Lucas jannoni soares



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Formação do Brasil Contemporâneo – colônia. 24ª reimpressão. São Paulo: Editora Brasiliense, 1996. p. 27.

223 Helena Miranda Mollo observa que a “introdução geográfica” respondia também à necessidade de vincular a História Geral do Brasil à perspectiva tradicional na qual a síntese histórica deveria ser precedida pela geografia, pois “a localização do território, a dimensão, para que, então, se elabore o discurso da passagem do passado imemorial para a história, com a transformação do espaço em território”. História Geral do Brasil: entre o espaço e o tempo. In: Wilma Perez Costa e Cecília Helena de Salles (orgs). De um império a outro: formação do Brasil: séculos XVIII e XIX. São Paulo: HUCITEC/FAPESP, 2007. pp. 99-118. p. 108. Para uma visão geral do papel da geografia no Brasil oitocentista. Cf. Temístocles Cézar. A geografia servia, antes de tudo, para unificar o Império. Escrita da História e saber geográfico no Brasil oitocentista. Ágora (UNISC), Santa Cruz do Sul - RS, v. 11, n. 1, p. 79-99, 2005. A questão geográfica permaneceria fundamental para a historiografia brasileira na primeira metade do século XX, Caio Prado Jr., por exemplo, pensava as rotas das boiadas que cortavam o território colonial no século XVIII como o primeiro elemento de entrelaçamento da “população brasileira que doutra forma permaneceria segmentada em núcleos estanques, e que por isso tem um papel de primeira ordem na unidade do país e na sua formação e evolução.” Caio Prado Jr. Formação do... op. cit. p. 234.

224 Varnhagen, HGB, 1877, p. 15.

225 “Num processo muito próprio ao caso brasileiro, a construção da ideia de Nação não se assenta sobre uma oposição à antiga metrópole portuguesa; muito ao contrário, a nova Nação brasileira se reconhece enquanto continuadora de uma certa tarefa civilizadora iniciada pela colonização portuguesa. Nação, Estado e Coroa aparecem enquanto uma unidade no interior da discussão historiográfica relativa ao problema nacional. Quadro bastante diverso, portanto, do exemplo europeu, em que Nação e Estado são pensados em esferas distintas.” Manuel Salgado Guimarães, Nação e civilização... op. cit. p. 06.

226 Confira François Châtelet (org.). O Iluminismo. Lisboa: Editora Dom Quixote, 1983 e Cf. Francisco José Falcon.. Iluminismo. São Paulo: Editora Ática, 1989. p. 62.

227 O misto de fascínio e repulsa que as matas e o sertão causavam nos românticos do XIX é apenas um dos sintomas dessa situação. A oposição litoral-sertão, gradativamente, iria ganhando forma no pensamento políticos e social brasileiro.

228 Podemos pensar aqui, a partir do trabalho de Dora Shellard Correa, na paisagem como uma representação, submetida aos desígnios de quem a descreve. Segundo a autora: “Nesse sentido, nas descrições de paisagens podem ser encontrados elementos da realidade ao mesmo tempo em que se oculta um mundo que se estranha e não se consegue ou não se quer ver.” Paisagens sobrepostas. Índios, posseiros e fazendeiros nas Matas de Itapeva (1723-1930). Tese de doutoramento, FFLCH/USP, 1997. p. 17.

229 Varnhagen. HGB, 1877, p. 31.

230 Seguimos aqui as sugestões de Paul Ricouer quanto às possibilidades de se configurar uma temporalidade própria ao discurso histórico vinculado à construção de significados para os fatos, pois “continuidade/descontinuidade, ciclo/linearidade, distinção em períodos ou eras” tendem a se impor quando passamos a indagar a produção do conhecimento histórico. A memória, história e o esquecimento. Campinas: Editora Unicamp, 2007. pp. 165 e ss.

231 Varnhagen, HGB, 1877, p V.

232 Francisco Adolfo de Varnhagen. Como se deve... op. cit.

233 Varnhagen, HGB, 1857, pp. 22-24.

234 Francisco Adolfo de Varnhagen. Memorial Orgânico – Offerecido á nação. In: Guanabara – Revista mensal, artístiva, scientifica e litteraria Tomo I Dirigida por: Joaquim Manoel de Macedo, Antonio Gonçalves Dias e Manoel de Araújo Porto-Alegre. Rio de janeiro: Paula Brito, impressor da casa Imperial. Dez/1851. p. 401.

235 Karl F. Martius. Como se deve... op. cit., p. 96.

236 A ideia de colonização, segundo a definição de Marc Ferro, possui no Ocidente dois momentos centrais. O primeiro, no qual colonizar compreendia principalmente a ocupação de territórios estrangeiros por colonos, data da antiguidade greco-romana. A segunda, compreendida no sentido de ocupação, domínio e exploração mercantil a colonização data da Época Moderna e ligava-se à expansão dos Estados Modernos Europeus. História das Colonizações. São Paulo: Cia das Letras, 1996. pp. no século XIX, os debates sobre o caráter da ação dos europeus no Novo Mundo na Época Moderna encontrava eco em obras como a do francês Leroy-Beaulieu, Paul. De la colonisation chez les peuples modernes. Paris: Guillaumin, 1882. Inspirado em leituras de Adam Smith e Wilhelm Roscher – escrita em 1848 e voltada à discussão das colônias, da política colonial e da emigração para o novo mundo - discutia o caráter da ocupação territorial tendo como ponto de partida a relação de subordinação completa da colônia à metrópole – manifestada pelo pacto colonial – e pela condição de contínua minoridade das colônias face ás suas metrópoles.

237 Fernando Novais. Colonização e sistema colonial: discussão de conceitos e perspectiva histórica. In: _____. Aproximações. Estudos de história e historiografia. São Paulo: Cosac Naif, 2005. pp.27-28.

238 Caio Prado trabalha com diversos matizes do termo “colonização”, nos 30 anos da aventura da Ásia o termo não envolvia mais do que a fundação de feitorias; a associação entre comerciar e povoar viria somente com a expansão dos interesses portugueses para a América. Cf. Caio Prado Jr. Formação do Brasil Contemporâneocolônia. 24ª reimpr. São Paulo: Editora Brasiliense, 1996. p. 24.

239 Varnhagen, HGB, 1854, pp. 26-27.

240 Idem, p. 26.

241 Francisco Adolfo Varnhagen. História Geral do Brasil. 4ª ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1948. p. 123.

242 Certas figuras individuais desempenhariam papel decisivo para o progresso ou para o recuo da civilização do Brasil. O caso de Martim Afonso era um deles, exemplificando um caso de sucesso no avanço das condições de civilização do Brasil. Américo Vespuccio, que abandonou o serviço da corte portuguesa em virtude de desentendimentos acerca de estímulos e reconhecimento, representa o outro lado da questão, pois para Varnhagen sua ausência significava diminuição no potencial de ação colonizadora no seu conjunto. HGB, 1854, p. 107. O destaque dado àqueles homens não obedecia apenas ao desejo de Varnhagen de estabelecer uma galeria de heróis, também era importante destacar as personagens centrais da introdução dos vetores civilizacionais na colônia.

243 Varnhagen, HBG, 1854, p. 138. Secção XI – Crônica primitiva das seis capitanias, cuja colonização vingou.

244 Varnhagen, HGB, 1854, p. 43.

245 A questão do caráter da ocupação territorial da colônia portuguesa na América, anota Lígia Osório, tem sido alvo de debates desde o século XIX. A ambiguidade das doações realizadas pelos reis portugueses – que doavam o usufruto e os benefícios, mas não a terra – abria campo para as divergências sobre as interpretações possíveis da relação entre os colonizadores portugueses e suas terras. Terras devolutas e latifúndio. Efeitos da Lei de 1850. 2ª ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 2008. pp. 35-36. Para nossos fins interessa apontar a descrição que Varnhagen faz dessa relação pois, apesar de nomear de feudais aquelas relações, sua descrição avança no sentido de conceber a modernidade da posse da terra, ligada a questão comercial e econômica. Sem prejuízo de vincular esta mesma propriedade a formação da aristocracia colonial.

246 Varnhagen, HGB, 1854, p.60.

247 Idem, p. 72.

248 Idem, p. 71.

249 Varnhagen sintetizava o problema na seguinte afirmação: “A colonização [caso as terras fossem dadas em menores proporções] não teria disseminado tanto (chegando ás vezes a perder-se), e houvera sido mais profícua, e dado resultados mais prontos; e o governo poderia ter guardado um novo cofre de graças, para recompensar feitos pelos abastados do commercio que aspirassem a satisfazer a tendência existente no coração humano de vincular, para seus sucessores, as fortunas adquiridas. – Com doações mais pequenas, a colonização se teria feito com mais gente, e naturalmente o Brazil estaria hoje mais povoado – talvez – do que os Estados Unidos: sua povoação seria por ventura mais homogênea, e teriam entre si as províncias menos rivalidades, que, se ainda existem, procedem das taes grandes capitanias.” Varnhagen, HGB, 1854, p. 69. Gilberto Freyre ironizava esta crítica de Varnhagen, afirmando que o autor “é sempre de um simplismo infantil quando deixa a pura pesquisa histórica pela filosofia da História”. Casa Grande & Senzala – Formação da Família Brasileira sob o Regime da economia patriarcal. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1978. p. 243-244, nota 7.

250 Idem, p. 69-70.

251 Em o Mito do latifúndio, Vera Ferlini chama a atenção para a associação que os pensadores do XIX fariam entre o latifúndio – como grande propriedade privada e amparada por uso de capital extensivo – e as grandes extensões de terra distribuídas no período colonial. Tratava-se de estabelecer raízes antigas para um processo, o estabelecimento das bases da propriedade privada burguesa da terra, que era próprio do século XIX. In: Vera Lucia Amaral Ferlini. Açúcar e colonização. São Paulo: Alameda, 2010. pp. 211-232.

252 Cf. Lígia Osório Silva. Terras Devolutas ... op. Cit. pp. 15 e ss.

253 Apud: Clado Ribeiro de Lessa. Varnhagen vida e obra. RIHGB: p. 264. Varnhagen enviou cópias deste texto para o Imperador e republicou, em 1860, na Coleção de Leis, regulamentos e terras organizada por J. M. P. de Vasconcelos. Cf. Hans Horch. Francisco Adolfo... op. Cit., pp. 182-184.

254 Idem, p. 267.

255 Varnhagen, HGB, 1854, p 71.

256 Varnhagen, HGB, 1877, p. 142.

257 Caio Prado Jr, observando a dinâmica da colonização portuguesa naquilo que lhe era essencial, levaria ao limite o papel do comércio na formação da colônia brasileira, definindo-a como uma plataforma de produção para exportação. Formação... op. Cit., pp 30-32. Varnhagen, buscando preservar a positividade da colonização portuguesa procura nuançar essa tendência transformando o comércio em instrumento da introdução da civilização no Brasil. Gregório de Mattos, poeta que desagradava sumariamente a Varnhagen, escrevia já no XVII sobre a máquina mercante que, segundo Alfredo Bosi, definia por metonímia, toda a engrenagem comercial da colônia. Dialética da op. Cit., p. 26.

258 O hábito de se fumar tabaco, o consumo de milho e de mandioca – além de suas farinhas, palavras como Coivará, mingau etc. todos sinais de absorção de certos costumes indígenas pelos portugueses. Varnhagen, HGB, 1854, p. 249.

259 Idem, p. 173.

260 Francisco Adolfo de Varnhagen. Memorial... op. cit., p. 393.

261 Idem, pp. 179-180.

262 Laura Nogueira Oliveira. Os índios bravos e o sr. Visconde: os indígenas brasileiros na obra de Francisco Adolfo de Varnhagen. Dissertação de Mestrado. São Paulo: FFLCH/USP, 2000 186 fls. p. 83.

263 Varnhagen, HGB, 1854, p. 180.

264 Idem, ibidem.

265 José Bonifácio. Projetos para o Brasil. Miriam Dolhnikoff (org.). São Paulo: Cia das Letras, 1998. pp. 52-53.

266 Cf. Nelson Schapochnik. Letras de Fundação: Varnhagen e Alencar – projetos de narrativa instituinte. Dissertação de Mestrado. São Paulo: FFLCH/USP, 1992, 244 fls., pp. 107 e ss.

267 “A lição dos fatos consiste em amalgamar-se o resultado da experiência histórica da colônia aos imperativos e conquistas da ciência européia, de modo que possa conduzir o país em direção ao paradigma escolhido, a sociedade européia.” Nilo Odalia, As formas do... op. cit. p. 22.

268A discussão sobre os problemas da formação da identidade política brasileira já acumula diversas contribuições, para um levantamento e problematização destas confira. Robert Rowland, A construção da identidade nacional no Brasil independente in: István Jancsó (org.), Brasil: formação do Estado e da Nação. São Paulo/Juí: HUCITEC/UNIJUÍ, 2003.

269Carta ao Imperador Pedro II, MI, M. 120 - Doc. 6036.

270Francisco Adolfo de Varnhagen, Como se deve entender.. op. cit.

271Raoul Girardet, Autour de l'Ideologie Nationaliste - perspective de recherche. Revue française de science politique, année 1965, vol. 15, num 3. p. 427.

272Benedict Anderson, Comunidades Imaginadas- Reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Cia das Letras, 2008.p. 130

273Idem, ibidem, p. 107.

274 No caso francês, modelo por excelência da construção nacional, os problemas atinentes ao desenvolvimento do nacionalismo – e com isso das ideias de nação e nacional – não eram poucos, principalmente em virtude da dificuldade de se circunscrever a ambiguidade do tema. Cf. Raoul Girardet. Pour une introduction à l’Histoire du Nationalisme Français. Revue française de science politique, Année 1958, Volume 8, Numéro 3. pp. 505 – 528. p. 508.

275 Sérgio Campos Matos. Historiografia e Memória nacional. 1846-1898. Lisboa: Edições Colibri, 1998. pp. 236.

276 Idem. pp. 237 e ss.

277 Nilo Odália. As formas... op. cit. p. 72.

278 Sérgio Buarque de Holanda. Intervenção. IEB-USP. Anais do I Seminário de Estudos Brasileiros. Apud. Lúcia Paschoal Guimarães. Debaixo da proteção... op. cit., p. 22.

279 Varnhagen, HGB, 1857, p. 436.

280 Obviamente não se trata aqui do conjunto da população do país e, sim, daqueles que estavam empenhados na construção do Estado Nacional. A referência ao desejo de possuir uma história nacional inspira-se na adaptação que Antonio Candido faz do título do livro de Julien Benda Esquisse d'une histoire des Français dans leur volonté d'être une nation. Paris: Gallimard, 1932 para uma “história dos brasileiros no seu desejo de ter uma literatura”. Formação da Literatura Brasileira (momentos decisivos) – 1º volume (1750-1836). 8ª edição. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Editora Itatiaia Limitada, 1997. p. 25.

281 Os problemas centrais da reflexão sobre a independência tenderiam a girar ao redor das questões da continuidade ou descontinuidade das influências portuguesas e no estabelecimento do estado independente baseado na casa de Bragança e garantidor de um centro de decisão política no interior do território americano. Wilma Perez Costa. A independência na historiografia brasileira. In: István Jancsó (org). Independência: história e historiografia. São Paulo: FAPESP/HUCITEC, 2005. p. 53.

282 O confronto entre os movimentos de emancipação da América portuguesa e da América espanhola tema quase centenário na historiografia brasileira, centrou-se principalmente na oposição entre a manutenção da unidade da primeira e a fragmentação da segunda. István Jancsó. Independência, independências. In: mesmo. Independência... op. cit. pp. 19 e ss. Como veremos adianta, a manutenção da unidade da América portuguesa, antes de sua comparação com o mundo hispano-americano, configurava-se em ponto nodal para a obra de Varnhagen.

283 Florestan Fernandes. A sociedade escravista no Brasil. in: mesmo. Circuito Fechado: quatro ensaios sobre o poder institucional. 2ª ed. São Paulo: Editora Hucitec, 1977. p. 47.

284 Caio Prado Jr. Evolução Política do Brasil e outros estudos. 8ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1972 [1933]. p. 43. Ampliando a análise daquele autor, Fernando Novais e Carlos Guilherme Mota procuram refletir a independência dentro do quadro estrutural de crise geral do Antigo Sistema colonial, e mais ainda, tendo como ponto de chegada do processo da independência a abdicação de D. Pedro I em 1831. A independência política do Brasil. São Paulo: HUCITEC, 1996.

285 José Honório Rodrigues. Independência: revolução e contrarrevolução. Evolução política. Volume I. Rio de Janeiro/São Paulo: Francisco Alves/EDUSP, 1975-1976. Prefácio.

286 Idem. P. 170.

287 Sérgio Buarque de Holanda analisa a herança colonial do ponto de vista da transformação das relações políticas, sociais e econômicas do Império, oferecendo uma análise que, diferentemente dos autores citados, opera fora da ideia de “julgar” o passado, procurando enfatizar as mudanças ocorridas na sociedade brasileira que permitiram compreender o surgimento da nação brasileira como um processo, portanto, sujeito a contradições. A análise de Sérgio Buarque aprofunda o desafio de se escrever uma história do Brasil capaz de conciliar a função política da escrita da história com a busca pela fidelidade a reconstituição do passado. Pois, apesar de seus compromissos políticos progressistas, não temia em afirmar, na conclusão de seu trabalho, o fato de haver ocorrido, entre 1808 e 1831, uma “fecunda transação – não se queira muito mais – entre o nosso passado colonial e as nossas instituições nacionais”, fundamentada nas transformações oriundas da descolonização do país realizada durante o governo de d. Pedro I. O Brasil Monárquico, vol. 03. O processo da independência. 4ª ed. São Paulo/Rio de Janeiro: Difel, 1976. Principalmente o capítulo 1 – Herança colonial e sua desagregação pp. 09-39.

288 Cf. Alexis de Tocqueville. O antigo regime e a revolução. 3ª ed. São Paulo: HUCITEC, 1989. Principalmente a terceira parte.

289 Zevedei Barbu. Apresentação. p. 18. In: Idem.

290 Paul Ricoeur. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Editora Unicamp, 2007. pp. 165 e ss.

291 Varnhagen, HGB, 1877. p. V. Marcelo Gantus Jasmim, tratando da forma pela qual Tocqueville pensava o ofício do historiador, traça algumas considerações interessantes para se pensar que tipo de afinidade Varnhagen nutria pelo escritor francês: “Para Tocqueville, cabe ao historiador julgar os fatos e as épocas não só para discriminar a relevância destes na compreensão do processo histórico como também para exercer uma liberdade moral que deve ser constitutiva do pragmatismo da historiografia. Diferentemente do narrador que procura ausentar-se sob sua narrativa, Tocqueville exige do historiador a sua opinião sobre o que narra e o seu juízo acerca das ações e dos agentes do passado. Esta é a dimensão do “espiritualismo” que não pode ser oculta sob o risco do narrador torna-se mero reprodutor de fatos, um cronista e não um historiador”. Alexis de Tocqueville. A historiografia como ciência política. 2ª ed. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: IUPERJ/Editora UFMG, 2005. p 212.

292 José Carlos Reis discute essa continuidade a partir da ideia de formação da identidade nacional, mas a vincula à manutenção de uma identidade estritamente portuguesa, sobrepondo-se a uma possível identidade negra ou índia. O problema reside justamente na nuance entre a manutenção de uma identidade portuguesa e a construção da identidade nacional brasileira tendo por base a herança portuguesa, as “linhas de continuidades” não poderiam ser tomadas como totalizantes do novo caráter nacional sob o risco de se perder a especificidade do caráter brasileiro. As identidades do Brasil. De Varnhagen a FHC. 9º ed. Ampliada. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. p. 31.

293 Varnhagen, HGB, 1877a, p. VI.

294 A organização dos eventos demandava do historiador cientista, estivesse ele consciente disso ou não, uma série de questionamentos sobre os elementos unificadores do discurso histórico. José Carlos Reis. História & Teoria: historicismo, modernidade, temporalidade e verdade. 3ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. p. 37. Michel de Certeau, retomando as lições de Raymond Aron, também procura demarcar a presença subterrânea de filosofias e sentidos externos aos fatos históricos na obra dos historiadores do XIX: “Os fatos históricos já são constituídos pela introdução de um sentido na “objetividade”. Eles enunciam, na linguagem da análise, “escolhas” que lhes são anteriores, que não resultam, pois, da observação – e que não são nem mesmo “verificáveis”, mas apenas “falsificáveis” graças a um exame crítico. A “relatividade histórica” compõe, assim, um quadro onde, sobre o fundo de uma totalidade da história, se destaca uma multiplicidade de filosofias individuais, as dos pensadores que se vestem de historiadores”. Michel de Certeau. A escrita da história. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008. p 67.

295 Capistrano inaugura esse ponto de vista em seu Necrológio de Francisco Adolfo Varnhagen, Visconde de Porto Seguro (1878) e Sobre o Visconde de Porto Seguro (1882). João Capistrano de Abreu. Ensaios e estudos: crítica e história. 1ª série, 2ª ed.. Rio de Janeiro/Brasília: Civilização Brasileira/INL, 1976. Autores tão diversos como Oliveira Lima e Sérgio Buarque de Holanda como debateram nos capítulos anteriores, retomaram essa concepção de Varnhagen como um historiador desprovido de “sentido” em sua escrita de história.

296 Varnhagen, HGB, 1857, pp. 315-316.
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