Lugares da produção em história da educação mato-grossense: a imprensa periódica em foco



Baixar 70.02 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho70.02 Kb.

Lugares da produção em história da educação mato-grossense: a imprensa periódica em foco


Adriana Aparecida Pinto

Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Educação Escolar – Unesp Araraquara

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus Coxim-MS

adrianaufms@gmail.com

O órgão essencial da opinião publica é a imprensa

(Rui Barbosa, Jornal do Comercio, 1895)

Estudos históricos acerca da organização do campo educacional em Mato Grosso, pouco à pouco vem consolidando-se como temário de investigação privilegiada no Estado, tendo em vista o estimulo e fomento à pesquisas em educação. O presente trabalho insere-se nessa vereda de esforços empreendidos em prol da pesquisa histórica em educação, na tentativa de mapear e compreender os espaços de sua produção, detendo-se mais detalhadamente na analise de fontes relacionadas à imprensa periódica de circulação geral. Para realizar tal exercício, além da seleção, organização e análise de fontes documentais relativas à imprensa, consideradas primárias para este trabalho de pesquisa, consideram-se pertinente discutir sobre alguns dos principais balanços bibliográficos da produção existente no Estado, e acima de tudo sobre o Estado no intuito de dialogar com a produção existente e apontar possibilidades de investigação que emergem em suas entrelinhas, tendo em vista que os lugares em que esta produção se efetiva, marcam um conjunto de idéias postas em circulação, posições políticas e intelectuais, interesses, conflitos e a instauração de um ideário pedagógico fruto dos encontros e desencontros desses embates.

Fator que nos chamou a atenção quando da realização do mapeamento do material para a pesquisa de tese, a ausência de revistas especializadas em ensino, fonte produtiva de circulação de idéias em outros estados da federação – a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, não impediu que houvesse em Mato Grosso, intensos debates sobre o tema da instrução pública, como evidenciam pesquisas já realizadas. Contudo este estudo justifica-se em virtude da ausência de trabalhos que busquem compreender os mecanismos e dispositivos utilizados para a configuração da instrução pública, na tentativa de entender como a imprensa de circulação geral promoveu (ou não) a difusão daquele ideário republicano de educação, partindo da hipótese de que essa difusão trata-se de um movimento inserido em um contexto mais amplo - a circulação de modelos pedagógicos - os quais, supostamente, representariam práticas bem sucedidas e modelos a serem imitados.

Diante da tarefa imposta, o primeiro movimento em direção aos lugares de produção do conhecimento, amparados na concepção de Bourdieu (2005) de campo de poder, campo intelectual, segue o alerta do autor quando afirma que

a condição básica consiste em constituir o campo intelectual (por maior que seja sua autonomia, ele é determinado em sua estrutura e em sua função pela posição que ocupa no interior do campo do poder) como sistemas de posições predeterminadas abrangendo, assim como os postos de um mercado de trabalho, classes de agentes providos de propriedades (socialmente constituídas) por um tipo determinado. (2005, p. 190)

Os caminhos da escrita da história da educação mato-grossense, conta com esses elementos quanto à constituição do campo: o mapeamento dos pesquisadores e dos temas objetos de suas investigações afiança essa hipótese. A própria história do Estado, contada com alguns recortes, apresenta, por si mesma o caráter de originalidade e necessidade esforços em direção ao recrudescimento desses estudos: Mato Grossoi é um dos poucos estados brasileiros que teve sua constituição geográfica, e consequentemente política, alterada recentemente, em 1977, mas, ao nosso ver, ainda padece de uma série de resquícios que secundarizam as formas de acesso a história e cultura do segundo maior estado em termos de unidade territorial do Brasil.

Frente ao levantamento bibliográfico inicial, derivaram alguns questionamentos e impressões, alguns dos quais vem sendo problematizados pela produção historiográfica educacional recente, mas que ainda comportam outras investigações. Nessa senda, a obra daqueles que, neste trabalho nominamos como memorialistas da educação mato-grossense, tem sido apropriada e questionada como lugar de produção de um determinado tipo de conhecimento, pautada em documentos produzidos pelo poder público, bem como os limites de riscos em seu contar a história do “seuii” estado. Trata-se, pois, de um ensaio com vistas a uma operação historiográfica, no sentido atribuído por Michel de Certeau (1999).

A produção da história da educação em e sobre Mato Grosso, no século XX, encontrava-se muito associada aos seus autores. Ganharam relevância análises e interpretações autorizadas de jornalistas, advogados que se fizeram historiadores de ofício, contribuindo para publicizar a história do Estado. Ligados diretamente ou indiretamente a grupos políticos que se alternavam no poder e membros de grupos familiares de tradição, esses historiadores ganharam notoriedade e cingiram a história do Estado a partir das fontes possíveis de serem recenseadas no período de sua escrita, mas, sobretudo, demarcando as análises a partir dos lócus de enunciação, essencialmente político.

Rubens de Mendonça (1967) demonstra a necessidade da atenção ao recorte em sua obra História de Mato Grosso através de seus governadores, bem como Estevão de Mendonça em Datas Matogrossenses. A produção da e sobre a história da educação mato-grossense é, ainda, tributária de algumas publicações consideradas inaugurais, no que concerne ao seu esforço de síntese bem como as informações que mobiliza: A Evolução do ensino em Mato Grosso; Um século de instrução pública: História do ensino primário em Mato Grosso; História do ensino em Mato Grosso e Monografias Cuiabanas - Questões de ensino.

