Lucas jannoni soares



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ANEXO

Museu Imperial de Petrópolis

Maço 180 – documento 8222

“Como se deve entender a nacionalidade na História do Brasil”


“Eis uma questão, d’alta transcendencia, preliminar á nossa Historia, e que desejáramos ver tratada sem prevenções, e discutida e esclarecida com o animo tão tranquillo e despreocupado, como temos o no ao inspirar-nos as ideias que passaremos a transcrever, depois de assentarmos bem quaes sejão reconhecidamente os dotes necessarios ao historiador.

No seculo actual ninguem poderá alcançar este titulo, sem que a um tempo seja erudito no Assumpto, philosopho, litterato, e até diriamos ás vezes, poeta. Expliquemo-nos.

Sem erudição no assumpto não existe materia de que escrever historia, ou a obra escripta, sem factos muito averiguados (por mais esmerada que seja a elocução), não poderá ser recebida, sobretudo dos estrangeiros, senão como uma novella ou romance provavel.

Mas se elle não é philosopho, isto é se não tem muito discernimento critico (para o qual se necessita luzes geraes dos conhecimentos humanos), se é levado pela paixão, maxime por impulsos menos nobres ou odio, ou de despeito, ou de vingança, se não é dotado de independencia de caracter, se não professa sãs maximas de politica e de sciencia do governo, applicaveis ao seu paiz, a sua obra será apenas uma chronica, mais ou menos bem escripta, e não poderá satisfazer á condição de ser, alem de testimunha do tempo passado, luz e guia para a marcha da nação á qual a historia dever não só ministrar exemplos de patriotismo e de governo, como apontar e censurar os erros e faltas commettidas no passado a fim de poupar ás gerações futuras o cair nos que já custarão tristes experiencias a outros.

Venha porem o homem mais erudito nos annaes historicos d’un paiz, e seja elle tão philosopho e estadista quanto se queira, poderá ainda escrever uma pessima historia, com que não ature um só leitor, se o desalinho da linguagem, e a incorrecção de frase a faz confusa, ou o que ainda é peor, se os ornatos pretenciosos, alheios tantas vezes á difficil facilidade que deve mostrar o estylo, a tornão desagradavel. Na narração historica o historiador deve, quanto possa, aproximar seu estylo do dos oradores da tribuna. – Cumpre ser correcto, puro, harmonico e tão elegante quanto possa, sem cair na affectação. Todo escripto historico depende de narração; e esta se acha submettida aos preceitos da unidade de verosimilhança, (pois verdades ha que mal contadas se tornão inverosimeis), e do interesse para todo leitor. Estes preceitos não forão conhecidos ou entendidos pelos dous chronistas do Rio de Janeiro, Pizarro e Balthazar, e por isso suas obras não tem quem as lêa.

Pelo que fica dito, obvia é a necessidade de que o historiador seja a um tempo erudito, philosopho, e litterato. Como porém exigir se a poesia na Historia, quando parece que a invenção d’aquella tão opposta é a verdade n’esta requerida.

Entendamo-nos. Exige-se no historiador algum genio poetico mas não para improvisar. A poesia, em sua acepção mais lata, tem por fim verdadeiramente a expressão do bello e do sublime, quer com a harmonia da palavra, quer com os sons da musica, quer com o pincel ou o cinzel, quer finalmente com as proporções architectonicas. Tem alma poetica todo o que é capaz de conceber e definir, por qualquer d’estas formas, o bello e o sublime; mas verdadeiramente, só é poeta o que, em logar de combinar os sons a manejar o pincel ou o cinzel, ou servir-se do esquadro (isto é, em logar de ser musico, pintor, esculptor ou architeto) domina a palavra, e a obra a moldar-se á sua concepção poetica. Factos ha tão sublimes na historia de todos os povos, paragens tão encancatoras em alguns paizes, como o nosso, acções tão bellas e generosas de alguns heroes, que o historiador que os não descrevesse poeticamente não interessaria o leitor, de um modo conveniente á propria verdade. Não poderá porém, por via de regra, ter todos os dotes de historiador um poeta, digamos assim, de profissão. A propria erudição historica que tem de colher, os aridos estudos de politica e legislação, a que deve dedicar, - não se coadunão com a impaciencia dos grandes genios criadores, e serião, só por si, capazes de suffocar muito estro a menos que o poeta não fosse d’esses privilegiados do Céo, como os Schiller e o D. Francisco Manueis, que reunião ao estro grandes dotes historiographicos. Deve pois, alguma vez que outra, o historiador sentir como os poetas, e expressar-se como elles, para poder desempenhar o seu mister.

Algumas imagens poeticas não só concilião ás vezes mais interesse, como dão á pintura mais verosimilhança.



Agora quanto à unidade tão essencial na narração, dá se ella, por notavel coincidencia, sempre, não só na historia dos povos, como até na da humanidade. N’esta ultima forma-a a tendencia da raça, e dos conhecimentos humanos ao aperfeiçoamento. – Na dos povos é vária, Tyro e Carthago viverão com a navegação e commercio, e sucumbirão ante as forças inimigas: a Grecia foi colonisadora, e perdeu-se com a conquista: Roma foi conquistadora, e deixou-se morrer quando lhe faltarão as guerras; - as republicas de Veneza e Genova florescerão com o commercio, e quase que só delle vivem ainda hoje essas duas cidades maritimas que deixárão de ser nações. A unidade de tres seculos e meio da historia do Brasil está symbolicamente representada, desde logo-depois do seu descobrimento, no haver este nome de Brasil prevalecido ao de Santa Cruz, quando o interesse prevaleceu ao principio religioso, que presidira ás vistas de D. João 1º, do Infante D. Henrique, e do chefe da expedição que primeiro avistou o monte Paschoal, e propoz para a terra toda o nome de Vera Cruz, E unidade de historia da civilização do Brasil encontra-se principalmente na tendencia passada (e presente) de augmentar o Estado e os particulares, cada qual para si, suas rendas. Os contratadores de pau-brasil no tempo do rei D. Manuel, os donatarios de D. joão 3º, a expedição do hypocrita Villegaignon, as conquistas Hollandezes, as tentativas diversas dos Francezes, as perseguições do Santo Officio, a rebelião dos Jesuitas no Uruguai, as imigrações dos Europeos para o Brasil quando pobres, e do Brasil pª Portugal, quando ricos, o trafico de escravos africanos, a servião dos indigenas, as explorações e colonisão dos certões de Minas, Goyás e Matto Grosso, - as guerras dos paulistas com a embuabas, o fabrico de assucar, a cultura do café, o abandono da do anil, tudo, tudo se explica pela cobiça, único mobil que tambem desde que se atenuárão as crenças religiosas tem, com pouca differença, dominado em geral nos povos da Europa, impellidos desde então mais pelos desejos de gozo material, que por fanatismos de religião ou de ambição de gloria. – É tam bem esse mobil o principal que tem impellido os Estados Unidos, fazendo-os chegar ao engrandecimento em que se achão, e que continuará a impellil-os até Deus sabe que gráo de prosperidade. Denunciando este facto longe está do nosso animo e intento de condemnal-o, e o querer, contra a natureza das cousas, que delle se corrija a nação, que, para seguir prosperando cumpre que, como os Estados Unidos, prosiga neste ponto consequente com o seu passado se não quer morrer (do que Deus a preserve). Isto sem detrimento de muitas reformas necessarias que se podem operar, educando e moralisando o povo (começando principalmente pelo clero, difficultando ao mesmo tempo as habilitações em excessivo numero nas faculdades de direito e Medicina) fomentando obras de utilidade e de arte, pois com estas se sublima o espirito, e procurando finalmente, por meios lentos, cautelosos e políticos, fazer, como se fez em Europa, que em seculos futuros, d’aqui a duas ou tres gerações (antes seria perder o Brasil) hão haja um só servo, nem bugres bravos, e todos venhão na patria a ser cidadãos.

