LÍngua portuguesa e literatura brasileira



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LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

BRASILEIRA
Texto 1
UM MORRO AO FINAL DA PÁSCOA
Como tapetes flutuantes, elas surgiram de repente, em “muita quantidade”, balançando nas águas translúcidas de um mar que refletia as cores do entardecer. Os marujos as reconheceram de imediato, antes que sumissem no horizonte: chamavam-se botelhos as grandes algas que dançavam nas ondulações formadas pelo avanço da frota imponente. Pouco mais tarde, mas ainda antes que a escuridão se estendesse sobre a amplitude do oceano, outra espécie de planta marinha iria lamber o casco das naves, alimentando a expectativa e desafiando os conhecimentos daqueles homens temerários o bastante para navegar por águas desconhecidas. Desta vez eram rabos-de-asno: um emaranhado de ervas felpudas “que nascem pelos penedos do mar”. Para marinheiros experimentados, sua presença era sinal claro da proximidade de terra.

Se ainda restassem dúvidas, elas acabariam no alvorecer do dia seguinte, quando os grasnados de aves marinhas romperam o silêncio dos mares e dos céus. As aves da anunciação, que voavam barulhentas por entre mastros e velas, chamavam-se fura-buxos. Após quase um século de navegação atlântica, o surgimento dessa gaivota era tido como indício de que, muito em breve, algum marinheiro de olhar aguçado haveria de gritar a frase mais aguardada pelos homens que se fazem ao mar: “Terra à vista!”



Descobrimento: a verdadeira

história da expedição de Ca-

bral. 1999, p. 7.
BUENO, Eduardo. A Viagem do


13) Baseado no Texto 1, assinale a(s) proposi-ção(ões) VERDADEIRA(S).
01. Em Como tapetes flutuantes, elas surgiram de repente, a palavra em destaque, elas, substitui a expressão algas marinhas.

02. As plantas marinhas que lambiam o casco das embarcações chamavam-se botelhos.

04. Há, no texto, pelo menos duas expressões indi-cando que a cena descrita se passa durante o dia.

08. Para os marinheiros experimentados, quando os rabos-de-asno tocavam o casco das naves, era sinal claro da proximidade de terra.

16. Na frase ... balançando nas águas translúcidas de um mar que refletia as cores do entardecer, a palavra destacada pode ser substituída por transparentes.



Gabarito: 29 (01 + 04 + 08 + 16)

Número de acertos: 3.069 (31,32%)

Grau de dificuldade previsto: Fácil

Grau de dificuldade obtido: Médio
ANÁLISE DA QUESTÃO:
A questões 13 e 14 objetivam medir o grau de compreensão, conhecimento e análise do Texto 1.

A Banca considerou fácil a questão, o que foi corroborado pelo número de acerto dos candidatos.

A questão 13, em pauta, apresenta 5 proposições, sendo 1 falsa (02), e 4 verdadeiras (01, 04, 08 e 16).

A questão falsa teve apenas o percentual de 0,02%, insignificante para esse tipo de análise.

As respostas com resultado 13, que seria a soma das 3 (três) proposições iniciais corretas, apresentam um percentual de 20,61%, e a com resultado 29, gabarito final, 31,32%.

A razão pela qual a Banca analisa o alto índice de resposta 13, excluindo a proposição 16, também verdadeira, é a falta de conhecimento do significado da palavra translúcidas, tendo como sinônimo, transparentes.

Isso demonstra pobreza de vocabulário dos candidatos, em decorrência da falta de leitura.
14) Em relação ao Texto 1, é CORRETO afirmar que:
01. Fura-buxos, aves de anunciação, são gaivotas marinhas que vivem longe da terra.

02. Com a expressão homens que se fazem ao mar, o autor quis se referir aos marinheiros que se jogam no mar quando avistam indícios de


terra.

04. O autor, quando escreve que os grasnados dos fura-buxos romperam o silêncio dos mares e dos céus, quer dizer que essas aves de anunciação voavam barulhentas por entre os mastros e velas das naves.