Atualmente, as pesquisas sobre história da educação em Mato Grosso situam-se majoritariamente, no interior dos Programas de Pós Graduação em Educação (PPGEd) – lugar reconhecido e credenciado de produção do conhecimento cientifico. Ao lado dos PPGEd figuram as fundações de apoio a pesquisa. Nesse sentido, o esforço de mapeamento da produção em história da educação realizado, inicialmente por Fedatto (2008), e posteriormente por Brazil e Furtado (2009) evidencia que o campo está em construção e a pleno vapor.

Todavia, esses nem sempre foram seus principais centros de difusão. Identificamos uma preocupação consistente dos Programas de Pós Graduação em História, em investigar problemas relacionados à educação em seus mais diversos objetos e abordagens teórico-metodológico sem, contudo, configurarem a linha de pesquisa “história da educação” como forma de acesso direta à produção das pesquisas. Decorrem daí dois tipos de questionamentos: A história teria, recentemente, reconhecido e integrado ao seu corpus de sub áreas de conhecimento os estudos em educação como objeto de estudos validados pela comunidade acadêmica? Os estudos sobre a educação em e sobre Mato Grosso materializariam essa produção no interior dos Programas de Pós Graduação em História?

A produção histórico-educacional deste estado aparenta não dispor de muitos estudos utilizando-se de fontes da imprensa especializada em educação e de circulação geral. O levantamento de fontes constatou a preocupação com o estudo das instituições escolares ou aquelas que sediaram por algum tempo, escolas; estudos biográficos de autores os quais observou-se contribuição para a organização da instrução pública. Os estudos realizados por Elisabete Madureira Siqueira e Nicanor Palhares Sá (2006) atestam essa percepção, ressaltando-se o estudo de documentos oficiais, (do poder público) denotando esforço de organização, sistematização e síntese, objetivando conhecer e apresentar mecanismos por meio dos quais se efetivou a organização da instrução pública.

O Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade de Mato Grosso é pioneiro na iniciativa de criar e manter o grupo GEM (Grupo de Educação e Memória), que originou e embasou a instalação da linha de pesquisa História e historiografia da Educação, conforme demonstra o balanço realizado por Madureira e Sá (2006), mentores da iniciativa, dando a conhecer, mediante a realização de projetos de mapeamento e catalogação de acervos existentes em Cuiabá, de fins públicos ou privados, as possibilidades investigativas que se abriam para a História da Educação, e em outro momento, Silva e Siqueira (2009) apresentam a produção do PPGEd e suas contribuições para a consolidação da pesquisa em educação no Estado.

Objeto de divulgação e, na perspectiva bourdiesiana, de legitimação dos pesquisadores no campo, os periódicos científicos e Anais de Congressos ganham cada vez mais força e respaldo quanto à validação das pesquisas frente às agências de fomento: configuram-se como indicadores dos estudos no campo, em qualquer tempo, e fontes de pesquisa de extrema importância para entender e, por algumas vezes acompanhar, a movimentação dos pesquisadores por temas, assuntos e períodos de pesquisa, bem como a dinâmica de movimentação dos próprios temas eleitos como objeto de estudos, enfoques teóricos metodológicos mais utilizados em detrimento de outros. Em levantamento realizado por ocasião da tese de doutoramento, à exceção dos periódicos que circulam nos Estado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o alcance da produção dos pesquisadores e divulgação dos trabalhos deste estado, em dispositivos desta natureza, parece bastante tímido, não refletindo a produção mapeada, conforme as autoras já mencionadas anteriormente registram. A análise destas ausências pode ser objeto para estudos futuros, a exemplo das análises de Cordeiro (2008), quando do mapeamento da produção no campo da história da educação em periódicos educacionais de grande expressão.

A produção dos periódicos consolida um conjunto de práticas referencializadoras de um modo de produzir conhecimento. Ainda que com características muito peculiares à área em que se insere, como o tom discursivo utilizado, os assuntos desenvolvidos, os periódicos em educação dão a conhecer, de modo abreviado, em virtude das características de dimensão e circulação, “o que está sendo produzido em educação”, ressalve-se novamente os recortes operados pelos critérios de seleção para publicação dos textos, discussão a qual não será realizada neste artigo, mas pode indicar caminhos futuros para sedimentar pesquisa no campo histórico educacional.

A constituição do ensino superior no Estado de Mato Grosso é outro dado significativo para analisar os lugares da produção em História da Educação, tendo em vista que volume considerável das pesquisas sobre o tema era realizado fora do Estado: Gilberto Alvesiii já alertava para o fato em 2001. As universidades públicas no Norte e Sul do antigo estado mudaram esse quadro. Surgidas em 1970, as atuais Universidade Federal de Mato Grosso e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, investiram no processo de capacitação de seus quadros, com mais intensidade no Estado de São Paulo, em universidades como a USP, Unicamp, PUC, UFSCar e UNESP. Isso aprofundou os laços de influência de São Paulo sobre as idéias e experiências educacionais difundidas no Estado (ALVES, 2001, p. 173). Digno de nota, no entanto, é a existência desse laço de influência em tempos mais recuados, como demonstram as Mensagens de Presidente de Estado emitidas a Assembléia Legislativaiv e o Jornal Corumbaense.

Revela-se a recente e intensa movimentação do campo, na tentativa de impor-se quanti e qualitativamente como espaço de produção e de debates pertinentes no campo da educação, em especial no campo dos estudos comparados: entender a relação de Mato Grosso com o Estado de São Paulo, mediada pelos dispositivos de imprensa períodica, revelou-se vertente significativa para entender que a produção e o desenvolvimento mato-grossense, descritos como isolados, na perspectiva de Rubens de Mendonça, frente às grandes distancias relativas pólos de produção econômico, político e cultural do país em determinados momentos, não reflete tanto isolamento assimv.

A história da educação foi construída a partir de um modelo de leituras cercadas das referências de transplante e implantação cultural (CARVALHO, 2001). Diante disso é compreensível que se tenha forjado um modelo interpretativo tributário da máxima de que tudo que era posto em prática no Estado de São Paulo era necessariamente adjetivado como melhor, moderno, digno de ser seguido como exemplo e imitado como garantia de sucesso. A informação produzida e posta em circulação pela via dos jornais possibilita nesse sentido, a propósito das fontes e das estratégias de conformação do campo educacional em diferentes estados, problematizar as construções historiográficas que atribuem a São Paulo a influência deliberada nas ações em prol da educação constituídas, no estudo em questão, no estado de Mato Grosso.

Não é intenção, neste trabalho, anular o mérito das iniciativas paulistas no campo da educação, mas promover um deslocamento das interpretações, investigando aquilo que tem sido nominado em outros estados como “projeto hegemônico de nação paulista” para uma leitura mais voltada ao entendimento de um conjunto de condições favoráveis para a implementação de políticas e práticas que, de modo bem sucedido, acabaram por impulsionar e servir de referência para outros estados da Federação, no sentido de sua adoção, mediada ainda por processos de orientação técnica solicitada via dispositivos oficiais de governo, como demonstram o exame de Mensagens dos Presidentes de Estado, uma das fontes cotejadas nesta pesquisa. Não é intenção deste estudo, igualmente, propor uma teoria da história pungente do Estado de São Paulo no campo da educação, para o qual já existem indicativos bastante profícuos, denotando uma pretensa idéia de superioridade no campo, concorrente com a desejada. A luz de um conjunto de teorias interpretativas no campo da história cultural e das produções derivadas das categorias de análise propostas por este arcabouço teórico coloca-se em pauta a noção de hegemonia no campo das produções educacionais em relação a outros estados, contribuindo para uma leitura menos partidária, buscando identificar e dar a conhecer iniciativas autônomas em prol da constituição do campo em fase de organização, como é o caso da instrução pública.

Rubens de Mendonça (1977), em A evolução do ensino em Mato Grosso, possibilita delimitar o caminho trilhado por algumas instituições de ensino, sua trajetória e seus idealizadores, confirmando a participação de professores paulistas na organização da instrução pública deste estado. A participação paulista se efetiva na gestão de Pedro Celestino Correa da Costa, a qual, afirma Mendonça “(...) Mato Grosso deve a reforma de seu ensino.” (1977, p. 26). Tem-se, com esta reforma a criação da Escola Normal e da Escola Modelo, para as quais Pedro Celestino “contratou para a reforma do ensino no Estado professores paulistas especializados: Leovigildo Martins de Mello, Waldomiro de Oliveira Campos, Gustavo Kulmann e João Bueno de Camargo”vi (MENDONÇA, 1977, p. 26)

Insistindo na crença de inovação educacional que seria proporcionada pelo trabalho dos professores paulista, Mendonça acrescenta:

Pedro Celestino contratando aqueles professores paulistas deu nova modalidade ao nosso ensino. Leovegildo Martins de Melo usando moderno método pedagógico procurou incutir no espírito da criança um sistema de ensino diferente do que era adotado, procurou fazer o aluno participar da vida escolar (...) Assim sendo, o professor paulista em primeiro lugar procurou fazer a criança estimar à escola e os mestres que lhes tratavam de maneira afável (...) Os castigos usuais em Mato Grosso, a palmatória que no dizer de Theobaldo Miranda dos Santos: ‘embotam a sensibilidade, destroem o sentimento de dignidade pessoal’ , foi substituída por uma escola moderna, racional e humana. (1977, p. 26)

Araújo identifica “forte influência do Estado de São Paulo sobre o Estado de Mato-Grosso, no tocante às mudanças econômicas, políticas e educacionais” (2005, p.53)

Pedro Celestino Correa da Costa, (...) buscou guarida nas experiências educacionais paulistas, consideradas a vanguarda da formação intelectual moral e cívica dos educandos, importando até professores de SP. Essa busca pela modernização revela a preocupação em inserir o Mato Grosso no espírito republicano de ordem e progresso, e também, a necessidade de se formar quadros para a burocracia do Estado. (ARAÚJO, 2005, p. 54)

Todavia, as contribuições paulistas não foram aceitas de imediato pelos professores que atuavam em Mato Grosso no período em questão, possibilitando indicativos das tensões observadas a partir da imprensa:

a imprensa da capital de Mato Grosso escrevia diretamente contra ele [o professor Leovegildo Martins de Melo] , chamando - dentre outros adjetivos de ‘pau-rodado’ , que na gíria local significa pessoa fracassada, sem condições de progredir, de ensinar (...) viera de longe, chegara até Cuiabá para trazer novos métodos de ensino, novas técnicas didáticas, nova luz ao desenvolvimento educacional do Estado. Com o tempo ele foi sendo aceito, passou a ser admirado e respeitado. (Rosa, 1990, p. 62-3 apud ARAÚJO, 2005, p. 55)

Por meio da imprensa periódica torna-se possível identificar as premissas do chamado discurso fundador, pois busca “(...) a notoriedade e a possibilidade de criar um lugar na história, um lugar particular. Lugar que rompe no fio da história para reorganizar os gestos da interpretação.” (ORLANDI, 1993, p. 16) no qual se assentam as bases do discurso das práticas inovadoras da instrução pública paulista. As revistas de ensino, de certa maneira, contribuem para homologar esse papel.

Por outro lado, uma série de trabalhos asseveram o papel da imprensa periódica com importante aliada na produção do conhecimento histórico em educação. Ainda que em grande parte dos trabalhos a imprensa constitua-se como fonte secundária na realização das pesquisas, como já citado anteriormente, seja no cotejamento das informações de cunho político, ou ainda no aspecto da validação de discursos proferidos por personalidades, intelectuais ou pessoas comuns é notório o seu papel, revelado nas linhas e entrelinhas dos escritos que circulam nas páginas de jornais e revistas, tenham eles características ligadas diretamente aos escritos sobre a instrução pública, ou sobre a educação em termos mais gerais, configurando o que Antonio Nóvoa (1993) qualifica como imprensa de educação e de ensino, ou nas páginas dos semanários, jornais diários que circulavam com periodicidade nem sempre tão regular, mas anunciavam seus temas com a freqüência e intensidade conforme os interesses dos grupos que o produziamvii.

A imprensa configura-se, na perspectiva metodológica que orienta as análises em curso, como verdadeira arena para a luta de classes: luta pela consolidação de um campo de atuação profissional (CATANI, 1989, 1994); lutas pela consolidação do espaço docente enquanto lócus de atuação e formação de idéias; luta pela hegemonia na produção de discursos autorizados e, por conseqüência legitimados, dentre outros espaços de intervenção e atuação, nem sempre tão visíveis e valorizados por pesquisas em momentos anteriores.

Em última instância, “é possível analisar a participação dos agentes produtores do periódico na organização do sistema de ensino e na elaboração dos discursos que visam a instaurar as práticas exemplares.” (CATANI, 1994, p. 60). Frente ao papel atribuído aos estudos que se utilizam de fontes ligadas à imprensa de um modo geral, seja especializada em ensino ou de circulação geral,

Incondicionalmente, por se tratar de estudos que investigam a organização do campo educacional a partir da leitura de impressos postos em circulação em diferentes estados, embora produzidos em tempos sincrônicos, não é possível prescindir da abordagem dos estudos comparados como baliza para esquadrinhar o campo de discussão, ao passo que estabelecer as categorias que orientarão a releitura de alguns escritos do campo. Outras localidades em Mato Grosso, ainda que não ao mesmo tempo, também veiculavam a adoção do ideário pedagógico educacional republicano nas páginas de seus periódicos. Os estudos realizados com jornais que perfazem o período entre os anos de 1880 a 1920, demonstram, para além da intensa produção editorial mato-grossense com sede na capital Cuiabá, volume significativo das preocupações com a instrução pública pode ser observado nas páginas dos jornais de Corumbá, Cáceres, Poconé, Dourados, Ponta Porã, Campo Grande.

Diferentemente da imprensa especializada em ensino, os periódicos de circulação geral, embora, não dediquem suas páginas especificamente às questões educacionais, veiculam informações pontuais acerca da organização da instrução pública, as quais permitem delinear as discussões estavam sendo realizadas em determinados períodos, quais interesses orientavam a condução dos rumos da instrução pública.

Em Mato Grosso, conforme Licurgo Costa & Barros Vidal (1940, p. 53),

Foi em 1840 que, com o Themis Mato-grossense, publicado em Cuiabá, Mato Grosso teve seu primeiro jornal. Veio depois o “Cuiabano Oficial” e que passou a chamar-se “O Cuiabano”, circulando em 1842. E em 1889 tinham vida regular em Cuiabá os seguintes jornais: “A Provincia de Mato-Grosso, “A Situação”, “A Gazeta”, “A Vespa”, “O Futuro”. De acordo com estes autores, à época, circulavam em Mato Grosso os seguintes jornais: “A Razão – Caceres – Folha da Serra, Campo Grande – Tribuna, Corumbá – A Folha do Povo, Ponta Porã – A Fronteira, Caceres – A Mocidade, Ponta Porã – Gazeta do Comércio, Três Lagoas – Mato Grosso, Cuiabá – Gazeta Oficial, Cuiabá – Guaraní, Campo Grande – Progressista, Campo Grande – Município, Corumbá. (1940, p. 183-4)

As fontes ligadas à imprensa de circulação geral anunciam os lugares da produção do conhecimento educacional, a discussão das histórias conectadas, circulação de modelos pedagógicos e intelectuais bem como da noção de hibridação cultural. Maurilane Biccas (2008) evidencia essas possibilidades em O impresso como estratégia de formação.

Cordeiro e Carvalho (2002) revelam que as publicações periódicas não seguem apenas convenções pré-estabelecidas por seus locais de publicação, estando, pois, inseridas em uma proposta de difusão e circulação de saberes que ultrapassam as fronteiras regionais e inserem-se em um movimento de institucionalização de práticas consideradas modelares. O estudo de periódicos permite identificar essas influências, visto que, por meio dos textos de seus expedientes, editoriais, artigos, aliada a recuperação da trajetória e formação de seus editores, autores de textos e das próprias menções explicitas, ou não, no teor dos artigos, é possível perceber e mapear as bases discursos e buscar os fundamentos que os sustentamviii.

Para Revel,

por que o pertencimento a uma civilização continua a ser argumento constantemente invocado quando se trata de explicar conflitos de identidades ou de proclamar vantagens que se reinvidica sobre os outros? [...]Cada fato cultural singular não pode, segundo ele (citando Febvre), ser compreendida senão com um dos componentes de ‘uma rede complicada e movente de acontecimentos sociais’ em constante interação uns com os outros. Além disso, cada horizonte cultural deve ser analisado como um sistema de símbolos, de valores, de afetos e instrumentos, sistema no qual é necessário que ele seja compreendido, não em sua proximidade relativa, mas, ao contrário, em sua distância irredutível em relação aos períodos que o precedem e que o seguem, mas também, é evidente, em relação ao ponto de vista daquele que o estudou. (2009, p. 105-109)

O universo da micro-história permite ainda, na esteira das afirmações de Revel,

a substituição de um contexto unificado, homogêneo, pela de um contexto que se poderia chamar de ‘folheado’, visto que é feito de uma série de contextos diferentes e diferentemente organizados, o que é uma maneira de lembrar que os atores do passado viviam, como é o nosso caso, simultaneamente em vários mundos de significação e de ações. Eis aqui o que pode também nos convidar a inverter a relação tradicionalmente admitida entre texto e contexto: é a partir do texto que se deve dedicar a reconstruir os contextos múltiplos nos quais ele adquire ação e sentido. [...] Trata-se aí de um imenso terreno, que não foi abordado durante muito tempo senão por meio de pares de oposição demasiado simples (do tipo: tradição vs ruptura, cânone vs vanguarda), oposições que muito frequentemente tendemos a esquecer que são elas próprias construções históricas culturais. (2009, p. 136-7)

A tentativa de comparação aqui empreendidos parte da opção metodológica que auxilia no entendimento do que Aisenstein e Rocha (2009) qualificam como similitudes, peculiaridades e hibridações, pois essas noções permitem entender “[...] a história de circulações, intercâmbios e experiências comuns, mas ao mesmo tempo, faz emergir as singularidades e as diferenças.” (2009, p. 195) , tendo em vista de que um dos aspectos que possibilita a intersecção dos interesses paulistas e mato-grossenses no período traduz-se pelo signo da mudança e modernidade, comum ao período de transição do regime monárquico para o republicano, embora José Murilo de Carvalho (1999) ateste que a tão proclamada modernidade republicana, não foi alcançada por todos os estados brasileiros. As autoras afirmam que o processo de difusão dos modelos ocidentais cria mesclas, mestiçagens, sendo fundamental, para a sua compreensão, pensar as diferentes partes do mundo como zonas interconectadas, onde se multiplicam as relações entre poderes, grupos e culturas. (AISENSTEIN e ROCHA, 2009, p. 199)

Partimos do pressuposto de que a imprensa, seja ela especializada em educação ou de circulação geral não estão num campo alheio a políticas de (re) organização desta instrução pública pretensamente modelar, ao contrário, atuam como força corroboradora que conta com espaço privilegiado para algumas discussões, ao mesmo tempo inserem-se no campo das disputas por uma hegemonia no plano das idéias, que lhes conferiria, supostamente, a legitimidade do discurso educacional dominante.



Olhares, lugares, histórias

A aproximação, neste trabalho da história da educação com os estudos ligados a uma vertente que se aproxima da antropologia histórica deve-se, particularmente, a introdução dos textos desta natureza, na disciplina de Conhecimento e Método, posteriormente alicerçados na discussão das matrizes organizativas do pensamento que vem deslocando a compreensão de uma história da educação comparada, para histórias em conexão, ou histórias conectadasix. O exercício de construção metodológica do trabalho, assim como o próprio trabalho encontra-se em curso, pois as conexões são dadas a medida em que se estabelecem os diálogos entre as fontes, a produção da qual derivam a fundamentação teórica e o olhar inquisitivo do pesquisador. Em Robert Darnton (1987, 2005, 2010), encontramos certo conforto para tecer tais afirmações, sem no entanto, incorrer em um empirismo desarticulado, em diálogos impertinentes, ou excesso de pragmatismo.

Na perspectiva de Marcel Detienne (2004), mais do que comparar o que é dado a comparar, interessa “comparar os incomparáveis”. Os deslocamentos, tanto no que se refere a busca por outras fontes para a pesquisa, que originalmente estava assentada na materialidade das revistas periódicas de ensino, quanto na redefinição dos marcos periodizadores apontados no projeto de tese, foram mediados pelo conjunto de atividades realizadas ao longo desse período, desde a primeira o primeiro contato com as fontes, que identificou a inexistência de publicações periódicas com características seriadas no campo da instrução, bem como a mudança no processo de seleção e analise da documentação pertinente ao trabalho, os jornais, cujo esforço de recuperação, sistematização e síntese das matérias demanda esforço significativamente distinto àqueles empreendidos com relação a revistas de ensino.

Consideramos necessário extrapolar as fronteiras cuiabanas da produção do conhecimento produzido sobre a história da educação mato-grossense, sem no entanto, romper com os laços que a tornam exemplar na implantação das políticas e consecução das iniciativas no campo, no entanto, amparada na pesquisa nos acervos e no exercício cotidiano do paradigma indiciário, sugerido por Carlo Ginsburg, fomos interrogando a imprensa, na tentativa de entender se outras iniciativas congêneres àquelas encontradas em Cuiabá, não teriam sido empreendidas em outras cidades do Estado, ainda que com dificuldades de ordens diversas.

Nesse sentido, ganha corpo e importância o entrecruzamento de informações obtidas a partir da seleção de outras fontes para interrogar sobre o mesmo fim: citam-se as Mensagens de Presidente de Estado, que viabilizaram, na medida da legislação produzida acerca do tema da instrução pública, pistas significativas dos municípios em que se poderiam buscar elementos para a representação da instrução pública mediante os dispositivos da imprensa.

Resultou deste trabalho, não apenas o encontro com os temas pertinentes à área de interesse para a tese, como também elementos que dão margem e sustentação à contestação de alguns aspectos postulados pela produção dos estudos memorialistas em Mato Grosso, bem como indicativos de que há ainda muito por se escrever em se tratando da história da educação deste Estado. Merece registro, no entanto, a necessidade do recuo no tempo da pesquisa.

Sobre essa matéria, a justificativa segue o curso e o tempo das fontes selecionadas para a investigação, ou seja, foram os encontros e desencontros com os dispositivos de imprensa, no caso deste trabalho da imprensa periódica de circulação geral – que orientaram tanto a delimitação temporal para o estudo, quanto as matrizes teóricas que de modo mais adequado, possibilitaram ao pesquisador interrogar melhor as fontes, na intenção de extrair delas e sobre elas elementos para aquilo que nomeamos como “organização da instrução pública mato-grossense, à luz da imprensa periódica”.

O exercício prático desse conjunto de idéias resultou na seleção de 35 títulos ligados à imprensa que estiveram em circulação em Mato Grosso, no período entre os anos de 1880 a 1920. A proposta inicial cingia a investigação a partir da primeira década republicana, havendo, porém a necessidade de recuar no tempo, para dar visibilidade ao discurso progressista identificado nas páginas dos jornais em algumas províncias/cidades mato-grossenses.

Capelato (1994) afirma que, a imprensa possibilita ao historiador acompanhar o percurso dos homens através dos tempos. A mesma autora afirma que no Brasil, principalmente nas últimas décadas do século XX, a imprensa passou a interessar aos historiadores que reconheceram a sua importância para os estudos históricos, entendendo “[...] a imprensa [...] fruto [...] de um esforço para se repensar problemas, abordagens e objetos da história”. (CAPELATO, 1994, p.20). E da história da educação certamente. Essa autora afirma ainda que:

A imprensa, ao invés de espelho da realidade passou a ser concebida como espaço de representação do real, ou melhor, de momentos particulares da realidade. Sua existência é fruto de determinadas práticas sociais de uma época. [...] a imprensa age no presente e também no futuro, pois seus produtores engendram imagens da sociedade que serão reproduzidas em outras épocas. (CAPELATO, 1994, p.24).

Exemplo disso são as constantes menções a Rui Barbosa, encontradas. Rui Barbosa figura entre o phantheon dos jornalistas de maior destaque no Brasil, até a década de 1940, segundo Costa e Vidal,

em todos os setores que surgiu, iluminado pelo clarão do seu gênio, Rui Barbosa deixou inapagaveis traços de sua formidável cultura e na imprensa seu nome foi, sempre, uma bandeira a encabeçar grandes movimentos. O jornal teve, em sua longa existência, influência marcante. Quando foi proclamada a República no Brasil, o seu prestígio de jornalista elevou-o ao alto cargo de Ministro, não deixando de escrever seus magistrais artigos, verdadeiras peças literárias de grande beleza, enquanto nele se manteve. Escreveu no “Radical Paulistano” e dirigiu, no Rio de Janeiro, o “Diario de Notícias.(1940, p. 236)


Para dar forma às discussões e análises foram selecionados os periódicos O Corumbaense (Corumbá), A locomotiva, Echo Cuiabá. Diário Official, A Tribuna, A opinião.

Na intenção de compor um caleidoscópio das discussões levadas a termos nas páginas da imprensa mato-grossense, o critério das mudanças inaugurais do sistema político, demarca a seleção das fontes a partir tendo o estado diante de si, a tarefa imposta a todos os outros da federação, de ao menos no campo das formulações discursivas, retirar o Brasil do atraso em que se encontrava, frente a outros países do mundo, cuja periodização situada entre os anos de 1880 a 1910.

Se a mudança política já estava em curso e a República congregava os interesses da modernidade e dos avanços em vários campos de atuação, a educação seria “o braço forte do impávido colosso” a guiar os estados rumo ao desenvolvimento almejado. Forjam-se nesse movimento, modelos de atuação, conduta e práticas representativas de sucesso, incorporadas ora em personagens representativos na cena pedagógica, ora configurada na força motriz propulsionada por alguns estados da federação. Novamente o encontro das fontes oficiais auxilia no crivo da imprensa, pautando os dados referentes ao desenvolvimento quantitativo de Mato Grosso em contraposição aos estados considerados pela própria tradição historiográfica brasileira como representativos da gênese modelar, em matéria de ensino. Diante de tais premissas, o diálogo acadêmico se efetiva a partir dos jornais: O Corumbaense (Corumbá); O Argos (Cáceres) A Gazeta, O Matto Grosso, A verdade, O Clarim, O filhote, O Colibri, O Pharol, Gazeta Official, Oasis (Corumbá), Echos do Povo, O sertanejo, O Martelo, A coligação, O cruzeiro.

Por fim, na tentativa de entender o movimento educacional que se instaurou no país e seus modos de apropriação em Mato Grosso, os lugares de produção da história da educação passam a ter o foco na imprensa jornalística que circulou entre os anos de 1910 1920, entendendo que, a partir desse momento são gestadas novas referencias para a produção na história da educação brasileira, que evidentemente não se mostram apenas no marco periodizador situado nos anos 1920, como bem demonstram as análises empreendidas, dentre outros autores como Nagle (2001) e Valdemarin (2004). Ganham visibilidade neste trabalho, a partir deste momento os periódicos, O Neophyto, O Debate, O Estado, O município, O Republicano, Jornal do Comercio, A Tribuna, Correio do Sul.

Embora a imprensa fosse local privilegiado para denúncias acerca das mazelas da instrução pública a outros empreendimentos editoriais também faziam esse papel. Frota Pessoa, quando da publicação do seu livro Divulgação do ensino primário, para além de uma série de críticas tecidas, a luz dos dados da Directoria de Estatistica Brasileira, revela, sobre o Mato Grosso:

Vêde o Amazonas e Matto Grosso, inexplorado matadouro de bandeirantes pertinazes; vede o Nordeste que a febre intermitente das seccas abraza e devora. Sertão a dentro – tudo é sacrifício e heroísmo, porque falta qualquer concurso do Estado e aos intreppidos batalhadores, falta educação, falta a experiência, falta o estimulo. E ainda os que affrontam esses horrores são excepções; os mais vivem , como bichos, sem soffrimentos, sem previdência e sem ambições.” (FROTA PESSOA, 1928, p. 24)

As estratégias de esquadrinhamento das fontes demandaram formas complementares de apropriação da imprensa, dando origem aos temas e subtemas desenvolvidos no interior dos momentos de organização do trabalho, cujos critérios foram apresentados anteriormente. Do exame preliminar de todos os periódicos descritos, emergiram categorias de analise como Escola Normal, grupos escolares,

Referências Bibliográficas

ALVES, Gilberto Luis. Nacional e Regional na história educacional brasileira: uma análise sob a ótica dos estados mato-grossenses. Educação no Brasil: história e historiografia. Campinas, SP: Autores Associados: São Paulo: SBHE, 2001. P. 163-189

AMANCIO, Lazara Nanci de Barros. Ensino de Leitura e grupos escolares. Mato Grosso – 1910-1930. Cuiabá: EdUFMT, 2008.

BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1993

BRAZIL, Maria do Carmo; FURTADO, Alessandra Cristina. Instituições escolares em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: primeiros apontamentos sobre a produção historiográfica nos séculos XX e XXI. Fontes e métodos em história da educação (p. 283-311).

CALHAÓ, Antonio Ernani Pedroso; MORGADO, Eliane Maria Oliveira; MORAES, Sibele de. Imprensa periódica mato-grossense (1847-1969): Catálogo de microfilmes existentes no núcleo de documentação e informação histórica regional da UFMT. Cuiabá: Editora Universitária da UFMT, 1994.

CAMARGO, Ana Maria de Almeida. A imprensa periódica como objeto de instrumento de trabalho: catálogo da Hemeroteca Julio de Mesquita do Instituto Histórico e geográfico de São Paulo. Tese de doutoramento (História). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. 1975.

CAPES, Estudos de desenvolvimento regional (Mato Grosso) Série Levantamentos e Análises, 1958, vol 4

CARVALHO, Marta Chagas. Apresentação. Educação no Brasil: história e historiografia. Campinas, SP: Autores Associados: São Paulo: SBHE, 2001.

CARVALHO, Marta Maria Chagas de. A escola e a república: outros ensaios. Editora Bragança Paulista, 2003.

CERTEAU, Michel. A escrita da história. Rio de Janeiro: Forense, 1982.

CHARTIER, Roger. Formas e sentido: cultura escrita: entre distinção e apropriação. Campinas, SP: Mercado de Letras, ALB. 2003.

CORDEIRO, Jaime Parreira Francisco. A produção em História da Educação em três periódicos: perspectivas comparadas. Anais do V Congresso Brasileiro de História da Educação, Aracaju, SE, 2008 (referencia 698[1])

CORREA FILHO, Virgilio. Questões de ensino: monografias cuiabanas. V 01. São Paulo: Monteiro Lobato. 1925.

COSTA, Licurgo & VIDAL, Barros. História e evolução da imprensa brasileira. Rio de Janeiro, 1940 (editado pela comissão organizadora da representação brasileira à exposição dos centenários de Portugal.) consultado no CPDOC da FGV, janeiro de 2011.

FROTA PESSOA, Divulgação do ensino primário: Memória apresentada em 1927 á Academia Brasileira de Letras – Premio Francisco Alves. Livraria Editora Leste Ribeiro, FREITAS BASTOS & CIA: Rio de Janeiro, 1928.

HILSDORF, Maria Lucia Speedo. Da circulação para a circularidade: propagação e recepção de idéias educacionais e pedagógicas no Oitocentos brasileiro. In: PINTASSILGO, J., FREITAS, M. C., MOGARRO, M. J. & CARVALHO, M.M.C. História da escola em Portugal e no Brasil. Lisboa: Edições Colibri, 2006, p. 65-88.

LEITE, Gervásio. Um século de instrução pública: história do ensino primário em Mato Grosso. Goiás: Rio Bonito, 1970.

MARCILIO, Humberto. História do ensino em Mato Grosso. Cuiabá: Secretaria de Estado da Educação, 1963.

MENDONÇA, Rubens de. Evolução do ensino em Mato Grosso. Cuiabá, MT: 1977.

NAGLE, Jorge. Educação e Sociedade na primeira república. 2ª. Ed. Rio de Janeiro, RJ: DP&A editora. 2001.

NOVOA, Antonio(dir.) A imprensa de Educação e Ensino: repertório analítico (século XIX-XX) Instituto de Inovação Educacional, 1993 (p. XV-LXII)

PINTO, Adriana Aparecida. DIÁLOGOS NO CERRADO: Contribuições da imprensa periódica na organização do campo educacional em Mato Grosso no século XIX - encontros e confrontos. Anais do VIII Congresso Luso Brasileiro de História da Educação, São Luis do Maranhão, 2010.

RODRIGUES, Maria Benício. Estado, Educação Escolar, Povo: A Reforma Mato-grossense de 1910. Cuiabá: EdUFMT, 2009.

SILVA, Elizabeth Figueiredo de Sá Poubel e. Escola Normal de Cuiabá: história da formação de professores em Mato Grosso (1910-1916). Cuiabá, MT: Central de Texto: EdUFMT, 2006 (Coleção coletânea educação e memória; v. 2)

SILVA, Liana Deise da. SIQUEIRA, Elizabeth Madureira. 20 anos da pós-graduação em Educação: avaliação e perspectivas. Revista Educação Pública. Cuiabá, v. 18, n. 37, p. 329-350, maio/ago. 2009

SIQUEIRA, Elizabeth Madureira. História de Mato Grosso: da ancestralidade aos dias atuais. Cuiabá, MT: Entrelinhas, 2002.

SIQUEIRA, Elizabeth Madureira. PROJETO (CNPq/Norte): Preservando o patrimônio cultural: arranjo, catalogação, informatização e microfilmagem do acervo documental e bibliográfico da Casa Barão de Melgaço. Cuiabá/MT (mimeo), 2004.

SIQUEIRA, Elizabeth Madureira. Reconstituindo arquivos escolares: a experiência do GEM/MT. Revista Brasileira de história da educação. nº 10, jul/dez 2005

VALDEMARIN, Vera. Estudando lições de coisas. São Paulo: Cortez Editores Associados, 2004

VIDAL, Diana Gonçalves; HILSDORF, Maria Lucia Spedo. Brasil 500 anos: tópicas em História da Educação. 2001.

FEDATTO, Nilce Aparecida da Silva Freitas Reflexões Preliminares Sobre a Produção em História da Educação no Mato Grosso do Sul (1977-2006). (mimeo)





i Trata-se da divisão do estado, a partir de 1977 em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Para além das questões de ordem política e administrativa, essa divisão marca significativamente os caminhos adotados na condução das questões educacionais nos dois Estados. Considera-se relevante essa informação tendo em vista que, no período em analise no presente artigo existia apenas o Mato Grosso uno, o que de certo modo, limitava às ações no campo educacional ao município de Cuiabá, capital do Estado, e àqueles que eram responsáveis pelo acesso da produção do estado, seja fluvial ou ferroviária.

ii Cabe aqui referendar a expressão característica PAU RODADO, para designar àqueles que vêm de outros Estados e em Mato Grosso resolvem fixar residência e estabelecer-se com seus familiares. Essa referencia foi atribuída aos professores paulistas que vieram em 1910, a pedido do Presidente de Estado, auxiliar na organização do campo educacional neste Estado.

iii O texto consta do livro Educação no Brasil, e representa o marco inaugural das iniciativas em prol da consolidação do campo de estudos em História da Educação, resultando no I Congresso Brasileiro de História da educação realizados no Rio de Janeiro em novembro de 2000. Na apresentação do livro, no qual constam conferencias e mesas redondas proferidas no Congresso, Marta Chagas Carvalho faz, dentre outras a seguinte apresentação sobre o texto de Alves “supondo o par regional/nacional, o autor propõe-se a estudar o modo como temáticas regionais realizam, nas formas particulares, o movimento do universal e como para cada objeto se da a mediação do nacional(...) autor refere os assim chamados “historiadores diletantes” autores que escreveram histórias locais reproduzindo quase que literalmente as fontes consultadas. (...) A seguir de maneira minuciosa e pertinente, o autor descreve a produção historiografica das universidades publicas mato-grossenses, voltando a referir-se as fontes e à necessidade de rever os modos de constituição negativa do passado observáveis em alguns momentos históricos(...)” (CARVALHO, 2001, p. 7)

iv PINTO, Adriana Aparecida. Por uma cartografia da instrução pública, 2011. (mimeo)

v Essa discussão foi desenvolvida em artigo apresentado no Luso Brasileiro de História da educação intitulado “Dialogos no cerrado: contribuições da imprensa periódica para a organização do campo educacional em Mato Grosso”. (2010)

vi Os normalistas Leovigildo Martins de Mello e Gustavo Kuhlmann foram integrantes da missão de professores paulistas enviada ao Mato Grosso para auxiliar na implantação da instrução pública, possivelmente aos moldes do Estado de São Paulo. Cf. Polianteia Comemorativa do Centenário Escola Normal.1946. Análise das contribuições de Leovigildo Mello podem ser conferidas no artigo de Sá, Elizabeth Figueiredo. Escola Normal e Gustavo Kuhlmann, um bandeirante na cruzada pelo ensino

vii A exemplo destes trabalhos citam-se: GONDRA, José Gonçalves. O veiculo de circulação da Pedagogia Oficial da República: a Revista Pedagógica (1997). VIDAL, Diana Gonçalves. CAMARGO, Marilena Jorge Guedes de. A imprensa periódica especializada e a pesquisa histórica; estudos sobre o Boletim de educação Pública e a Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (1992). CATANI, Denice Barbara. Informação, disciplina e celebração: os Anuários de ensino do Estado de São Paulo (1995). As pesquisas de Denice Barbara Catani (1989, 1994) compõem o quadro de referências fundamentais ao estudo acerca da imprensa periódica especializada em educação. As reflexões que auxiliam a elaboração desta discussão encontram-se, em CATANI, Denice. Perspectivas de investigação e fontes para a história da Educação Brasileira; a imprensa periódica educacional. CATANI, Denice Bárbara. Ensaios sobre a produção dos saberes pedagógicos.Tese Livre Docência. FEUSP, 1994 (p. 58-75)

viii SCHRIEWER, Jürgen. Sistema Mundial e Inter-relacionamento de redes: a internacionalização da educação e o papel da pesquisa comparativa. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 76. n 182/183, jan/ago, 1995.

ix Expressão utilizada a partir das referências possibilitadas no curso ministrado pela Prof. Dra. Diana Vidal, História Conectadas da educação, junto ao Programa de Pós Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, no período de março a julho de 2010.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal