Lucas jannoni soares



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86 Manuel Salgado Guimarães. Nação e Civilização nos Trópicos: O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História Nacional. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n. 1, 1988. P.5-27. pp. 06-07.

87 Pedro Puntoni. O sr. Varnhagen... op. cit., pp. 652-653.

88 Karl Friedrich Martius, Como se deve escrever a história do Brasil. Originalmente publicado na “Revista Trimensal de História e Geografia” ou “Jornal do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, n. 24. Janeiro de 1845. A edição utilizada foi a presente na publicação conjunta com o texto sobre os direitos dos autóctones do Brasil Karl Friedrich Philipp von Martius, (1794-1868). O estado de direito entre os autóctones do Brasil. São Paulo/Belo Horizonte: Editora Itatiaia/EDUSP, 1982. pp. 87-89.

89 Cf. Lucia Maria Paschoal Magalhães. Debaixo da proteção... op. cit. p. 248.

90Francisco Adolfo de Varnhagen. Como se deve entender... op. cit.

91 Idem.

92 Idem.

93 Neste sentido, Varnhagen caminhava em direção oposta a da proposta de Martius no seu famoso artigo sobre a escrita da história da Brasil. Como veremos mais adiante, apesar de reconhecer o fato da existência dos índios e dos negros como parte incontornável da história do Brasil, Varnhagen buscou por todos os meios anular os efeitos desta presença na escrita da sua história de modo a enfatizar apenas o papel do português na construção da nação.

94 Francisco Adolfo Varnhagen. Memorial... op. cit. p. 394.

95 A crítica de autores vinculados às ideias indianistas enfatizava o caráter violento e assassino das propostas de Varnhagen, chegando mesmo a afirmar que a proposta de criar “bandeiras” para lidar com os índios era o equivalente a estabelecer “comissões de sangue” para garantir o extermínio dos índios brasileiros. Pedro Puntoni. O sr Varnhagen... op .cit., p.653.

96 Idem, ibidem.

97 José Bonifácio de Andrade e Silva. Projetos para o Brasil, organização Miriam Dolhnikoff. São Paulo: Cia. das Letras, 1998 (coleção Retratos do Brasil, n. 13). pp. 122-125.

98 Francisco Adolfo de Varnhagen. Como se deve entender... op. cit.

99 Frei Vicente do Salvador. História do Brasil – 1500-1627. 5ª ed. (revista por Capistrano de Abreu, Rodolfo Garcia e Frei Venâncio Wílleke, OFM). São Paulo: Edições Melhoramentos, 1965. pp. 58-59. Capistrano aponta o conhecimento de Varnhagen sobre a obra de Frei Vicente pelo menos desde 1872, e fez uso dela na História das Lutas – sem explicitar a fonte – e na revisão da II edição de sua História Geral do Brasil. Capistrano de Abreu. Nota Preliminar. In: idem, pp. 29-30.

100 Francisco Adolfo de Varnhagen. Como se deve entender... op. cit.

101 Esse tema foi recorrente no pensamento social brasileiro, principalmente na questão da escravidão, considerada o efeito mais danoso daquela cobiça. José Bonifácio já tecia críticas aos efeitos deletérios da escravidão na vida dos senhores e na constituição da nação brasileira. Ainda no XIX, Joaquim Nabuco, no Abolicionismo, vincula à escravidão a série de problemas que dificultam o progresso da sociedade brasileira. Já no século XX, Caio Prado Jr., na Formação do Brasil Contemporâneo retoma essa ideia ao defender que a escravidão era a razão para a inorganicidade da população livre e da ausência de valores políticos e morais bem assentados na sociedade brasileira.

102 Francisco Adolfo de Varnhagen. Como se deve entender... op. cit.

103 Líviston Frank Gonçalves, Varnhagen: idealizador de um projeto de nação. São Paulo, 2008. 147 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. p. 63.

104 O caráter fundador dessa obra âmbito da crítica literária brasileira é destacado por Antonio Candido, que, além disso, chama a atenção para a presença de elementos tipicamente românticos na visão de história da literatura de Varnhagen. “A sua cultura europeia e as longas estadas no Velho Continente familiarizaram-no, certamente, com o sentido histórico da crítica romântica dos alemães, ou de Villemain.” Antonio Candido. O metódo... op. cit., p. 20.

105 Idem. pp. 64 e ss.

106 Francisco Adolfo Varnhagen. Memorial... op. cit. p. 358.

107 Idem, p. 396.“Jornal do Commercio” n. 211.

108 “Num processo muito próprio ao caso brasileiro, a construção da ideia de Nação não se assenta sobre uma oposição à antiga metrópole portuguesa; muito ao contrário, a nova Nação brasileira se reconhece enquanto continuadora de uma certa tarefa civilizadora iniciada pela colonização portuguesa. Nação, Estado e Coroa aparecem enquanto uma unidade no interior da discussão historiográfica relativa ao problema nacional. Quadro bastante diverso, portanto, do exemplo europeu, em que Nação e Estado são pensados em esferas distintas Manuel Salgado Guimarães. Nação e Civilização... op. cit. p. 6.

109 Nilo Odalia observa que a chave para esta passagem encontra-se na vinda da família real em 1808, pois o processo de independência do país foi marcado pelo fato do Brasil, à época, ser cabeça do Império português. Esta circunstância frustrou, por um lado, os projetos de se criar no país um república nos moldes norte-americanos, mas, por outro lado, possibilitou a conciliação dos interesses dos grandes senhores de terras e escravos com o nascente aparelho de estado. As formas do mesmo – Ensaios sobre o pensamento historiográfico de Varnhagen e Oliveira Vianna. São Paulo: Editora da UNESP, 1992. pp. 27 e ss.

110 Havia divergências entre os membros do Instituto Histórico – a polêmica sobre o indianismo sobressaindo – porém de modo geral a questão para os membros do IHGB era que a nação real a ser construída continuasse a ser pautada pelos ditames oriundos da civilização europeia. Cf. Lúcia Maria Paschoal Guimarães. Debaixo da proteção... op. cit.. Varnhagen, em seu Memorial Orgânico, ironizava os indianistas exatamente por crer que estes não levavam até o fim a sua defesa dos índios, pois, em última instância, o direito da civilização sobre o Brasil estava assentado no direito de conquista, ora, como Varnhagen considerava os Tapuias invasores e não habitantes originais do Brasil, se eles tinham conquistado antes, agora perdiam para uma força superior na forma da civilização europeia. Memorial Orgânico... op. cit., pp. 393-394.

111 Nelson Schapochnik discute o papel de história e da literatura na formação nacional a partir das ideias de História como biografia da nação e da literatura como expressão da sociedade, o autor destaca que a principal preocupação dos homens de letras do período era “recolher e conservar” de modo a garantir subsídios para se escrever uma história nacional e fornecer assuntos e temas para a literatura. Letras de Fundação – Varnhagen e Alencar, Dissertação de Mestrado, FFLCH/USP, 1992. pp. 10 e ss.

112 Tal movimento de compreensão do próprio presente aparece como mais um sinal da modernidade da escrita de história de Varnhagen. “Mas o erudito que não tem gosto de olhar ao seu redor nem os homens, nem as coisas, nem os acontecimentos, [ele] merecerá talvez, como dizia Pirenne, o título de um útil antiquário. E agirá sensatamente renunciando ao de historiador”. Marc Bloch. Apologia... op. cit. p. 66.

113 Francisco Adolfo de Varnhagen. Como se deve entender... op. cit.

114 Idem.

115 Francisco Adolfo de Varnhagen. Memorial... op. cit., pp. 391-392.

116 Idem, p. 392.

117 José Bonifácio de Andrade e Silva. Projetos para... op. cit. p. 54.

118 Francisco Adolfo de Varnhagen. Memorial... op. cit., p. 398

119 Idem, p 399

120 Idem, p. 399.

121 Idem, p. 400.

122 Idem, p. 401.

123 Podemos perceber aqui, claramente, o antifederalismo de Varnhagen. Ele defendia de modo estrito o modelo de Estado centralizador, sediado no Rio de Janeiro, como o único capaz de garantir o desenvolvimento do país, restringindo os interesses locais e impondo o processo civilizador ao conjunto da nação, tanto aos pobres quanto aos mandatários locais. Cf. Arno Wehling. Estado, história... op. Cit. p. 33. Para análise dos projetos federalistas presente na construção do Estado Brasileiro cf. Miriam Dolhnikoff. O pacto imperial – origens do federalismo no Brasil. 1ª reimpressão. São Paulo: Editora Globo, 2007.

124 Francisco Adolfo de Varnhagen. Memorial... op. cit., p. 401.

125 José Bonifácio de Andrade e Silva. Projetos para... op. cit. pp. 47-48.

126 Idem, pp. 48-49.

127 Manuel Salgado Guimarães discute este movimento do pensamento historiográfico oitocentista, principalmente aquele produzido no e ao redor do IHGB, ressaltando o caráter iluminista da ideia de homogeneização e unificação do projeto de nação. “Ao definir a Nação brasileira enquanto representante da ideia de civilização no Novo Mundo, esta mesma historiografia estará definindo aqueles que internamente ficarão excluídos deste projeto por não serem portadores da noção de civilização: índios e negros. O conceito de Nação operado é eminentemente restrito aos brancos, sem ter, portanto, aquela abrangência a que o conceito se propunha no espaço europeu. Construída no campo limitado da academia de letrados, a Nação brasileira traz consigo forte marca excludente, carregada de imagens depreciativas do "outro", cujo poder de reprodução e ação extrapola o momento histórico preciso de sua construção.” Manuel Salgado Guimarães. Nação e Civilização... op. cit., p. 7.

128 José Carlos Reis chama a atenção para o fato de Varnhagen ser um historiador engajado na construção da identidade do Brasil. A nação brasileira precisava de um passado no qual se apoiar para poder prosseguir rumo ao futuro, contudo a elaboração desse passado seria foco de intensa disputa, o legado português para a nação brasileira poderia tanto constituir a base de seu desenvolvimento quanto significar o bloqueio a ser superado para a sua evolução. Se Southey, na sua História do Brasil, traçava quadro sombrio para o país, Varnhagen trataria de se opor e estabelecer uma visão daquele passado mais em acordo com os anseios de elite imperial sediada no Rio de Janeiro e do Imperador Pedro II. As identidades do Brasil I – De Varnhagen a FHC. 9ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. Pp. 25-27.

129 Francisco Adolfo de Varnhagen. Memorial Orgânico... op. cit., p. 358.

130 Luis Salgado Guimarães. Nação e .... op. cit. pp. 10-12.

131 Nelson Schapochnik. Letras de Fundação: Varnhagen e Alencar – projetos de narrativa instituinte. Dissertação de Mestrado, FFLCH/USP, 1992, 244 f. p. 24.

132 A continuidade política no processo de independência do país teve importância decisiva para a formação da historiografia brasileira, na medida em que estabeleceu como necessidade, conforme o Império sedimentava-se na sua forma monárquica centralizada, a integração da colonização como ponto central na articulação dessa escrita. A preocupação com o entroncamento entre escrita da história e unidade do país já aparecem, por exemplo, no primeiro “Discurso” do Cônego Januário da Cunha Barbosa na fundação do IHGB, no qual escrever a história do país e defender a glória da pátria eram entendidas como movimentos simultâneos. Temístocles Cézar. Lições sobre a escrita da história: as primeiras escolhas do IHGB. A historiografia brasileira entre os antigos e os modernos. In: Lucia Maria Bastos Pereira das Neves et alii. Estudos de Historiografia brasileira. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2011. pp. 95-96.. Tal circunstância permite-nos começar a determinar o lugar a partir do qual se realiza a produção do fazer do historiador do Império do Brasil, pois o seu lugar na sociedade participa da construção de sua obra. Cf. Michel de Certeau. A escrita da história. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008. Principalmente o capítulo A operação historiográfica. pp. 65-122.

133 O debate acerca da relação entre história e memória prioriza principalmente a distinção entre conhecimento científico e produção social ou coletiva da memória de uma sociedade ou povo. O papel exercido pela memória na escrita da história determina em grande medida as formas pelas quais o passado é apreendido, quais registros do passado devem ser lembrados. A partir do século XIX a produção da memória social ganhou cada vez mais amplitude: a criação de arquivos, o estímulo as comemorações dos fatos passados – estimulados pela Revolução Francesa -, a impulso na publicação de periódicos, enciclopédias, dicionários etc permitiram dar consistência científica às lembranças compartilhadas pelas sociedades ocidentais. Cf. Jacques Le Goff. História e Memória. 5ª ed. Campinas: Editora Unicamp, 2003. pp 457-459. A questão nacional ocuparia lugar central nessa evolução, pois ela estava vinculada à ação do Estado, principalmente nas regiões retardatários do ponto de vista da centralização de Estado no Continente Europeu ou em regiões recém-independentes como os novos Estados americanos. Os alemães, início do XIX, por exemplo, um povo fragmentado em diversos estados, produziram pensadores que tinham na relação Estado, nação e escrita a chave para o estabelecimento de uma prosa da história. Para Hegel sociedades históricas – diferentemente daquelas sem história ou primitivas – precisavam conciliar a “fundação do Estado e organização do poder político, introdução da escrita (sobretudo a escrita fonética do tipo alfabético) e instituição da prosa, atada às funções da memória.” Paulo Arantes. Hegel e a Ordem do Tempo. São Paulo: Editora Polis, 1981. p. 151. Para o caso particular Brasileiro Rogério Forastieri da Silva elabora tais questões articulando a ideia da história como “biografia da nação”, dando enfâse principalmente no esforço de reconstituição dos elementos da colonização que deveriam estar presentes na construção da história do Brasil. Colônia e nativismo – a história como “biografia da nação”. São Paulo: Editora Hucitec, 1997.

134 “É preciso que, transformado em história, [o passado] se torne objeto de interrogação e investigação de um profissional, o historiador. Dessa maneira, a historiografia interroga-se de maneira sistemática sobre as diferentes formas e maneiras de transforma-se o passado nesse objeto de investigação, materializado num conjunto de textos dados à leitura de uma coletividade como parte da construção identitária.” Manuel Luiz Salgado Guimarães. A disputa pelo passado na cultura histórica oitocentista no Brasil. In: José Murilo de Carvalho. Nação e cidadania no Império: novos horizontes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007 p. 97.

135 Apenas a imparcialidade estaria ausente do trabalho de Varnhagen, como aponta Temístocles Cézar, pois este manteria contínua mistura entre o subjetivo e o objetivo; contudo cremos ser possível pensar esta parcialidade como necessária ao sucesso da escrita de história do Brasil. Voltaremos a este assunto na análise da História Geral. Varnhagen em movimento: breve antologia de uma existência. Topoi, v. 8, n. 15, jul.-dez. 2007, p. 159-207.

136 Cf. Temístocles Cézar. Lições sobre a escrita op. cit. pp. 93-94.

137 Arno Wehling. Estado, História, Memória: Varnhagen e a construção da Identidade Nacional. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. p. 139.

138 Cf. Lucia Maria Paschoal Guimarães. Debaixo da Imediata proteção de sua majestade imperial o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838-1889). Tese de doutorado. São Paulo: FFLCH/USP, 1994.

139 Temístocles Cézar. Lições sobre... op. cit. p. 96.

140 O papel do Florilégio da Literatura Brasileira na obra de Varnhagen encontra-se apronfundado em Livínston Frank Golçalves. Varnhagen: idealizador de um projeto de nação. Dissertação de mestrado. FFLCH/USP. 147 f. 2008. Principalmente o capítulo 3. Francisco Adolfo de Varnhagen: A busca de uma literatura condizente com a “Grandeza” do Império.

141 Francisco Adolfo de Varnhagen. Correspondência Ativa. Clado Riberio de Lessa (org.) Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1961. p. 246.

142 A relação entre Varnhagen e o Cônego Januário já datava de alguns anos. O segundo tratara de introduzir e apresentar Varnhagen ao IHGB em 1840: “O auctor offerece os mencionados dous exemplares ao nosso Instituto Historico, que achará nelles, quanto a mim, apurada a verdade Historica da primeira época da Historia do Brasil, e são por isso de muita valia e estimação. O Sr. Varnhagen occupa-se ainda em procurar outros documentos da mesma natureza, egualmente interessantes á nossa Historia. Devemos esperar de seu talento e grande actividade que continue a prestar ao Paiz do seu nascimento importantes serviços deste gênero. (...) Cabe aqui referir a V. S.ª que o Sr. Varnhagen descobriu, o anno passado, na sachristia do Convento da Graça, em Santarem, o jazigo de Pedro Álvares Cabral, de que não havia memória escripta, nem tradicional. Está em sepultura raza com uma loisa simples de treze palmos de comprido, com meia largura, e o seguinte epitaphio em gothico florido (vulgarmente assim dito). Apud: Renilson Rosa Ribeiro. O destemido Bandeirante... op. cit, p. 132.

143 Cf.Temístocles Cézar. Quando um manuscrito torna-se fonte histórica: as marcas de verdade no relato de Gabriel Soares de Sousa (1587). Ensaio sobre uma operação historiográfica. História em Revista, Dossiê Historiografia, UFPel, 6, dez. 2000, p. 37-58.

144 “Para Varnhagen, o relato de Gabriel Soares confirmava aquilo que considerava ser o caráter covarde de todos os povos indígenas, o que justificava as represálias violentas por parte de colonos e de autoridades, política essa sancionada pelo historiador em várias ocasiões.” John Manuel Monteiro. Unidade, diversidade e a invenção dos índios: entre Gabriel Soares de Sousa e Francisco Adolfo de Varnhagen. Revista de História 149 (2º - 2003), 109-137. p. 128.

145 Francisco Adolfo Varnhagen, Correspondência ... op. cit.. p. 39.

146 Idem, p. 42.

147 “Seus colegas do Instituto Histórico, principalmente o Visconde de São Leopoldo, Ataíde Montocorvo e o Cônego Januário, grande amigo e entusiasta do sorocabano, incitavam-no também à historiografia, dirigindo-lhe o rumo da inteligência investigadora para os estudos que vieram a constituir a ocupação predileta de sua fecunda existência.” Clado Ribeiro de Lessa. Vida e obra de Varnhagen. In: RIHGB, vol. 224, jul-set, 1954. p. 117. Capistrano, apesar da admiração inicial por Varnhagen, acusaria mais tarde este estímulo pelo desvio da trajetória do historiador: “A culpa é do Instituto. Ele pretendia escrever, não uma história, mas uma geografia do Brasil. Começou a mandar cópias de documentos para a nova associação, e acharam tal apreço, que começaram a dizer-lhe que só ele seria capaz da obra, e ele deixou-se levar, mas nunca se lavou inteiramente do pecado original seu espírito formado em outras disciplinas.” Apud idem, p. 144.

148 Raymundo José da Cunha Mattos. Verdades offerecidas aos brasileiros por hum verdadeiro amigo do Brasil. Paris: Impremerie A. Boucher, 1825. p. 8. Neste sentido, ele não foge a tópica tão recorrente de crítica à estagnação da vida cultural portuguesa, no âmbito da ideia geral de decadência tão marcante entre os intelectuais portugueses, e que seria retomada ao longo de todo o século XIX.

149 Temístocles Cézar. Lições sobre... op. cit. p. 111.

150 Esse era um tópico nas discussões sobre a situação cultural do Brasil no XIX. Em sua biografia sobre Varnhagen, Celso Vieira, ao defender Varnhagen da acusação de ser mero descobridor de documentos, procura ligar os limites da obra de Varnhagen não aos dotes do historiador e sim ao fato de no Brasil haver “cultura incipiente, e sem os muitos séculos de evolução que têm atrás de si a França, a Alemanha e a Inglaterra.” Cf. Celso Vieira.. Varnhagen. O homem e a obra. Rio de Janeiro: Alvaro Pinto,1923. p. 25.

151Raymundo José da Cunha Mattos. Dissertação acerca do sistema de escrever a história antiga e moderna do Império do Brasil. Revista do IHGB, Rio de Janeiro, n. 26, p. 121-143, 1863. pp. 127-129.

152 Valdei Lopes de Araújo observa que Cunha Matos acabou preso a uma concepção tradicional da definição do período histórico que reduzia a cronologia a mera divisão de marcos temporais, tal concepção opunha-se a uma concepção moderna que vinculava a definição do período histórico a partir de lógicas internas e do estabelecimento de uma identidade. Cf. A experiência do tempo – conceitos e narrativas na formação Nacional brasileira. São Paulo: Editora Hucitec, 2008. p. 172 e ss. Este obstáculo não impedira Varnhagen, que havia estabelecido como questão central para a sua história geral não a evolução particular de cada uma das partes do Império e muito menos a superação dos resquícios coloniais e sim a “progressiva civilização” das partes do Brasil pela ação colonizadora portuguesa.

153 A concepção de separação entre o trabalho de levantamento documental e elaboração da exposição da história pairava sobre os historiadores do XIX, principalmente nas regiões nas quais o avanço da cultura dos arquivos e da organização da memória social em geral apareciam para seus historiadores como atrasada. Herculano, na Advertência de sua História de Portugal dizia que, adiantando-se a possíveis críticas aos problemas de seu trabalho, que o historiador da história de Portugal deveria ser tudo: paleógrafo, viajante, bibliógrafo etc. e se houver necessidade de responsabilizar alguém pelos problemas: “a culpa é de quem pretende que o arquiteto dê a traça do edifício e carreie para ele a pedra e o cimento.”. Alexandre Herculano. História de Portugal. 1846, Advertência

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