08. O texto apresenta, entre os sinais da proximida-de de terra, os rabos-de-asno que lambiam os cascos das naves e os fura-buxos que voavam barulhentos por entre mastros e velas.


Gabarito: 12 (04 + 08)

Número de acertos: 6.073 (62,02%

Grau de dificuldade previsto: Médio

Grau de dificuldade obtido: Fácil
ANÁLISE DA QUESTÃO:
A questão 14, como referido , objetiva medir o grau de conhecimento e compreensão do Texto 1, por parte dos vestibulandos.

Apesar de ser considerada de nível médio pela Banca, o resultado final apontou para grande facilidade da questão, sendo assinaladas como verdadeiras as proposições 04 e 08.

Todas as proposições encontram resposta no Texto, o que requeria do(a) candidato(a) leitura aten-ta e análise.

A questão é composta de 4 (quatro) proposições, sendo a 04 e a 08 as verdadeiras, com índice total de acerto de 62,02%.

Os acertos parciais também foram significativos.


15) Ainda a propósito do Texto 1, é CORRETO afirmar que:
01. As palavras entardecer e alvorecer têm a mesma formação: derivação parassintética.

02. O termo destacado em ... outra espécie de planta marinha... tem a mesma justificativa quanto à acentuação gráfica dos termos ... o


silêncio dos mares e dos céus.

04. Na oração Os marujos as reconheceram de imediato..., o verbo reconhecer classifica-se como intransitivo.

08. Em ... outra espécie de planta marinha iria lamber o casco das naves... há uma prosopo-péia.

16. As expressões aves marinhas e aves dos mares estão em relação de sinonímia.

32. Em ... romperam o silêncio dos mares ... a pala-vra silêncio funciona como núcleo do objeto direto.



Gabarito: 56 (08 + 16 + 32)

Número de acertos: 997 (10,17%)

Grau de dificuldade previsto: Médio

Grau de dificuldade obtido: Difícil

ANÁLISE DA QUESTÃO:
A questão 15 apresenta conteúdo sobre formação de palavras, acentuação gráfica, regência verbal e sintaxe, abrangendo, deste modo, grande parte do programa.

É composta de 6 (seis) proposições, sendo as três últimas verdadeiras, isto é, 08, 16 e 32.

Observa-se, apesar do índice de espalhamento, uma concentração maior de acertos nas proposições requeridas.

Pela possibilidade que a COPERVE oferece de acerto parcial, também foram assinaladas as proposições 32 e 16, com resultado parcial de resposta 48, que se aproxima do número de acertos do gabarito final (56), o que leva a Banca pressupor que a proposição, com conteúdo sobre figuras de linguagem, foi a que deixou maior dúvida no vestibulando.



16) Observe o período abaixo e assinale a(s) propo-sição(ões) em que o mesmo foi reescrito CORRETAMENTE.

... Após quase um século de navegação atlân-tica, o surgimento dessa gaivota era tido como indício de que, muito em breve, algum marinheiro de olhar aguçado haveria de gritar a frase mais aguardada pelos homens que se fazem ao mar: “Terra à vista!”


01. O surgimento dessa gaivota era tido, após quase um século de navegação, como indício de que muito em breve, algum marinheiro de olhar aguçado haveria de gritar: “Terra à vista!”, a frase mais aguardada pelos homens que se fazem ao mar.

02. “Terra à vista!” Algum marinheiro de olhar aguça-do haveria de gritar, muito em breve, a frase mais aguardada pelos homens que se fazem ao mar. O surgimento dessa gaivota era tido como indício de tal fato, após quase um século de navegação atlântica.

04. Após quase um século, de navegação atlântica, o surgimento dessa gaivota era, tido como indício de que, muito em breve, algum marinheiro haveria de gritar “Terra à vista”, de olhar aguçado, a frase mais aguardada pelos homens que se fazem ao mar.

08. O surgimento dessa gaivota, após quase um século de navegação atlântica, era tido como indício de que, muito em breve, algum marinheiro de olhar, aguçado haveria de gritar, a frase, mais aguardada pelos homens que se fazem ao mar: “Terra à vista”.

16. A frase mais aguardada pelos homens que se fazem ao mar é: “Terra à vista!” Após quase um século de navegação atlântica, o surgimento, dessa gaivota, era tida como indício de que, muito em breve, algum marinheiro de olhar, aguçado, haveria de gritá-la.

32. Após quase um século de navegação, atlântica, o surgimento dessa gaivota era tido, como indício de que muito, em breve, algum marinheiro de olhar aguçado, haveriam de gritar a frase mais aguardada: “Terra à vista!” pelos homens que se fazem, ao mar.




Gabarito: 02 (02)

Número de acertos: 1.038 (10,60%)

Grau de dificuldade previsto: Médio

Grau de dificuldade obtido: Difícil
ANÁLISE DA QUESTÃO:
Essa questão abrange pontuação e estrutura frasal. Compõe-se de 6 (seis) proposições, enfatizando o conteúdo que se deseja avaliar.

A proposição 01, incorreta pela falta da vírgula no adjunto adverbial deslocado, demonstra o desconhecimento do vestibulando em relação à colocação da pontuação dentro do parágrafo. Observa-se que essa proposição foi considerada correta por 24,26% dos candidatos, enquanto que com gabarito final 03 (proposições 01 e 02), 15,35%, o que reforça a constatação da falta de leitura por parte dos vestibulandos.

Texto 2
A CARTA DE PÊRO VAZ DE CAMINHA
Num dos trechos de sua carta a D. Manuel, Pêro Vaz de Caminha descreve como foi o contato entre os portugueses e os tupiniquins, que aconteceu em 24 de abril de 1500: “O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, aos pés de uma alcatifa por estrado; e bem vestido, com um colar de ouro, muito grande, ao pescoço (...) Acenderam-se tochas. E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a ninguém. Todavia um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. E também olhou para um castiçal de prata, e assim mesmo acenava para a terra, e novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata! (...) Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço, e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se davam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender, por que não lho havíamos de dar! E depois tornou as contas a quem lhas dera. E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de esconder suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam raspadas e feitas. O Capitão mandou pôr por baixo de cada um seu coxim; e o da cabeleira esforçava-se por não a estragar. E deitaram um manto por cima deles; e, consentindo, aconchegaram-se e adormeceram”.
COLEÇÃO BRASIL 500 ANOS,

Fasc. I, Abril, SP, 1999.


VOCABULÁRIO:
Alcatifa – tapete, carpete.

Fanadas – murchas.

Coxim – almofada que serve de assento.

17) De acordo com o Texto 2, assinale a(s) proposi-ção(ões) VERDADEIRA(S).
01. Pêro Vaz de Caminha, um dos escrivães da armada portuguesa, escreve para o Rei de Portugal, D. Manuel, relatando como foi o contato entre os portugueses e os tupiniquins.

02. Em E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a ninguém, fica implícito que os tupiniquins desconheciam hierarquia ou categoria social lusitanas.

04. O trecho ...e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se davam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos, evidencia que havia problemas de comunicação entre portugueses e tupiniquins.

08. Nada, na embarcação portuguesa, pareceu des-pertar o interesse dos tupiniquins.




Gabarito: 07 (01 + 02 + 04)

Número de acertos: 4.630 (47,28%)

Grau de dificuldade previsto: Fácil

Grau de dificuldade obtido: Fácil

ANÁLISE DA QUESTÃO:
Essa questão aborda compreensão e análise do Texto 2. É formada de 4 (quatro) proposições, sendo 3 verdadeiras (01, 02 e 04).

A Banca considerou fácil essa questão, o que foi comprovado pelo baixo índice de espalhamento e pelo percentual de acerto do gabarito final.

Nota-se que grande parte dos vestibulandos assinalou apenas 2 (duas) proposições verdadeiras (01 e 02), que são, de fato, transcrição literal do texto dado.


18) A propósito do Texto 2, é CORRETO afirmar que:
01. A expressão ... folgou muito com elas... pode ser substituída por divertiu-se muito com as contas do rosário.

02. Os tupiniquins, bastante comunicativos, falaram aos marinheiros que havia muita riqueza na terra descoberta.

04. Pelo trecho ... E também olhou para um castiçal de prata, e assim mesmo acenava para a terra ... entende-se que os tupiniquins estavam dentro da embarcação portuguesa.

08. Os tupiniquins ficaram constrangidos com a pre-sença dos portugueses e logo abandonaram o navio.





Gabarito: 05 (01 + 04)

Número de acertos: 5.268 (53,82%)

Grau de dificuldade previsto: Médio

Grau de dificuldade obtido: Fácil
ANÁLISE DA QUESTÃO:

Essa questão, como a anterior, requer do candidato leitura atenta e análise do texto para obter o resultado proposto.

Observa-se que a maioria dos vestibulandos não teve dificuldade em assinalar as proposições corretas, que envolviam, além da compreensão, conhecimento de sinonímia contextual.

É surpreendente o número de respostas absurdas (31), assinalando gabarito superior à soma do número de proposições apresentadas, o que demonstra falta de atenção por parte do candidato.



19) Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S).
01. Na oração ... isto não queríamos nós entender..., o pronome demonstrativo exerce a função sintática de objeto direto e o pronome pessoal reto, a de sujeito simples.

02. Em E eles entraram, o verbo entrar está con-jugado no pretérito imperfeito do Modo Indicativo.

04. Na oração Num dos trechos de sua carta a D. Manuel, Pêro Vaz de Caminha descreve como foi o contato ..., a vírgula foi empregada corretamente, porque o adjunto adverbial está deslocado.

08. Em E depois tornou as contas a quem lhas dera, a palavra destacada pode ser substituída por devolveu.

16. Em Para realizar o que queria, havia um entrave, a palavra entrave pode ser substituída por obstáculo sem perder o sentido; logo, entrave é sinônimo de obstáculo.

32. Nos exemplos a seguir, as expressões equivalem aos adjetivos:



EXPRESSÕES


ADJETIVOS



Notícia não verdadeira

inverídica

Água do mar

marinha

Azul do céu

celeste

Escrita em forma de cunha

cuneiforme


Gabarito: 61 (01 + 04 + 08 + 16 + 32)

Número de acertos: 493 (5,03%)

Grau de dificuldade previsto: Médio

Grau de dificuldade obtido: Difícil
ANÁLISE DA QUESTÃO:
A questão 19 foi considerada a mais difícil de todas pelos candidatos, havendo grande espalhamento nas respostas, apesar de evidenciar a proposição 02, a única falsa, como a menos assinalada.

A proposição 08, com elevado número de acerto, assinalada pela grande maioria dos vestibulandos, envolve questão de sinonímia, e é a única a não nomear, explicitamente, algum termo gramatical. As demais proposições corretas que envolvem aspectos gramaticais, exigidos no Programa, apresentaram grande dificuldade aos candidatos.

A Banca entende que uma prova de Língua Portuguesa não pode prescindir de conhecimentos gramaticais básicos, indispensáveis à correta comunicação, mesmo que venham concentrados em uma única questão. Recomenda que o item II do Programa de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira seja mais “reforçado” nas escolas de Ensino Médio.

20) Com relação ao fragmento Num dos trechos de sua carta a D. Manuel, Pêro Vaz de Caminha descreve como foi o contato entre os portugueses e tupiniquins, que aconteceu em 24 de abril de 1500, é CORRETO afirmar que:
01. O sujeito da oração principal classifica-se como simples: Pêro Vaz de Caminha.

02. O pronome relativo que exerce a função sintática de sujeito.

04. Em ... o contato entre os portugueses e os tupiniquins, a palavra em destaque é uma conjunção.

08. A expressão em 24 de abril de 1500 tem a função sintática de adjunto adverbial de lugar.

16. Em O contato entre os portugueses e os tupiniquins foi descrito por Pêro Vaz de Caminha, a oração está na voz passiva.