Assim pois a verdadeira historia do Brasil reduz-se á da colonisação, civilização, organização e desenvolvimento deste Estado. – Ao patriotismo do historiador toca apresentar d’ella os factos com dignidade, evitando sobretudo continuar declamações malcabidas, que nada podendo aproveitar á geração actual, só servirião a delustrar-nos ante as outras nações. Ha verdades ácerca das quaes o historiador deve proceder como o dramaturgo, que esconde de traz dos bastidores o que julga conveniente á melhoria da sua producão. Sem faltar á verdade poderá algumas vezes o historiador calar acções (boas ou más) desnecessarias, segundo seu modo de ver. – E muitas vezes mostrará elle mais merito em saber calar, que tera tido em escrever uma de suas melhores paginas.



Verdadeiramente só data a moderna Historia do Brasil da distribuição da terra pelos donatarios: pois dos chamados indigenas, anteriormente, não na historia, senão noções ethographicas, e as expedições, desde Cabral até os donatarios, não passão de exploradoras ou guarda-costas. Dizemos que dos indigenas antigos não ha historia; e melhor talvez que não haja, pela mesma razão que parece que quiz Deus que não tenhamos a dos tempos heroicos do Antigo Continente. Essas historias, se as houvesse escriptas, serião sem interesse algum, pois quasi se reduzirião, monotonas, a um catalogo sem fim de sacrificios barbaros de gente, que, a cada duas leguas, estavão em guerra uns com outros, e cujos prisioneiros erão moqueados e devorados em bacchanicas saturnaes. E desgraçadamente quanto mais remontamos ao primitivo estado dos nosso Tupinambás, mais tropeços encontramos para os rehabilitar ante a civilização, á qual seguramente nunca terião chegado, sem os esforços, quasi excepcionaes, de abnegação, dos primeiros jesuitas, acompanhados mais ou menos dos constrangimentos da força, a se sujeitarem e a se civilisarem para cultivarem a terra, e serem uteis a si, ou a seus dominadores. De tudo quanto dizemos temos documentos que apparecerão em seu logar, e são elles que nos derão algumas convicções, que condenarão talvez esses pseudo-philantropos, que pretendem ensinar-nos doutrinas, pelas quaes passamos quando tinhamos a edade delles, como menos estudos, menos meditação e menos conhecimento pratico da triste humanidade e da vaidade humana.

A vista do que levamos exposto, confessamos que na Historia do Brasil, que temo entre mãos, não achamos, nem sequer decoroso sacrificar aos botocudos, asquerosamente pervertidos, que antes de Cabral havião conquistado este abençoado solo, o principio, apesar de egoista, civilisador, que organizou a actual nação brasileira. Crie o poeta, que exclusivamente o seja, suas utopias agradaveis; caten embora ao som da lyra, como o sublime Caldas (que aliás com justiça cnesura neste porte o Sr. Magalhães) os encontros da vida selvagem, sympathica com o que nella encontrar de bello, “exerce todas as suas “turpitudes”, diga que os conquistadores Tupis erão os verdadeiros donos da terra e chegue se for capaz, com o canto, a convocar os das mattas do Amazonas a virem outra vez tomar posse da bahia de Nicteroy, como Apollo convocava as feras. Porém nem em verso, nem em prosa, aventure que elles “são o instrumento de quanto o Brasil se tem praticado de util ou glorioso”, ou “que o dia de sua inteira rehabilitação será o da Corôa de nossa prosperidade”. Mais: cante seus heroismos satanicos, louve sua covarde resignação forçada, sua indolente improvidencia etc; mas tudo isso, como se costuma dizer por mera poesia (pois que á verdadeira poesia não é dado faltar á verdade); tudo isso para satisfazer á unica missão que ao poeta incumbe Horacio, de “Animis jurandis”. Porem como Historia nacional não; porque a Historia nacional deve ser a imagem da verdade historica apresentada da forma que, segundo a consciencia do historiador, interessa e convem á nação. Por ventura aspiramos nós a ser selvagens? Ou a render culto e vassalagem aos asquerosos sacrificios da anthropophagia? Só em tal caso se desculparia ao historiador o rehabilitar tal estado. Com um dos nossos mais sympathicos Amigos e dos primeiros poetas que tem dado a America, diremos pois que parte da poesia brasileira “está nos Indios”; - discordamos porém absolutamente em que nelles esteja nossa historia; - a historia da civilização do actual Imperio; o termos codigos, o termos cidades, o termos governo, o termos sociedade, o vivermos juntos, sem estarmos ás frechadas uns aos outros, o sermos cidadãos, o vermo-nos considerados na communhão das nações mais civilisadas do globo, e finalmente o termos a dita de possuir um Throno ocupado por uma das mais illustres dynastias do seculo, o Throno, digamol-o de passagem que na America do Sul, persequida quasi sempre de dictaduras, mostra a experiencia ser a melhor garantia de liberdade. A isso direis não são estranhos os descendentes dessas gentes que estavão senhores desta terra, e forão levados por motivos diversos, a abandonar a vida selvagem, e a refundir-se nas colonias christãs. Tendes razão: não são estranhos como muitos asseverão, sem terem examinado antes que fundamento tem para assentar suas proposições; os selvagens que se civilisavão concorrerão muito para povoar as colonias, para se encarnarem nellas por casamentos, para formar a nação; mas isso só depois que as mesmas colonias tinhão nucleos de christalisação formados com o sangue e a civilisação europea. Por tanto sômos na essencia nação, como o prova a lingua, de raça latina; como os Estados Unidos o são da saxo-normanda.

Isto é o que é verdade; e por tanto, só isto póde ser historia. Não existe no nosso povo nenhum Magnata que blasone de caboclo puro e nem se quer tem representantes conhecidos o heroe Camarão (Poty), e os chefes indigenas que ajudarão as fundações de Pernambuco, S. Paulo e Rio de Janeiro. Quanto mais pensamos e discutimos tal assumpto, mais nos reforçamos em nossas razões, - e vemos que a sair deste rumo com o fito mal entendido de sermos mais nacionaes, nos exporiamos não só a experimentar a incredulidade dos nossos patricios, que podião talvez duvidar da sinceridade de nossas opiniões, mas até á mofa dos estrangeiros.

A verdadeira nacionalidade brasileira de hoje nasceu antes da independencia , já existia no Arraial do Bom Jesus em Pernambuco, em frente do poder dos Hollandezes, e não era india; era crioula e christã, era por tanto, já há mais de dous seculos, brasileira. Foi essa nacionalidade a que alentou e eletrisou os corações dos que ficárão vencedores em Guararápes. – Esses que chamamos, incorrectamente, indigenas concorrião nella, não como typos, mas apenas absorvidos pela raça colonisadora. Tenhamos nós piedade de taes infelizes (muitos dos quaes ainda seguem hoje pelos bosques, tragando-se uns outros sem que nós lhe acudamos pondo côbro as suas torpezas), mas, até por dignidade nacional, não queiramos fazer originar delles as glorias da patria, por falsas pretenções talvez (para explicarmos por algum motivo mais nobre) de uma mais antiga nacionalidade, que acaba por ser subversiva de tudo quanto existe feito, - que destroe a nação de raça latina.

A humanidade gloria-se primeiro que tudo da civilisação, e fora tanta excentricidade ir hoje um Brasileiro blasonar de prender de um anthropophago, ainda quando disso tivesse provas, como o fôra na Euorpa ao inglez renegar seu sangue saxo-normando, para se proclamar descendente dos brutos bretões, que em sua ilha encontrou o conquistador Julio Cesar.

Nos Estados-Unidos, nessa nação que tantas vezes citamos por modelo no que menos podemos imitar, não encontraes hoje ninguem que se gabe de ser represetentante do sangue iroiquz ou Mohicano. – Os patricios romanos, com todo o seu orgulho nacional, não se davão por descendentes dos Ruttullos nem dos Etruscos. E o maior monumento litterario dos Romanos, a Eneida, foi escripto para perpetuar a procedencia de muitos delles dos penates colonizadores e conquistadores teucros (e por tanto estrangeiros) de que procedião os Latinos e Albanos. Cantar Eneas, e o

............................genus Unde Latinum

Albanique patres.....................................
foi o fim a que se propoz Virgilio. E isto, note-se quando as margens do Bosforo e o

“Campus ubi Troja fuit”
Já erão pelas vicissitudes humanas conquista de Roma e seus povos tinhão os fóros de cidadãos romanos.

Era quando assim succedia entre os pagãos, com quanta mais razão nós nação christã, devemos fazer proceder a nacionalidade nossa da civilisação e do christianismo, inoculados nesta terra por uma das nações mais heroicas da Europa de ha tres seculos e meio, cuja lingua fallamos, e cujos appellidos têem talvez, e não guaranis, os proprios que mais exaltão a salvageria, que, por fim de contas, ninguem pode sinceramente desejar ver de novo triumphante por mais que se adore a novidade: Começai primeiro por nos fallar em guarani, por transcrever em guarani vossas leis, por fazer, se sois capazes, que no Brasil todo se falle só o guarani, e chamai então á vossa vontade! Ainda então, a menos que não nos obrigeuis a não abjurar da fé, virá o christianismo a reclamar sua partilha na vossa ideada nacionalidade...



Temos exposto nossas idéas neste melindroso assumpto. Devemos a Deus o não sermos hypocrita, e com a fé e o amor á verdade que delle recebemos, não nos é possível deixar de submeter ao publico brasileiro, como preambulo da Historia do Brasil, estas nossas opiniões e de exclamar com todo o vigor d’alma: “Não, a nacionalidade brasileira actual e futura, não é neta da anthropophagia que a raça tupi havia trazido á nossa terra”. “


  1. Francisco Adolfo Varnhagen

1 Cf. Nilo Odalia. As formas do mesmo. Ensaios sobre o pensamento historiográfico de Varnhagen e Oliveira Lima. São Paulo: Editora Unesp, 1997. pp. 67-68. E cf. Lucia Maria Paschoal Guimarães. Debaixo da imediata proteção de sua MagestadeMajestade Imperial. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (1838-1889). Tese de doutorado. São Paulo: FFLCH/USP, 1994, 388 fls. pp. 240-241.

2 Nilo Odalia (Org.). Varnhagen. São Paulo: Editora Ática, 1972. (Coleção Grandes Cientistas Sociais), p. 8.

3 Cf. Temístocles Cézar. Varnhagen em movimento: breve antologia de uma existência. In: Topoi, v. 8, n. 15, jul.-dez. 2007, p. 159-207. p. 190.

4 Capistrano de Abreu. Necrológio. In_____. Ensaios e Estudos. (Crítica e História). 2ª ed. Rio de Janeiro/Brasília: Civilização Brasileira/Instituto Nacional do Livro, 1975. p. 87. Para uma análise da leitura de Varnhagen por Capistrano de Abreu confira: Fernando José. Atravessar o oceano para verificar uma vírgula: Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878) lido por João Capistrano de Abreu (1853-1927). Tese de doutorado. São Paulo: FFLCH/USP, 2007, 220f.

5 Cf. Oliveira Lima. Francisco Adolfo Varnhagen. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), São Paulo: IHGSP, Typographia do DiarioDiário Official, vol. 13, 1908. pp. 61-91.

6 Capistrano de Abreu, infatigável no trabalho de anotar a obra de Varnhagen, considerava que no futuro ela seria lida apenas por profissionais como um “dicionário de arcaísmos”. Sérgio Buarque, que ressalta a ambiguidade, atribui essa irritação de Capistrano a uma reação exagerada às opiniões de Varnhagen dirigidas ao trabalho de Southey. Sérgio Buarque de Holanda. Prefácio. In: Maria Odila da Silva Dias. O fardo do homem branco. Southey (um estudo dos valores ideológicos do império do comércio livre). São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974. p. XIII.

7 Cf. Varnhagen. Como se deve entender a nacionalidade na história do Brasil. MI, Maço 180, Doc. 8222.

8 José Honório Rodrigues. Varnhagen, mestre da História Geral do Brasil. In: _____. História e historiografia. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 1970. pp. 123-124.

