Louise Labé: a literata Renascentista motta, Luiane S



Baixar 11.45 Kb.
Encontro20.07.2016
Tamanho11.45 Kb.
Louise Labé: A Literata Renascentista
MOTTA, Luiane S. (lulusmotta@gmail.com)
Palavras chave: Renascimento, gênero, literatura
Introdução:
A presente pesquisa destina-se a dar algumas respostas iniciais à tentativa de enxergar, através das ideias da autora Louise Labé, nascida no século XVI na cidade de Lyon, as relações de gênero perante o quesito intelectualidade – visto que, ainda hoje, enxerga-se, no contexto renascentista em que Labé viveu, apenas a maciça presença da contribuição masculina na produção literária. Porém, com seus textos, busco perspectivas para contribuir com uma história que inclua personagens femininos como agentes históricos visíveis e ativos, privilegiando as relações de gênero como instrumento de análise.
Metodologia:
Através da obra da autora e da bibliografia já existente, seguiu-se o seguinte caminho: um estudo sobre a personagem Louise Labé e seu contexto, bem como a compreensão se esta autora se apresenta como expressão de um grupo (ou seja, a sua representatividade); a seguir, discorre-se sobre a própria definição do que seria o Renascimento; e, por último, a análise de sua obra enquanto demonstração das mudanças nas relações de gênero e o seu entrecruzamento com o movimento renascentista. Para tal análise, ocorreu a divisão em duas categorias de remetimento: diálogo com as discussões concernentes ao Renascimento (categoria: renascentista) e as avaliações ou juízo de valor da autora quanto a sua identidade grupal de gênero feminino (categoria: gênero).
Resultados e discussão:
Louise Labé apresenta ao menos dois aspectos importantes dentro de sua literatura, a questão de identificação dos problemas relacionado ao seu grupo, enquanto representante das relações sociais de gênero, e o deslocamento do papel feminino para uma vida mais pública, relacionada com “as letras e a ciência”. Dialoga, então, com uma sociedade onde parece estar ocorrendo um processo em que há, sim, possibilidades de uma formação “intelectual” para mulheres, e, ainda, dentro de sua obra, há visibilidade desta como um ser ativo diante das relações que estabelece, e um ser responsável, que tanto através de seu texto quanto de seus poemas, se propõe a analisar a racionalidade, os sentimentos, enfim, o que é humano, não fugindo ao seu contexto renascentista.
Considerações finais ou Conclusão:
A partir da ideia de que o Renascimento é um conjunto de características que perpassam as obras dos intelectuais de seu tempo, e que, Louise Labé, a escritora francesa de um grupo intermediário que revela-se como uma autora com trabalhos difundidos dentro de seu ambiente, e que é influenciada e, possivelmente, é influência de determinadas reflexões , permite-se que haja um maior cuidado ao conceber as mulheres neste contexto como esvaziadas de participação e, mesmo de preocupação política. Essa figura, que se faz necessário analisar mais, parece-me revelar, ao menos em um primeiro momento, a possibilidade de contestação do tipo de história, que às vezes, na ânsia de demonstrar as injustiças cometidas pelas sociedades, as fazem outra vez injustiçadas por retratá-las passivas, submissas e incapazes de pensar por si mesmas, de se rebelarem. Faz-se necessário enxergá-las como atrizes, ou mais resistentes a questão de dominação por gênero, percebendo, já aqui, alterações nas relações sociais estabelecidas pela diferenciação do sexo.
Referências Bibliográficas:
DAVIS, Natalie Z. Culturas do Povo: Sociedade e Cultura no Início da França Moderna. SP: Paz e Terra, 1990.

DUBY, George. Idade Média dos Homens: do amor e outros ensaios. Companhia das Letras, 1989.

MACEDO, José R. A mulher na Idade Média. São Paulo, Contexto, 2002.

PERRY, Marvin. Civilização Ocidental: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

SMITH, Bonnie G. Gênero e História: homens, mulheres e a prática histórica. Ed. EDUSC: São Paulo, 2003


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal