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12-06-2007


Entrevista com Joan Puig-Pey, autor do “Plano Diretor para l’ Hermitage”


No dia 2 de fevereiro, festa da Apresentação do Senhor ao templo e purificação de Maria, popularmente conhecida com ‘Candelária”, estiveram renidos, em Roma, os arquitetos e autores do Plano Diretor para a restauração de l’Hermitage, Joan Puig-Pey e Jaume Pujol, junto com Elsa Pereira, arquiteta portuguesa colaboradora. O objetivo foi o de apresentar ao Conselho Geral a proposta arquitetônica das reformas, elaborado em seus escritórios de Barcelona. Tanto Joan como Jaume são antigos alunos dos colégios maristas de Barcelona. Conhecem-se desde a escola e partilham seus estudos e trabalhos, desde 1983.

Depois da apresentação ao Conselho Geral, os três arquitetos, acedendo ao pedido dos Irmãos da comunidade da Administração geral, expuseram amavelmente o resultado dos estudos e propostas.

Despertou grande interesse a maquete em que apresentam as grandes linhas do que convinha fazer, na paisagem e nas construções adjacentes à casa construída por Champagnat, para converter o todo num santuário marista. Utilizaram projeções para mostrar como aproveitar os espaços e reorganizar as funções da casa. No término da apresentação, pudemos ter com ele a seguinte conversa.



AMEstaún - Quem é Joan Puig-Pey?

JPP. Um catalão do mundo. 50 anos. Arquiteto desde 1983. Casado com Dolores. Três filhas e um filho. Cheio de vida e inquieto. De maratona em maratona. Deus? A compaixão e a misericórdia encarnam o rosto de meu Deus. Assim como Elias o pressentiu na brisa leve, mais do que no furacão. Vivo e celebro essa experiência, em pequena comunidade. Conheci Champagnat por sua obra, por seus Irmãos maristas de carne e osso, com os quais partilhei muita vida. Busco a beleza escondida, na alma das pessoas e das pequenas coisas. No entanto, uma bonita fachada se torna imprescindível e muito agradável. Estou enamorado de minha profissão. Com ela sirvo a sociedade. No último natal, uns clientes e amigos escreveram-me na orla de um livro: “Obrigado, porque com teu trabalho e dedicação mudaste nossas vidas”.
Acaba de apresentar-nos o “Plano diretor” da recuperação que o Conselho Geral e a Província de l’Hermitage se propõem realizar, na propriedade e na casa em que repousam os restos mortais de S. Marcelino. Fizeram um boa maratona, até conceber e desenhar este Plano diretor!

Sim, acredito. Trabalho nele, desde 2004. Tudo começou com a união da antiga Província da Catalunha com as duas da França, resultando na atual Província de l’Hermitage. O Conselho Provincial

começou a estudar uma recuperação global dos lugares maristas: Nossa Senhora de l’Hermitage, La Valla, Le Rosey-Marlhes e Maisonettes. Convidaram-me para consultas. Comprometi-me. No verão de 2005, entreguei um esboço. O plano apresentado agora corresponde ao primeiro dos lugares, Nossa Senhora de l’Hermitage.

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O que é um Plano diretor, para um arquiteto?

Teoricamente, é um instrumento básico para ordenar e planejar. Consolida-se num documento. Em nosso caso, um denso expediente, que se refere a um terreno do município de Saint Chamond, no limite do Parc Naturel du Pilat e ao conjunto dos edifícios de Nossa Senhora de l’Hermitage. O processo de elaboração é rigoroso: estudar o histórico, clarificar idéias; estabelecer critérios e linhas mestras de atuação, de acordo com um programa de urgências. Estabelecer um calendário preciso e traçar um orçamento aproximado. Um bom Plano diretor economiza muitos recursos. É indispensável para o tipo de empreendimento que se pretende em l’Hermitage.
Quais são as características deste Plano Diretor de l’Hermitage?

As características foram traçadas com um Comissão Internacional de Irmãos, criada para isso, no período de 2003-2005. Uma vez que a Comissão definiu os procedimentos (le cahier de charges), o Plano estabeleceu sete objetivos:

Primeiro: Descobrir a memória histórica do lugar. Segundo: Ordenar as funções, de acordo com as necessidades da comunidade residente; daquela de hóspedes e a dos visitantes, no futuro. Terceiro: Reservar para a comunidade locais mais íntimos, tranqüilos e funcionais. Quarto: converter o “itinerário Champagnat” (primeiro piso do edifício histórico) num espaço de muita qualidade espiritual.

Quinto: racionalizar a circulação no interior dos edifícios e suprimir barreiras arquitetônicas. Sexto: Centralizar os serviços e as infra-estruturas (cozinha, depósitos, caldeiras, lavanderia, ofícinas). Sétimo: Prever vigamento e paredes, e dar ao conjunto um grau de conforto, adequado aos nossos tempos e sensibilidades, dentro de uma linha estética elegante e sóbria.

O plano determina alguns critérios a seguir, em nível de anteprojeto. Critérios funcionais de segurança, estéticos, de racionalidade econômica, na busca de soluções e na escolha de materiais. Trata-se de uma

seqüência de projetos complexos e que requerem muito trabalho.


Quais são as perspectivas para a realização desses possíveis projetos?

Perspectivas amplas e luminosas! Vejo vontade firme para levá-los adiante. Além disso, pelo que sei, essa reforma é pressuposto para um projeto de futuro do Instituto, importante e ambicioso, o Projet



Hermitage. Como leigo marista estou entusiasmado por participar dele. Um projeto que permitirá, na casa-mãe, uma experiência de vida comunitária nova, em nossa Província. Como profissional e técnico, vejo também um futuro promissor e, ainda que sinta a enorme responsabilidade, face a tão grande projeto arquitetônico, constato também a alegria que toma conta de todos os que estão metidos nele.
Quando começarão a redação?

Já iniciamos. O conjunto foi dividido em quatro projetos, mas complementares: o prédio principal ou histórico, construído, em parte, pelo próprio Champagnat, cuja origem é de 1825. “Le Rocher”, antigo escolasticado, de 1898; o conjunto eclético de construções denominado “Le Cèdre”, do século XIX e XX. Por fim, os espaços externos. Como vê, estamos trabalhando.


Em Barcelona?

Em nosso escritório de Barcelona, uma equipe desenvolve os projetos básicos (licença de construir). Ao mesmo tempo, formei outra equipe, técnica, inteiramente francesa, com arquitetos, engenheiros e economistas (equivalente à nossa equipe preparatória), técnicos de organização e de construção, segurança e saúde; e a equipe de supervisão (controle) com o escritório Veritas. Uma equipe ampla, de acordo com a legislação francesa. Há os técnicos independentes, a maioria de Lyon, dos quais eu serei a cabeça visível. Assumi com responsabilidade, mas com profunda alegria, que durante uns anos viajarei freqüentemente, pois minha vida estará dividida, entre as duas capitais.


Na preparação do Plano diretor, ouvimos que destaca uma série da valores que, como arquiteto, lhe chamam a atenção, nessa casa, nessa propriedade e em seus contornos. Pode explicar esses valores?

Como arquiteto, devo reconhecer, em primeiro lugar, que l’Hermitage, para mim cliente, tem um valor especial, por ser o ponto de partida de sua fundação, seu berço. Faz parte de seu patrimônio material e espiritual. Para atender meu cliente, preciso descobrir o que o lugar e a propriedade têm de especial. Em segundo lugar, já em termos mais tangíveis, saliento a localização isolada, dentro de um contorno muito humano, com elementos de grande valor natural e paisagístico.

Em terceiro lugar, observo que os edifícios mais antigos apresentam uma arquitetura muito elementar. Além disso, seu volume, relativamente importante, parece um tanto raro, dentro do pequeno vale, à margem direita do rio Gier. Essa disposição assimétrica dá dinamismo e leveza ao conjunto, porque o afasta dos cânones clássicos de ordenação. O fato de não obedecer a nenhum preceito interno de composição, diminui-lhe a harmonia, mas também livra-o da rigidez que imprimem os eixos simétricos, as jerarquias de relação e as proporções acadêmicas, teóricas, entre o vazio e o maciço. Em minhas intervenções, tenho muito mais liberdade para fazer ou desfazer, abrir ou fechar. Posso transgredir e cumprir facilmente os postulados de composição, por exemplo, da pintura cubista dos primeiros anos do século XX. Especialmente, quando se refere às fachadas do edifício histórico; dependerá de quanto quisermos modernizá-las.

“Le Rocher”, por outra, é mais acadêmico. Vê-se muito bem, a partir do campo de futebol, do caminho, junto ao rio.

Em quarto lugar, chama-me a atenção a topografia trabalhada e manipulada, com os edifícios maclados ou agrupados com a rocha esculpida, emergindo do chão como grandes cristais de minério. Destaco ainda - como ressonância do filme “O Grande Silêncio”, sobre a grande Chartreuse - a quietude da noite, quebrada apenas pelo murmúrio da água. Tudo me leva a descobrir, pouco a pouco, uma identidade. Uma arquitetura única para um lugar único.

Um Hermitage ideal!?

Nada disso. Um Hermitage muito real! Ele está um pouco mascarado (deformado). Recuperando certas fotos valiosas do conjunto, datadas do final do século XIX, suprimindo acréscimos supérfluos e acentuando contrastes, vou facilitar um encontro.