9 Arno Wehling. Estado, história, memória: Varnhagen e a Construção da identidade nacional. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. pp. 110-111.

10 José Honório, contudo, associa essa continuidade ao caráter conservador da obra de Varnhagen. José Honório Rodrigues. Varnhagen, mestre ... op. cit. p. 128.

11 Cf. Manoel Salgado Guimarães. Nação e Civilização nos Trópicos: O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História Nacional in: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n. 1, 1988. P.5-27. p. 6.

12 Varnhagen. Correspondência Ativa. Clado Ribeiro Lessa (org.). Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1961. p. 245-247. O patriotismo de Varnhagen era resultado de uma escolha intelectual profunda. “Não se deve supor, contudo, que sua opção tenha sido puramente formal, pois como toda escolha de origem romântica ela engajava e compromissava a vida por inteiro. Seu patriotismo – em geral, compreendido de maneira tão canhestra – não era postiço, mas seu fundamento, sua razão de ser, está em ter sido uma opção intelectual.” Nilo Odalia (Org.). Varnhagen op. cit., p. 9. Para uma discussão das contradições do patriotismo de Varnhagen confira: Temístocles Cézar. Varnhagen em movimento... op. cit., pp. 187 e ss.

13 Arno Wehling. Estado, história, memória... op. cit., p. 186.

14 Varnhagen. Como se deve entender... op. cit.

15 Temístocles Américo Corrêa Cézar. L écriture de l’histoire au Brésil au XIXe siècle. Essai sur une rhétorique de la nationalité. Le cas Varnhagen. Tese de doutorado. Paris: École des Hautes Études en Sciences Sociales, EHESS, 2002. pp. 574-577.

16 Renilson Rosa Ribeiro. O destemido Bandeirante À Busca Da Mina De Ouro Da Verdade”: Francisco Adolfo De Varnhagen, O Instituto Histórico E Geográfico Brasileiro E A Invenção Da Idéia De Brasil Colônia No Brasil Império. Tese de doutorado. Campinas: IFCH/UNICAMP, 2009. pp. 347-349.

17 José Veríssimo. História da literatura brasileira: de Bento Teixeira (1601) a Machado de Assis (1908). 5ª ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1969. p. 200

18Cf. Apesar de ter por eixo uma problemática ideia de progresso da historiografia, ainda assim esse curso publicado do historiador da Revolução francesa, aponta de modo direto algumas das questões que buscamos levar em consideração nas mudanças sofridas pela historiografia no século XIX, como, por exemplo, o aperfeiçoamento das técnicas de pesquisa. George Lefebvre. La naissence de l’historiographie moderne. Paris: Flammarion, 1971.

19 Estevão Rezende Martins. Historicismo: o útil e o desagradável. In: Valdei Lopes Araujo...[et alli] (orgs). A dinâmica do Historicismo: revisitando a historiografia moderna. Belo Horizonte: Argvmentvm, 2008,pp. 26-27. Além disso, a interpretação, que Reinhardt Kosseleck articula para as transformações da historiografia moderna, sugere também dar especial atenção às modificações de sentido que o corte realizado pela Revolução Francesa operou no conceito de História. Cf. O futuro passado dos tempos modernos e também Critérios históricos do conceito moderno de Revolução. In: _____ Futuro Passado; contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Editora Puc-Rio/Contraponto, 2006.

20Fernand Braudel, Les Ambitions de L'Histoire. Paris: Éditions Fallois, 1997. p. 28. Não levamos em consideração aqui os amplos debates sobre o papel da escola do Annales na crítica e superação do historicismo, pois no sentido aqui apontado o vínculo necessário entre o presente e o passado na escrita da história, continuou tendo parte decisiva na reflexão histórica do movimento francês, pois as ideias de história problema, de combates pela história ou do papel das transformações sociais na constituição da visão de mundo dos historiadores representavam esforço continuado de reflexão sobre o papel e o fazer da história.

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