitir a idéia de que a língua de sinais seria transmissora de conhecimento junto aos surdos, A religião na época era a possibilidade de acesso à cultura e de ser letrado. Com a permissão do rei Luís, L´Epee fundou a primeira escola pública para surdos em Paris.

A educação do surdo desenvolve-se na Europa e aqui no Brasil começa a ter um movimento em 1857, a convite de D. Pedro II o diretor e professor surdo francês Eduard Huet discípulo de L`Epée, vem para o Brasil e funda o instituto dos Surdos-mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES, que usava o método combinado. Naquele tempo no Brasil não se tinha idéia pública da educação dos surdos e inclusive as famílias relutavam em educá-los.

Hernest Huet nasceu na França em 1822 e ficou surdo aos 12 anos de idade.

E não foi fácil a Huet iniciar a tarefa de constituição da escola. Como ele trouxe uma carta de recomendação da França, em 1862 foi apresentado ao Reitor do Imperial Colégio de D.PEDRO II que facilitou os meios de abrir a primeira escola de surdos no país. O seu trabalho contava com auxílio da nobreza ligada ao governo.

Ao decorrer da história o inventor de telefone o Escocês Alexander Graham Bell abre uma escola oralista para surdos. Defende o ensino da fala e que o surdo não poderia casar entre si, nem lecionar para outros surdos. O congresso Italiano de Professores Surdos Mudos considera os gestos necessários para comunicação inicial com os alunos, mas devem ser descartados assim que a utilização da palavra exige. Em 1878 o I congresso Internacional sobre a instrução dos surdos-mudos aprova a resolução que só a instrução oral pode integrar o surdo na sociedade. Em 1880 realiza-se em Milão, o Congresso Internacional de Educadores de Surdos. Neste congresso ficou decidido pelos professores ouvintes a proibição da língua de sinais. Os professores surdos foram excluídos desta votação. A partir do congresso de Milão decaí muito o número de surdos envolvidos na educação de surdos.

Em Milão (1880) O II Congresso aprova duas resoluções que mudaram a história dos surdos:

1- Que a fala é incontestavelmente a única maneira de incorporar os surdos-mudos na sociedade;

2- Que o método oral deve ser utilizado puramente. Os gestos devem ser proibidos.

Depois em 1896, o professor do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES - A. J. de Moura e Silva a pedido do Governo Brasileiro, viajou para o Instituto Francês de Surdos, para avaliar a decisão do Congresso de Milão e concluiu que o método oral puro (oralismo) não era adequado para todos os surdos.

Assim o antigo Instituto no Brasil continuou como um centro de integração para o fortalecimento do desenvolvimento da LIBRAS , pois segundo o Relatório do diretor Tobias Rabello Leite (1871) , esta escola já possuía alunos vindos de várias partes do país e após dezoito anos retornavam as cidades de origem levando com eles a LIBRAS. Um aluno em especial teve destaque no Instituto de Surdos-Mudos naquela época, Flausino Jose da Gama que além de excelente aluno , foi promovido a repetidor (professor) ensinando LIBRAS aos seus colegas.

Como conseqüência do Congresso de Milão, a filosofia educacional começou a mudar na Europa e em todo o mundo. O método combinado, que utilizava tanto sinais como o treino da língua oral, foi substituído em muitas escolas pelo método oral puro, o oralismo.

Os professores surdos já existentes nas escolas naquela época foram afastados e os alunos desestimulados e até proibidos de usarem as línguas de sinais de seus países, tanto dentro como fora das escolas. Era comum a pratica de amarrar as mãos das crianças para impedi-las de fazer sinas.

Até então ocorre um período de isolamento da comunidade surda, que resiste a imposição da língua oral e a partir dos anos 60 inicia uma fase de manipulação para entrar numa fase de abertura para a língua de sinais. A educação torna-se um ponto importante para o resgate da língua de sinais e a cultura surda para os surdos. O

Americano Lingüista William Stokoe é considerado um marco diferencial para o entendimento da definição de línguas naturais, até então somente compreendidas como sendo propriedade das línguas faladas, a partir do início das pesquisas lingüísticas iniciadas por Stokoe nos anos de 1960, passa a acontecer o reconhecimento das línguas na modalidade sinalizadas.

Surgem defensores da língua de sinais no Brasil e são fundadas as associações de surdos e a Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos – FENEIS (1987) dirigida apenas por surdos, para desarticular a antiga FENEIDA que era composta apenas por pessoas ouvintes. Começam a ser implantadas as primeiras escolas para surdos e a surgir às discussões sobre metodologias, filosofias para ensinar ao surdo. Atualmente ainda é usado o método do bilingüismo nas escolas de surdos, que defende o uso da língua de sinais como língua de comunicação e o português como segunda língua entre os surdos.