Gabarito: 19 (01 + 02 + 16)

Número de acertos: 912 (9,31%)

Grau de dificuldade previsto: Médio

Grau de dificuldade obtido: Difícil
ANÁLISE DA QUESTÃO:
Foi surpreendentemente baixo o número de acertos nessa questão: 9,31%. O espalhamento das respostas mostra que 29,87% dos candidatos consideraram, como corretas, apenas as proposições 01 e 16, desconhecendo a função sintática do pronome relativo que, na número 02.

Essa questão requer do candidato conhecimento e análise sobre morfossintaxe, sendo considerado médio, o seu nível de dificuldade.

Ficou, no entanto, evidenciada a falta de co-nhecimento gramatical básico na não identificação da palavra entre, contextualizada como preposição, e do que, com função sintática de sujeito.

A gramática aplicada, como na questão em pauta, deve ser enfatizada no ensino da língua, porque auxilia o aluno a discernir os termos da oração, a identificar a função que as palavras exercem na frase, além de ampliar a capacidade de compreensão, análise e síntese na aplicação dos conhecimentos lingüísticos.




21) Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S) sobre o romance São Bernardo, de Graciliano Ramos.
01. Entre Paulo Honório, personagem principal, e sua mulher Madalena há, praticamente, uma impossibilidade de comunicação.

02. Nessa obra, o foco narrativo modela sua verda-deira força, porque projeta o nível de consciência da personagem em primeira pessoa, exemplifi-cado no trecho a seguir: Uma tarde subi à torre da igreja e fui ver Marciano procurar corujas. (...) Eu desejava assistir à extinção daquelas aves amaldiçoadas.

04. É uma obra cujo enredo trata da canonização de São Bernardo, padre nordestino, morto pelos jagunços de Lampião.

08. Após a morte de Madalena, Paulo Honório tenta retomar o ritmo de sua vida, na fazenda São Bernardo, mas a lembrança da mulher morta tira-lhe todo o entusiasmo.

16. D. Glória, mulher egoísta como o filho Paulo Honório, vinga-se de Padilha e de João Nogueira, proibindo a veiculação de seus artigos nos jornais locais.




Gabarito: 11 (01 + 02 + 08)

Número de acertos: 1.775 (18,13%)

Grau de dificuldade previsto: Médio

Grau de dificuldade obtido: Difícil


ANÁLISE DA QUESTÃO:
Essa questão trata, unicamente, de conteúdos pertinentes à obra São Bernardo, de Graciliano Ramos, uma das indicadas na lista do Concurso Vestibular-UFSC/2000.

Com 5 proposições, das quais 3 eram verdadeiras e uma, absurdamente falsa, identificada, de imediato, por quem lesse, de fato, a obra referida, essa questão comprova, mais uma vez, a falta de leitura dos candidatos que almejam uma vaga na universidade: apenas 18% dos vestibulandos atingiram o somatório desejado, o que corrobora a opinião da Banca, uma vez que todas as proposições se referem a fatos que compõem a trama da obra.




22) Marque a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S).
01. A literatura realista caracteriza-se por descrever a realidade objetiva e minuciosamente, de modo impessoal. Aluísio Azevedo, autor de O Cortiço, é um dos representantes dessa escola em sua vertente naturalista.

02. Nos versos:



(Que vens tu fazer, Alferes,

com tuas loucas doutrinas?

Todos querem liberdade,

mas quem por ela trabalha?)

“Ah! se eu me apanhasse em Minas...”

do livro Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles expressa, em linguagem poética, o sentimento de desamparo de Tiradentes, mártir da inconfidência mineira.

04. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o defunto-autor, descompro-missado com o mundo dos vivos, conta sua própria história, numa fria auto-análise de sua vida.

08. Moacir Scliar, em Bandoleiros, permeia toda a narrativa com a figura singular do judeu, amigo de infância que lhe povoa a memória, e mesmo de longe dá sentido à sua vida: Tinha de ver o Noel. Precisava reencontrar o meu passado enquanto ainda tinha algum significado, enquanto fazia algum sentido.

16. Nos versos:

Nas formas voluptuosas o Soneto

Tem fascinante, cálida fragrância

E as leves, langues curvas de elegância

De extravagante e mórbido esqueleto., Cruz e Sousa apresenta O Soneto como “entidade concreta, dotada de aparência física”.


Gabarito: 23 (01 + 02 + 04 + 16)

Número de acertos: 1.748 (17,84%)

Grau de dificuldade previsto: Médio

Grau de dificuldade obtido: Difícil
ANÁLISE DA QUESTÃO:
Para assinalar corretamente as proposições da questão 22, o candidato precisava de ter lido as obras indicadas pela COPERVE, e não apenas o seu resumo.

Pelo índice de espalhamento, pode-se deduzir que muitos vestibulandos, mesmo sem lerem todas as obras, detiveram-se, no mínimo, em 2 delas: é o que revela o gabarito com resultados 05, 06, 20, 21 e 22, entre outros, provenientes de acerto parcial.

Observa-se, também, que proposições envolvendo escritores mais sedimentados nacionalmente, obtiveram índice mais alto de acerto. É um alerta aos professores de Ensino Médio para destacarem, igualmente, os nossos autores modernos e contemporâneos.

23) Em qual(is) proposição(ões) a relação texto, obra e autor está CORRETA?
01. O trecho Glória possuía no sangue um bom vinho português e também era amaneirada no bamboleio do caminhar por causa do sangue africano escondido pertence à obra Um Crime Delicado, de Sérgio Sant’Anna.

02. O trecho Brasileiro adora imitar os países do centro, macaquear uma lei de primeiro mundo. Não há mais colonizado do que apregoar um produto como “coisa de primeiro mundo”, como já virou moda no publicitês de todo o dia diz respeito à obra Sorrisos meios sacanas, de Sérgio da Costa Ramos.

04. O fragmento Macabéa era na verdade uma figura medieval, enquanto Olímpico de Jesus se julgava peça-chave, dessas que abrem qualquer porta. Macabéa simplesmente não era técnica, ela era só ela, refere-se à obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector.

08. O trecho Atravessaram o cortiço. A labutação continuava. As lavadeiras tinham já ido almoçar e tinham voltado de novo para o trabalho. Agora estavam todas de chapéu de palha ... integra a obra de Moacir Scliar, A Majestade do Xingu.

16. O excerto Senti tocar-me no ombro; era Lobo Neves. Encaramo-nos alguns instantes, mudos, inconsoláveis. Indaguei de Virgília, depois fica-mos a conversar uma meia hora.”, refere-se à obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.



Gabarito: 22 (02 + 04 + 16)

Número de acertos: 3.151 (32,22%)

Grau de dificuldade previsto: Difícil

Grau de dificuldade obtido: Médio

ANÁLISE DA QUESTÃO:
Essa questão abrange conhecimento da relação autor/obra/texto. Apresenta 5 proposições, das quais 3 são verdadeiras; o resultado obtido foi melhor que o das questões anteriores de literatura, totalizando cerca de 33% de acerto.

Esse tipo de questão propicia ao candidato que leu a obra, a possibilidade de recordar e associar os conhecimentos obtidos. Sugerem, as respostas dadas, que Machado de Assis foi o escritor mais lido, dentre aqueles recomendados no Concurso Vestibular-UFSC/2000.

Nessa questão, a proposição 16 foi considerada verdadeira por 7.467 candidatos, dentre os 9.089 da prova tipo 2/F. As falsas, 01 e 08 obtiveram menor número de preferência, o que demonstra terem sido bem assimiladas pelos candidatos.

O acerto total foi de 33%, sugerindo um grau de dificuldade médio.


24) Marque a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S).
01. A obra Bandoleiros, de João Gilberto Noll, com sua linguagem cinematográfica, apresenta, de maneira simbólica, a vinda dos judeus para o Brasil, sem se deixar levar por explicações políticas ou ideológicas.

02. A ironia, que dá uma intenção oposta, sarcástica e cheia de subentendidos ao que se está dizendo, faz-se presente em várias crônicas de Sorrisos meio sacanas, de Sérgio da Costa Ramos.

04. Nesses versos de Cruz e Sousa, do poema
Consolo Amargo, do livro Últimos Sonetos:

Mortos e mortos, tudo vai passando,

Tudo pelos abismos se sumindo...

Enquanto sobre a Terra ficam rindo

Uns, e já outros, pálidos, chorando...

percebe-se a morbidez que é uma caracterís-


tica que permeia toda a obra citada.

08. O casamento, como é apresentado em Memó-rias Póstumas de Brás Cubas e em São Bernardo, é um jogo de interesses, em que pode ou não entrar o amor, que passa a segundo plano.

16. Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas; Aluísio Azevedo, em O Cortiço e Sérgio Sant’Ana, no romance Um Crime Delicado, apresentam, em comum, uma aborda-gem sobre triângulo amoroso.



Gabarito: 30 (02 + 04 + 08 + 16)

Número de acertos: 1.309 (13,38%)

Grau de dificuldade previsto: Difícil

Grau de dificuldade obtido: Difícil


ANÁLISE DA QUESTÃO:
Nessa questão, o objetivo é reconhecer o autor e a obra. Oito (8), das dez (10) obras são enfocadas, requerendo do candidato discernimento e leitura atenta, além do conhecimento solicitado.

A Banca já previa o grau de dificuldade constatado, com apenas 23,38% dos candidatos assinalando o gabarito correto.

A COPERVE disponibilizou, para a comunidade, a lista das obras indicadas para o Concurso Vestibular-UFSC até o ano 2004. Seria interessante a distribuição das obras para a leitura durante todo o Ensino Médio, para que os alunos venham a ter a oportunidade de conhecer, adequadamente, todos os livros indicados.




CONCLUSÃO


A prova de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira teve como objetivo aferir os conhecimentos gramaticais e literários, por meio de questões que proporcionassem, aos candidatos, a identificação das proposições verdadeiras, utilizando o raciocínio lógico, a atenção e o conhecimento exigido pelo Ensino Médio.

Aproveitando a data da celebração dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, os textos utilizados para a compreensão versavam sobre tal assunto, o que, pressupunha a Banca, tornaria a prova mais direcionada aos acontecimentos que envolvem o dia-a-dia dos candidatos e assim, mais interessante de ser resolvida.

De todos os candidatos (30.029) que se submeteram ao Concurso Vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina, apenas 31 tiveram nota 0 (zero) nessa prova, o que evidencia ter a mesma conseguido, no geral, alcançar seu objetivo.

Observa-se que as questões de compreensão de textos foram as que obtiveram o maior número de acerto total (13, 14, 17 e 18) e as que envolvem a parte do programa sobre conhecimentos gramaticais (19 e 20) foram as consideradas mais difíceis.

Pode-se inferir, pela análise feita, que a cobrança da leitura no Ensino Médio está surtindo seus efeitos positivos, pois nossos vestibulandos, em grande maioria, “compreendem aquilo que lêem” e já identificam texto/autor/obra, dentre os livros recomendados pela COPERVE.

A Universidade tem grande responsabilidade sobre a qualidade do Ensino Médio e o Vestibular serve como um marco na definição do perfil do aluno que deve ingressar na UFSC, balizando os conhecimentos básicos a serem adquiridos antes de freqüentar na universidade.

Recomenda-se que as escolas continuem insistindo na leitura de boas obras, jornais e revistas, e que usem a gramática como instrumento de criação de um bom texto.



Nossos jovens, com certeza, estarão mais habilitados a enfrentar os desafios que se lhes apresentarão.




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