Luiz Antonio de Assis Brasil fortuna crítica resenhas e ensaios Jornais e revistas nacionais e estrangeiras Classificada por obras



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Bibliografia:

(corpus)


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(teórico-crítica)


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O códice e o cinzel

Léa Masina


Motivado pelo desejo de recuperar aspectos diferenciados da cultura, neste fim de século em que as relações humanas se atomizam, Assis Brasil, em sua obra, acentua a relatividade do tempo e do espaço; mergulha no imaginário sul-rio-grandense e o transforma em metáfora do universo. Amoldando a matéria narrativa à sua linguagem e redescobrindo a história de um ponto de vista contemporâneo, inventa um mundo peculiar em que a arte se faz pela procura da melhor forma: aquela que traduz, pela impressão sensorial e pelo artesanato, a relação dialética entre o indivíduo e a sociedade.

Num primeiro momento, a obra de Assis Brasil propõe, no plano ficcional, a revisão da História do Rio Grande do Sul. Sobretudo nos três romances iniciais, que a crítica domina “trilogia dos mitos”, o leitor se depara com a abordagem romanesca de episódios que invertem o foco dos relatos. Não obstante, a própria História é sua matriz, fonte que possibilita ao escritor a inovação temática, emprestando-lhe o eixo cronológico, ordenador da sintaxe narrativa. Diversas leituras possíveis remetem, pois, à função propriamente formadora da literatura, ressaltando a figura do escritor, sua responsabilidade e o papel que lhe cabe numa sociedade em desenvolvimento.

Luiz Antonio de Assis Brasil estreia na ficção em 1976, em meio às comemorações do Biênio da Colonização e Imigração no Estado. Introduzindo na literatura gaúcha a figura do imigrante açoriano, sua obra inicial Um quarto de légua em quadro foi apontada, à época, como uma das revelações literárias da década, fazendo jus ao Prêmio “Ilha de Laytano”.

Tanto nesse primeiro romance, quanto em A prole do corvo, de 1977, encontram-se muitas das características que compõem seu processo de criação literária e que permanecerão, visíveis ou latentes, no decorre da obra. São elas: a presença da História como fonte temática e ordenadora da narrativa e a consciência profissional do escritor, ambos com repercussão tanto no plano ideológico, quanto no plano propriamente estético.

Nesse sentido, o episódio do Doutor Gaspar Fróes, médico de bordo que registra em seu diário as vicissitudes e os desacertos dos ilhéus, no processo de ocupação das terras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, deixa transparecer, em muitos momentos, a fonte ascendência do pesquisador sobre o romancista. Neste romance, não raro, a História submete as personagens.

A prole do corvo assemelha-se á obra inicial: nesta, a Campanha, elemento de definição do Regionalismo desde os primórdios do século, quase se torna um ardil para o escritor, que luta contra o fascínio do registro. Assis Brasil é um homem sensível e sabe que a História é repleta de falácias. A ficção torna-se, para ele, instrumento de desmitificação. Se a grandeza heróica sustentara, até então, grande parte das obras regionalistas, dedicadas a narrar a epopeia das guerras, fixando hábitos de vida, usos e costumes da Campanha, o que o escritor agora propõe é a denúncia da intolerância. A Revolução Farroupilha, luta ferrenha entre duas oligarquias elevada a símbolo de heroicidade do povo gaúcho, ressurge, então, em seus aspectos mais sombrios, acentuando com nitidez a oposição entre grupos sociais.

Deste modo, o painel coletivo, apreendido através do drama individual de Filhinho, representa ironicamente todo o “nonsense” da guerra. Herdeiro de Chicão Henriques de Paiva, estancieiro e senhor de Santa Clara, Filhinho se incorpora às tropas revolucionárias para que não desapropriassem os cavalos da Estância. Esse fato, aliado á relação de quase incesto com a irmã, germe de narrativas futuras, foi tomado pela crítica comi índice de decadência dos valores burgueses e do latifúndio gaúcho.

Paralelamente, o romance retoma e dá continuidade a dois procedimentos importantes na dialética do escritor e seu texto: o de pesquisar a identidade do povo, até então recoberta pela aura idealista do Regionalismo, e de desmitificar vultos consagrados. São estes selecionados por sua singularidade e diferença, mas recriados em seus aspectos mais despojados e puramente humanos. Tal postura, revestida de um cunho fortemente antropológico, é observável ao longo da obra, com ênfase ora à recriação histórica e contextual, ora á personagem e seu imaginário. E este processo se apura á proporção que amadurece a técnica do romancista.

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