A FENEIS foi fundamental no processo de crescimento da política surda. Não existem dúvidas que os surdos têm voz pela sinalização e já conseguiram abrir várias portas, antes fechadas para eles. A trajetória do movimento político de luta e resistência contra a oralização e pela propagação da língua de sinais é histórica.

A FENEIS, em 1998, preocupada com a grande diferença de sinais procurou desenvolver um projeto para uniformizar, padronizar os sinais para facilitar a comunicação, principalmente entre os instrutores surdos. E, nesse momento de troca, foram tomando consciência da sua condição bilíngüe e da relação de contato direto entre Libras e Língua Portuguesa, revelando que “nós surdos percebemos que precisávamos ampliar nosso universo lingüístico, isto é, palavras, conceitos, definições existentes na língua portuguesa precisavam ser traduzidos, apropriados, padronizados”. (SABANOVAIT; NAKASATO, 1999: p. 24)

Hoje, há escolas aqui no Brasil que, mesmo ainda sem uma proposta bilíngüe, têm se tornado fator de integração da cultura surda brasileira, por que as crianças, jovens e adultos se comunicam em LIBRAS, e muito professores destas escolas já sabem ou estão aprendendo esta Língua.

Por outro lado, várias escolas, em cidades ou estados que não possuem associações de surdos, trabalham ainda com uma metodologia oralista e as crianças surdas destas escolas desenvolvem um dialeto entre elas parar uma comunicação mínima, e ficam totalmente afastadas da Cultura Surda Brasileira e a maioria não tem um bom rendimento escolar.

Devido ainda a esta metodologia oralista, há alguns surdos que, rejeitando a Cultura Surda e conseqüentemente a LIBRAS, só querem utilizar a Língua Portuguesa, e há alguns que embora queiram se comunicar com outros surdos em LIBRAS, devido o fato de terem se integrado a Cultura Surda tardiamente, usam, não a LIBRAS, mas um bimodalismo, ou seja, sinalizam e falam simultaneamente, como os ouvintes quando começam a aprender alguma língua de sinais.

Pelo não domínio da Libras , quando estão em uma situação (eventos acadêmicos, políticos, jurídicos,etc.) que exigiria interprete de LIBRAS , para melhor compreensão , não conseguem entender nem a Língua Portuguesa nem a Língua de Sinais, ficando marginalizados, sem poder ter uma participação ativa.

Portanto a divulgação da Libras é tão importante , pois através da sua Língua os surdos terão um papel efetivo na sociedade.

Fontes de consultas:

FELIPE, Tanya; MONTEIRO, Myrna S. LIBRAS em contexto. Curso Básico. Brasília : Ministério da Educação e do Desporto/Secretaria de Educação Especial, 2001

Trechos extraídos de textos autoria de NEIVA AQUINO ALBRES, EMELI MARQUES. (www.editora-arara-azul.com.br).

História do Surdo




  • 368 a. C – Registro mais antigo – Sócrates comenta com seu discípulo-

Suponha que nós, os seres humanos, quando não falávamos e queríamos indicar objetos , uns para os outros, nós o fazíamos, como fazem os surdos mudos, sinais com as mãos, cabeça e demais membros do corpo?”


  • 530 d. C- Monges Beneditinos – Usam para voto de silêncio.




  • Aristóteles – Surdos tidos como imbecis inaptos para o ensino. Na afirmação de que o pensamento não podia se desenvolver sem linguagem e que esta não se desenvolvia sem a fala. Sendo assim, como o surdo não fala conseqüentemente então não pensa. Foram excluídas da sociedade, sendo que na antiguidade eram proibidos de casar, possuir ou herdar bens.




  • Durante a Renascença não se tem nenhum registro.




  • Século XVI - O primeiro educador de surdos Pedro Ponce de Leon, um frade Beneditino espanhol. (combinação de sinais com a escrita. Inventou o alfabeto manual)

Alguns professores nos anos seguintes destacaram-se: Ivan Pablo Bonet (Espanha); Abbé Charles Michel de L’Épée (França); Samuel Heinicke e Moritz Hill (Alemanha); Alexandre Graham Bell (Canadá e EUA), Itália Girolano Cardano e Ovide Decroly (Bélgica). Esses professores divergiam quanto ao método mais indicado para ser adotado no ensino dos surdos. (método oral puro ou método combinado).