Com que, com quem?

O Irmão Seán, Superior Geral, não se cansa de repetir: “We have to reclaim the spirit of the Hermitage” (precisamos reencontrar o espírito de l’Hermitage). Para mim, arquiteto, esse é um pedido metafísico! Mas, assumo o desafio: na memória do Plano Diretor, assinalo no anexo de conteúdo ideológico que, quem entra, hoje, nesse conjunto, com certa sensibilidade, pode sentir o primeiro arquiteto de l’Hermitage, Marcelino. Entretanto, hoje é preciso de bastante sensibilidade e observação. É difícil de entender porque a história e o uso ocultaram e transformaram demais esse fato. Toda a equipe trabalha para que, nesse lugar, se possa redescobrir o Edifício, e com ele, seu Autor. Isso é, a obra de suas mãos, de sua coragem, de uma visão, de um loucura, de seu espírito. Ver a pedra cortada, trabalhada e convertida em edifício, onde, desde cedo, se “viveram” os primeiros passos, os primeiros conselhos, onde viveu e morreu o próprio Marcelino. Essa é minha resposta ao Irmão Seán: “Irmão, hoje há vida: sentir-se acolhido, “morar” em l’Hermitage será encontrar-se com a Vida, com o próprio Marcelino”. Convém que fique bem claro: não vou fazer uma arquitetura de cartão-pedra (mistura de massa, gesso e óleo secante), bonita mas vazia, sem espírito. Nem um museu. Em pleno século XXI, se você traz Marcelino dentro do coração, encontrá-lo-á em Sua casa. Vou simplesmente ajudá-lo, colocando os meios...


O que destacaria, em l’Hermitage, do ponto de vista paisagístico e ecológico?

O que apontava, há pouco. Hermitage, por sua colocação no fundo de um pequeno vale, não se destaca particulamente, nem pelo panorama, nem por horizontes abertos. O que seria um limite, do ponto de vista comercial, em nosso caso, é um valor acrescido. Nossa sociedade, hoje, é muito sensível à natureza. Aqui há um riacho de águas correntes, em meio à propriedade; cortes de pedreira; há horta e pomar cultivados; o bosque, ao alcance da mão; ausência de ruídos... Mensagens sem palavras que, contrastantes para os que chegamos da cidade, chamam nossa atenção. Quando você entra no âmbito de l’Hermitage, encontra o jardim perdido.



Qual é a impressão de um arquiteto, quando entra em l’Hermitage?

Distingo entre o lugar e a casa. Do lugar já falei. Entrar nela produz uma sensação de caos. É muito confusa. Há um motivo: O Hermitage constitui um conjunto de edificações que cresceu e se adaptou, sem um plano global, à medida que as necessidades aumentavam. Precisamos de quartos? Vamos construir quartos. Precisamos de uma capela. Construamos, pois, uma capela. Uma cozinha? Então vamos abolir esta e construamos outra. Assim, sucessivamente, houve acréscimos e modificações, segundo o espaço disponível. É difícil de entender o resultado, sem uma visão de conjunto. Aparecem barreiras arquitetônicas, degraus por toda parte, porque os níveis não coincidem. Há escadas que ficam pela metade do trajeto. A gente se pergunta: por que não continua até o andar térreo? Em meio a tudo isso, entretanto, descobre-se pedra e arquitetura de madeira, um pouco escondida. E eu me digo: aqui está algo genuíno, um valor estético a ressaltar, se possível.


Falou em estética. Como vibra a sensibilidade estética, num contexto histórico?

Para mim, a leitura da história, escrita nas pedras ou na madeira, produz nas pessoas uma profunda emoção, porque entra em ressonância com sua cultura e história. Disse, há um bom tempo atrás, em Las Avellanes: Não são as pedras que falam; é o coração que fala. Meus olhos escrevem a história. Por isso, é bom lembrar-se que uma pedra velha ou um edifício chamado histórico, em si mesmos não têm valor. Minha sensibilidade, num ‘contexto histórico’, na presença de um objeto, por simples que seja, vibra quando posso reconhecer nele a marca da inteligência e da expressão artística de quem o trabalhou. Nele, descubro a mim mesmo.


No caso concreto do Hermitage, como vibra sua sensibilidade?

A sensibilidade vibra diante da beleza. Um objeto, por simples que seja, que apenas tem o que precisa para cumprir sua missão, é belo. Olhe, por exemplo a escada de pedra, próxima à grande capela. Que beleza! E não há nada de especial! São degraus toscos, em pedra talhada… Essa escada é de 1835, ou seja, foi feita quando o Pe. Champagnat vivia! Quando ele e seus colaboradores começaram as construções que, ainda hoje, podemos ver, não estavam preocupados com estética. Solucionavam problemas funcionais com os meios da época e com os escassos recursos econômicos de que dispunham, sem agregar valores ornamentais ou decorativos. Construção funcional, cem por cento. São postulados que proporá a vanguarda arquitetônica do movimento moderno, na Europa, nos anos 30 do século XX. Imagine!

Eram práticos. Se no bosque havia árvores de oito metros de altura, eram cortados para produzir vigas de oito metros. E o edifício não será mais largo do que isso; nesse espaço se distribuem salas, corredor e quartos.O desafio, para nós técnicos de hoje, ao empreendermos um trabalho de reaproveitamento e de restauração, nesses contextos, é responder com sensibilidade às novas necessidades, com os materiais e a técnica de hoje, sem trair sua identidade. Alguns setores poderão ser retrabalhados; outros não, e será preciso derrubar.
Por exemplo?

Um, objeto de reclamação geral, em l’Hermitage, é a insatisfação que produz a fachada do edifício histórico, seu feitio rústico, sua côr cinzenta. Entretanto, na época, foi a melhor solução. Hoje, não serve. Ao lado, temos um edificio elegante e estilizado, “Le Rocher”. Então é preciso atuar buscando unidade, harmonia visual de textura e de côr.

Um segundo: o conjunto de prédios do “Le Cèdre” não ajudam em nada a compreensão do conjunto. Com sensibilidade intuo que, ao realçar os dois edifícios históricos, será preciso transformar, radicalmente, as pequenas construções do “Le Cèdre”.

Três: o pátio central é hoje um espaço pouco atraente que você abandona rapidamente. Proponho cobri-lo, a uma boa altura, com teto resistente, mas que permita a iluminação natural. É um espaço que, segundo minha sensibilidade, pode adquirir muita qualidade arquitetônica.

Quarto: O espaço, conhecido como “habitação do Pe. Champagnat”, foi remodelado, há poucos anos. É um local que desagrada quase a todos. Será um ponto a ser pensado, dialogado e trabalhado, em profundidade.

Quinto: A coluna de toaletes, em plena fachada principal, hoje em desuso, não precisa de comentários. E assim há outros...


O que pensa oferecer o arquiteto Puig-Pey aos maristas que, no futuro, vierem ao Hermitage?

Declaro-lhe minhas intenções e logo mais, poderei mostrar-lhe planos concretos. Farei do meu melhor para projetar sua casa de modo que encontre, aí, o SEU lugar. Uma casa que satisfaça suas necessidades físicas, intelectuais e espirituais. Como fazê-lo? Lançando mão, com empenho, de todo o meu saber e criatividade de arquiteto, de artista e da cooperação de toda a minha equipe. Método? Escutar e compreender necessidades. Em seguida, desenhar. Depois, na fase da ação, dirigir com humanidade e firmeza os aspectos compatíveis. Será importante contagiar, com meu entusiasmo, os colaboraradores, para que descubramos, todos, o essencial da casa. “Aquilo que só se vê com os olhos do coração”.


Marcelino Champagnat seria bom cliente para um arquiteto?

Seria um cliente difícil, exigente. Delimitar-me-ia perfeitamente o trabalho e exigiria um alto grau de compromisso. Seria, ao mesmo tempo, muito compreensivo.


E do ponto de vista espiritual? Ele que dizia “se o Senhor não construir a casa, em vão trabalharão os construtores”...

Para isso, efetivamente, o salmo 127…


Ainda recorda bem o salmo!?

Sim, sim. Tenho-o em meu escritório: Se o Senhor não constrói a casa, em vão trabalham os arquitetos. Tenho-o como referência: Nos momentos de dúvida, que são muitos, nos momentos de incerteza, essas palavras me convidam a levantar os olhos e a ter confiança de que não estou sozinho, que há alguém mais. Poder fazer esse gesto de humildade me humaniza. O arquiteto é tentado a endeusar-se. E sabe o que descubro? Quem é esse Senhor? Minha equipe, meus colaboradores! Uma obra arquitetônica leva minha marca pessoal, mas é trabalho de equipe. É neste sentido que eu interpreto as palavras se o Senhor não constrói a casa: o teu comentário, tua apreciação, teu talento, a contrariedade espressada, teu respiro e calor humano...; construir uma casa é obra de conjunto. Creio que Champagnat o tinha muito claro. Por isso, cada manhã, na obra, começavam o trabalho recitando-o. Não podia ser diferente!


Joan, desejamos que Marcelino continue formando boa equipe com você e com seus colaboradores, para que, um dia, possa oferecer-nos um Hermitage – santuário em que a arquitetura esteja a serviço da espiritualidade marista. Muito obrigado por sua colaboração e por suas respostas!




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