  • Abbé L´Épée. Fundador da primeira escola para surdos, em Paris. Inventou sinais metódicos que era o resultado da combinação de sinais com o francês escrito para integrar à gramática da língua.




  • 1857 - A convite de D. Pedro II – L’ Épée- envia seu discípulo -professor surdo- Huet para o Brasil . Funda o Instituto dos Surdos-mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES




  • 1862- foi fundada a primeira escola de surdos do Brasil “Imperial Colégio de D.PEDRO II”.




  • 1880- Milão- Congresso Internacional de Educadores de Surdos. Neste congresso ficou decidido pelos professores ouvintes a proibição da língua de sinais. Os professores surdos foram excluídos desta votação. A partir do congresso de Milão decaí muito o número de surdos envolvidos na educação de surdos.




  • 1896- o professor do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES - A. J. de Moura e Silva a pedido do Governo Brasileiro, viajou para o Instituto Francês de Surdos, para avaliar a decisão do Congresso de Milão e concluiu que o método oral puro (oralismo) não era adequado para todos os surdos.




  • Século XX O empenho em prol da Educação dos Surdos , possibilitou o surgimento de diversas instituições e escolas, em todo o mundo . Mas a maioria das escolas adotavam o método oralista.




  • 1970- Comunicação Total foi introduzida no Brasil a partir da visita da professora americana Ivete Vasconcelos.




  • 1977 – Fundação da FENEIDA- Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos.




  • 1980 – Destaque para duas professoras Lucinda Ferreira Brito e Eulália Fernandes que dão ênfase para a educação Bilíngüe.




  • 1987 – Fundação da FENEIS Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos.




  • 1998- desenvolvimento do projeto para uniformizar, padronizar os sinais para facilitar a comunicação.




  • 2002- Lei 10.436. Reconhecimento da LIBRAS de 24/4/2002



  • 2005-Decreto 5.626 de 22 DE DEZEMBRO DE 2005.

  • Atualmente: Divulgação da proposta Bilíngüe.


Libras e seus Parâmetros

Muitas pessoas acreditam que a Língua Brasileira de Sinais é a Língua Portuguesa feita com as mãos, na qual os sinais substituem as palavras desta língua (ISTO É ERRADO). Outras pensam que ela é uma linguagem como a linguagem das abelhas ou do corpo, como a mímica. Muitas pensam, ainda, que ela é somente um conjunto de gestos que interpretam as línguas orais. Entre as pessoas que acreditam que Libras é realmente uma língua, há algumas que pensam que ela é limitada e expressa apenas informações concretas, e que não é capaz de transmitir idéias abstratas.

Pesquisas sobre as Línguas de Sinais vêm mostrando que estas línguas são comparáveis em complexidade e expressividade a quaisquer línguas orais. Estas línguas expressam idéias sutis, complexas e abstratas. Os seus usuários podem discutir filosofia, literatura ou política, além de esportes, trabalho, moda e utiliza-la com função estética para fazer poesias, estórias, teatro e humor.

Como toda língua, as Línguas de Sinais aumentam seus vocabulários com novos sinais introduzidos pelas Comunidades Surdas em resposta às mudanças culturais e tecnológicas.

A Libras é a Língua de Sinais utilizada pelos Surdos que vivem em cidades do Brasil onde existem Comunidades Surdas, mas além dela, há registros de outra Língua de Sinais que é utilizada pelos índios Urubus-Kaapor, na Floresta Amazônica.

Como toda Língua de Sinais, é uma língua de modalidade gestual-visual porque utiliza, como canal ou meio de comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais que são percebidos pela visão; portanto, diferencia da Língua Portuguesa, que é uma língua de modalidade oral-auditiva por utilizar, como canal ou meio de comunicação, sons articula- dos que são percebidos pelos ouvidos. Mas, as diferenças não estão somente na utilização de canais diferentes, estão também nas estruturas gramaticais de cada língua.

Outra semelhança entre as línguas é que os usuários de qualquer língua podem expressar seus pensamentos diferentemente, por isso uma pessoa que fala uma determinada língua a utiliza de acordo com o contexto: o modo de se falar com um amigo não é igual ao de se falar com uma pessoa estranha. Isso é o que se chama de registro. Quando se aprende uma língua está aprendendo também a utilizá-la a partir do contexto.

E também é que todas as línguas possuem diferenças quanto ao seu uso em relação à região, ao grupo social, à faixa etária e ao sexo. O ensino oficial de uma língua sempre trabalha com a norma culta, a norma padrão, que é utilizada na forma escrita e falada e sempre toma alguma região e um grupo social como padrão.

Ao se atribuir às Línguas de Sinais o status de língua é porque elas, embora sendo de modalidade diferente, possuem também estas características em relação às diferenças regionais, socioculturais, entre outras, e em relação às suas estruturas que também são compostas pelos níveis descritos acima. O que é denominado de palavra ou item lexical nas línguas orais-auditivas é denominado sinais nas Línguas de Sinais.
SINAIS

Um sinal pode ser articulado com uma ou duas mãos. Um mesmo sinal pode ser articulado tanto com a mão direita quanto com a mão esquerda; tal mudança, portanto, não é distintiva. Pois eles são produzidos pela mão dominante, sendo que sinais articulados com duas mãos também ocorrem e apresentam restrições em relação em relação ao tipo de interação entre as mãos.

Os sinais são formados a partir da combinação do movimento das mãos com um determinado formato em um deter- minado lugar, podendo este lugar ser uma parte do corpo ou um espaço em frente ao corpo. Estas articulações das mãos, que podem ser comparadas aos fonemas e às vezes aos morfemas, são chamadas de parâmetros, portanto, nas Línguas de Sinais podem ser encontrados os seguintes parâmetros:
1. Configuração das mãos: são formas das mãos, que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros), ou pelas duas mãos do emissor ou sinalizador. Os sinais APRENDER, LARANJA e ADORAR têm a mesma configuração de mão;
2. Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, podendo esta tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro vertical (do meio do corpo até à cabeça) e horizontal (à frente do emissor). Os sinais TRABALHAR, BRINCAR, CONSERTAR são feitos no espaço neutro e os sinais ESQUECER, APRENDER e PENSAR são feitos na testa;
3. Movimento: os sinais podem ter um movimento ou não. Os sinais citados acima tem movimento, com exceção de PENSAR que, como os sinais AJOELHAR, EM-PÉ, não tem movimento;
4. Orientação: os sinais podem ter uma direção e a inversão desta pode significar idéia de oposição, contrário ou concordância número-pessoal, como os sinais QUERER E QUE RER-NAO; IR e VIR;
5. Expressão facial e/ou corporal: muitos sinais, além dos quatro parâmetros mencionados acima, em sua configuração tem como traço diferenciador também a expressão facial e/ou corporal, como os sinais ALEGRE e TRISTE. Há sinais feitos somente com a bochecha como LADRAO, ATO-SEXUAL.
Na combinação destes quatro parâmetros, ou cinco, tem- se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar estes elementos que formam as palavras e estas formam as frases em um contexto.
O que é Datilologia, Sinal Soletrado e Soletração Rítmica?
Datilologia:

É o ato de soletrar qualquer palavra usando o alfabeto manual ou os números em Libras com o objetivo de expressar nomes de pessoas, nomes de lugares e outros nomes de coisas que não possuem um sinal definido em Libras.

Ex.:

Bruno


Rua Rodrigues Alves

Micro ondas


Sinal Soletrado e Soletração Rítmica:

É muitas vezes confundido como sendo a mesma coisa que datilologia. Bem, em parte sim, pois , afinal, envolve expressar algumas palavras que foi emprestada do Português e incorporada na Libras. Normalmente eles são soletrados com uma velocidade diferenciada. Uma soletração rítmica, devido à constância com que são usados. A Soletração rítmica é identificada quando certa palavra é incorporada a Libras, passando a ser considerado sinal soletrado. Ele ganha naturalmente um ritmo e uma forma própria.

Ex.:

Bar Mal Nunca Pizza Quem




Português Sinalizado

É a utilização dos sinais extraídos da Libras, inseridos à estrutura da Língua portuguesa. Como não existem na língua de sinais certos componentes da estrutura frasal do Português (preposição, conjunção etc), são criados sinais para expressá-los. Além disso, utilizam-se marcadores de tempo, número e gênero, para descrever a língua portuguesa através de sinais.

Português sinalizado é o uso simultâneo de fala e de sinais, como se sabe. Entretanto, é concebido erroneamente por muitos educadores como o uso de fala e de língua de sinais. Um exemplo rápido para ilustrar a diferença. A enunciação em língua de sinais da frase "Como o auditório está cheio!...", é completamente diferente da enunciação através do português sinalizado, que forja uma artificialidade e simula a coexistência de dois sistemas lingüísticos, ao mesmo tempo em que não possibilita o entendimento do surdo, ou apenas o faz em grau mínimo. É a transcrição exata do Português para Libras.

Quais são os termos corretos?

* Linguagem de sinais?

* Linguagem Brasileira de Sinais?

* Língua de sinais?

* Língua dos sinais?

* Língua Brasileira de Sinais?

* Língua de Sinais Brasileira?

* Libras?

* LIBRAS?
Em primeiro lugar, trata-se de uma língua e não de uma linguagem. Assim, ficam descartados os termos "linguagem de sinais" e "Linguagem Brasileira de Sinais". De acordo com Fernando Capovilla, "Língua define um povo. Linguagem, um indivíduo. Assim, do mesmo modo como o povo brasileiro é definido por uma língua ou idioma em comum, o Português (que o distingue dos povos de todos os países com os quais o nosso faz fronteira), a comunidade surda brasileira é definida por uma língua em comum, a Língua de Sinais Brasileira. Assim, em Psicologia e Educação, quando falamos em desenvolvimento da linguagem (quer oral, escrita ou de sinais) e em distúrbios da linguagem (e.g., afasias, alexias, agrafias), estamos nos referindo ao nível do indivíduo".

Em segundo lugar, o correto é "língua de sinais" porque se trata de uma língua viva e, portanto, a quantidade de sinais está em aberto, podendo ser acrescentados novos sinais. Quando se diz "língua dos sinais", fica implícito que a quantidade de sinais já está fechada.

Em terceiro lugar, o nome correto é "Língua de Sinais Brasileira", pois Língua Brasileira não existe. O termo "língua de sinais" constitui uma unidade vocabular, ou seja, funciona como se as três palavras (língua, de e sinais) fossem uma só. Então, adjetivamos cada "língua de sinais" existente no mundo. Língua de Sinais Brasileira, Língua de Sinais Americana, Língua de Sinais Mexicana, Língua de Sinais Francesa etc.

Assim, há Língua de Sinais Brasileira (porque é a Língua de Sinais desenvolvida e empregada pela comunidade surda brasileira,

Em quarto lugar, a sigla correta é "Libras" e não "LIBRAS" (ver explicação no próximo parágrafo). Quando foi divulgado o uso da sigla "LIBRAS", explicava-se esta sigla da seguinte forma: LI de Língua, BRA de Brasileira, e S de Sinais. Com a grafia "Libras", a sigla significa: Li de Língua de Sinais, e bras de Brasileira.

De acordo com Fernando Capovilla, "o Dicionário de Libras (Capovilla & Raphael, 2001) adotou a norma do Português, segundo a qual se uma sigla for pronunciável como se fosse uma palavra (e.g., Fapesp, Feneis) ela deve ser escrita com apenas a inicial maiúscula; e se ela não for pronunciável como uma palavra, mas apenas como uma série de letras (e.g., CNPq, BNDES), ela deve ser escrita em maiúsculas.

A Língua Brasileira de Sinais - Libras é uma língua completa, não é mímica nem apenas gestos. É captada pela visão e produzida pelos movimentos do corpo, especialmente as mãos.

A Libras é constituída por todos os componentes pertinentes às línguas orais, como: gramática, semântica, pragmática e outros elementos, preenchendo assim, os requisitos científicos para ser considerada instrumental lingüístico de poder e força.

Sendo a língua que surgiu nas comunidades surdas é a que mais se adapta à expressão do surdo.

Não se deve dizer "linguagem" de sinais porque a Libras é comparável a qualquer idioma do mundo. Não se pensaria em dizer "linguagem portuguesa", por exemplo.


Bibliografia:


Castro, Alberto Rainha de; Carvalho, Ilza Silva de.

Comunicação por Língua Brasileira de Sinais: Livro Básico

Brasília: Editora SENAC- DF, 2005.
WWW.libraslegal.com.br

WWW.vezdavoz.com.br

VARIAÇÕES LINGÜÍSTICAS

A Libras é a mesma em todo o país?

Na maioria do mundo, há, pelo menos, uma língua de sinais usada amplamente na comunidade surda de cada país, diferente daquela da língua falada utilizada na mesma área geográfica. Isto se dá porque essas línguas são independentes das línguas orais, pois foram produzidas dentro das comunidades surdas.

A Língua de Sinais Americana (ASL) é diferente da Língua de Sinais Britânica (BSL), que difere, por sua vez, a Língua de Sinais Francesa (LSF).Além disso, dentro de um mesmo país há as variações regionais. A LIBRAS apresenta dialetos regionais, salientando assim, uma vez mais, o seu caráter de língua natural.


  • VARIAÇÃO REGIONAL: representa as variações de sinais de uma região para outra, no mesmo país.




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